Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso décimo sétimo capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura.

— Vossa majestade, precisa se acalmar não é o momento de perder o equilíbrio ou tudo pelo que passou e o sacrifício do rei consorte será em vão — Agnes surrou para minha maternal me embalando gentilmente em seus braços enquanto as lágrimas caiam dos meus olhos, depois que o médico real nos deixou a sós. — Seu marido colocou sua vida em risco assim como tantos outros homens, para assegurar que a rainha do Leste recuperasse o seu poder e guiasse seu povo para anos de paz e segurança, depois de tanta dor e sofrimento.

— Sei de tudo isso, Agnes, mas é tão cruel pensar que Gael pode nunca mais levantar dessa cama por minha causa assim como tantos outros que perderam sua vida, familiares e terras por culpa da ganância sem medida do General do Leste. — declarei com pesar enquanto ela acariciava meus cabelos gentilmente e Henrik me olhava com pena.

— Sua dama de companhia está certa, vossa majestade, precisa mostrar que o reino está mais forte do que nunca mesmo com o atentado contra o seu consorte e a traição do seu General, ou mergulhará em uma guerra civil sem precedentes — Henrik alertou suave e respirei fundo, tentando acalmar meus temerosos para assumir a fachada forte e inabalável que usei durante anos, porque no fundo os dois tinham razão.

Não podia deixar que o sacrifico de tantas pessoas fosse invasão, se não demonstração equilíbrio e força agora outro poderia se achar no direito de contestar a minha legitimidade ao trono, como o falecido General do Leste sempre fez provocando conflitos no reino fazendo meu povo sofrer ainda mais.

— Vocês têm toda a razão, preciso agir como uma soberana agora para assegurar ao meu povo que o caos já passou, antes que inverdades comecem a circular pelo reino provocando ainda mais desordem. — confessei e eles concordaram, enquanto respirava fundo reunindo toda a minha coragem para fazer o que tinha que ser feito naquele momento.

Logo ouvirmos uma batida na porta nos deixando confusos sobre quem deveria ser do outro lado, ciente do que deveria fazer a seguir agradeci a Agnes e Henrik pelas palavras de conforto, antes de me separar da minha dama de companhia e me levantar do chão em que estávamos sentadas, passando as mãos cuidadosamente por meus cabelos e pelo vestido que usa, tentando aparentar uma tranquilidade que não sentia principalmente por ver que meus trajes e algumas partes do meu corpo estavam cobertos pelo sangue de Gael.

Você precisa respirar e aparentar controle, ainda não é o momento de desabar, segredei para mim mesma antes de sinalizar para Agnes que havia se levantado do chão e caminhava em direção a porta do quarto, para ver quem estava do outro lado da porta.

Agnes se ausentou por alguns instantes, retornando para o interior do quarto com uma expressão séria.

— Pode falar, Agnes. — autorizei sabendo que teria que deixar Gael aos cuidados dos nossos servos, mas sabia que os dois cuidariam muito bem dele.

— Um dos soldados veio informar que Tadeu solicita a sua presença na sala do trono, vossa majestade. — informou e suspirei resignada sabendo, que não poderia mais evitar o caos que deveria estar a administração do reino depois dos acontecimentos de hoje.

— Avise que já estou indo, Agnes — pedi a ela que concordou caminhado em direção a porta dos meus aposentos, comunicando a minha resposta para o guarda que deveria estar esperando para repassá-la ao seu superior.

Em silêncio, caminhei em direção a cama onde Gael estava deitado imerso em um sono profundo, depois que sua febre havia cedido um pouco. Me sentei ao seu lado se segurei sua mão na minha, acariciando seu rosto com a mão livre afastando alguns fios de cabelo molhado dos seus olhos.

Resignada e triste por saber que deixaria Gael, acariciei seus cabelos uma última vez e me inclinei para beijar sua testa com carinho prometendo que voltaria para vê-lo em breve, implorando que continuasse a lutar para sobreviver a essa noite e se recuperar plenamente do seu machucado. Com cuidado me separei dele, cobrindo-o da melhor forma possível com os cobertores, antes de deixar meus aposentos e parar na frente de Arthur que ainda permanecia de guarda ao lado de Yumi e outros soldados do regimento do Sul na porta dos meus aposentos.

— Guardas, por favor, protejam a todo custo o rei consorte. Não permitam que ninguém além de mim, Agnes e Henrik entrem nesse quarto muito menos se aproximem dessa ala, o médico real e seus assistentes só têm permissão para ver meu marido na companhia de um de nos três, se não for assim eles devem ser impedidos de se aproximarem do soberano. Eliminem qualquer um, sem autorização que ousar se aproximar do meu marido. — ordenei séria olhando para cada um dos soldados presentes, para que vissem que não estava de brincadeira, temia que um dos aliados do falecido General do Leste quisesse terminar o que seu superior havia começado, eliminando o recém declarado rei consorte mergulhando o reino em mais caos mediante a instabilidade de que meu reinado não tivesse um herdeiro.

— Não se preocupe, vossa majestade, ninguém sem autorização chegará perto do rei consorte. — Yumi garantiu fria e todos os homens ao seu lado balançaram a cabeça concordando, enquanto voltava minha atenção para Arthur.

— Qualquer alteração que meu marido tiver, por menor que seja me avise imediatamente, Arthur. — pedi a ele que balançou a cabeça concordando e agradeci, caminhando em direção a sala do trono assumindo a minha postura de rainha, enquanto meu coração ficava com o homem gravemente ferido em meus aposentos.

Assim que entrei na sala do trono escoltada pelo soldado enviado por Tadeu, percebi que o local já estava devidamente organizado sem nenhum sinal de que havia tido uma festa e muito menos uma batalha, contando apenas com a presença do meu amigo e de Drake.

Em silêncio, caminhei em direção ao local onde os tronos reais estavam elevados graças a um pequeno palanque com cinco degraus, possibilitando que todos os presentes no local vissem seus soberanos. Ocupei o meu lugar e olhei para o trono vazio ao meu lado, desejando que meu consorte pudesse se recuperar para ocupar o seu lugar de direito ao meu lado, respirei fundo deixando esse pensamento de lado ou acabaria chorando de preocupação na frente dos meus homens de confiança.

Resignada com o papel que tinha que desempenhar, desviei meus olhos do trono do consorte real e encarei os homens em minha frente, indicando que começassem a falar o motivo de terem me chamado.

— Vossa majestade, conseguimos encontrar todos os nobres que compõem a câmara de lordes, eles se encontram confinados em suas celas aguardando julgamento. — Drake informou e balancei a cabeça, sabendo que tinha problemas mais urgentes para resolver naquele momento que iam além do julgamento de lordes corruptos.

— Deixe-os isolados e sem contato com o outro, um tempo de privações fará bem a eles. Providenciem papel e uma pena, para anotarem os nomes que irem lhe dizer — solicitei a eles que concordaram, enquanto Tadeu procurava pelo local os itens que solicitei encontrando-os e voltando para a minha frente, anotando os nomes que lhe dizia — Agora que já possuem os nomes, quero que Drake os traga em segurança e sem violência para o castelo. Eles são aliados e não nossos inimigos, Drake, para que os trate com violência — informei sustentando o olhar de Drake, deixando claro que não permitiria quaisquer maus tratos com as pessoas que estava ordenando que trouxesse e ele concordou resignado, antes de voltar a minha atenção para Tadeu. — Tadeu, procure pelo castelo por meu tutor, Lorde Samuel, informe de que solicito sua presença com urgência na sala do trono.

— Sim, minha rainha. — Tadeu disse fazendo uma reverência ao lado de Drake, deixando-me a sós com meus próprios pensamentos enquanto organizava meus próximos passos evitando pensar no que havia ouvido do médico real em relação ao estado de saúde do meu marido.

Sei que não sou a melhor das filhas, mas por favor, salvem Gael. Ele não merece passar a vida inteira inconsciente ao mundo ao seu redor, porque escolheu me ajudar a reconquistar o meu lugar de direito...Se alguém tiver que ser punido por algo, punam a mim e a minha casa e salvem o sangue do Sul, implorei de olhos fechados aos nossos deuses desejando que pudessem me ouvir e atender ao meu pedido. Evitando assim, mais dor e sofrimento para a casa de Gael que havia acabado de perder o consorte real, sabia que o reino do Sul não suportaria perder outro membro da família real assim como eu.

— Minha rainha? — ouvi alguém chamar e abri os olhos, vendo Lorde Samuel parado no meio do salão em companhia de Tadeu — Mandou me chamar, minha senhora?

— Sim, Lorde Samuel. Tadeu, pode nos deixar a sós, por favor — pedi a meu amigo que balançou a cabeça concordando, fazendo uma reverência deixando a sala do trono em seguida. — Professor Samuel, mandei chamá-lo porque preciso de sua ajuda.

— No que posso lhe ser útil, minha senhora? — questionou solicito e respirei fundo, organizando meus pensamentos antes de voltar a falar.

— Como deve saber, assumi o poder de forma integral do reino, o General do Leste está morto e destitui toda a câmara dos lordes por serem seus aliados e administradores corruptos, mas sei que preciso formar com urgência outra câmara, para tranquilizar meus súditos de que nada irá abalar a estabilidade do reino. Para isso, chamei o senhor professor, gostaria de convidá-lo para assumir a chefia da câmara durante a transição, não se preocupe porque já pedi aos meus homens que trouxessem lordes de confiança para auxiliarem nessa tarefa. Mas quero que tenha em mente, que isso é um convite e não uma ordem, professor. — esclareci a ele que respirou fundo, pensando por alguns instantes no que havia acabado de ouvir balançando a cabeça de forma afirmativa.

— É uma honra, receber tal convite para ocupar um cargo de tamanha importância, minha rainha, farei o meu melhor para corresponder as suas expectativas e de todo o nosso povo. — meu professor declarou sério e sorri aliviada, por saber que teria alguém de minha total confiança em um cargo tão importante.

— Sei disso, professor, sempre soube que era o homem certo para ocupar esse cargo ainda mais no meio de todos esse caos e incerteza que as pessoas estão sentindo. — expliquei cansada e ele balançou a cabeça concordando.

— Compreendo, vossa majestade, sua tomada do poder, a morte do General do Leste, a revelação de um rei consorte e o atentado contra a sua vida, são situações que deixam o povo temerosos por suas vidas, além de colocar em risco a sucessão do trono. — meu professor indicou e balancei a cabeça concordando.

— Estou ciente de tudo isso, professor. Sei que se desejo me manter no poder preciso garantir estabilidade de todas as formas possíveis para os meus súditos, mas asseguro que apesar do susto o rei consorte está se recuperando. — expressei o meu desejo, ocultando o fato de que meu consorte poderia não sobreviver a essa noite.

Tudo que não queria era gerar mais caos e incerteza, perante o estado de saúde de Gael.

— Isso é uma excelente notícia, vossa majestade, assim que amanhecer sugiro que peça para organizar o povo no pátio do castelo e faça um pronunciamento esclarecendo toda a situação, assim como o estado de saúde do seu consorte. Assegure a todos, que a casa do Leste está viva e mais estável do que nunca, solicite que o corpo do General do Leste assim como dos seus associados, seja queimado as margens do rio sagrado como manda a nossa tradição. Isso demonstrará que a nossa rainha além de força e apoio dos súditos, possui compaixão até pelos seus inimigos, esse gesto acalmará os ânimos de todos principalmente dos que são contra o seu reinado, majestade. — me aconselhou e balancei a cabeça concordando, sabendo que meu professor tinha razão.

— Farei isso, professor, não se preocupe e obrigada pelos conselhos — agradeci suave e logo a porta da sala do trono foi aberta por Tadeu, fazendo meu coração bater acelerado temendo que algo tivesse acontecido com Gael enquanto não estava ao seu lado. Sem perceber me levantei da cadeira em que estava sentada, segurando a respiração temendo pelo que ele iria me dizer — Aconteceu alguma coisa com Gael, Tadeu?

— Não vossa majestade, apenas vim informar que Drake já retornou com todos os nobres que solicitou, minha senhora. — Tadeu explicou e respirei aliviada, voltando a me sentar em meu trono.

— Ótimo, traga-os até a minha presença, gostaria de lhes explicar o que irão fazer a partir de hoje e Tadeu, peça para um dos soldados ir até meus aposentos saber como Gael está, por favor. — pedi a ele que balançou a cabeça concordando, fazendo uma reverência deixando o local enquanto esperávamos pelos nobres que fariam parte da nova câmara chefiada por meu antigo tutor.

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— Vossa majestade, não gostaria de comer algo? Não se alimenta desde o lanche da tarde, antes da sua festa de aniversário. — Agnes sugeriu preocupada enquanto estava sentada na cama ao lado de Gael segurando sua mão, aliviada por saber que a sua febre havia abaixado e ele dormia tranquilamente em meus aposentos, enquanto os primeiros raios de sol iluminavam o ambiente.

Ver o início de um novo dia me fez respirar um pouco melhor, por saber que contrariando todas as probabilidades Gael havia resistido essa noite sem apresentar novamente o quadro febril, me fazendo ter esperanças de que ele acordaria em algum momento assim que seu corpo tivesse força necessária para fazê-lo devido a grande perda de sangue que teve.

— Estou sem fome, Agnes. Mas desejo que deixe uma roupa apropriada para o pronunciamento em público que farei daqui a pouco, preciso tranquilizar a população que deve estar temerosa com os acontecimentos de ontem. — expliquei sem desviar os olhos de Gael que dormia profundamente sob a vigilância atenta de Henrik, sentado em uma cadeira próximo a cama para atender a qualquer necessidade que seu senhor pudesse precisar.

— Irei providenciar imediatamente, minha senhora. Vossa majestade, tem toda a razão, os raros momentos que me ausentei dos cuidados com meu sobrinho, presenciei o medo nos olhos dos servos do castelo, principalmente com o reforço da segurança e a chegada de inúmeros pioneiros. Todos estão temerosos e preocupados que uma possível guerra se aproxime, depois do assassinato do General do Leste e da tentativa contra a vida do rei consorte, o clima é de apreensão devido uma possível retaliação do Sul depois do ataque a um dos herdeiros da coroa. — Agnes explicou e respirei fundo, ciente de todos aqueles fatos por isso iria fazer um pronunciamento, para tranquilizar a todos e assegurar que o atual rei consorte estava bem.

— Rezo para que meu príncipe se recupere, porque se algo acontecer a rainha mãe Hortência não terá clemência do Leste, assim como o atual monarca do Sul, o rei Liam. — Henrik disse perdido em pensamentos, como se pudesse vislumbrar toda a destruição causada pela dor da perda do príncipe do Sul por seu reino.

— Vire essa boca pra lá, Henrik — Agnes repreendeu o secretário do sobrinho e bateu em uma mesa de madeira, como se esse simples gesto pudesse afastar tal cenário — Não podemos e nem iremos pensar em algo desse tipo, meu sobrinho ficará bem assim como todo o reino. Ainda terei a felicidade de presenciar a união de maneira adequada, sem ser por uma procuração e com a finalidade de salvar o reino, da casa do Leste com a casa do Sul e estarei ao lado da minha senhora quando chegar o momento de trazer os frutos dessa união ao mundo. — minha dama de companhia assegurou sem sombra de dúvida na voz, fazendo Henrik suspirar atraindo a atenção de todos.

— Pelo jeito, terei que me acostumar com o clima úmido e extremamente verde deste reino. — revelou fingindo um falso pesar com um sorriso no rosto que nos fez rir, por demonstrar que estava mais do que satisfeito em imaginar que seu senhor ficaria em meu reino.

— Henrik, a rainha mãe Hortência é tão cruel assim? — questionei preocupada interrompendo o momento leve que compartilhávamos.

— Não, rainha Virgínia, minha soberana é uma mulher doce e justa, mas que sabe ser terrível quando necessário. E pelos filhos, especialmente seu caçula que é uma cópia fiel do falecido marido, minha senhora, é capaz de qualquer coisa — ele explicou e balancei a cabeça concordando, sabendo que era meu dever informar a mãe de Gael sobre o ocorrido, mas também era ciente de todas as implicações que esse ato poderia causar ao meu povo — Vossa majestade, pretende informar a casa do Sul sobre o ocorrido com seu príncipe?

— É o certo a se fazer, Henrik, não posso negar a uma mãe cuidar de seu filho quando ele mais precisa, mas tempo que a irá do Sul recaísse sobre meu povo que é inocente de tudo isso. Estou de mãos atadas diante dessa situação. — segredei sem saída e Henrik balançou a cabeça concordando.

— É prudente de sua parte, majestade temer por seu povo, mas se me permiti um conselho de alguém que viveu durante anos na corte do Sul, informe a rainha mãe Hortência imediatamente será muito melhor que ela saiba a verdade por vossa majestade, do que por terceiros — explicou suave e suspirei concordando. — Se bem, que dado ao conteúdo da última carta do meu príncipe enviou a mãe, tenho certeza que ela já deve estar a caminho do reino do Leste.

— Do que está falando, Henrik? — questionei sem saber o que ele queria dizer.

—Bem, pelo pouco que li enquanto servia seu chá, o príncipe Gael havia escrito uma carta de despedida para a mãe, explicando que faria tudo para proteger sua amada esposa durante o confronto final e que a rainha mãe, muito menos o rei do Sul deveriam atacar o reino do Leste se algo se acontecesse. Eles deveriam fazer de tudo, para proteger o rei natal do falecido consorte do Sul e atual reino por casamento do príncipe do Sul, sem derramar uma gota de sangue do povo do Leste ou de sua monarca. — Henrik declarou sem sombra de dúvida na voz e sorri emocionada por saber que Gael havia pensado em tudo, mesmo não dividindo as suas preocupações comigo.

Diante disso, beijei a mão de Gael com carinho assegurando que voltaria logo, me afastando do seu lado e caminhando em direção a mesa em que escrevia minhas correspondências. Tinha plena consciência de que essa minha ação traria consequências, mas não poderia negar uma mãe de cuidar do seu filho quando ele mais precisava, era o certo a se fazer mesmo sendo arriscado e estava pronta para pagar as consequências por fazer o que era correto naquele momento.

Assim que terminei de escrever a carta e a selei com o brasão da casa do Leste, pedi a Arthur que escolhesse um dos soldados do Sul para quem entreguei a correspondência a seus cuidados, solicitando que voltasse o mais rápido possível para o seu reino natal e a entregasse nas mãos da rainha mãe Hortência em pessoa.

— Foi uma decisão muito arriscada, rainha Virgínia, apesar de meu sobrinho ter preparado o terreno antecipadamente de acordo com Henrik, enviando uma carta avisando a mãe sobre os perigos que correria ao enfrentar o falecido General do Leste. — Agnes disse preocupada, com as implicações do que havia acabado de fazer.

— Sei disso, mas não posso esconder de uma mãe que seu filho está entre a vida e a morte seria cruel demais. Além do mais, a segurança de Gael ainda está em risco e temo que os aliados do falecido General do Leste queiram terminar o serviço que seu senhor não conseguiu concluir, por isso precisarei de toda ajuda militar possível, porque grande parte do meu exército está nos calabouços por serem aliados do meu inimigo. Minha única alternativa e pedir ajuda a coroa do Sul, e esperar que me socorram novamente como fizeram. — expliquei derrotada, por saber que não seria capaz de garantir a segurança do homem que quase morreu para me proteger e muito menos do meu povo.

Depois que todas as providências para o envio da minha carta ao Sul haviam sido cumpridas, decidi que estava na hora de me arrumar para o pronunciamento ao meu povo e a cerimônia fúnebre as margens do rio sagrado dos traidores do reino. Hoje seria o dia em que todos do Leste saberiam de todas as traições feitas pelos homens mais importantes do reino, permitindo que acabássemos de vez com a era de trevas que havíamos mergulhado desde que o General do Leste havia assumido, conduzindo meu reino novamente para a luz com a benção dos deuses.

Dei uma última olhada no espelho, vendo como o vestido preto escolhido por Agnes destacava meus cabelos escuros e meus olhos verdes, indicando sobriedade e luto por aqueles que haviam perecido pela guerra do poder, mesmo que não sentisse a mesma consternação por meus inimigos falecidos.

— Me perdoe majestade, não consegui disfarçar os sinais de que passou a noite em claro. — minha dama de companhia se desculpou, terminando de prender meus cabelos em um coque e sorri de forma tranquilizadora para ela.

— Está tudo bem, Agnes, sei que fez tudo que podia para me tornar apresentável hoje. Além do mais, seria suspeito se aparentasse ter tido uma boa noite de sono depois que meu consorte foi gravemente ferido. — apontei suave e ela concordou, antes de solicitar que trouxesse a coroa que usava em ocasiões especiais, devido ao seu peso.

Hoje mais do que nunca, tinha que mostrar ao meu povo que eles ainda tinham sua rainha e que ela a qual estava preparada, para governá-los e protegê-los de qualquer ameaça que pudesse surgir no horizonte.