Imperatriz do Leste

34 Trigésimo terceiro capítulo


Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso trigésimo terceiro capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.


Senti alguém segurando minha mão no mesmo instante que o cheiro de algo forte foi capturado por minhas narinas, me obrigando a abrir os olhos para ver do que se tratava vislumbrando o rosto do meu noivo preocupado diante de mim, enquanto o médico real se afastava nos dando privacidade.

— Graças aos deuses, vossa majestade acordou. — Gael disse repleto de preocupação sentado ao meu lado, enquanto olhava ao redor identificando que estávamos no meu escritório particular, me deixando confusa do porquê estava ali e fiz menção de me levantar do sofá onde estava deitada, mas ele me impediu de fazê-lo.

— O que aconteceu? — questionei confusa desviando meus olhos dos seus para ver que na sala também estavam o médico real, minha dama de companhia e os membros da câmara dos lordes.

— Vossa majestade, desmaiou depois que recebeu os presentes de noivado do príncipe Gael, o que é compreensível diante da grande emoção que deve ter sentido no momento. Graças aos deuses, vossa alteza estava perto o suficiente para segurá-la, evitando que se machucasse. Sugerimos ao príncipe, que trouxesse a rainha para o seu escritório particular que é perto da sala do trono, lhe dando privacidade para se recuperar do mal-estar que sentiu. — lorde Samuel explicou e balancei a cabeça concordando — Como está se sentindo agora, rainha Virgínia?

— Estou me sentindo bem, chefe da câmara, creio que meu mal-estar tenha sido causado pela forte emoção que senti — assegurei ao meu secretário que sorriu feliz com a minha resposta —Foi uma atitude correta me trazer para o escritório, isso evitaria preocupações desnecessárias mediante o meu estado de saúde. Por favor, chefe da câmara dos lordes e demais senhores, voltem para o salão e informem a todos que estou bem, retornarei em seguida assim que o médico real me liberar. — solicitei aos membros da câmara dos lordes que concordaram deixando a sala em seguida.

Logo o médico real se aproximou para me examinar, pedindo licença para o príncipe do Sul que soltou minha mão e se afastou a contragosto, permitindo que ele fizesse seu trabalho sob seu olhar atento.

— E então, médico real, como minha noiva está? Por acaso esse mal-estar é parecido com o que a rainha sentiu ano passado? — Gael questionou com aflição para o médico, assim que ele terminou de fazer seus exames.

— Não vossa alteza real, sua noiva, a rainha Virgínia, está vendendo saúde — assegurou olhando para meu noivo que estava atrás de mim — Como vossa majestade explicou antes, sua perda de sentidos se deve a forte emoção que sentiu, algo que poderia acontecer com qualquer um.

— Tem certeza, médico real? O senhor não mentiria para mim, não é?

— Tenho certeza, príncipe Gael. A rainha Virgínia, está muito bem de saúde e jamais mentiria para o meu futuro soberano. — o médico real assegurou sem desviar os olhos do homem atrás de mim que respirou fundo.

— Obrigado por sua sinceridade, médico real, me perdoe se o ofendi de alguma forma, mas quando se trata de vossa majestade...— ele começou explicar, mas foi interrompido pelo médico real.

— Não precisa me pedir desculpas, vossa alteza, suas palavras não me ofenderam — disse gentil se levantando do sofá enquanto me sentava, já devidamente recuperada do mal súbito que senti — É visível o quanto o príncipe tem uma afeição especial por nossa rainha, por isso não precisa se desculpar por se preocupar com a monarca do Leste. — explicou fazendo uma reverência pedindo licença para deixar meu escritório e balancei a cabeça, autorizando sua saída nos deixando a sós na companhia de Agnes.

—Você está mesmo bem, meu amor? — questionou repleto de preocupação caminhando em minha direção e sentando-se ao meu lado, assim que o médico real saiu do meu escritório.

— Estou bem, Gael, não precisa se preocupar. — assegurei olhando em seus olhos azuis claros e ele me abraçou com carinho, enquanto fechava os olhos apreciando seu cheiro e calor que tanto me fizeram falta no último ano.

— Fiquei tão preocupado, minha princesa — segredou aflito me abraçando um pouco mais forte — Achei que meu coração fosse parar de bater, quando a vi perder os sentindo na minha frente...Por favor, nunca mais me dê um susto desses de novo. — implorou e me afastei dos seus braços para olhar o homem que tanto amava.

— Eu prometo. — assegurei e ele desviou os olhos dos meus para olhar ao redor constatando que estávamos apenas na companhia de sua tia antes de me beijar, enquanto passava meus braços ao redor do seu pescoço puxando-o para mais perto desfrutado do seu gesto de carinho.

— O que aconteceu com “precisamos agir com mais cautela e não sermos impulsivos”?! — questionei curiosa assim que nos separamos quando o ar se fez necessário e ele gemeu resignado, antes de sorrimos.

— Odeio admitir, mas não consigo ser racional muito menos cauteloso quando estou perto de você...Por que tivemos que marcar nosso casamento para daqui a três dias?! — questionou com pesar olhando para o teto e sorri, antes de beijar o seu queixo com carinho.

— Posso pedir para o sacerdote nos casar hoje mesmo, se for do seu desejo. — ofereci e Gael voltou sua atenção para mim, com os olhos brilhando diante da possibilidade.

— Isso seria possível?

— Claro que sim, príncipe Gael, sua noiva é a monarca do Leste, basta apenas uma ordem e seu desejo será realizado — Agnes explicou antes de assumir um ar sério — Entendo a vontade dos senhores em se casar logo, os dois se amam muito e já esperam tanto tempo para ficarem juntos, mas se casar dessa forma apressada e as escondidas levantaria suspeitas contra a honra da minha soberana, ainda mais depois do mal-estar que sentiu minutos atrás.

— Tia Agnes tem razão, as pessoas poderão supor que nos casamos com pressa devido a uma possível complicação inesperada. — Gael disse gentil e balancei a cabeça, ciente do que ele estava sugerindo.

Uma complicação inesperada que poderia se tratar do futuro herdeiro do trono do Leste, concebido antes de contraímos nossas núpcias ou o pior de todos, uma possível traição de minha parte contra a honra do meu noivo.

Não.

Agnes realmente tinha razão, tínhamos que ser cuidadosos e prudentes agora que estávamos tão perto, mesmo que nossos sentimentos nos fizessem fazer o contrário.

— Vocês têm razão, se dermos um passo em falso perderemos tudo pelo que lutamos e nos sacrificamos durante tanto tempo — admiti e os dois concordaram, enquanto voltava meus olhos para o homem ao meu lado — Pode esperar só mais dois dias, para ser meu consorte oficialmente, príncipe do Sul? — questionei acariciando sua bochecha com carinho e ele sorriu amoroso para mim.

— Posso — assegurou sério sem desviar os olhos dos meus. — E vossa majestade, pode esperar só mais dois dias para ser minha rainha?

— Posso. — assegurei sincera e ele sorriu com carinho, afastando minha mão que estava repousada em seu rosto beijando sua palma.

— Desculpe interromper, mas vossa majestade e vossa alteza real, já se ausentaram demais do salão. — Agnes disse com preocupação e concordamos em seguida Gael se inclinou para me dar um beijo, rápido demais para o meu gosto, em meus lábios levantando-se e oferecendo sua mão para mim que aceitei de bom grado, enquanto caminhávamos em direção a sala do trono voltando para o nosso jantar de noivado.

Assim que entramos no local todos vieram saber como estava e assegurei que estava bem, responsabilizando a emoção por meu mal-estar passageiro o que pareceu tranquilizar os presentes enquanto Gael se mantinha ao meu lado, a postos para qualquer outro mal-estar que pudesse voltar a sentir.

Depois que conversei com todos, pedi aos servos que entregassem uma taça de vinho aos convidados, pois gostaria de dizer algumas palavras de agradecimento antes de realizar o brinde que oficializaria meu compromisso com o herdeiro do reino do Sul.

— Gostaria de agradecer a presença de todos nesta noite. Muitos de vocês estiveram ao lado do meu pai durante todo o seu reinado e é uma honra para mim, poder ter lhes devolvido seu lugar de direito depois de serem privados dele por tantos anos — comecei a falar com uma taça na mão olhando para cada um dos meus convidados, tendo Gael ao meu lado — A noite de hoje é um marco na nossa história, pois além de oficializar o meu noivado com o príncipe Gael, filho da casa real do Sul, é o dia em que celebramos também o nascimento do império do Leste. No qual depois de anos travando batalhas internas, o Leste e o Norte, se unirão oficialmente para viverem anos de paz e bonança depois de tantos séculos em guerra. — disse sorrindo e todos me aplaudiram felizes por saber que finalmente meu reino se uniria, depois de tantos anos mergulhados em caos causado pelos interesses mesquinhos de homens ambiciosos.

— Mas tudo isso só se tornou possível hoje, graças a três pessoas: o falecido rei consorte Marco, pai do meu futuro marido e irmão da minha dama de companhia, Agnes — disse sorrindo para ela que estava afastada dando algumas instruções para um dos servos, deixando-a surpresa assim que ouviu seu nome e percebeu que todos estavam olhando para ela — Está mulher diante dos senhores, me protegeu e cuidou de mim como uma verdadeira mãe, enviou cartas a incontáveis reinos aliados implorando por ajuda, porque sabia que minha sobrevivência dependia do bom humor do usurpador do meu trono. Por intermédio dos deuses, a única pessoa que respondeu a carta da minha dama de companhia, foi o seu irmão, o rei consorte Marco, de quem Agnes não tinha notícias desde o dia em que foram separados e vendidos como escravos. E a terceira pessoa, se trata do meu noivo, o príncipe Gael, que mesmo com o coração partido deixou sua família em um momento de dor, para cumprir o último desejo do seu amado pai, que sonhava em ver seu reino natal livre dos homens cruéis que haviam tomado conta do poder, indo além disso quando me protegeu recebendo um golpe que seria fatal para mim. Graças aos esforços dessas três pessoas, estamos vivendo esse momento glorioso por isso peço uma salva de palmas a eles e a todos aqueles que perderam suas vidas, lutando para livrar o nosso amado império da ganância do falecido General do Leste.

Logo uma salva de palmas começou enquanto todos agradeciam a Agnes, emocionada por ver que haviam reconhecido seu gesto, e a Gael assim como a toda a família real do Sul, pelos atos de coragem e bravura realizados por seus membros.

— Principe Gael, não tenho palavras para expressar minha eterna gratidão por tudo que fez por meu reino, especialmente por ter comprado minhas joias de volta mantendo-as em segurança até que pudesse devolvê-las — disse com a voz repleta de gratidão sem desviar os olhos do homem em minha frente, a quem amava profundamente e havia feito tanto por mim desde que nos conhecemos — Peça o que desejares, mesmo que seja metade do meu império e será seu, como sinal do meu eterno agradecimento por tudo que fez por meus súditos e pela casa do Leste, vossa alteza real. — revelei disposta a recompensá-lo de qualquer forma, demonstrando minha gratidão por seu gesto fazendo os presentes sussurrarem entre si surpresos com a minha sugestão de lhe dar metade do meu império.

— Não almejo glórias ou bens, vossa majestade, a única coisa que desejo é fazer a futura imperatriz feliz, correspondendo às expectativas que estão depositando em mim. — disse seguro fazendo os presentes olharem incrédulos para ele, por não se aproveitar desse momento para exigir mais poder do que ganharia assim que se tornasse meu consorte.

— Se este é o seu desejo o respeitarei, vossa alteza, agradeço por se preocupar com a minha felicidade e a do meu povo. — disse sorrindo agradecida desviando meus olhos dele para ver novamente minhas joias de família, das quais me lembrava de ver minha mãe usando.

— Asseguro que fazer a imperatriz e seu povo feliz, serão meu dever primordial, minha senhora — ouvi Gael prometer fazendo com que desviasse meus olhos das joias em minha frente, sorrindo de forma carinhosa para ele sem me importar se estava dando margem para que toda a corte falasse sobre nós.

— Asseguro príncipe Gael, que farei de tudo para que seja feliz em nossa união, é o mínimo que posso fazer depois de tudo que fez por mim e por meu reino, desde que nos conhecemos. — prometi olhando em seus olhos azuis claros, para que ele pudesse ver que não estava mentindo e nem faltaria com a minha palavra.

Em seguida fiz sinal para Cecilia, uma das minhas damas de companhia que estavam sendo treinadas por Agnes, para que se aproximassem e fiz o mesmo com Tadeu, para quem entreguei o comando do meu exército se tornando o mais novo General do Leste. Logo os dois estavam em minha frente, aguardando atentamente para ouvir minhas ordens.

— Por favor, General do Leste, escolha alguns homens para escoltarem minhas damas de companhia até o cofre real, para que possam devolver aos seus devidos lugares as joias da coroa do Leste. — expliquei a Tadeu que balançou a cabeça concordando, fazendo sinal para alguns homens do meu exército que se aproximaram de nós, enquanto minhas damas de companhia recebiam as caixas de joias das mãos dos soldados do Sul.

Assim que tudo estava organizado, o General do Leste conduziu minhas damas de companhia para o interior do castelo levando em segurança uma parte do tesouro da casa imperial do Leste, devolvendo-os ao seu lugar de direito depois de terem passado tanto tempo longe.

— E agora diante de todos, gostaria de fazer um brinde aos deuses da casa do Leste e da casa do Sul, para que possam abençoar a minha união com o príncipe Gael — disse levantando a minha taça e todos imitaram meu gesto, enquanto virava para ver meu noivo em pé ao meu lado — Que a nossa união seja forte e duradoura como o carvalho, e nos proporcione incontáveis herdeiros como as estrelas do Sul. — brindei levantando minha taça em direção ao meu noivo que imitou meu gesto, antes de virarmos nossos olhares para os convidados que faziam o mesmo.


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— Nos desculpem por estar incomodando-o a está hora da noite joalheiro real, mas estou ansiosa para saber o que meu noivo achará das novas coroas reais. — disse me desculpando seguindo o senhor pelo interior da oficina real, após termos ido até os seus aposentos ao final do jantar de noivado.

— Está tudo bem, minha rainha, foi providencial que trouxesse o príncipe Gael, assim se for preciso fazer qualquer alteração poderemos fazer em tempo hábil e terminei essa tarde o seu pedido de último hora, assim poderão fazer a prova. — informou acendendo as velas nos castiças iluminando o local.

— Isso é maravilhoso, joalheiro real. — disse sorrindo feliz pela notícia enquanto ele terminava de acender as velas do local, para buscar duas caixas de veludo preto onde estavam guardadas as novas coroas do império colocando-as em uma mesa, na frente de seus respectivos donos.

— Espero que goste, futuro imperador consorte, porque essa coroa foi um presente dos súditos em agradecimento por tudo que fez por nos. — esclareci e Gael me olhou surpreso, sem entender do que estava falando.

— Como assim um presente dos súditos?

— Quando os súditos souberam que tinha o desejo de fazer uma coroa nova para dar de presente ao meu marido, mas tive que desistir da ideia devido aos grandes custos para os cofres reais, eles decidiram nos presentear com os materiais necessários para a sua produção — expliquei e meu noivo me olhou surpreso, como se não estivesse acreditando no que havia acabado de falar

— Os donos das minas de ouro do império, enviaram sua barra mais pura e sem defeito, assim como os donos das minas de diamantes e esmeraldas, mas os rubis e as safiras vieram direto do Sul, um presente do seu reino natal para o novo consorte do Leste — expliquei sorrindo para ele incentivando-o a abrir a caixa diante de si e Gael respirou fundo antes de fazê-lo, arfando em choque diante da joia em sua frente.

E era impossível não ficar sem fala, diante do lindo trabalho realizado pelo joalheiro real. Ambas as coroas foram confeccionadas em ouro puro, forradas de veludo vermelho e cravejadas de diamantes, esmeraldas, safiras e rubis do Sul, mas os elementos das duas eram diferentes entre si.

A coroa de Gael continha elementos que remetiam sua ascendência, as ondas e safiras símbolo do reino das águas do Oeste, casa do seu falecido avô materno, a estrela do Sul e o rubi, representando sua avó materna e sua mãe, e as folhas de carvalho, simbolizando o reino do seu falecido pai e agora o império do qual seria consorte.

Já a minha, possuía elementos que remetiam ao reino do Leste, como as folhas de carvalho e as esmeraldas, havia também flores da neve que simbolizavam a extinta casa do Norte da qual descendia por parte de mãe, assim como rubis e safiras azuis indicando que me unia em casamento a um filho do fogo e neto das águas do Oeste.

— Virgínia...— ele disse sem palavras desviando seus olhos da caixa para me ver, só então percebeu que havia me chamado pelo primeiro nome na frente de um súdito — Me perdoe, pela minha falta majestade, mas foi devido a emoção... Não tenho palavras para descrever, a gratidão que estou sentindo agora por respeitar e fazer questão de eternizar minhas origens na coroa do nosso império.

— Não poderia fechar os olhos para as nossas origens, vossa alteza, foram elas que nos fizeram chegar até aqui e são a base de quem somos, elas serão o nosso ponto de partida para construirmos a nossa própria história — assegurei sorrindo feliz por ele ter entendido o significado de cada um dos elementos da sua coroa — Gostaria de experimentar, para saber como se sentisse usando-a?

— Sim, por favor. — ele disse animado nos fazendo rir — Gostaria de fazer as honras, minha rainha? — questionou e concordei sorrindo fazendo sinal para que se abaixasse na minha frente, enquanto pegava a coroa da caixa com cuidado sentindo o quanto era pesada, colocando-a na cabeça de Gael vendo que havia ficado perfeito. — E então, como fiquei?

— Perfeito. — disse amorosa acariciando sua bochecha com carinho e ele sorriu amoroso para mim, antes de sermos interrompidos pelo joalheiro real que pediu licença para verificar se a joia estava correta e me afastei do meu noivo, para que ele pudesse fazer o seu trabalho.

— Por sorte, a coroa não precisará de ajustes pois ficou perfeita mesmo sendo feita com base na antiga coroa do falecido rei do Leste — o joalheiro real disse sorrindo satisfeito por seu trabalho ter cumprido o objetivo, enquanto Gael agradecia se levantando do chão e tirando a coroa da sua cabeça para guardá-la novamente em sua caixa. — Vou buscar seu pedido, majestade, para que provem.

— Obrigada, joalheiro real. — agradeci enquanto o senhor fazia uma reverência na nossa frente, antes de buscar meu último pedido para que experimentássemos.

— Você realmente gostou? — questionei baixo evitando ser ouvida pelo joalheiro real, que estava procurando meu último pedido entre as caixas de joias que havia ali.

— Sim, meu amor. Eu adorei — segredou sorrindo carinhoso para mim, antes de indicar a caixa em minha frente com a cabeça — Será que posso ver como ficou a sua coroa ou terei que esperar até o dia do nosso casamento?

— Claro que pode — disse sorrindo e abri a caixa fazendo-o arfar maravilhado diante do trabalho do joalheiro real, antes de retirar a coroa da caixa e colocá-la em minha cabeça sentindo o quanto ela era pesada — Gostou? — questionei olhando com curiosidade para o meu noivo que sorriu fascinado.

— Sim, você ficou linda, minha princesa — disse apaixonado acariciando minha bochecha com o polegar e deu um passo em minha direção indicando que iria me beijar, mas o adverti com o olhar deixando-o confuso por minha recusa inesperada — Não estamos sozinhos, amor. — segredei lembrando-o de onde estávamos e ele respirou fundo concordando, se afastando de mim enquanto o joalheiro real voltava com uma pequena caixa de veludo vermelho nas mãos.

— Consegui encontrar o pedido de vossa majestade, espero que tenha ficado de vosso agrado. — o joalheiro real disse sorrindo caminhando em nossa direção com a caixa de joias nas mãos e sorri ansiosa, para ver o resultado do meu pedido enquanto guardava minha coroa em sua caixa.

Sorri agradecida assim que ele entregou a caixa em minhas mãos e Gael ficou ao meu lado para que pudesse ver o conteúdo da pequena caixa, com cuidado abri o objeto em minhas mãos revelando em seu interior o par de anéis feitos em ouro de tamanhos distintos, contendo pequenos pontos de esmeraldas.

Os anéis eram feitos para imitarem galhos de carvalho, o maior deles trazia imagens dos ganhos em todo o seu aro decorados por pequenos pontos de esmeraldas, já o menor imitava galhos retorcidos em um círculo decorado por pontos de esmeraldas. Olhar para aquelas duas peças fizeram meus olhos se encheram de lágrimas, enquanto olhava com gratidão para o joalheiro real em minha frente.

— Ficou muito melhor do que imaginei, joalheiro real — disse emocionada e ele sorriu grato. — O senhor fez um trabalho incrível e não tenho palavras para agradecê-lo.

— Não precisa agradecer, minha soberana, só fiz o meu trabalho. — disse gentil ficando envergonhado diante do meu comentário.

— São realmente lindos, joalheiro real. O senhor fez um excelente trabalho. — Gael elogiou atrás de mim e virei para vê-lo, vendo a interrogação em seus olhos já que o hábito de usar alianças ainda possuía poucos adeptos.

Só tive conhecimento desse costume durante minha viagem para conhecer meu império e os súditos de perto, depois que conheci uma nobre que ostentava um anel na mão esquerda diferente dos demais, por curiosidade lhe questionei se havia algum significado por traz da joia, prontamente ela me revelou e decidi que assim que voltasse para o castelo pediria para o joalheiro real confeccionar um par para mim e meu noivo.

— Esses anéis serão um presente para alguém? — Gael questionou curioso e sorri concordando.

— Sim, eles são o meu presente de casamento para nós — revelei deixando-o surpreso com a minha revelação — Em outros reinos, existe o costume recente dos noivos trocarem alianças durante a cerimônia de casamento. Essas alianças, simbolizam o nosso compromisso de amor, cuidado, respeito, dedicação e fidelidade ao outro, por isso ela é um círculo, porque não existe um começo e nem um fim para os sentimentos que unem as pessoas que as usam. Pensei, que elas poderiam fazer parte da nossa celebração, se for do seu desejo, alteza.

— Sim, eu desejo, majestade. Me sentiria o homem mais honrado e feliz desse mundo em usar uma joia que simboliza nosso compromisso. — assegurou sincero e sorri feliz com a sua resposta retirando o anel maior da caixa, pedindo que Gael me desse sua mão esquerda deslizando o anel em seu dedo anelar, notando que a aliança havia ficando um pouco folgada.

— Estranho, não pensei que ela pudesse ficar folgada já que solicitei a sua mãe que me mandasse a medida do seu dedo. — disse perdida em pensamentos, tento encontrar uma razão para a falha enquanto meu noivo admirava a joia em sua mão mesmo estando folgada.

— Isso é normal, vossa majestade, a medida foi tirada em um material inadequado o que pode ter produzido uma folga, mas resolverei o problema e a aliança do futuro imperador consorte estará perfeita para uso. — o joalheiro real assegurou pegando algumas ferramentas que provavelmente utilizaria para ajustar o tamanho da aliança do meu futuro marido.

— Me desculpe, príncipe Gael, achei que sua aliança estaria perfeita... — comecei a me desculpar voltando minha atenção para ele, que desviou seus olhos cheios de lágrimas da aliança para me ver.

— E está, vossa majestade...Esse é o presente mais significativo que já recebi em toda a minha vida...Muito obrigado. — assegurou emocionado e sorri feliz por ouvir suas palavras, enquanto o joalheiro real se aproximava de Gael para ajustar a peça.

Depois que o joalheiro real tirou as medidas necessárias para ajustar a aliança de Gael, nos despedimos dele agradecendo-o por ter nos recebido tão tarde da noite, antes de sairmos dos seus aposentos caminhando pelos corredores do castelo iluminados com o auxílio de velas e pela luz da lua que se infiltrava pelas janelas abertas, guardados por meus soldados que faziam reverências assim que nos aproximávamos de seus postos.

— Muito obrigado novamente, rainha Virgínia, por todo amor e cuidado que demonstrou por mim hoje. Ninguém jamais fez com que me sentisse especial e amado, quanto você fez hoje — Gael agradeceu sincero desviando seus olhos do caminho para me ver, enquanto andávamos lado a lado em direção aos meus aposentos seguidos por Agnes e Henrik. — Gostaria de poder fazer o mesmo por vossa majestade algum dia.

— Não precisa me agradecer, príncipe Gael, tudo que fiz foi por amor e não se preocupe, desde que o conheci, vossa alteza, me faz sentir a pessoa mais especial e amada desse mundo — afirmei sincera desviando meus olhos do caminho para ver os seus — Então, agora estamos quites. — segredei fazendo-o rir enquanto parávamos na porta dos meus aposentos.

— Bem, é aqui que nos separamos. — disse com pesar olhando em seus olhos e ele concordou.

— Tenha uma boa noite, rainha Virgínia. — desejou segurando minha mão direita na sua, levantando-a um pouco para beijá-la com carinho.

— Tenha uma boa noite também, príncipe Gael. — desejei sem desviar os olhos dos seus, enquanto ele soltava a minha mão e meu coração se apertava ao perceber que deveria entrar nos meus aposentos deixando-o do lado de fora.

Resignada, respirei fundo desejando boa noite a Henrik antes de entrar nos meus aposentos em companhia de Agnes, gemendo de frustação por não poder ficar um pouco mais na companhia do homem que amava.

— Pelos deuses, é uma tortura ter que me despedir de Gael e deixá-lo ir, quando tudo que mais quero é ficar em sua companhia. — desabafei frustrada me sentando no sofá que havia na minha sala de estar.

— Entendo sua frustação, minha rainha, mas falta apenas dois dias para que tudo isso termine e possa desfrutar da companhia do seu consorte o tempo que desejar. — Agnes disse maternal e sorri sem humor.

— Só espero que esses dois dias passem rápido e que os deuses me deem paciência, para suportar um pouco mais a provação pela qual estou sendo submetida. — segredei para mim mesma olhando para o teto, fazendo minha dama de companhia sorrir carinhosa informando que iria preparar o meu banho antes de deitar.