Notas iniciais
Sejam bem vindos, ao nosso décimo nono capítulo. Espero que gostem da história e continuem acompanhando. Boa leitura.

— E então, médico real? — questionei preocupada assim que terminou de examinar Gael, como em todas as manhãs desde que ele havia sido ferido gravemente pelo falecido General do Leste duas semanas atrás.

Desde então, dividia meu tempo entre administrar meu reino, solucionando os problemas emergenciais deixados pelo usurpador do meu trono durante anos de gestão corrupta, e cuidar do meu marido, que começou a dar alguns sinais de que poderia estar recobrando a consciência apertando a minha mão como se tentasse se comunicar de alguma forma, enchendo meu coração de esperança enquanto lutava para assegurar o seu título de rei consorte que a cada dia estava ameaçado, devido a sua falta de melhora.

— Ainda é cedo para se dar algum diagnostico, minha rainha. — o médico real começou a explicar devagar e sorri sem humor, não acreditando no que havia acabado de ouvir.

— Cedo demais para se dar algum diagnostico, médico real?! Meu marido, está nessa cama a duas semanas aleio a tudo ao seu redor e quando lhe comunico que ele apertou minha mão, como se quisesse responder a uma pergunta que lhe fiz, o senhor vem me dizer que é cedo demais?! — questionei frustrada por sua resposta.

— Sinto muito, minha senhora, por minha resposta não ser a que esperava, mas em se tratado no caso do rei consorte, tudo depende exclusivamente dele — explicou suave e pisquei confusa sem entender o rumo das suas palavras — É praticamente um milagre dos deuses, o soberano ter sobrevivido a um ferimento tão grave e uma perda de sangue tão significativa, acredito que sua falta de inconsciência momentânea seja o seu corpo utilizando a pouca energia que ainda possui para se recuperar, mas em algum momento essa reserva acabará fazendo-o acordar ou... — revelou se interrompendo no final, temendo por minha reação ao dizer que meu marido poderia morrer depois de passar duas semanas lutando por sua vida em uma cama.

— Deixe-me a sós com o rei consorte. — pedi voltando a me sentar ao lado do meu marido segurando sua mão na minha, enquanto o médico real saia dos meus aposentos na companhia de Agnes e Henrik, que só se ausentavam dos cuidados de Gael quando solicitava.

— Sei que está me ouvido, meu amor, por isso preciso que volte para mim. Não pode me deixar, depois de ter lutado tanto para ficar ao meu lado, Gael...Não me faça velar outra pessoa que amo nessa vida...Isso vai acabar comigo de uma vez...— solucei com dor, deixando as lágrimas caírem por minha faça e senti um aperto forte em minha mão, antes de lágrimas descerem por sua bochecha, indicando que ele estava entendendo o que falava.

— Estou implorando, Gael, se você me ama como disse da última vez em que vi seus olhos abertos, prove voltando pra mim ou o reino do Leste acabará sucumbindo em caos por falta de uma linha de sucessão, pois se você morrer tenho certeza que irei em seguida de tanta tristeza. — solucei de dor sentindo meu coração se apertar por vislumbrar um futuro sem o homem que amava ao meu lado, mas uma batida na porta me tirou daquele pesadelo em vida.

Respirei fundo, tentando acalmar a emoção que sentia e enxuguei algumas lágrimas que restavam em meu rosto, fazendo o mesmo com Gael beijando sua testa com carinho e a mão que ainda segurava, antes de autorizar a entrada de quem havia batido na porta.

— Desculpe interromper, vossa majestade, mas um dos soldados veio a mando de Tadeu avisar que a comitiva da rainha mãe do Sul chegou ao castelo. — Agnes informou e respirei fundo, enquanto Gael apertava a minha mão com força como se quisesse me dizer algo.

— Está tudo bem, meu rei. Escrevi para a sua mãe, porque era o certo a se fazer não podia omitir o seu estado dela seria cruel da minha parte — segredei a ele acariciando seu rosto tentando aliviar a tensão que havia se instalado nele — Asseguro que ninguém irá levá-lo embora, até que possa expressar em palavras sua vontade. Apenas, confie em mim. — pedi suave beijando sua mão, me inclinando para beijar a sua testa e assegurar que tudo ficaria bem antes de me levantar da cama.

— Diga que irei recebê-los em seguida e chame Henrik aqui, quero falar com ele. — pedi a Agnes que concordou fazendo uma reverência, saindo dos meus aposentos voltando em seguida na companhia de Henrik.

— Mandou me chamar, rainha Virgínia? — Henrik questionou e balancei a cabeça concordando.

— Sim, Henrik. Além de Gael, você é uma das pessoas que deve conhecer a rainha mãe Hortência, devo me preparar para alguma surpresa da parte dela? — questionei sem rodeios e ele respirou fundo, como se estivesse organizando seus pensamentos, antes de voltar a falar.

— Antes de ser a rainha mãe, vossa majestade comandou durante anos o reino do Sul abdicando em favor do seu primogênito, mas antes de ser a monarca, a soberana é uma mãe amorosa, dedicada e feroz, para proteger seus amados filhos e seu estimado povo. Creio que minha rainha, tenha vindo disposta a tudo para levar seu caçula para casa. — revelou e balancei a cabeça concordando, feliz em saber quais intenções poderia esperar da mãe de Gael.

— Que bom saber, porque também estou disposta a tudo para manter meu marido em seu novo lar, que é o reino do Leste — disse séria e os dois me olharam preocupados — Cuidem de Gael enquanto recebo a comitiva do Sul, ninguém além de mim ou acompanhado por mim deve entrar nesse quarto ou se aproximar do rei consorte até segunda ordem. Estamos entendidos? — questionei severa olhando para os dois que balançaram a cabeça concordando enquanto deixava meus aposentos disposta a enfrentar a rainha mãe do Sul.

Entrei na sala do trono após o anúncio do mestre de cerimônias, caminhando em direção ao meu trono escoltada por Drake e sob o olhar atento de toda a comitiva do Sul, composta em sua grande maioria por homens tendo apenas duas mulheres bem vestidas e ostentando coroas em sua cabeça, deixando-me surpresa pela presença da mulher mais nova, já que a segunda devia ser a rainha mãe Hortência, mãe de Gael.

— Sejam bem-vindos ao reino do Leste, sou a rainha Virgínia, da casa real do Leste, soberana deste reino. — me apresentei a todos que fizeram uma reverência em reconhecimento a minha autoridade, menos as duas mulheres que faziam parte do grupo.

— É um prazer conhecê-la, vossa majestade, sou a rainha consorte Kiara, esposa do rei Liam, soberano da casa real do Sul, está é a minha sogra, a rainha mãe ...— a mulher ruiva de olhos verdes falava de forma cordial, antes de ser interrompida bruscamente pela mulher mais velha ao seu lado.

— Onde está meu filho? — rainha mãe Hortência perguntou sem cerimônia me encarando com seus olhos azuis escuros, tão cortantes e letais quanto uma faca, enquanto sua nora a olhava alarmada por sua falta de diplomacia.

— O rei consorte está nos nossos aposentos ainda se recuperando do atentado que sofreu, rainha mãe Hortência. — expliquei encarando-a com a mesma frieza no olhar, vendo-a dar alguns passos em minha direção afastando-se dos seus homens, sem temer ser atacada por meus guardas que estavam no local.

— Quem devia estar naquela cama lutando pela vida era você e não o meu filho, que foi uma vitima da sua guerra familiar — apontou severa e senti meus olhos arderem, contendo as lágrimas que ameaçavam sair diante de suas palavras, pois sabia que ela razão — Se não se recorda, soberana do Leste, meu filho o príncipe Gael, não é o seu consorte oficialmente, tudo não passou de um mero arranjo para que fosse a beneficiada final, mas em nenhum momento autorizei ou aceitei que tomasse meu caçula como marido.

— Sei disso, rainha mãe Hortência, mas seu filho é um homem adulto que responde por si. Enquanto podia se comunicar, ele aceitou meus sentimentos assim como eu os seus, para mim isso basta muito mais do que a autorização da soberana mãe do Sul — destaquei severa fazendo-a estreitar os olhos furiosa — Não posso negar o fato de que meu marido é seu filho, mas ele não responde mais por seu titulo de nascença desde o momento em que o coroei como meu consorte, um dia antes do meu aniversário na presença dos nossos secretários, assim como não posso negar que ele aceitou tal título, quando usou a coroa do meu pai no dia da sua apresentação oficial na minha festa de aniversário, na qual infelizmente meu rei consorte acabou gravemente ferido para me defender.

— Juras de amor trocadas no calor de uma batalha e atitudes impensadas, não podem ser classificadas como um casamento. E não vou permitir que suas atitudes infantis e egoístas, maculem a honra do meu filho, fazendo-o ser reconhecido por todo o reino como o amante da rainha. — ela gritou furiosa e parei de respirar diante da afronta dentro do meu reino daquela mulher que mal me conhecia.

— Acha mesmo que seu filho, o qual gerou dentro de si por nove meses, alimentou, educou, protegeu e amou por vinte e quatro anos, seria capaz de se colocar em um lugar tão desonroso como amante? Se pensa dessa forma, é porque não conheço seu próprio filho. — destaquei séria fazendo-a rir sem humor.

— É por conhecê-lo tão bem, que sei que faria de tudo para ficar ao seu lado, até mesmo aceitar um lugar tão desonroso como amante. Gael, se apaixonou por você quando tinha dez anos de idade, antes mesmo de saber o que era amar alguém. Meu caçula ansiava revê-la, desde que saiu do reino do Leste, se preparando de todas as formas possíveis para ser o marido e o consorte que precisava — explicou sem desviar os olhos de mim — Olhando para você agora, vendo o quanto é uma mulher bonita e dona de si, tenho certeza que a paixão do meu filho cresceu ainda mais, assim como sei o quanto a aparência de Gael pode chamar a atenção das mulheres, mas alimentar um sentimento por puro capricho é incrivelmente cruel, soberana do Leste. — apontou com desgosto e sorri sem humor, por estar sendo julgada novamente por minha aparência, o pior era que tal ato vinha de uma mulher que provavelmente deve ter passado pelo mesmo que me acusava agora, já que ficou anos como a soberana de um reino.

— Não nego que seu filho é um homem bonito, provavelmente o mais lindo que já vi na vida, mas não foi isso que me chamou a atenção nele. Se aparência foi algo importante para mim, já teria me casado com o primeiro homem atraente que vi na vida — apontei séria fazendo-a abrir a boca para me contradizer, mas voltei a falar antes de ser interrompida — Beleza, não é tudo na vida porque os anos a roubam, prefiro ter ao meu lado um homem que me entende, apoia minhas decisões, caminha ao meu lado e não teme meu poder, do que alguém superficial que só tem a aparência para me oferecer. Acredite em mim, soberana do Sul, seu filho é o amor da minha vida, assim como sei que sou o dele e a senhora confirmou isso minutos atrás na frente de todos, e por meu rei consorte sou capaz de tudo...Até de fazer uma guerra, para mantê-lo ao meu lado.

— Por acaso, isso é uma ameaça, rainha Virgínia? — a consorte do Sul questionou preocupada pela primeira vez, temendo que as ações de sua sogra afetassem seu reino.

— É apenas um lembrete, rainha consorte Kiara. Não quero entrar em guerra contra o reino natal do meu amado consorte, que tanto me ajudou a retomar o meu poder mas se for necessário para fazer valer o meu direito de esposa e o desejo de Gael, farei o que for preciso para assegurar a permanência dele em sua casa. — expliquei e a rainha mãe Hortência sorriu sem humor.

— Que casa?! O Leste?! Pelos deuses, Gael pode possuir o sangue do Leste em suas veias herdado do pai, mas ele nasceu, cresceu e foi educado com um príncipe do Sul e é ao Sul que ele pertence. — destacou furiosa e fechei a minha mão em punho, sinalizando que já estava no limite da minha paciência com a minha sogra.

— Na verdade, minha sogra, Gael pode ter nascido, crescido e educado no Sul como seu príncipe, mas por não ser o herdeiro do trono assim que ele contrair matrimonio pertencerá a casa da sua noiva, como acontece com todas as princesas não herdeiras do trono que se casam. Se meu cunhado, aceitou os sentimentos da rainha Virgínia e confessou os seus próprios, concordou em ser coroado e foi apresentado com consorte da soberana do Sul diante dos súditos em seu aniversário como a própria relatou, perante as leis eles são legalmente casados, já que existe um acordo de união de anos estabelecido entre as casas do Sul e do Leste, mesmo que não tenha ocorrido uma cerimônia oficial perante nossos deuses e os súditos. — a rainha consorte Kiara disse segura e sorri concordando, enquanto a rainha mãe Hortência piscava surpresa, provavelmente lembrando só agora da documentação que seu marido falecido havia assinado.

— Eu disse que esse maldito documento ia nos dar dor de cabeça, Marco...— a rainha mãe Hortência sussurrou furiosa para o teto do castelo, respirando fundo como se tentasse recobrar sua dignidade real perante a explicação da nora.

— Pois bem, já que é dessa forma vamos esperar que meu filho decida se quer ficar no Leste, cumprindo suas obrigações como consorte ou se irá para o Sul. Se Gael, decidir ficar aqui respeitarei a sua escolha, mas exigirei que se case como se deve com meu filho, porque não permitirei que ele seja visto como um amante muito menos que os frutos da sua união sejam apontados como bastardos. Agora se ele decidir voltar para o seu verdadeiro lar, a soberana do Leste respeitará sua escolha e anulará o acordo matrimonial, deixando-o livre para se casar com quem seu coração escolher. Tenho a sua palavra, rainha Virginia? — questionou séria sem desviar os olhos dos meus.

— Tem, rainha mãe Hortência. E eu tenho a sua? — questionei sondando-a com o olhar para saber se podia confiar em suas palavras.

— Tem, rainha Virginia. — assegurou sem duvidas na voz e balancei a cabeça concordando, me levantando do trono em que estava sentada.

— Já que nos entendemos, peço que me acompanhe porque sei que deseja ver com seus próprios olhos como seu filho, o meu amado marido e consorte, está. — pedi descendo os degraus que davam acesso ao meu assento, caminhando em direção a saída da sala do trono sem me preocupar em olhar para trás, para saber se estava sendo seguida pela comitiva do Sul.

Enquanto caminhava em direção aos meus aposentos, seguida de perto por meus homens e provavelmente pela comitiva do Sul, meu coração batia acelerado e minha mente se preparava para outro embate que poderia surgir assim que a rainha mãe do Sul reencontrasse seu filho novamente.

A tensão dos nossos visitantes era quase palpável, sabia muito bem que eles temiam estarem sendo levados para uma armadilha com a justificativa de que veriam seu príncipe, mas me mantive firme e com a cabeça erguida sem me importar com as possíveis desconfianças que rondavam a comitiva. Toda a atmosfera de desconfiança se desfez quando reconheceram os guardas que acompanharam Gael até meu reino, fazendo a segurança da ala em que o príncipe do Sul estava.

— Vossas majestades e vossa alteza. — muitos diziam em nossa passagem fazendo reverências, reconhecendo a nossa autoridade, antes de paramos em frente a porta dos meus aposentos guardada pessoalmente por Arthur e Yumi desde o fatídico dia em que Gael foi ferido e levado para o meu quarto.

— Porque nossos guardas prestaram reverencias a você, atribuindo um título que não lhe pertence? — a rainha mãe questionou confusa e antes que pudesse dizer algo, Yumi respondeu a sua pergunta por mim.

— Porque o então príncipe Gael, instruiu a todos antes de colocarmos os pés no Leste para não machucarmos sua tia Agnes, muito menos sua amada princesa Virgínia, sob pena de morte para qualquer um que desobedecesse a tal ordem. — Yumi explicou e a mãe de Gael olhou com fúria para ela.

— E onde estava Yumi, que não protegeu o seu General? Que não evitou que o seu príncipe sucumbisse ao inimigo? — questionou furiosa e Yumi abaixou a cabeça assim como todos os outros soldados que acompanharam Gael até o Leste — Onde todos vocês estavam, para permitirem que meu filho se machucasse?!— exigiu com fúria enquanto olhava para todos os soldados que usavam o símbolo do reino do Sul, os quais se mantinham de cabeça baixa diante das acusações de sua antiga soberana.

— Rainha mãe Hortência, nenhum dos seus homens teve culpa. Todos sem exceção, honraram seu General e seu príncipe, se tiver que descontar sua frustação em alguém faça isso em mim, porque foi para me proteger que seu filho acabou se machucando. — disse séria e ela sorriu sem humor enquanto voltava sua atenção para mim.

— Saber disso, não me faz gostar nenhum pouco de você pelo contrário, rainha Virgínia. —disse severa e balancei a cabeça concordando, indicando que abrisse a porta e entrasse nos aposentos em nossa frente.

— Gael...— a rainha mãe Hortência sussurrou entre lágrimas assim que viu o filho deitado na cama, correndo para perto dele e sentando-se ao seu lado acariciando seu rosto com cuidado enquanto o olhava atentamente, procurando possíveis machucados e chorando ainda mais assim que encontrou a causa do seu filho estar inerte em uma cama.

— Meu amado filho... Meu caçulinha, como isso foi acontecer...Você sempre foi tão cuidadoso durante suas batalhas, jamais sucumbiu perante um inimigo...Como pode deixar que isso acontecesse e justo por causa de uma mulher?! — questionou em meio a dor enquanto se inclinava para abraçar o filho deitado na cama que não retribuiu seu gesto, fazendo-a chorar ainda mais de dor. — Acabei de perder seu pai, meu filho, não suportarei perdê-lo também.

Ninguém disse uma única palavra diante da dor da soberana em nossa frente, todos se mantiveram em silêncio respeitando seu momento ao lado do filho enquanto implorava aos deuses que trouxessem Gael de volta.

Tanto a casa do Sul quanto a casa do Leste, já haviam sofrido perdas irreparáveis ao longo dos séculos, mas sabia que se essa perda se concretizasse, ambos os reinos entrariam em guerra entre si com a finalidade de se vingar do outro, pela morte do seu amado príncipe e rei consorte.

— Henrik...Onde estava que não protegeu o meu filho desse destino infeliz? Quando aceitei a sua dispensa do cargo de General do Sul, e o nomeei como secretário do meu filho ainda bebê, acreditei que faria o impossível para mantê-lo em segurança, mas pelo visto estava enganada no meu julgamento. — a matriarca do Sul disse séria, assim que se recuperou do diluviou de emoções que sentiu ao ver seu filho mais novo depois de tanto tempo.

— Mil perdoes, minha rainha, mas quando aconteceu esse infeliz fato, estava cumprindo outra ordem dada por seu filho. — Henrik se desculpou de cabeça baixa, envergonhado por não ter cumprido a função que a monarca em sua frente havia lhe designado anos atrás.

—Desculpas e mais desculpas...É tudo que escuto, desde que coloquei os pés nesse maldito reino. O mesmo lugar infeliz que escravizou e vendeu meu marido como um mero objeto, e não satisfeito condenou nosso filho a ficar deitado em uma cama inconsciente. Que os deuses e os ancestrais da casa do Sul, derramem sua irá sobre esse lugar por ousar derramar o sangue de um filho do fogo...- ela começou a amaldiçoar o meu reino e a interrompi séria.

— Já chega, soberana do Sul, não vou permitir que amaldiçoe meu reino em minha presença. Compreendo sua dor, mas para tudo tem um limite. — destaquei severa e ela sorriu sem humor se levantando da cama, caminhando em minha direção parando em minha frente.

— Compreendi a minha dor?! Você por acaso, já criou uma vida com a ajuda do homem que ama? Gerou durante nove meses uma vida dentro de si? Passou horas intermináveis e agonizantes de trabalho de parto, para colocar essa vida no mundo? — questionou entre lágrimas e pude ver toda dor que aquela mulher carregava em seus olhos azuis escuros.

— Não — disse sincera sem uma sombra de provocação na voz — Não tive a oportunidade de consumar meu casamento com meu marido, devido as circunstâncias na qual nosso reino se encontrava. — expliquei sincera e ela sorriu sem humor, como se tivesse lhe contado algum fato engraçado.

— Não sabe o quanto ouvir isso deixa meu coração mais leve — disse sorrindo aliviada me fazendo estreitar os olhos diante das suas palavras — Menos uma preocupação na minha cabeça. Agora, se acha que algum dia permitirei que uma semente do meu filho germine em seu ventre está extremamente enganada, prefiro matá-la com minhas próprias mãos, antes que isso aconteça. — rainha mãe Hortência disse furiosa partindo para cima de mim, mas um grito conhecido de advertência atraiu a atenção de todos, para a cama que havia nos aposentos.

Onde o homem até então inconsciente por duas semanas estava de olhos abertos encarando com fúria a mulher que queria me atacar, enquanto era amparado por Henrik que sustentava o peso do seu corpo tentando mantê-lo sentado.

— Gael?!— sussurrei entre lágrimas ao vê-lo de olhos aberto, sentindo meu coração bater acelerado por ver que meu marido havia finalmente acordado.