Imperatriz do Leste
44 Quadragésimo terceiro capítulo
Notas iniciais

A primavera havia finalmente chegado, substituindo a paisagem branca pelo colorido das flores exalando seu perfume singular, uma mistura perfeita de cheiros impossíveis de se determinar proporcionando ao império do Leste um aroma apreciado por mim durante toda a estação.
Esse aroma marcava o início de um novo mês, repleto de possibilidades a nossa disposição de sermos melhores e aproveitarmos cada dia ao lado das pessoas que amávamos, desfrutando de um clima agradável e quente, depois de dias cercados por neve ansiando que o sol voltasse a brilhar em nosso reino.
Durante todo o tempo em que estivemos confinados no castelo por causa do inverno, me dediquei a colocar o plano de proteger a identidade dos meus soldados e seus familiares em prática, contando com a ajuda de Tadeu e de Gael. Seriamos os únicos a saberem desse plano, porque quantos menos pessoas soubessem mais segurança poderíamos oferecer aos homens que arriscavam suas vidas protegendo o império.
Passamos noites em claro, pensando em todas as possibilidades que poderíamos usar para proteger nossos soldados, utilizando o plano da minha sogra para proteger a identidade do meu marido como base para criamos o nosso. Conseguimos estabelecer algo que protegeria suas identidades, criando uma espécie de persona utilizando codinomes no cotidiano de toda a sua vida militar e nos documentos oficiais. Após o final do serviço militar, meus soldados receberiam identidades novas sem qualquer ligação com seus nomes de batismo, e seriam realocados em vilas diferentes de onde trabalharam, assegurando que não fossem reconhecidos ou perseguidos por seus inimigos.
Assim que o plano estava pronto, o apresentamos individualmente a cada soldados do exército, em uma conversa privada explicando tudo que aconteceria antes de entregar seu novo “nome”, fazendo-o entender o quanto era importante que esquecesse sua identidade anterior para a proteção dos seus entes queridos e da nova vida que teria após sua saída do exército.
Para a nossa felicidade, todos os soldados concordaram com o plano e juraram jamais revelá-lo a ninguém, pois sabiam que se uma informação dessa caísse em mãos erradas inocentes pagariam com a vida, por terem escolhido proteger seu império e sua imperatriz dos inimigos.
— Pelo seu sorriso, seu irmão deve ter lhe dado boas notícias do Sul. — comentei enquanto tomava café da manhã em companhia do meu marido na sacada dos meus aposentos, aproveitando assim clima quente da primavera, vendo-o sorrir para o papel em suas mãos após Henrik entregar a correspondência a ele.
— Sim — Gael disse sorrindo desviando sua atenção da carta para mim e para Agnes — Meu irmão está avisando que minha sobrinha nasceu antes da hora, mas graças aos deuses ela e a mãe estão bem. Ela se chama Aurora, e segundo meu irmão não foi dessa vez que um dos seus filhos nasceu parecido com ele. — destacou brincando fazendo todos rirem.
— Fico feliz em saber que Kiara e Aurora estão bem, depois que sua cunhada passou dias viajando em uma carruagem no seu estado. — apontou e Agnes balançou a cabeça concordando.
— Sim, também fiquei preocupado. Por isso antes de viajarmos para o Leste, assegurei a Kiara que não ficaríamos ofendidos se não pudesse comparecer no nosso casamento devido ao seu estado, mas ela disse que fazia questão de participar do dia mais feliz da minha vida, fiquei comovido com seu gesto mas não deixei de ficar preocupado. Graças aos deuses, Aurora nasceu bem apesar de ter vindo um mês antes.
— Sim, e Aurora é um nome apropriado para uma princesa que nasceu durante o inverno. — Agnes disse sorrindo servindo um pedaço de pão de aveia com mel, o preferido do meu marido, a ele.
— Obrigado, tia Agnes. É verdade...Aurora, é um nome que transmite luz, ainda mais durante uma estação tão fria quanto o inverno — Gael apontou tomando um gole do seu chá quente, antes de voltar a falar. — Além do nascimento da nossa nova sobrinha, querida, meu irmão também informou que assinou o contrato de noivado de Connor com a filha do Visconde de Telmar, Lady Larrisa.
— Mais tão cedo?! Connor é tão jovem, para assumir um compromisso desses. — questionei surpresa me lembrando do jovem que havia conhecido em minha festa de casamento, o qual não aparentava ter mais do que quinze anos.
— Sim, mas foi apenas a assinatura do contrato formal. Os casamentos dos herdeiros da coroa do Sul, só ocorrem depois dos vinte e um anos, período em que já terminamos o serviço militar obrigatório — explicou dobrando a carta e entregando-a para Henrik que a guardou no bolso do seu casaco, para que pudesse responder com calma o rei do Sul. — O único que fugiu um pouco a regra, fui eu que me casei com você por procuração quanto tinha dez anos.
— Eu sei, mas achei que seu irmão fosse permitir que o filho escolhesse quem seria sua rainha consorte, já que ele pode fazer o mesmo.
— E Liam permitiu, por isso Connor decidiu se casar com Lady Larissa, por conhecê-la desde criança e manterem uma amizade duradoura desde então.
— Não se pode escolher o futuro conjugue, tendo como base apenas uma amizade duradoura. Onde fica o amor nisso? — Agnes questionou indignada com a justificativa do seu sobrinho.
— Pois eu concordo com o príncipe Connor, é melhor fazer escolhas guiado por um sentimento de amizade do que ouvir o amor e acabar com seu coração despedaçado. — Henrik disse sério fazendo Agnes estreitar os olhos para ele, enquanto olhávamos surpresos para os dois.
— E quem garante que escolher o que parece certo, não o fará ter o coração despedaçado da mesma forma?! — Agnes apontou severa sem desviar os olhos de Henrik.
— Nada garante, Agnes — disse chamando a atenção de todos — Sei que é difícil esquecer seus medos por um momento para confiar em alguém, sem garantia alguma de que não sairá mais machucado do que entrou, mas por experiência própria, se o seu coração disser que essa pessoa vale a pena deem um salto de fé. Porque essa é a beleza da vida, arriscarmos sem ter certeza de nada. Se formos felizes, será maravilhoso, mas se acabarmos com o coração quebrado...Bem, pelo menos podemos dizer que tentamos. — aconselhei olhando de Henrik para minha dama de companhia, parando em Gael sorrindo com carinho para ele estendendo minha mão em cima da mesa, antes do meu consorte segurá-la e beijá-la.
— Minha esposa tem razão, sugiro que reflitam um pouco e usem nossa história como exemplo — apontou suave desviando seus olhos de mim para ver nossos servos. — Se Virgínia não tivesse permitindo que me aproximasse e confiado em mim, apesar de todos os seus temores, não estaríamos casados e felizes agora. Da mesma forma que desejamos vê-los felizes, juntos ou separados, então por favor, sentem e conversem de forma definitiva e resolvam de vez o relacionamento de vocês, porque o castelo inteiro já começou a falar que existe algo entre os dois.
— Se não fizeram isso terei que intervir, decidindo pelos dois como uma soberana cruel, e não quero fazer isso. Desejo que tenham escolha, assim como eu tive, por isso estão dispensados dos seus afazeres reais hoje, aproveitem esse dia para terem a conversa que estão adiando a tempos. — ordenei séria deixando-os surpreso com a minha atitude me levantando da mesa e Gael fez o mesmo, mas antes que pudesse me afastar do local senti minha cabeça rodar e me apoiei na mesa temendo cair no chão.
— Imperatriz Virgínia? — ouvi Henrik questionar preocupado atrás de mim, enquanto respirava fundo sentindo o mal-estar repentino se dissipar aos poucos.
Logo senti os braços de Gael me envolverem, ajudando a sentar na cadeira em que estava anteriormente, pedindo para Agnes trazer um copo de água para mim e solicitando que Henrik chamasse o médico real.
— Não preciso do médico real, Gael, foi apenas um mal-estar passageiro do qual já estou me sentindo melhor. — assegurei um pouco melhor sentada na cadeira, aceitando de bom grado o copo de água que Agnes me oferecia.
— Meu amor, não é a primeira vez que você fica tonta ao se levantar — Gael disse com preocupação ajoelhando na minha frente, enquanto Agnes me abanava com o auxílio de um prato de prata. — Você se sentiu tonta da mesma forma, assim que se levantou da cama ontem e quando disse que iria chamar o médico real, alegou que não havia sido nada demais para chamar o médico.
— E continuo dizendo que não é nada demais, para incomodar o médico real. Além do mais, já me sinto melhor — assegurei entregando meu copo para Henrik — Provavelmente, essa tontura deve ser resultado de termos trabalhando até tarde no último mês, já tive um episódio de cansaço como esse antes. Lembra? — questionei e Gael suspirou resignado.
— Sim, por isso estou preocupado, porque não quero vê-la doente sem poder fazer nada para ajudá-la. — desabafou angustiado e acariciei seu rosto com carinho.
— Eu estou bem — assegurei olhando em seus olhos claros repletos de preocupação. — Mas se eu passar mal assim novamente, prometo que não iriei impedi-lo de chamar o médico real para me examinar.
— Promete?
— Prometo. — assegurei e ele suspirou aliviado me abraçando com carinho.
— Eu te amo. — sussurrou em meus cabelos e sorri carinhosa ao ouvir sua declaração.
— Eu também te amo. — sussurrei de volta, desfrutando da sensação de proteção e cuidado que seu abraço me proporcionava.
Assim que me recuperei do mal-estar passageiro, sai do salão de refeições ao lado de Gael caminhando em direção a sala do trono onde o pintor real já nos esperava, para finalizar os últimos detalhes do quadro que estava pintando a quase um mês da família imperial que seria pendurado nas sedes administrativas, possibilitando ao povo conhecer a imagem dos primeiros imperadores do Leste.
Para isso, tínhamos que estar trajando as mesmas roupas usadas no dia da cerimônia de coroação assim como as coroas, dando a ilusão de que o quadro havia sido feito no primeiro dia do nosso reinado. Só posaríamos novamente para outra pintura oficial, após o nascimento do herdeiro do trono no dia em que ele completasse seis meses de vida.
— Desculpe o atraso, mestre Barone, mas acabamos nos atrasando resolvendo uma situação de última hora. — me desculpei entrando na sala e encontrando o pintor responsável pelos quadros oficiais, concentrado misturando algumas tintas em um ponte enquanto era vigiado pelos guardas da sala do trono.
— Não precisam se desculpar, imperatriz, sei o quanto vossas majestades imperiais são ocupadas — mestre Barone disse gentil desviando seus olhos da mistura que fazia para me ver e sorriu surpreso, como se estivesse me vendo pela primeira vez — Mas vejam só... Se me permite dizer, com todo respeito, imperador consorte, hoje a imperatriz está muito mais bonita que todos os dias em que a pintei...É como se vossa majestade imperial, possuísse um brilho oculto só seu que me deixou sem fôlego. — confessou emocionado e corei sem graça diante do seu elogio.
— Eu também concordo, mestre Barone, e não se preocupe porque não me senti nenhum pouco desrespeitado por seu comentário — Gael disse gentil voltando sua atenção para mim com um sorriso carinhoso nos lábios — Viu meu amor, não fui o único que percebi que tinha algo diferente em você. — apontou me lembrando de mais cedo, quando comentou que havia algo diferente em mim que não sabia dizer o que era e sorri alegando que devia ser resultado da primavera, minha estação preferida.
— Obrigada, pelos elogios senhores, mas ainda precisamos terminar um quadro hoje. — lembrei evitando continuar ser o centro das atenções e os dois concordaram, enquanto Gael me oferecia seu braço me conduzindo para o local escolhido por mestre Barone para ser o cenário do novo quadro da família imperial do Leste.
Os retratos oficiais sempre tinham como cenário de fundo, o local em que os tronos reais ficavam, mas mestre Barone sugeriu que utilizássemos um novo ambiente trazendo a sensação de esperança e frescor sentida por todos com o nascimento do império do Leste e concordamos com a ideia.
Para compor essa nova visão, mestre Barone sugeriu que colocássemos uma cadeira no meio do salão na frente de uma grande janela de vidro que proporcionava a bela visão de um dos vários carvalhos centenários do castelo cercado por uma variedade de flores entre elas as minhas preferidas, os girassóis. Na qual sentaria e meu marido permaneceria de pé ao meu lado, segurando minha mão esquerda.
Segundo mestre Barone, essa nova composição exaltaria a harmonia e comprometimento dos primeiros soberanos do império do Leste em conduzir a população por anos de paz e prosperidade jamais vistos, inaugurando assim uma era de ouro que ficaria marcada nos registros históricos. Um pensamento compartilhado por todos os meus aliados, mas que para ser colocado em prática era necessário muito trabalho e dedicação total de todos os envolvidos nos cargos de poder, uma prática colocada em execução desde o primeiro dia que assumi o poder assim como todos aqueles que me auxiliavam.
— O que vossas majestades imperiais, acharam? — mestre Barone questionou com curiosidade assim que deu por encerrado a pintura do quadro e nos autorizou ver o resultado.
— Ficou lindo, mestre Barone — disse emocionada absorvendo cada detalhe da imagem de mim e do meu marido, eternizada pelas mãos de mestre Barone. — Muito obrigada...Nem sei o que lhe dizer. — confessei entre lágrimas abraçando-o em sinal de gratidão, deixando-o surpreso por meu gesto.
— Não precisa agradecer, imperatriz Virgínia — ele disse sem graça enquanto o soltava — Confesso que houve momentos desafiadores, como encontrar o tom de azul exato que representasse os olhos do imperador consorte...Mas gosto de desafios, eles nos dão um novo frescor de vida — segredou nos fazendo rir — E não precisa agradecer, vossa majestade imperial, só fiz o meu dever.
— Não, o senhor fez muito mais que o seu dever. O senhor, mestre Barone, conseguiu capturar todo o amor e comprometimento que sentimentos pelo outro e por nosso império nesse quadro. — assegurei fazendo o homem em questão sorrir feliz por ter me agradado.
— Virgínia tem razão, mestre Barone, ficou uma linda pintura que vai além da imagem. Muito obrigado, pelo excelente trabalho que fez no último mês.
— Muito obrigado, imperador consorte.
— Quando os outros quadros estarão finalizados, mestre Barone? — questionei sorrindo para a pintura, fascinada pela linda imagem que via.
— Daqui a duas semanas, vossa majestade imperial.
— Tudo bem, vá até a sala do tesoureiro real para que ele pague uma parte do seu serviço como foi acordado, o restante será pago assim que entregar os oitos quadros. Na volta o senhor pode levar o quadro, assim posso admirá-lo um pouco mais.
— Claro, vossa majestade imperial — mestre Barone concordou. — Com vossa licença, imperatriz Virgínia e imperador consorte Gael.
— A vontade, mestre Barone. — ouvi meu marido dizer enquanto sorria encantada admirando a obra de mestre Barone, logo senti braços conhecidos me envolver em seu calor familiar beijando minha bochecha direita com carinho.
— Mestre Barone realmente conseguiu retratar toda a sua beleza, meu amor. — Gael confessou nos meus cabelos e sorri concordando.
— Sim, assim como ele conseguiu fazer o mesmo por você, amor — apontou e meu marido sorriu concordando. — Na verdade, formamos um belo casal.
— Isso eu concordo, sem sobra de dúvidas. — Gael atestou sorrindo beijando minha bochecha direita inúmeras vezes me fazendo sorrir com seus carinhos, antes de encostar minha cabeça em seu peito admirando a pintura em nossa frente.
— Você é feliz ao meu lado, Gael? — questionei de repente e ele me abraçou com mais força, beijando meus cabelos com carinho.
— Sou, Virgínia. Nunca me senti tão feliz em toda a minha vida e tudo isso graças a você, porque me casei com a mulher que amo e que me faz imensamente feliz todos os dias. — assegurou amoroso e sorri aliviada por sentir a sinceridade em suas palavras. — E você, é feliz ao meu lado?
— Sim, nunca me senti tão feliz na vida até conhecer você — assegurei — Desde que nos conhecemos, você mudou a minha vida...Me proporcionou uma fagulha de esperança, quando não tinha nada no que me agarrar. Lutou por mim em uma guerra que não era sua, apenas para cumprir a promessa que havia feito quando éramos crianças, quando podia muito bem esquecer o que havia prometido para uma garotinha de um reino estranho e viver a sua vida.
— Não podia simplesmente esquecer a promessa que havia feito para você e viver a minha vida, porque uma promessa é praticamente sagrada para os filhos do fogo... Assim que a vi depois de tantos anos, me apaixonei por você... Por sua força e inteligência em defender seus ideais e seu povo, sem temer o que pudesse lhe acontecer apesar de tentarem silenciá-la a cada momento, mas ao mesmo tempo em que você demonstrava tanta força podia ver nos seus olhos que estava usando suas últimas forças para o golpe final, do qual poderia não sair viva — disse perdido em pensamentos — Sabia em que cada célula do meu corpo que precisava protegê-la com a minha vida se fosse possível, porque não suportaria a ideia de que algo de ruim pudesse acontecer com a minha princesa. — sussurrou me abraçando mais forte a si, como se quisesse se assegurar de que estava ao seu lado.
— E você me protegeu, de todas as formas possíveis até mesmo quando não queria — apontei amorosa fazendo-o sorrir, espantando as lembranças ruins — Então, posso ter certeza de que você me amou primeiro? — questionei com curiosidade e ele sorriu amoroso, beijando minha bochecha direita com carinho.
— Com toda certeza, querida, ao contrário de você que desconfiava das minhas intenções e queria me matar a cada segundo do dia — apontou brincando e sorrimos. — Mas entendo as suas razões.
— Você pode ter me amado primeiro, isso é um fato inegociável — assegurei — Mas quando descobri que te amava, eu me entreguei sem reservas e posso dizer que te amei muito mais. — apontei e ele sorriu concordando.
— No início, eu a amei primeiro e você me amou muito mais em troca, mas agora encontramos o equilíbrio dos nossos sentimentos e amamos o outro na mesma medida. — Gael assegurou e concordei, enquanto voltávamos a admirar a pintura em nossa frente até sermos interrompidos por um pigarrear leve.
Desviei minha atenção da pintura em nossa frente, para ver um dos soldados que protegiam a sala do trono parados em nosso campo de visão indicando que tinha algo a falar.
— Sim, Umberto? — questionei ainda abraçada ao meu marido.
— Desculpe interromper, vossas majestades imperiais, mas o chefe da câmara dos lordes pediu para avisar que já estão todos a espera dos soberanos para a sessão diária da câmara. — Umberto comunicou constrangido por ter interrompido um momento íntimo de seus soberanos.
— Está tudo bem, Umberto, informe que iremos em seguida. — pedi e ele concordou, fazendo uma reverência antes de sair.
— Apesar de amar ficar nos seus braços, meu amado imperador consorte, precisamos voltar para as nossas responsabilidades reais. — apontei e ele concordou beijando minha bochecha direita com carinho, antes de nos separarmos.
— Dessa vez não poderei acompanhá-la até a câmara dos lordes, querida, porque auxiliarei o General do Leste no último treinamento das tropas para a cerimônia da troca de guarda amanhã. — lembrou e balancei a cabeça concordando.
— Verdade, havia me esquecido desse fato — apontei lembrando que o General do Leste havia solicitado ajuda do meu marido para organizar a troca de guarda que acontecia sempre no segundo dia da primavera. — Isso quer dizer que ficará o dia todo fora?
— Sim, mas prometo chegar antes do jantar, para que possamos fazer a refeição juntos como sempre.
— Vou ficar esperando e por favor, tome cuidado e volte inteiro para mim. — pedi sem desviar dos seus olhos azuis claros e Gael envolveu minha cintura, me puxando novamente para os seus braços.
— Não se preocupe, querida, vou tomar cuidado e sempre voltarei para você. — prometeu se inclinando para me beijar com carinho afastando-se cedo demais, me deixando a sós para cumprir o seu dever como imperador consorte enquanto seguia para fazer o meu, como imperatriz.
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