Imperatriz do Leste

47 Quadragésimo sexto capítulo


Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso quadragésimo sexto capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.

— Bom dia, vossa majestade imperial — a voz de Agnes soou pelo meu escritório e desviei os olhos dos documentos que lia para vê-la entrando no local com uma bandeja nas mãos — Me desculpe incomodá-la, mas trouxe seu almoço já que Jasmine informou que a senhora ainda não almoçou.

Assim que reconheci minha fiel dama de companhia, me levantei da cadeira que estava sentada caminhando em sua direção abraçando-a com força, surpreendendo-a com o meu gesto.

— Não sabe o quanto senti sua falta nos últimos três dias, Agnes. — confessei sincera, pois sua ausência havia sido sentida por todos especialmente por mim, que cresceu cercada por seus cuidados e afeto.

Havia dispensado Agnes e Henrik de seus trabalhos por apenas um dia, mas ao cair da tarde quando ambos deviam retornar recebi uma mensagem do secretário do meu marido solicitado mais dois dias, o que me deixou preocupada com o rumo que poderia estar tendo a conversa entre os dois. Mas Gael me convenceu a dar um voto de confiança, permitindo que pudessem se resolver no tempo que solicitaram e nos seus termos, porque ambos tinham muita bagagem emocional para dividirem juntos em tão pouco tempo.

E concordei com meu marido, escrevendo para Henrik autorizando mais dois dias de afastamento para os dois, enviando votos de que pudessem finalmente se resolverem ficando em paz com a decisão que tomariam.

— Como você está? — questionei me afastando para ver seu rosto ainda surpreso por meu gesto — Conseguiram finalmente se resolver? — perguntei esperançosa e Agnes colocou a bandeja em cima da mesa de estar enquanto a olhava ansiosa.

— Pensei que o imperador consorte estivesse com a imperatriz. — apontou mudando de assunto e respirei fundo, ciente de que ela poderia estar tentando se preparar para a conversar.

— Não, o erudito chefe solicitou uma audiência privada com meu marido ontem, os dois estão reunidos desde cedo e já solicitei que servissem o almoço para eles, acredito que essa reunião possa entrar pela noite.

— Entendo, mas qual seria o assunto do erudito chefe com o imperador consorte? — questionou curiosa e suspirei dando de ombros.

— Não sabemos, o erudito chefe não adiantou nada em sua solicitação, mas Gael fez questão de recebê-lo para saber do que se trata pessoalmente.

— E esse encontro a preocupa, imperatriz? — questionou e neguei com a cabeça me sentando no sofá em frente à mesa de centro.

— Não, Agnes. Meu consorte é um homem extremamente inteligente e diplomático, saberá sair de qualquer situação que possa causar um possível desconforto ao império — lembrei e ela balançou a cabeça concordando — Minhas preocupações são outras. — apontei voltando minha atenção para ela, indicando que se sentasse ao meu lado.

Em silêncio, Agnes caminhou em minha direção sentando-se ao meu lado, enquanto esperava o momento em que pudesse se sentir confortável para dividir o que havia acontecido nos últimos três dias com ela.

— Bem, antes de tudo gostaria de agradecer a imperatriz e ao imperador consorte, por ter sugerido que Henrik e eu conversássemos sobre nossos sentimentos, se vossas majestades imperiais não tivessem feito isso acredito que jamais tomaríamos a iniciativa. — começou devagar e sorri carinhosa colocando minha mão em cima da sua.

— Só retribuímos o que fizeram por nós. — assegurei sem desviar dos seus olhos. — Não importa qual tenha sido a decisão que tomaram, saiba que tudo que desejamos é que ambos sejam felizes.

— Sabemos disso, imperatriz, assim como desejamos o mesmo. — assegurou antes de respirar fundo. — Posso dias que tivemos um dia muito difícil, mas conseguimos conversar e concordamos que não resolveriam nosso assunto em apenas um dia, por isso Henrik enviou a carta solicitando mais dois dias para que pudéssemos conversar melhor e agradeço aos soberanos por terem permitido.

— Não precisa me agradecer, Agnes, só fizemos o que era o certo.

— Mesmo assim, lhe agradeço por isso — disse novamente — Foram dias difíceis, no qual tive que confrontar meus temores mais profundos assim como Henrik...Houve momentos em que achei que não conseguiríamos superar nossos medos, mas decidimos nos dar a oportunidade de recomeçar juntos. Quem sabe, não possamos escrever uma linda história como nossos soberanos estão fazendo?! — sugeriu sorrindo e sorri feliz por ouvir que finalmente os dois haviam se acertado.

— Então, quer dizer que Henrik está lhe cortejando? — questionei querendo confirmar o que havia acabado de ouvir.

— Sim, majestade imperial, mas não se preocupe porque sabemos que como sua dama de companhia, Henrik precisa pedir sua permissão para o cortejo assim como para meu sobrinho, como único homem da minha família presente no império do Leste. — explicou e balancei a cabeça concordando.

— Sim, mas gostaria de saber se deseja se comprometer verdadeiramente com Henrik e não porque impomos que os dois conversassem sobre algo que não queriam. — sondei querendo saber se ela estava segura da decisão que havia acabado de tomar.

— E o que desejo, vossa majestade imperial, amo Henrik desde a primeira vez que nós vimos, desde então esse sentimento só cresceu enquanto estávamos afastado e trocávamos cartas. — assegurou sem desviar seus olhos dos meus. — Nunca tive coragem de admitir meus sentimentos, porque tinha medo de ser machucada novamente se entregasse meu coração a outro homem.

— Eu entendo, Agnes, e respeito seus temores porque todos eles são validos depois de tudo que viveu, mas saiba que fico muito feliz por ter decidido lhe dar uma nova chance para amar e desejo que seja muito feliz com Henrik.

— Muito obrigada, imperatriz. — disse agradecida e sorri amorosa envolvendo-a em um abraço apertado, feliz em saber que depois de anos se dedicado a mim minha dama de companhia finalmente começaria a pensar em si e na sua felicidade.

— De nada — disse gentil me separando dela, voltando minha atenção para a bandeja em cima da mesa admirando a refeição no prato que parecia apetitosa, só então percebi o quanto estava faminta — Obrigada por trazer meu almoço, Agnes, estava realmente com fome. — agradeci e ela sorriu me incentivando a comer.

Em silêncio peguei o prato e senti o cheiro maravilhoso da carne com batatas assadas, mas antes que pudesse degustar a refeição meu estomago se revirou estranhamente, preocupando Agnes com a minha reação. Rapidamente, minha dama de companhia retirou o prato das minhas mãos colocando-o longe de mim voltando para o meu lado para ver se estava bem.

— O que vossa majestade imperial, está sentindo? — questionou com preocupação enquanto estava de olhos fechados respirando devagar, tentando acalmar a agitação desconhecida em meu estomago.

— É só um pouco de enjoo, Agnes, logo estarei melhor. — assegurei sentindo que a agitação começava a se dissipar.

— Enjoo? — ela questionou confusa acariciando minhas costas com carinho — Desde quando a imperatriz vem sentindo enjoos?

— A uns três dias.

— A senhora tem sentido tonturas também?

— Sim, especialmente quando acordo...Mas como sabe sobre as tonturas? Só Gael sabe sobre elas e os enjoos. — questionei abrindo meus olhos e voltando minha atenção para o seu rosto.

— Não sabia, vossa majestade imperial, só perguntei por que estou desconfiada de algo já que suas regras estão atrasadas. — explicou devagar e pisquei em choque, tomando ciência de que Agnes estava certa.

Minhas regras haviam vindo duas semanas antes do meu casamento, estava ocupada demais me preparando para a troca da guarda e a segurança das identidades dos meus soldados e seus familiares, para perceber seu atraso algo que jamais havia acontecido.

Incrédula, fiz as contas mentalmente inúmeras vezes abrindo a boca em choque comprovando que estava duas semanas atrasadas. Sem pensar muito, levantei do sofá e sai do meu escritório caminhando apressada em direção ao local em que o médico real estava seguida de perto por Agnes, tentando não alimentar esperanças diante de tudo que vinha sentindo nas últimas semanas.

Andei pelos corredores do castelo sem prestar atenção, sem me importar se os servos perceberiam que havia algo errado enquanto caminhava até a sala do médico real, entrando sem qualquer tipo de cerimônia assustando o homem que acabou derrubando alguns frascos de elixires que segurava.

— Pelos deuses, vossa majestade imperial, achei que conheceria nossos deuses mais cedo. — o médico disse assim que se recuperou do susto que havia lhe dado.

— Me desculpe, médico real, não foi minha intenção assustá-lo, mas preciso urgentemente dos seus serviços. — pedi ansiosa e ele me olhou com preocupação.

— Aconteceu algo com o imperador consorte? — questionou com preocupação, pois mesmo diante da recuperação espantosa do meu marido o médico real temia que pudesse aparecer alguma complicação tardia do machucado que Gael havia sofrido.

— Não, o imperador consorte está bem — assegurei fazendo-o respirar aliviado. — Na verdade, quem precisa dos seus serviços sou eu, médico real.

— Certo. A imperatriz, permitiria que limpasse essa bagunça antes de atendê-la? — pediu apontando para os cacos de vidros no chão e para o seu avental branco respigando por uma confusão de líquidos de todas as cores.

— Fique à vontade, médico real. — autorizei me afastando daquela bagunça caminhando com Agnes ao meu lado em direção a janela do local em busca de um pouco de ar puro.

Assim que organizou a confusão de cacos de vidro e líquidos, o médico real informou que estava pronto para me atender e o seguimos em direção a uma sala reservada possuindo uma mesa com três cadeiras e uma cama estreita perto da parede, muito parecida com as macas nas quais os soldados dormiam enquanto estavam de serviço.

Depois que nos acomodamos, ele pediu que lhe explicasse o motivo de procurá-lo e relatei tudo que havia sentido nos últimos dias, todos os enjoos e tonturas assim como o atraso nas minhas regras.

— Vossa majestade imperial, preciso lhe fazer uma perguntar estritamente pessoal, mas peço que seja sincera comigo e não a encare como um ato desrespeitoso. — pediu sem desviar os olhos dos meus, depois de ter me ouvido em silêncio.

— Não se preocupe, médico real, pode fazer sua pergunta.

— Pois bem — disse e respirou fundo, antes de voltar a falar — Desde que se casou com o imperador consorte, quantas vezes a soberana se deitou com seu marido? — questionou seriamente e Agnes o olhou incrédula, sem acreditar no que havia acabado de ouvir.

— Como o senhor ousa... — ela começou a questionar furiosa e a olhei séria, fazendo-a se interromper imediatamente.

— Incontáveis vezes, médico real. Não teve um só dia desde que nos casamos que não me deitei com meu marido. — afirmei segura e ele se recostou na cadeira, como se absorvesse o que havia acabado de ouvir, voltando sua atenção para mim.

— Bem, se me permitir gostaria de examiná-la para poder finalizar meu diagnostico. — pediu e concordei, antes de explicar todos os procedimentos que realizaria como a aferição dos batimentos cardíacos e o exame em meu abdômen, verificando com o auxílio de toques se meu útero havia dilatado.

Esperei pacientemente com Agnes ao meu lado, o médico real realizar todos os exames necessários informando seu diagnostico em seguida me deixando em silêncio, antes de um medo irracional se apoderar do meu ser temendo pela vida que gerava em meu ventre.

Mal prestei atenção nas recomendações feitas pelo médico real, enquanto estava mergulhada em meus próprios pensamentos, mas sabia que Agnes estava atenta a cada palavra do homem em nossa frente, disposta a fazer de tudo para que levasse minha gestação de forma tranquila e saudável. Depois que sai da sala do médico real me recolhi aos meus aposentos, ordenando as minhas damas que me deixassem sozinha até mesmo Agnes que relutou em me deixar, mas respeitou minha vontade a contragosto.

Tudo que precisava naquele momento era colocar meus pensamentos no lugar, acalmando a confusão dentro de mim diante da notícia que recebi do médico real minutos atrás.

Saber da existência dessa criança em meu ventre me fez temer por seu futuro, por saber que ela poderia enfrentar os mesmos problemas que tive anos atrás, para assegurar meu direito como herdeira do meu antecessor caso fosse uma menina e tudo se tornava ainda pior, quando me lembrava que sua própria avó paterna havia amaldiçoado sua existência, antes mesmo dela ter sido concebida.

Apavorada com a hipótese de que algo de ruim pudesse acontecer com meu bebê, abracei a minha barriga como se através desse simples gesto pudesse proteger a vida em meu ventre.

— Virgínia, posso entrar? — ouvi a voz abafada de Gael por causa da porta soar do outro lado, após uma batida.

Estava ciente de que não poderia me esconder a vida toda no meu quarto evitando todos, especialmente o pai do meu filho. Diante disso, respirei fundo ciente de que Gael precisava saber da novidade assim como de todos os temores que ocuparam meu coração desde a notícia.

— Sim. — autorizei deixando de abraçar a minha barriga mas permanecendo deitada na cama, fitando a cortina do quarto dançando ao sabor do vento.

Em silêncio Gael entrou no quarto e caminhou em minha direção, sentando-se ao meu lado me olhando com preocupação.

— O que aconteceu, querida? — questionou com preocupação e desviei meus olhos da janela para vê-lo. — Tia Agnes, me disse que você passou a tarde toda sozinha trancada no quarto e nem almoçou. O que está lhe preocupando?

— Não há nada me preocupando.

— Você pode me contar qualquer coisa, mas se precisar de tempo irei respeitá-lo até que se sinta pronta para conversar comigo, querida. — explicou amoroso colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, podendo assim ver meu rosto.

— Obrigada.

— Não precisa agradecer, meu amor, leve o tempo que precisar — disse gentil sem desviar os olhos dos meus. — Apenas lembre-se, que não importa o que aconteça eu amo você e continuarei amando, Virgínia.

— Eu também te amo, Gael e continuarei te amando, não importa o que aconteça. — assegurei sincera e ele se inclinou para beijar minha testa com carinho, afastando-se em seguida.

— Posso pedir para tia Agnes, providenciar algo para você comer, querida? Não quero que adoeça, porque não está se alimentando direito. — pediu com preocupação e respirei fundo concordando, sabendo que de agora em diante devia evitar ficar horas sem me alimentar porque não faria bem ao bebê.

Gael beijou minha testa novamente, levantando-se e caminhando em direção a porta falando com alguém que lhe entregou uma bandeja de prata nas mãos e me sentei na cama sorrindo surpresa por ver que mesmo sem saber se iria aceitar ou não sua sugestão, ele já havia providenciado algo para que me alimentasse.

— Como sabia que não iria negar o alimento que me oferecia, depois que neguei todos que me foram oferecidos? — questionei olhando com curiosidade para o meu marido que caminhava em minha direção com uma bandeja de prata nas mãos.

— Não sabia, simplesmente arrisquei enquanto implorava aos deuses em pensamentos para que minha esposa me ouvisse. — segredou carinhoso e sorri enquanto ele colocava a bandeja em minha frente, permitindo que visse o belo prato de caldo de carne em minha frente, com uma porção de pão dourado e um copo de suco de amora, meu favorito.

Respirei fundo, sentindo o aroma da comida esperando alguns minutos verificando se meu estomago iria se rebelar novamente como mais cedo, mas graças aos deuses tudo que senti foi fome por isso sabia que seria segurar me alimentar. Coloquei uma colher generosa de caldo na boca, gemendo satisfeita diante do sabor da comida fazendo meu marido sorrir feliz por me ver comendo, depois de ter passado tanto tempo sem me alimentar.

— Deseja mais, amor? — questionou depois que terminei de comer.

— Não, estou satisfeita, querido, obrigada — disse e ele concordou levando a bandeja em direção a porta, entregando-a para um dos servos retornando para perto de mim — Deitada aqui do meu lado, por favor. — pedi e ele concordou tirando seus sapatos acomodando-se na cama, antes de deitar minha cabeça em seu peito ouvindo o som reconfortante do seu coração batendo e da sua respiração, enquanto Gael acariciava meus cabelos.

— O que o erudito chefe queria com você? — questionei curiosa para saber o motivo da audiência privada do erudito chefe com meu marido.

— Ele soube dos meus feitos acadêmicos enquanto príncipe no Sul, chegou a ler alguns dos ensaios que fiz sobre poesia e veio me convidar para ser o patrono da biblioteca imperial do Leste.

— Verdade? — questionei sentando na cama para ver seus olhos e ele me acompanhou.

— Verdade.

— E você aceitou?

— Na verdade, pedi alguns dias para pensar por que gostaria de conversar com a minha imperatriz para saber a opinião dela sobre o assunto.

— Escreva uma carta para o erudito chefe dizendo que aceita o cargo.

— Está ciente de que se aceitar ser patrono da biblioteca imperial do Leste, ficarei envolvido em inúmeros compromissos que me deixarão longe de você.

— Estou, será uma forma de você seguir o seu caminho— apontoei suave deixando-o confuso — Gael, inicialmente você foi educado para ser um erudito chefe...Se não tivesse cruzado seu caminho...— comecei e dizer e ele me silenciou com um beijo carinhoso.

— Eu não me arrependo de nada, querida. Se tivesse que fazer tudo de novo, faria tudo igual só para estar ao seu lado.

— Eu também não mudaria nada, Gael — assegurei fazendo-o sorrir amoroso para mim — Mas seja sincero comigo, ser patrono da biblioteca imperial do Leste o deixaria feliz? — questionei olhando-o com curiosidade.

— Sim, porque sempre amei as ciências, mas amo muito mais ser seu marido e consorte. — ressaltou e sorri agradecida por ele ter sido sincero comigo.

— Então, aceite o cargo e faça o seu melhor, porque tenho certeza que será o maior patrono que a biblioteca imperial do Leste já teve. — assegurei sincera. — E não se preocupe, se aceitar o convite reduzirei suas obrigações como consorte, para que possa se dedicar ao cargo de patrono.

— E você irá governar sozinha? — questionou com preocupação e dei de ombros.

— Não se preocupe, consigo governar um império sozinha. — expliquei ciente de que com a gravidez isso poderia se tornar um pouco mais complicado, se os enjoos e tonturas persistissem durante toda a gestação.

— Sei disso, mas não precisa continuar sozinha, porque sempre vou estar ao seu lado.

— Eu sei, Gael, e te amo por isso — disse sincera e sorri me lembrando de alguém deixando-o confuso — Além do mais, quem disse que irei ficar sozinha?! Para sua informação, descobri recentemente uma pessoa que ficará ao meu lado enquanto meu imperador consorte estiver ocupado, exercendo sua função de patrono.

— Verdade? Posso saber quem é essa pessoa? — Gael questionou me olhando com curiosidade e sorri surpresa.

— Está com ciúmes, amor?

— Não, você nunca me deu motivos para isso — apontou suave enquanto me olhava com um sorriso curioso nos lábios. — Mas não pode me culpar por querer saber quem é essa pessoa misteriosa, que ficará ao lado da minha esposa quando não estiver.

— É justo — disse sincera e respirei fundo, segurando sua mão esquerda colocando-a em cima da minha barriga ainda lisa sem desviar dos seus olhos — Essa pessoa misteriosa, é o seu filho, Gael. — revelei entre lágrimas enquanto via o choque se apoderar do seu rosto.