Imperatriz do Leste
42 Quadragésimo primeiro capítulo
Notas iniciais

— Mas que grata surpresa vê-los essa manhã — rei Liam disse surpreso assim que passei pelas portas do salão de refeições de mãos dadas com Gael, atraindo a atenção de toda a família real do Sul para nós. — Achei que não os veríamos antes de partimos.
— Liam — rainha Kiara repreendeu o marido com doçura, ajudando sua filha mais nova a cortar sua refeição — Não seja indelicado, querido, os dois acabaram de se casar e estão aproveitando para desfrutar a companhia do outro, antes de Virgínia voltar as suas funções administrativas. — apontou suave e concordei, enquanto me sentava na cadeira que Gael havia puxado para mim.
— Minha cunhada tem razão — meu marido destacou empurrando a cadeira em que estava sentada — Estamos aproveitando esse momento de afastamento das nossas obrigações reais, para nos conhecermos melhor e construir uma relação duradoura. — explicou ocupando a cadeira do meu lado esquerdo, já que o assento do meu lado direito era reservado para o herdeiro do trono.
Um lembrete silencioso, de que o império precisava de uma linha sucessória o quanto antes, assegurando assim a longevidade da minha casa imperial.
— Agora me esclareça uma coisa, caro irmão, por acaso minha família estava pensando em partir sem se despedir? — Gael questionou olhando com curiosidade para os membros da sua família.
— Mas é claro que não, irmão, seria uma falta de consideração a nossa partir sem nos despedirmos, depois de sermos tão bem recebidos no império do Leste. Só não queríamos incomodá-los, afinal, acabaram de contrair núpcias. — o irmão mais velho de Gael explicou e meu marido balançou a cabeça concordando.
— Agradeço a consideração, mas fico feliz de não terem partido sem nos avisar — apontou enquanto os servos começavam a nos servir. — Virgínia me contou que iriam visitar hoje a biblioteca em que papai se formou como erudito.
— Sim, não consigo me conter de tanta ansiedade em poder ver o local em que meu amado consorte passou grande parte da sua vida — rainha Hortência destacou sorrindo. — Isso quer dizer que irá conosco, meu filho?
— Sim, mãe — assegurou fazendo todos rirem felizes — Jamais perderia a oportunidade de visitar um dos locais mais importantes para o papai, ainda mais ao lado da minha família. — Gael destacou sorrindo, antes de tomar um gole do seu suco.
— Onde quer que esteja, seu pai está imensamente feliz por ver que estamos conhecendo seu passado juntos, como ele sempre desejou nos apresentar quando estava vivo. — Hortência declarou emocionada.
Assim que terminamos nossa refeição, seguimos em direção a entrada do castelo onde as carruagens e os soldados nos aguardavam. Cora fez questão de ir conosco, pois queria ficar perto do tio durante todo o tempo que pudesse, mesmo seus familiares tentando convencê-la do contrário.
Mas assegurei que a princesa do Sul não incomodaria nossa viagem, pelo contrário ela tornaria tudo mais divertido, já que seriam necessárias três horas para se chegar até o nosso destino.
— Vamos tio, quero pegar o lugar da janela para poder ver tudo ao longo da viagem. — Cora disse eufórica puxando Gael pela mão, enquanto sorria vendo-o deixar ser levado pela vontade da sobrinha mais nova.
Já Hortência caminhava a nossa frente, conversando animadamente com seu primogênito, rei Liam, o seu neto mais velho o príncipe herdeiro Connor, e Agnes, enquanto seguia atrás acompanhando os passos um pouco mais lentos de Kiara devido ao seu estado.
— Não corra Cora ou acabará caindo e derrubando seu tio — Kiara disse com preocupação caminhando ao meu lado, sem tirar os olhos da filha mais nova — A energia da minha filha, parece nunca acabar. — disse com admiração e sorri ao seu lado.
— Isso é o sinal de que ela é uma criança saudável e feliz. — apontei sorrindo vendo que os dois haviam parado em frente a carruagem que ostentava as bandeiras do império do Leste.
— Tem certeza que Cora não irá atrapalhá-los? — Kiara questionou voltando sua atenção para mim.
— Tenho, Kiara, será um prazer ter a companhia da Cora em nossa carruagem — assegurei novamente e olhei para a sua barriga avantajada — Tem certeza que é apropriado, passar tanto tempo em uma carruagem devido ao seu estado? — questionei com preocupação e logo suas mãos pararam em sua barriga, acariciando-a de leve.
— Liam e eu também pensamos nessa possibilidade, por isso trouxemos o médico do Sul conosco, mas os dois acharam melhor que permanecesse no castelo descansando, já que terei que enfrentar uma longa viagem de volta para casa — revelou e a olhei com preocupação por saber que ela ficaria sozinha no castelo — Não se preocupe, Connor irá me fazer companhia enquanto estão fora.
— É uma atitude mais sensata devido ao seu estado, mas quero que saiba que se decidirem adiar um pouco mais a viagem de retorno será um prazer tê-los aqui.
— Agradeço a acolhida Virgínia, mas meu filho não pode nascer em um reino estrangeiro, mesmo não sendo o herdeiro do trono.
— Entendo, mas se mudar de ideia meu império ficará feliz em hospedá-los pelo tempo que for necessário — assegurei fazendo-a sorrir agradecida por meu convite — Desejo que o próximo herdeiro do Sul, nasça em segurança e que você tenha uma boa hora.
— Obrigada, Virgínia, é tudo que mais desejo na vida. — disse agradecida enquanto nos juntávamos aos demais.
Nos despedimos de Kiara e Connor, antes de embarcarmos nas carruagens que nos levariam em direção a biblioteca imperial do Leste.
Sorri durante todo o caminho com a empolgação de Cora, perante a paisagem que via pela janela sentada ao lado do tio apontando tudo que chamava sua atenção, enquanto Gael esclarecia pacientemente cada dúvida que surgia da princesa do Sul, demonstrando o maravilhoso pai que meu marido seria para nossos futuros filhos.
— Tio Gael, porque os soldados se dirigiram ao senhor, como imperador consorte? Pensei que seu título fosse de príncipe, assim como do meu irmão. — questionou desviando a atenção da paisagem para o tio sentado ao seu lado, enquanto permanecia sentada na frente dos dois ao lado de Agnes.
— E continua sendo, docinho, porque é o título que recebi no Sul assim que nasci, mas depois que me casei com a imperatriz do Leste, automaticamente assumi o título do seu consorte, por isso os soldados se referiram a mim como imperador consorte.
— Entendo — Cora disse reflexiva — Mas seu título de imperador consorte irá durar até quando? — questionou inocente e percebi que meu marido fico tenso, diante da pergunta inocente da sua sobrinha.
— Até enquanto eu viver, Cora — expliquei sincera atraindo os olhares da garotinha e do meu marido. — No dia em que deixar esse mundo para morar com os deuses, seu tio deixará de ser o imperador consorte e voltará a responder por seu título de nascença.
— Mas ele não pode continuar sendo o imperador consorte sem a senhora, tia Virgínia?
— Não, querida, porque não haveria sentindo ter um imperador consorte sem a sua imperatriz — expliquei suave tentando deixar aquele assunto o mais leve possível, sem assustar a princesa do Sul. — Mesmo que o herdeiro do trono, fosse jovem demais para assumir o império após a minha partida, seu tio deixaria de ser o imperador consorte para assumir o título de regente real, governando o império até que nosso filho tivesse idade para assumir a coroa.
— Entendo, tia Virgínia. Mas essa lógica é diferente do que aconteceria com a minha mãe, certo? — questionou perspicaz e sorri concordando.
— Sim. Com a eventual partida do seu pai, sua mãe assumiria o título de rainha mãe, ao contrário do seu tio. — revelei sincera e logo Gael chamou a atenção da sobrinha para rebanho de ovelhas que pastava pela paisagem.
O restante da viagem transcorreu de forma tranquila, mas percebi que meu marido estava sério demais mergulhando em seus próprios pensamentos desde a conversa que tive com sua sobrinha na carruagem, o que me gerou certa preocupação pelo que poderia estar se passando em sua mente e no seu coração neste momento.
Diante disso, prometi a mim mesma, que assim que estivéssemos a sós voltaria ao assunto da carruagem, tentando entender o motivo do seu distanciamento.
Assim que sai da carruagem suspirei encantada com a visão imponente da construção em minha frente, que nos saudava na entrada com as estatuas das quatro deusas da sabedoria e uma estrutura ricamente decorada em mármore branco, armações de ferro e vidro, contando também com uma vasta área verde cercando o local.
No qual podíamos ver os eruditos e seus aprendizes, caminhando tranquilamente aproveitando a manhã ou tendo aulas práticas com seus instrutores ao ar livre.
Fomes recepcionados pelo erudito chefe, que fez questão de nos guiar durante a visita pela biblioteca imperial, explicando desde a história do local até seus alunos mais notáveis, nos quais incluía agora em sua lista meu falecido sogro, o rei consorte Marco.
— Mil perdões majestades imperiais, por ainda não termos colocado o quadro dos soberanos na ala dos monarcas do império. — o erudito chefe se desculpou temeroso diante de sua falta, já que o local exibia apenas meu retrato pitando assim que completei dezoito anos.
— Não precisa se desculpar, erudito chefe, a culpa não é sua — assegurei gentil para o senhor de idade a minha frente — Ainda posaremos para as pinturas oficiais, que serão distribuídas para as sedes da administração assim que ficarem prontas. — expliquei fazendo-o respirar aliviado, antes de sugerir que prosseguíssemos com a nossa visita, mas permaneci no meu lugar quando notei que Gael estava absorto parado em frente ao quadro anterior ao meu, apresentando a última família real da casa do Leste.
— Posamos para esse quadro um mês antes da invasão do reino. — segredei parada ao seu lado olhando para a pintura em minha frente, que transmitia os últimos momentos de felicidade que tive ao lado dos meus pais.
— Você realmente se parece muito com sua mãe. — Gael destacou e sorri concordando.
— Sim, por isso herdei o título de magnifica, porque era como se referiam a ela.
— Seu sorriso no quadro é o mesmo de quando éramos crianças — destacou desviando sua atenção da imagem para me ver e percebi que havia uma sombra de tristeza em seu olhar — Eu não quero te perder, Virginia...Eu...Simplesmente não suportaria viver em um mundo, no qual a mulher que tanto amo não existe mais... — soluçou com dor e o abracei com carinho, antes dele envolver seus braços ao meu redor me abraçando com força, como se temesse me perder a qualquer momento.
— Amor, não quero que se aflija com esse assunto agora, porque não pretendo deixá-lo tão cedo. Afinal, só estamos casados a três dias e pretendo desfrutar da sua companhia por um bom tempo, se os deuses permitirem, mas chegará o momento em que terei que deixá-lo contra a minha vontade, Gael.
— No dia em que você se for, irei em seguida. — assegurou com a voz embargada me apertando com força contra seu peito.
— E quem cuidará dos nossos filhos? Ou do nosso império? Imagine, como será doloroso para ambos se o deixarmos órfãos ao mesmo tempo? — questionei suave acariciando suas costas tentando acalmá-lo — Além do mais, meu amado consorte é um homem extremamente educado, incapaz de fazer a desfeita de partir antes de mim, me deixando viúva. — apontei brincando e ele se afastou de mim para que pudesse ver meus olhos.
— E você pode fazer a desfeita de me deixar viúvo, com filhos e um império para cuidar?! — questionou com lágrimas nos olhos e respirei fundo, enxugando as lágrimas que molhavam seu rosto.
— Prometo, que farei de tudo para evitar deixá-lo tão cedo, que tentarei lhe dar muitos filhos para que não sinta a minha falta quando me for.
— Mesmo que você me dê cem filhos, ainda vou sentir sua falta, especialmente quando olhar para cada um deles, Virgínia. Porque tenho certeza, que nada será capaz de amenizar a dor da sua falta. — declarou e concordei, encostando minha testa na sua acariciando suas costas de leve.
— Que tal deixarmos esse assunto para lá e vivermos apenas o hoje? — sugeri carinhosa, tentando afastar as preocupações que afligiam seu coração — O que acha de vivermos cada dia, como se fosse o último? Desfrutando da companhia do outro, sem lembrarmos que temos prazo de validade? Meu amado, imperador consorte, pode fazer isso por mim? — questionei suave ansiosa por sua resposta.
— Posso. — Gael assegurou e respirei aliviada, antes de nos beijarmos apaixonadamente.
Assim que meu consorte estava mais calmo, caminhamos em busca da família real do Sul que continuava seu passeio ao lado do erudito chefe. Ao fim da nossa visita, fomos convidados para almoçar, antes de partimos de voltar para o castelo do Leste.
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Abri os olhos alarmada, assim que senti o lado em que meu marido costuma deitar-se na cama vazio. Preocupada sentei na cama, envolvendo meu corpo nu no lençol, procurando com o olhar algum sinal do meu consorte pelos aposentos sem obter sucesso, logo percebi que a porta que dava acesso a varada que costumávamos tomar café todas as manhãs estava aberta.
Sai da cama, deixando o lençol de lado colocando meu robe e caminhando descalça em direção a varada, encontrando meu marido com as mãos apoiadas no guarda-corpo admirando a noite estrelada a sua frente.
— Sentindo saudades do Sul, imperador consorte? — questionei parada na porta da varanda anunciando minha presença, temendo assustar Gael se o tocasse sem aviso.
— Um pouco, imperatriz. — confessou sincero sem desviar os olhos do céu para me ver.
Em silêncio, caminhei até ele abraçando-o por trás e depositando um beijo em suas costas, envolvendo suas mãos as minhas.
— Se for da sua vontade, pode ir com sua família amanhã para o Sul. — sugeri e ele soltou minhas mãos, virando-se para me ver.
— Não posso fazer isso, meu amor, acabamos de nos casar. O que irão pensar se deixá-la agora?
— Posso contornar qualquer insinuação que possa aparecer, Gael, se decidir partir com a sua família amanhã. — assegurei sentindo meu coração se apertar, só de pensar na possibilidade de nos separarmos tão cedo.
— Você não irá sentir minha falta? — questionou com os olhos cheios de lágrimas e acariciei sua bochecha esquerda com carinho.
— Desesperadamente — disse sentindo um nó se formar na minha garganta — Mas prefiro que meu marido seja feliz. Se voltar para a sua casa o fizer feliz, tem minha permissão para fazê-lo. — assegurei sem desviar dos seus olhos, beijando sua bochecha direita com carinho me afastando dele, pois não queria chorar em sua frente.
Mas antes que pudesse sair da varanda, Gael segurou minha mão impedindo-me de sair do local e virei para encará-lo.
— Posso ter ficar triste com a partida da minha família e sentir saudades do meu reino natal, mas a minha casa agora é no Leste ao lado da minha esposa — assegurou sem desviar seus olhos dos meus. — Só serei feliz se estiver ao seu lado, Virgínia.
— Tem certeza? Não quero que fique ao meu lado apenas por obrigação, Gael.
— Tenho, amor. Não me sinto obrigado a ficar ao seu lado, desejo ficar porque te amo e não sei viver sem você — assegurou. — Só fiquei nostálgico, porque sonhei com meu pai e não consegui mais dormir, vim para a varanda respirar um pouco de ar puro porque não queria te acordar.
— Você sonhou com seu pai?! — questionei incrédula e ele balançou a cabeça concordando — Como foi o sonho? O que ele falou para você? Como se sentiu vendo-o novamente, depois de tanto tempo? — questionei com curiosidade fazendo meu marido rir.
— Sonhei que estávamos na biblioteca real do Sul, apreciando uma xícara de chá gelado enquanto cada um estava absorto em sua leitura como fazíamos todas as tardes, as vezes interrompíamos o nosso passa tempo para comentar sobre o que havia nos chamado a atenção na história. Mas dessa vez, meu pai interrompeu sua leitura para dizer que estava muito orgulhoso de mim, que desejava que fosse feliz e que aproveitasse cada momento ao lado da minha esposa — explicou sorrindo feliz ao lembrar do sonho. — Que eu deveria cuidar muito bem de você e dos nossos corações, demonstrando a todo momento o quanto os amava para que não me arrependa mais tarde, por que a vida passa rápido demais.
— Então, posso presumir que esse sonho te deixou em paz?
— Sim — assegurou segurando meu rosto com as duas mãos. — E não se preocupe, porque não irei a lugar algum. Posso sentir falta do Sul, mas meu lugar é aqui ao seu lado.
— Tem certeza?
— Tenho. A mulher com quem sonhei e esperei, está bem aqui na minha frente e não a trocaria por nada nesse mundo. — assegurou e sorri aliviada, antes dele se inclinar para me beijar com carinho, pegando-me no colo e caminhar em direção ao interior dos meus aposentos.
O dia seguinte amanheceu sob uma atmosfera de despedidas, como se meu reino soubesse que seu consorte teria que lidar com a missão mais difícil que já teve em sua vida, se despedir de sua família, assegurando que assim que possível iria visitá-los no lugar que outrora foi sua casa.
— Lembre-se sempre de incluir na sua alimentação uma vez ao mês miúdos de boi, como o médico real do Sul recomendou — Hortência disse segurando as mãos do filho sorrindo de forma maternal para ele. — Podem ter se passado anos desde a febre que teve quando criança, mas não custa nada continuar seguindo as recomendações que ele nos deu na época.
— Vou fazer isso, mamãe, não se preocupe.
— Mas caso esqueça, conversei com Virgínia e Agnes sobre isso, além de lembrar Henrik.
— Obrigado, mamãe — Gael disse carinhoso e Hortência balançou a cabeça concordando, enquanto seus olhos ficavam marejados — Mãe, pode ir tranquila, vou ficar bem. — assegurou amoroso e ela concordou com os olhos vermelhos.
— Eu sei que vai, só por isso estou deixando-o... Mas é tão doloroso, deixar uma parte do meu coração longe dos meus olhos. Eu te amo, meu amado filho. — Hortência confessou beijando as mãos de Gael.
— Eu te amo, mãe. — disse com a voz emocionada beijando as mãos de sua mãe, antes de abraçá-la uma última vez.
Depois que se despediu de nós, Hortência alegou que iria esperar seus netos na carruagem e concordamos, provavelmente minha sogra não desejava chorar na frente do filho para não preocupá-lo. Em seguida, foi a vez de Gael se despedir dos seus sobrinhos e da sua cunhada, antes dos seus sobrinhos entrarem na carruagem que sua mãe já estava, enquanto sua cunhada entrava em outra carruagem.
— Se precisar de algo, não hesite em me avisar, imperador consorte — rei Liam disse parado na frente do irmão mais novo, desviando seus olhos para mim. — O mesmo se estende a imperatriz. — informou e acenei com a cabeça, sinalizando que avisaria se fosse necessário.
— E digo o mesmo ao rei do Sul, o império do Leste ficará feliz em ajudar em qualquer necessidade. — meu marido ofereceu ao irmão e concordei com a cabeça.
— Obrigado — agradeceu gentil deixando de lado a postura de monarca, enquanto olhava para o irmão mais novo em sua frente — Lembre-se, Gael, um reinado é cheio de altos e baixos, meu irmão, assim como de ameaças contra a cabeça que usa a coroa — rei Liam disse e Gael desviou os olhos do irmão para me ver — Se algum dia seu império não for mais seguro para sua família, saiba que será muito bem-vindo de volta no seu reino natal, porque jamais deixará de ser meu irmão ou de ser um príncipe da coroa do Sul. — assegurou e fiquei comovida diante das palavras do meu cunhado.
— Jamais vou esquecer, irmão. E faço das suas palavras as minhas, se algum dia precisar de um refúgio. — Gael ofereceu a seu irmão e balancei a cabeça concordando, antes dos dois se abraçarem com carinho.
Os dois ficaram abraçados por alguns minutos, até o rei Liam se separar de Gael com um sorriso orgulhoso nos lábios explicando que precisava ir, pois tinha uma longa viagem pela frente e seu irmão mais novo concordou, voltando para o meu lado enquanto víamos seu irmão entrar na carruagem em que sua esposa estava.
Em silêncio entrelacei minha mão a de Gael, enquanto acompanhávamos da entrada do castelo as carruagens se afastarem em direção ao reino do Sul.
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