Imperatriz do Leste
12 Décimo primeiro capítulo
Notas iniciais

— Acha que renunciarei à minha coroa, para ser uma reles princesa em um reino estrangeiro?! Que abandonarei meu povo sofrendo nas mãos de um homem cruel, enquanto aproveito os privilégios de uma vida calma e sossegada às custas da dor dos meus súditos?! — vociferei furiosa fazendo-o piscar surpreso com o rumo das minhas palavras, acordando Agnes e Henrik no processo — Se pensa isso de mim, é porque realmente não me conhece. Se bem, que só nos vimos uma vez e passamos anos sem nos ver, fui uma tola por acreditar que poderia confiar em você, mas como os outros vossa alteza real me subestima. — destaquei furiosa e ele respirou fundo, como se estivesse pensando bem no que iria falar a seguir.
— Minha proposta não foi feita com tal finalidade, majestade. Só a fiz porque queria lhe dar a opção de escolha, mostrar que poderia ter outra vida além dessa que vem levando todos esses anos. Não foi a minha intenção sugerir que abandone sua coroa, para assumir o título inferior ao que possui, porque o nosso casamento não passa de uma mera formalidade para assegurar o seu direito até que o General do Leste seja preso por seus crimes, meus pais e muito menos eu, pensamos em transformar esse acordo em uma união verdadeira, em relação a isso pode ficar despreocupada, porque o título de princesa do Sul será concedido quando me casar com a mulher que amo. — assegurou e me senti estranha ao ouvir isso, mas tratei de reprimir esse sentimento, pois tudo que desejava agora era concluir a minha missão e sabia que precisava da ajuda do príncipe do Sul para isso.
— Pois bem, fico feliz em ouvir isso. Já que esclarecemos esse ponto, acho melhor me retirar antes que deem por minha falta. — expliquei me levantando da cama desejando sair o mais rápido possível daquele quarto, talvez assim pudesse colocar minha cabeça no lugar.
— É o certo a se fazer, temos que continuar jogando o jogo do General do Leste, para que ele não descubra as forças militares que temos, o nosso melhor aliado nesse momento é o fator surpresa — Gael destacou com confiança e concordei — Creio que devemos nos encontrar em um lugar seguro, para dividirmos informações se quisermos derrotar o usurpador do seu trono.
— Sim, mas que garantias tenho de que posso realmente confiar em você? De que não está fazendo um jogo duplo? — apontei séria e o vi se levantar da cama, caminhando em minha direção sem desviar o olhar parando em minha frente.
— Quero que olhe nos meus olhos e veja se estou mentindo para você, se seria capaz de fazer jogo duplo para me beneficiar ou ajudar o General do Leste. — sugeriu sem desviar os olhos dos meus e fiz o que me foi pedido. Olhei no fundo dos seus olhos azuis cristalinos e vi a verdade neles.
Mas ao mesmo tempo em que vi a verdade pura e cristalina em suas íris, havia algo mais ali que não soube identificar o que era, me deixando desconcertada e desconfiada por não distinguir o que ele estava me escondendo.
Resignada em não saber por hora o que me ocultava, respirei fundo decidido que confiaria nele por enquanto, mantendo sempre em mente que deveria desconfiar de suas intenções até saber o que me escondia no seu íntimo. Segura da minha decisão, dei um passo à frente ficando ainda mais próxima dele sem desviar meus olhos dos seus.
— Vou lhe dar um voto de confiança, príncipe Gael, mas saiba que se me trair arrancarei seu coração ainda batendo do peito. — jurei sem qualquer sombra de dúvidas na minha voz e ele balançou a cabeça concordando.
— Não espero menos que isso, vossa majestade. — concordou sem desviar os olhos dos meus e me afastei, caminhando em direção a porta do quarto me detendo voltando minha atenção para o príncipe do Sul.
— Mandarei uma mensagem com instruções para o nosso encontro, sugiro que leve apenas uma pessoa de sua confiança e que utilize um codinome. — expliquei olhando para ele que balançou a cabeça concordando, antes de deixar o quarto em companhia de Agnes.
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— O que está fazendo aqui? — questionou o General do Leste assim que o encontrei no corredor a caminho da câmara dos lordes.
— Vim para a reunião diária na câmara dos lordes assim como você. — pontuei séria parando ao seu lado e ele sorriu sem humor se aproximando de mim, evitando que as pessoas ao nosso redor nos ouvissem.
— Como tem coragem de aparecer, como se nada tivesse acontecido depois da cena que fez no jantar de recepção ao enviado do rei do Sul?! Se mostrar os seus maus modos, for um plano para que o monarca do Sul desista dessa união está enganada, porque farei de tudo para que se case e suma do meu reino o mais rápido possível. — assegurou furioso mantendo o tom de voz baixo, não se comprometendo em ter testemunhas enquanto ameaçava sua rainha.
— Acha que desistirei do meu trono tão fácil, General?! O comandante realmente não me conhece, só ocupara meu trono e usará minha coroa por cima do meu cadáver. — destaquei severa e ele sorriu sem humor, como se tivesse acabado de contar uma piada.
— Estou começando a considerar essa alternativa, se continuar atrapalhando meus planos. Se quiser continuar respirando, sugiro que pare de lutar e vá embora o mais rápido possível do meu reino, porque se ainda não compreendeu sou o governante de direito do reino do Leste e não você. E acredite em mim, farei de tudo para conseguir o que desejo passando por cima de qualquer um para isso. — assegurou sério e sorri concordando, já ciente de que estava diante de um homem sem a menor honra.
— Que bom saber, porque somos dois. — declarei séria e ouvimos o mestre de cerimônia autorizar nossa entrada na câmara, interrompendo nossas ameaças rotineiras.
Sem dizer uma palavra, o General do Leste se afastou de mim indicando com a mão direita que deveria ir na frente e o olhei uma última vez, antes de usar a minha postura mais altiva e “real” adentrando a câmara dos lordes para mais uma sessão.
Assim que todos estavam acomodados em seus lugares, o chefe da câmara dos lordes, Lorde Tomás, tomou a frente da sessão e começou a listar quais decretos haviam sido colocados em prática e quais ainda estavam sendo estudados para serem executados posteriormente, saber que as soluções que havia proposto em nosso último encontro foram ouvidas e já estavam em prática me fez ficar aliviada, por saber que apesar de tudo havia conseguido que me ouvissem melhorando assim o bem-estar da população.
— Como todos sabem, a comitiva do reino do Sul chegou ontem à tarde em nosso reino, infelizmente seu monarca não estava entre eles, mas fez questão de enviar um representante em seu nome para cumprir o acordo que fizemos. Segundo o que seu enviado me disse pela manhã, o noivo de nossa rainha chegará amanhã a tempo de estar presente para comemorar ao lado de sua noiva mais uma primavera — O General do Leste comunicou a todos assim que as pautas diárias foram deliberadas e estreitei os olhos diante das suas palavras, pois sua fala não era nenhuma novidade para os presentes que estavam no jantar de ontem — E para marcar o começo de uma nova era em nosso reino, enviei um convite ao rei do Norte convidando-o para a comemoração do aniversário da nossa rainha, sinalizando que estamos dispostos a colocar um ponto final nas desavenças do passado, para seguirmos como aliados em direção ao futuro próspero. — destacou orgulhoso do seu feito sendo aplaudido por todos, enquanto segurava a respiração diante do que havia acabado de ouvir.
Como aquele homem ousava usar meu aniversário, para convidar o rei responsável por ordenar a invasão que matou meus pais e inúmeras pessoas inocentes em nosso reino?! Como ele teve a coragem de tomar esse tipo de decisão, esquecendo tudo que nos fizeram no passado quando ele estava lá?! Lutando ao lado do meu pai e de tantos outros, para defender nossas terras do inimigo do Norte?!
—Com que autorização, General do Leste, ousou fazer esse tipo de convite? — indaguei severa silenciando todos que aplaudiam o homem ao meu lado, enquanto ele se virava confuso diante do meu questionamento.
— Como ouso, vossa majestade?! Todos os presentes e até a senhora sabem, que as decisões administrativas, políticas e militares estão em minhas mãos, posso decidir o que bem quiser para o nosso reino sem precisar consultá-la. Apenas entenda, o fato de permitir que assista as reuniões na câmara dos lordes e dê alguma opinião não lhe fará ser a governante, esse título é meu. Você não passa de um mero adereço, do qual me livrarei em breve e acho bom ser gentil com os nossos visitantes honrando seu título de monarca do Leste pela última vez, pois na manhã seguinte após o seu aniversário, estará a caminho para se tornar a consorte do rei do Sul — ele destacou severo e sorriu de forma discreta, triunfante por me humilhar diante dos homens mais poderemos do nosso reino, voltando sua atenção para eles dirigindo-lhes a palavra em seguida — O que acham da minha decisão? Tenho certeza de que em breve, poderemos fazer alianças vantajosas com o Norte...Soube que o soberano tem uma filha da idade de nossa rainha...Quem sabe uma aliança matrimonial, não seja o que precisamos para selar de vez a paz entre os dois reinos? Já está na hora de uma nova casa real, assumir o poder do Leste. — destacou em voz alta e todos lhe dirigiram palavras de apoio, me deixando enojada diante de tudo que estava ouvindo.
A minha vontade naquele momento era de sair correndo daquela sala, mas não podia fazer isso porque admitiria a todos que não era digna de ser a rainha do Leste, confirmando tudo o que o General afirmava durante os anos sobre mim.
Então tudo que fiz foi aguentar firme aquele show de horrores, enquanto tremia de ódio por dentro, sem poder fazer nada para impedir aquele desrespeito diante da minha presença e da memória de todos os que perderam suas vidas diante dos bárbaros do Norte, mas em nome de todos eles acabaria com tudo aquilo, nem que tivesse que me ser consumida pela fúria para alcançar meu objetivo.
Porque no fim, estava disposta a perder tudo se pudesse extinguir de vez o mal em pessoa que era o General do Leste e toda aquela corja que o apoiava, almejando seus próprios benefícios sem se importar com a população humilde que sustentava a camada mais rica do reino. Com fúria nos olhos e no coração, fiz questão de olhar para cada um dos presentes que apoiavam as loucuras do comandante do exército, gravando em minha memória seus rostos e nomes, ciente de que eles também encontrariam seu fim muito em breve assim como o seu líder.
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— Fúria da tempestade, não parece estar de bom humor. — Drake confidenciou para Arthur enquanto estava sentada em um tronco caído de árvore mirando a minha adaga no chão da floresta, imaginado que ela fosse o General do Leste e todo o seu séquito, a uma distância segura do acampamento onde meus soldados rebeldes acampavam.
— Não, se não quiser conhecer nossos deuses mais cedo, sugiro não fazer nenhuma gracinha ou ela descontará a sua irá em você. — Tadeu aconselhou ao lado deles e logo ouvimos o som de cavalos se aproximando, sinalizando que os nossos convidados estavam perto.
Após a reunião na câmara dos lordes, voltei para os meus aposentos determinada a agir marcando uma reunião com todos os meus aliados, colocando-os a par de toda a situação que aconteceu pela manhã, por isso escrevi duas cartas e as entreguei a Arthur e Agnes, solicitando que as enviasse com urgência para seus respectivos destinatários e os dois acataram as minhas ordens sem questionar.
A carta que entreguei a Arthur estava destinada a Drake, marcando um encontro para hoje à noite no horário de sempre, mas em outro local pois desejava lhe apresentar o nosso mais novo aliado realinhando nossos planos de ataque, com a finalidade de incluir as novas forças militares as nossas.
Já a que entreguei aos cuidados de Agnes, era destinada a seu sobrinho, o príncipe Gael, General do exército do Sul, orientando-o melhor para o encontro que havia lhe informado mais cedo, no qual saberíamos os planos de ambos para derrotar o comandante do exército do meu reino, além de lhe apresentar meu outro aliado nessa missão. O instrui a não nos tratarmos por nomes ou títulos reais apenas por codinomes, que seriam apresentados na hora do encontro por Tadeu, o mais diplomático de todos para conduzir uma reunião tão delicada quanto essa.
Assim que se aproximaram de nós, recolhi minha adaga e me levantei caminhando em direção aos recém-chegados seguida de perto por meus aliados parando no meio da clareira esperando que os recém-chegados descessem de seus cavalos para que pudéssemos começar a nossa reunião.
O príncipe do Sul, parou seu cavalo branco descendo do mesmo e Yumi imitou o seu gesto, procurando possíveis ameaças para o seu senhor com o olhar, já o cavalo branco olhava para todos ali parando sua atenção em mim, relinchando e balançando a crina demonstrando sua euforia deixando todos confusos, enquanto olhava para o animal sentindo que o conhecia de algum lugar.
— Está tudo bem, Zara, entendo o que está sentindo. — Gael disse com a voz calma para sua égua enquanto acariciava sua cabeça e o animal relinchou de volta, sacudindo sua crina como se confirmasse que havia compreendido as palavras do seu dono.
Zara...
Não...Não podia ser a mesma Zara... A única égua de todos os cruzamentos que Imperador, meu cavalo, já teve e que fui obrigada pelo General do Leste a enviar como presente de aniversário para o meu noivo indesejado, sabendo que ela poderia não resistir durante a viagem até o seu destino ou acabar morrendo em alguma batalha na qual o rei do Sul se envolvesse.
— É uma bela égua, mas não acha que ela chama muito a atenção dos seus inimigos? — Drake questionou desdenhoso para Gael que sorriu concordando, enquanto Zara acariciava seus cabelos com seu focinho.
— Sim, mas Zara foi um presente de aniversário da minha esposa, desde então nos tornamos inseparáveis já perdi as contas de quantas vezes ela salvou a minha vida e eu a dela. — segredou e a égua olhou para mim, como se quisesse correr em minha direção e respirei fundo controlando minhas lágrimas de felicidade, por vê-la visivelmente bem nas mãos do príncipe do Sul.
Assim que Zara estava mais calma, Gael e Yumi amarraram seus cavalos ao lado demais caminhando em seguida em nossa direção vestidos de preto como sempre, mas as roupas que usavam não destacavam sua origem ou a quem serviam.
Com calma e mantendo as mãos no campo de visão de todos, Tadeu saiu do meu lado e caminhou para o nosso meio olhando para todos que estavam ali, se demorando um pouco em Yumi, antes de começar a falar.
— Quero que tenham em mente que somos aliados, como tal precisamos confiar uns nos outros por isso peço que joguem suas armas no local em que estou, para que possamos começar a reunião — Tadeu orientou e todos se entreolharam segurando suas espadas, como se pensassem se era uma boa ideia se separar da sua arma diante de desconhecidos — Precisamos confiar uns nos outros, se não jamais conseguiremos derrotar o nosso inimigo em comum, não acham? —insistiu olhando para todos e balancei a cabeça concordando, caminhando em direção ao local em que Tadeu estava me desfazendo de todas as armas que possuía, jogando-as em seus pés e voltando para o meu lugar.
Encorajados por minha atitude, todos fizeram o mesmo e assim que estávamos desarmados Tadeu colocou o pé direito em cima do monte de armas, sinalizando que ninguém poderia pegá-las até que ele retirasse seu pé ao fim da reunião.
— Pois bem, já que todos decidiram dar um voto de confiança ao outro, começaremos com as apresentações — meu aliado destacou se virando para o príncipe do Sul — Este é Fúria da noite, o mais temido guerreiro do Sul com incontáveis vitórias em seu histórico militar, e atrás dele é a Sombra, nomeada assim porque se move sem ser vista eliminando seus inimigos com precisão e destreza, sem que a vejam nem mesmo no seu último suspiro.
Ouvir o codinome do príncipe me deixou desconfiada, de que sua tia pudesse ter lhe revelado meu codinome a ele em suas cartas quando passava informações ao meu respeito, mas sabia que Agnes jamais me trairia revelando meu codinome para ninguém, muito menos para seu sobrinho.
Aquilo não passava de uma infeliz coincidência, já que os generais deixavam seus nomes verdadeiros para responderem apenas por seu título ou pelo codinome que lhes foi dado por suas tropas. A titulação de Fúria, era um dos codinomes mais honrosos para um guerreiro, exaltando sua perícia em batalha, honra e lealdade para com seus homens, poucos eram os que podiam ostentá-lo.
Havia ganhado meu título anos atrás, depois que salvei um dos meus soldados durante um ataque que fizemos a mais uma das carruagens carregando ouro do General do Leste, fruto de todo o suborno que recebia dos seus apoiadores por fazer vistas grossas na administração dos recursos ou por facilitar a aprovação de obras que jamais seriam realizadas, permitindo que os supervisores das províncias ficassem com os recursos enquanto a população padecia, porque não haviam sido colocados em prática as obras ou serviços necessários para melhorar a sua vida.
— Fúria da noite e Sombra, estes são Fúria da tempestade, Duas lâmina e Drake — Tadeu nos apresentou aos convidados e vi a surpresa passar pelos olhos dos dois ao ouvirem meu codinome, pelo menos não era a única ali espantada pela coincidência dos nomes — Já eu, sou o Arqueiro — destacou e todos se cumprimentaram com um aceno de cabeça antes dele voltar a falar — Agora que já fomos devidamente apresentados, Fúria da tempestade, nos conte tudo o que sabe.
Respirei fundo e olhei nos olhos de todos que estavam ali, que representavam minha última esperança de derrotar o General do Leste e livrar meu reino de vez do seu domínio.
— O General do Leste finalmente deixou a máscara cair diante de todos, expondo seus planos para a câmara de lordes, ameaçando nossa rainha na frente de todos sem qualquer tipo de receio...Ele convidou o inimigo do reino para o aniversário da rainha, deixando claro que pretende fazer uma aliança com os assassinos dos reis passados e de inúmeras pessoas... O comandante deixou claro que irá acabar com a casa real do Leste, através da união da nossa monarca com o rei do Sul, transformando-a em uma mera consorte ou matando-a de vez, para que possa assumir o poder e se casar com a herdeira do Norte, surgindo assim uma nova casa em nosso reino — disse furiosa ao lembrar daquele momento de impotência, em que tudo que pude fazer foi assistir o desrespeito para com toda a minha casa sem poder fazer nada — Devemos agir imediatamente, antes que o pior aconteça. Por isso chamei todos aqui, para que possamos alinhar nossos planos e agirmos no dia do aniversário da rainha. — destaquei e todos concordaram enquanto explicava quais eram meus planos para enfrentarmos o nosso inimigo de uma vez.
Fiquei feliz em saber que todos concordavam com os meus planos e que o exército que acompanhou Fúria da noite até aqui, se encontraria com Drake ainda hoje para que alinhassem as táticas de guerra estando a postos quando o sinal de invasão fosse dado e nossas tropas ocupassem o castelo.
— E os moradores do castelo e das regiões vizinhas? – questionou Yumi preocupada com a segurança dos súditos que trabalhavam e residiam no local.
— Antes de vir para cá, mandei meus homens de confiança espalharem sinais de alerta e já começamos a receber os cidadãos nos postos de segurança, logo toda a região nos arredores do castelo estará desabitada e ninguém inocente perderá a vida no confronto. — Drake assegurou e balancei a cabeça concordando, respirando aliviada em saber que inocentes não iriam perder suas vidas nessa guerra, já me sentia culpada por levar meus soldados para um combate que deveria envolver apenas eu e o General do Leste.
— Ótimo, isso nos permitirá agir melhor sem nos preocuparmos em proteger os civis. Vou designar alguns dos meus homens para ajudá-lo na evacuação, assim que todos estiverem em segurança, Drake, peço que envie uma mensagem para que possamos fazer a nossa parte do plano — Fúria da noite explicou e Drake balançou a cabeça concordando, antes dele me olhar com cuidado como se estivesse em busca de algo e sustentei seu olhar por alguns instantes até que ele desviou voltando sua atenção para os demais. — Se não temos mais nada para acertarmos, sugiro que possamos dar como encerrado essa reunião, não acham?
— Sim, Fúria da noite tem razão, ainda temos muito o que organizar para amanhã. O que acha Fúria da tempestade? — Tadeu perguntou e balancei a cabeça concordando, dando por encerrado o nosso encontro, enquanto ele tirava o pé de cima das nossas armas e cada um ia pegar a sua, caminhando em seguida na direção de sua montaria.
Assim que me aproximei de Imperador, Zara voltou a ficar inquieta relinchando e sacudindo a crina tentando chamar minha atenção, enquanto Gael acariciava sua cabeça para acalmá-la e me aproximei dela fazendo carinho em sua crina, sabendo que minha atitude poderia deixar Drake desconfiado, já que ele era o único que não sabia da minha verdadeira identidade.
Sempre calculei cada passo da minha vida, temendo que descobrissem meus planos, mas diante da felicidade de Zara ao me ver depois de tanto tempo, não poderia simplesmente fingir que não a reconhecia só para me manter em segurança.
— Oi garota, fico feliz em saber que se lembrou de mim depois de tanto tempo — segredei para ela evitando que os outros nos ouvisse, em retribuição Zara acariciou meus cabelos com o seu focinho me fazendo sorrir com seu gesto, antes de voltar a minha atenção para Gael — Obrigada por cuidar bem dela, vê-la bem acalmou meu coração porque sempre achei que ela não seria bem tratada, já que meu noivo passava grande parte da sua vida nos campos de batalha.
— Não precisa agradecer, seria incapaz de machucar um animal indefeso, sei o quanto Zara é importante para você, por isso desde que chegou no Sul ela recebeu o título de Lady e desfruta de todas as regalias que têm direito — segredou para mim e sorri agradecida em ouvir aquilo, enquanto seus olhos desviavam dos meus para ver algo atrás de mim — Pareci que seu amigo Drake, não está gostando nada de nos ver conversando.
— E pareci que você, não gosta nenhum pouco dele. — revelei e ele balançou a cabeça concordando.
— Odeio pessoas impulsivas, muito mais do que as incógnitas — segredou voltando a sua atenção para mim — É melhor eu ir, antes que comecem a desconfiar do nosso disfarce, assim que chegar ao castelo vá para os aposentos que deixei a sua disposição, precisamos discutir um assunto do seu interesse — sussurrou para mim e balancei a cabeça concordando, fazendo um ultimo carinho em Zara me afastando em seguida para que Gael subisse em sua montaria, saindo do local na companhia de Yumi sob o olhar atento de Drake.
— Vocês dois, parecem se conhecer a muito tempo. — Drake disse caminhando em minha direção, enquanto me preparava para montar em Imperador.
— Sim — respondi de forma vaga e Drake me olhou curioso por mais detalhes — Ele é meu marido. — revelei deixando Drake sem palavras e incentivei Imperador a correr de volta para o palácio, sendo seguida por Tadeu e Arthur.
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