Imperatriz do Leste

43 Quadragésimo segundo capítulo


Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso quadragésimo segundo capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura a todos.


Depois de uma semana afastada das minhas funções de imperatriz devido meu casamento, havia chegado o momento de retornar as atividades diárias que devem ter se acumulado durante minha ausência. Seria também a primeira vez que Gael ocuparia a cadeira ao meu lado, assumindo seus deveres de consorte preparando-se para comandar em meu lugar, caso houvesse necessidade no futuro.

— Pronto para sua primeira reunião com a câmara dos lordes como imperador consorte? — questionei enquanto andávamos de braços dados pelos corredores do castelo em direção ao local onde as reuniões aconteciam.

— Nem um pouco — Gael segredou nervoso e sorrimos. — Mas prometo fazer o meu melhor, para não decepcioná-la. — assegurou e acariciei seu braço sorrindo amorosa para ele.

— Você jamais me decepcionou, Gael. — garanti e meu marido sorriu amoroso para mim, enquanto éramos anunciados pelo guarda da câmara.

Caminhamos lado a lado, durante o curto trajeto que nos conduzia até as duas cadeiras elevadas por um pequeno palanque de cinco degraus, antes de ocuparmos nossos lugares e sinalizar para o chefe da câmara dos lordes iniciar a reunião.

— É um prazer tê-la novamente nas reuniões da câmara, imperatriz Virgínia — o chefe da câmara dos lordes ressaltou e sorri agradecida, antes de voltar sua atenção para o homem sentado ao meu lado. — É uma honra tê-lo na reunião de hoje, imperador consorte.

— A honra é minha em participar da sessão de hoje — Gael disse educadamente. — Espero poder contribuir com as demandas apresentadas na reunião, chefe da câmara dos lordes.

— Tenho certeza que contribuirá, vossa majestade imperial. — o chefe da câmara ressaltou e todos concordaram.

— Que bom que a presença do imperador consorte foi bem recebida por todos, porque a partir de hoje, ele participará de todas as reuniões que envolvem a administração do império — revelei deixando os lordes a minha frente surpresos com minha decisão. — Acredito que a sua presença em nossas reuniões, contribuirá significativamente para as resoluções dos problemas administrativos, além de prepará-lo para assumir o meu lugar quando houver necessidade.

— Vossa majestade imperial, tem toda a razão em preparar seu consorte para assumir suas funções em alguma adversidade, mas rogo aos deuses que lhe concedam um reinado longo e próspero.

— Obrigada, chefe da câmara — agradeci sorrindo educadamente — E então, quais são as nossas atribuições de hoje? — questionei olhando para o homem em minha frente que começou a relatar os problemas de maior prioridade como os relacionados ao inverno, a estação que enfrentaremos em breve e que sempre trazia transtornos para a população.

Passamos a manhã toda na câmara, tentando resolver as pendências que surgiram durante minha ausência, assim que havíamos solucionado esses impasses dei a reunião por encerrada para que pudesse almoçar ao lado de Gael, antes de seguirmos em direção ao meu escritório particular onde o escrivão esperava para que assinasse os decretos revisados durante a reunião da manhã.

— Este é o decreto que autoriza o calçamento da estrada que liga as vilas até a sede do império, vossa majestade imperial — o escrivão explicou em pé ao meu lado me entregando o documento para que pudesse assinar. — Como pode observar, as alterações solicitadas pela imperatriz, foram incluídas neste novo documento.

— Excelente, escrivão real — disse contente por seu trabalho voltando minha atenção para meu marido, sentado ao meu lado — Gael, esse decreto é um dos mais importante do império, porque fará o calçamento de todas as estradas das vilas que permitem o acesso até a sede. Essa obra irá trazer inúmeros benefícios, como a redução dos dias de viagem para a escoação da produção, mais geração de empregos e negócios para as vilas entorno da estrada, e possíveis parcerias com novos produtores. — expliquei resumidamente o conteúdo do documento entregando-o para ele, podendo assim ver por si mesmo do que se tratava.

— Entendo — disse correndo os olhos pelos papeis em suas mãos, identificando de forma rápida os itens que havia lhe explicado — Me permiti uma sugestão, Imperatriz? — questionou voltando seus olhos azuis cristalinos para mim e estreitei os olhos ao ouvi-lo se referindo a mim por meu título.

— Sim, mas prefiro que meu marido me chame pelo meu nome do que pelo meu título, se não se lembra o dispensei dessa formalidade. — destaquei e ele suspirou concordando.

— Sei disso, querida, me desculpe por meu lapso.

— Terá que apresentar uma boa justificativa para a sua falta, imperador consorte. — disse em tom de desafio sem desviar os olhos de Gael que se aproximou de mim, com a intenção clara de que me beijaria, mas ouvimos um pigarro de leve vindo do escrivão real e nos afastamos assumindo uma postura respeitosa.

— O que gostaria de sugerir, imperador consorte? — questionei usando o título de Gael, tentando acalmar meus pensamentos nada educados em relação a ele porque ainda tínhamos muito trabalho pela frente.

— Sugerir?! — ele disse perdido como se houvesse esquecido o que havia falado, mas logo percebi em seus olhos que havia recordado o que iria falar — Há sim... Iria sugerir, que colocassem em alguma parte da estrada um posto de fiscalização de tributos, evitando prejuízos para os cofres do império caso algum negociante declare menos do que realmente está levando.

— É uma excelente ideia, Gael — elogiei meu consorte enquanto pegava o documento em minhas mãos, voltando minha atenção para o escrivão real. — Inclua a sugestão do imperador consorte na documentação, depois a adicione aos itens a serem discutidos na reunião de amanhã na câmara, para que todos fiquem cientes e possam expressar suas opiniões sobre o assunto.

— Sim, imperatriz Virgínia. — assegurou aceitando o documento, fazendo uma pequena anotação no mesmo, antes de passarmos para os demais decretos que ainda precisavam da minha assinatura para entrarem em vigor.

Depois de horas sentadas na mesma posição assinando inúmeros documentos, o cansaço começou a cobrar seu preço, mas toda fadiga era recompensada quando lembrava que tudo era em prol do bem-estar do meu povo e ter Gael ao meu lado, prestando atenção as minhas explicações, sugerindo melhorias ou questionando sobre alguma dúvida que havia surgido, tornava o fardo de governar mais leve ao dividir minhas responsabilidades com ele.

— Este foi o último decreto que precisava da sua assinatura hoje, vossa majestade imperial. — o escrivão disse cansado aceitando o documento que lhe entreguei e respirei aliviada por termos concluído o nosso trabalho, antes de ouvirmos uma batida na porta.

— Pode entrar — autorizei voltando minha atenção para o escrivão real que guardava as documentações assinadas durante toda a tarde — Está dispensado por hoje, escrivão real, obrigada pelo excelente serviço que nos prestou hoje. — agradeci vendo Agnes entrar na sala com uma bandeja de chá e biscoitos, colocando-a em cima da mesa de centro no meu escritório.

— Não precisa me agradecer, imperatriz, só fiz meu trabalho — disse humilde — Farei as correções solicitadas e apresentarei os documentos na sessão da câmara de amanhã. Tenham uma boa noite, majestades imperiais. — desejou fazendo uma reverência deixando meu escritório, enquanto Agnes arrumava a mesa para o tradicional chá da tarde que tomava depois que encerrava minhas atividades.

— Só a senhora mesmo tia Agnes, parece que adivinhou meus pensamentos sedentos por uma xícara de chá quente. — Gael disse sorrindo levantando da cadeira em que estava sentado me oferecendo sua mão para ajudar a levantar, antes de caminhar em direção a sua tia que terminava de servir o conteúdo do bule em uma xícara deixando-a em cima da mesa, sendo reclamada por meu marido que tomou um longo gole suspirando de satisfação em consumir uma bebida quente, enquanto os primeiros flocos de neve se acumulavam na grama do jardim.

— O chá está de vosso agrado, imperador consorte? — questionou olhando com curiosidade para seu sobrinho que se sentava no sofá em frente a mesa de centro, segurando a xícara com as duas mãos.

— Sim, tia Agnes, muito obrigado. Estava ansiando por uma xícara de chá quente — apontou tomando mais um gole da sua bebida apreciando o calor que vinha dela — Agora está explicado o frio que senti durante o final da tarde, era o sinal claro de que teríamos neve hoje. — disse olhando para a janela vendo os flocos de neve se acumularem pela grama do jardim enquanto me sentava ao seu lado, aceitado a xícara oferecida por Agnes.

— Obrigada, Agnes — disse agradecida aceitado a xicara e tomando um gole antes de voltar a falar. — Agnes, certifique-se de que todos no palácio estão preparados para a noite fria que teremos hoje. Instrua os servos, a verificarem se todos os quartos possuem lenha e cobertores o suficiente para a noite, por favor, peça para o cozinheiro real deixar um caldo quente preparado para os soldados que ficarão de guarda, não quero que eles passem frio durante sua ronda.

— Não se preocupe, imperatriz, farei como ordenou.

— Obrigada, Agnes.

— Acredito que Henrik possa ajudar tia Agnes nessas tarefas, Virgínia. — Gael ofereceu e minha dama de companhia ficou com o rosto corado diante da menção do nome do secretário pessoal do meu marido, enquanto tomava meu chá evitando não pensar no que Agnes havia me contado dias atrás sobre ter beijado Henrik na biblioteca do castelo e no seu desejo de assumir um compromisso sério com ela, pedindo assim a nossa benção para que pudessem se casar.

Uma ideia que deixou Agnes em pânico, devido a todo o seu histórico amoroso, fazendo-a mentir para Henrik alegando que não nutria sentimentos tão fortes ao ponto de aceitar ter um compromisso tão sério deixando-o arrasado com suas palavras, quando na verdade minha dama de companhia só estava com medo de passar por todo sofrimento que viveu no passado.

— Não quero ser rude, imperador consorte, mas é melhor que eu cuide dessas tarefas porque já estou acostumada e perderia mais tempo explicando-as para Henrik, já que ele não conhece a rotina da corte do Leste. — Agnes desconversou tentando não ofender seu soberano e Gael estreitou os olhos, analisando sua tia de cima abaixo, como se estivesse em busca de uma razão que justificasse não aceitar a ajuda de Henrik na realização das tarefas domésticas.

— Entendo — Gael disse suave colocando sua xicara em cima da mesa e voltando sua atenção para a mulher a sua frente — Tia Agnes, poderia de lhe fazer uma pergunta como seu sobrinho e não como seu soberano? — pontoou e ela balançou a cabeça de forma afirmativa, olhando nervosa para seu sobrinho.

— Henrik fez algo que a ofendeu? — questionou deixando sua tia surpresa pela pergunta que seu sobrinho fazia.

— Claro que não — assegurou — O que o fez pensar que Henrik fez algo para me ofender? — questionou com curiosidade enquanto Gael abria a boca para dizer algo, mas pareceu pensar melhor optando por não falar nada.

— Nada, tia Agnes. Acho que deve ter sido coisa da minha cabeça. — assegurou com tranquilidade para a mulher em sua frente.

— Bem, se vossas majestades imperiais não precisarem mais de mim, peço licença para me retirar porque preciso providenciar o que me foi solicitado.

— Claro, Agnes, pode se retirar. — autorizei tentando fazê-la sair o mais rápido possível da sala, evitando ainda mais constrangimento a ela.

— Você sabia Virgínia dos sentimentos de tia Agnes por Henrik? — Gael questionou voltando seus olhos para mim e fiquei sem fala diante da sua pergunta.

— Eu...Como...Você... Quem te contou isso? — questionei preocupada de que meu marido pudesse saber sobre o beijo entre nossos servos, e seu sorriso triunfante só me deixou ainda mais angustiada.

— Ninguém, mas tinha minhas desconfianças e o nervosismos das duas depois que sugeri que Henrik ajudasse minha tia, serviu apenas para confirmar minhas suspeitas de que os dois sentem algo pelo outro. Estou errado? — questionou me indagando com seus olhos azuis claros e suspirei resignada.

— Não — admiti sincera — Os dois sentem um carinho especial pelo outro desde que se conheceram, mas apesar de Henrik demonstrar que deseja ter um compromisso sério com Agnes, minha dama de companhia teme se envolver novamente com alguém e acabar sofrendo como no passado. — revelei e meu marido balançou a cabeça concordando.

— Entendo, nem consigo imaginar o quanto minha tia deve ter sofrido nas mãos do primeiro marido... — disse perdido em pensamentos, antes dos seus olhos se iluminarem como se ele tivesse tido uma grande ideia — E se eu conversar com ela? Assegurando que faria Henrik ou qualquer outro homem por quem ela se interessar, conhecer nossos deuses mais cedo se ousasse pensar em lhe fazer qualquer mal. — ofereceu sincero e acariciei sua bochecha direita com carinho, feliz em ver sua preocupação e cuidado para com Agnes.

— É uma atitude linda, meu amor, mas já fiz isso e não surtiu efeito. Dessa vez, só Agnes pode decidir seu futuro, creio que ela precisa dar um salto de fé e confiar nos sentimentos que senti por Henrik, porque é visível que ele gosta de verdade dela.

— Sim, é nítido nos olhos dele. Só queria que os dois pudessem ser felizes, depois de sofrerem tanto nessa vida. — Gael disse perdido em pensamentos.

— Lembro que certa vez, sua mãe comentou que Henrik pediu dispensa do posto de General do Sul e se tornou seu secretário, mas nunca consegui entender como alguém que é o segundo na linha de comando de um reino abdica para se tornar secretário do príncipe.

— Na verdade, nem eu entendia, só compreendi seus motivos quando assumi meu primeiro posto de comando no exército. Foi o mesmo dia que Henrik me chamou para beber ao redor da fogueira e me contou sobre seu passado. — disse perdido em pensamentos como se revivesse aquele instante.

— O que aconteceu com ele, Gael?

— Henrik, era o melhor General que o exército do Sul já teve, respeitado e admirado por todos por ser justo e misericordioso para com seus inimigos, minha mãe tinha total confiança nele já que os dois cresceram e treinaram juntos. Mas toda sua misericórdia se voltou contra ele, quando um dos seus inimigos aproveitou um momento em que estava fora do reino, treinando as tropas para se vingar em sua família...E a perda quase o levou a loucura... Depois disso, ele perdeu o gosto pela vida, começou a beber e ser irresponsável com seus deveres, antes de pedir dispensa do seu cargo para minha mãe que só lhe concederia com a condição de ser o secretário e guardião do seu filho mais novo que havia acabado de nascer. — apontou me deixando surpreso pela decisão da sua mãe.

— Não consigo entender por que sua mãe confiou sua segurança a Henrik, quando ele não estava claramente bem para proteger um dos herdeiros do trono do Sul.

— Creio que tenha sido uma medida desesperada, para evitar que seu amigo afundasse de vez em sua própria ruína de dor e culpa — Gael explicou e balancei a cabeça concordando, porque fazia sentindo se olhássemos por esse ângulo. — Quando entrei para o exército, Henrik me fez jurar que não seria misericordioso com meus inimigos, porque eles poderiam se voltar contra a minha família como aconteceu com ele.

— Agora tudo faz sentindo, Gael — disse ligando os pontos — Por isso sua mãe lhe deu em segredo o título de duque de Albânia, para que pudesse viver em segurança com a sua família, sem que a tragedia que aconteceu com Henrik se repetisse com você... No fundo, ela deve se sentir culpada por não ter protegido a família do amigo... Por isso decidiu lhe confiar seu bem mais precioso, seu próprio filho, para lhe dar um motivo para continuar vivendo depois de tudo que aconteceu. — refleti pensando em todos os homens que faziam parte do meu exército, arriscando suas vidas e o bem estar das suas famílias para manter nosso reino seguro de ameaças externas, colecionando assim inimigos a cada embate que travavam.

Constatar essa realidade me deixou inquieta, por isso levantei do sofá em que estava sentada ao lado do meu marido e comecei a andar de um lado para o outro do meu escritório, tentando acalmar minha mente agitada pensando em uma solução que pudesse evitar que algo assim acontecesse no meu reino.

— Virgínia? O que está lhe preocupando tanto? — Gael questionou com preocupação e parei de andar olhando no fundo dos seus olhos azuis.

— Eu preciso fazer o mesmo, Gael... Preciso criar uma forma de proteger a identidade dos meus homens e de suas famílias, para o que aconteceu com Henrik não se repita no meu império. — expliquei angustiada para o meu consorte, ciente de que não suportaria saber que tinha sangue de inocentes nas mãos quando podia ter feito algo para impedir que isso acontecesse.

Em silêncio, Gael se levantou do sofá em que estava sentado caminhando em minha direção, tomando minhas mãos nas suas beijando-a com carinho voltando seus olhos para mim.

— Não se preocupe, vamos chamar Tadeu e resolveremos esse assunto, tudo que não quero é vê-la angustiada dessa forma. — assegurou e sorri agradecida abraçando-o com carinho, sendo envolvida em resposta por seus braços acolhedores fechando os olhos, para apreciar seu cheiro de madeira silvestre a me envolver.

Nos braços de Gael me sentia segura e em paz, como se nada no mundo pudesse me atingir ou perturbar minha felicidade, mas sabia que isso havia sido às custas de muita dor e sofrimento meu e de outras pessoas, por isso como soberana era meu dever garantir que quem estivesse sob minha proteção pudessem viver com tranquilidade, sem a sobra do medo pairando acima das suas cabeças, especialmente aquelas que colocavam sua vida em risco para garantir a proteção do meu império.

— Você ficaria muito chateado se tivisse que trabalhar até mais tarde, hoje? — questionei afastando meu rosto do seu peito para olhar seus olhos. — Porque não vou conseguir dormir com essa preocupação martelando na minha cabeça, enquanto não começar a resolvê-la.

— Só ficarei chateado, se não me deixar ajudá-la — explicou acariciando minhas costas com a mão livre. — Somos um só Virgínia, perante os deuses e os homens, suas preocupações sempre serão as minhas e desejo lhe ajudar em tudo que precisar, não importa qual problema seja.

— Não esperaria menos de você. — disse sorrindo feliz por suas palavras e ele se inclinou para beijar meus lábios com carinho.

— Mas acredito que precisaremos pedir para tia Agnes mais bule de chá com biscoitos, se vamos trabalhara até mais tarde. — sugeriu assim que se afastou de mim e concordei sorrindo.

— É uma boa ideia, meu amor — apontei percebendo que o corpo de Gael estava um pouco frio, mesmo com as roupas que usava e o abracei um pouco mais forte, tentando aquecê-lo com o calor do meu corpo. — Vou pedir para os servos acenderem a lareira do escritório e trazer alguns cobertores para você se aquecer, meu amor.

Era ciente de que Gael não estaria acostumado ao inverno do Leste, mesmo tendo passado algum tempo em treinamento militar no Norte que possui o clima muito mais frio do que o nosso império, mas ainda sim meu marido era um filho do fogo.

E como tal, eles estavam acostumados ao calor e ao clima desértico, o único clima frio que conheciam eram os períodos chuvosos que aconteciam durante dois meses, por isso era natural que meu marido sentisse-se os efeitos de forma acentuada de um clima do qual não estava acostumado.

— Vou ficar bem, só preciso me acostumar com o clima do nosso império — sussurrou em meus cabelos aceitando meus carinhos de bom grado — Mas não posso mentir, que é muito bom ficar abraçado com você desse jeito...Sentindo seu cheiro...Seu calor... — segredou com seu rosto escondido em meu pescoço, no local exato em que ele se ligava ao meu ombro.

Naquele momento tive que respirar fundo, dissipando da minha mente a vontade que sentia de voltar para os meus aposentos com o meu marido, desfrutando da sua companhia em meu leito naquela noite fria do início de inverno, mas sabia que no fundo não conseguiria dormir em paz sabendo que tinha um assunto tão importante para resolver como aquele.

— Nós ainda temos um assunto para resolver, Gael. — lembrei tentando usar o pouco de auto controle que possuía e meu marido suspirou concordando, dando um beijo em meu pescoço afastando-se de mim.

— Você tem razão, acho melhor chamar Tadeu, antes que ele se recolha. — sugeriu e balancei a cabeça concordando, vendo-o caminhar em direção a porta do escritório solicitando a um dos guardas que chamassem meu General imediatamente, antes de solicitar a Agnes mais um bule de chá porque teríamos uma longa noite pela frente.