Imperatriz do Leste
16 Décimo quinto capítulo
Notas iniciais

Não...O General do Leste, não podia ser tão monstruoso assim.
Condenar o próprio irmão a morte assim como tantos inocentes, para que pudesse finalmente ascender ao trono. Um direito, que havia sido negando por seu pai.
Não, ele não poderia ser considerando um ser humano depois de ter planejado friamente durante anos a morte dos meus pais, quando os dois o receberam de braços abertos e lhe confiaram o posto de General, atendendo um pedido do meu avô em seu leito de morte.
— Isso não pode ser possível... Conheci a família real do Norte horas atrás...Você não pode ter inventado um reino do nada e sustentado essa mentira durante anos, para que pudesse ser inocente em um massacre que tirou a vida de milhares de pessoas...Que tirou meus pais de mim quando era apenas uma criança, me deixando com um reino para governar na mais terna idade?! — questionei olhando em seus olhos e ele deu de ombros sorrindo, como se nada do que tivesse feito fosse tão cruel quanto eu dizia ser.
— Fiz e não me arrependo. O Norte sempre foi palco de revoltas, jamais se submeteu a nenhum governante, depois que sai do Leste quando seu pai assumiu o trono fui até a região repleto de mercenários e a conquistei, transformando-a em um reino que obedece apenas a mim. Já a família real do Norte que lhe apresentei, não passam de meros atores que contratei para enganá-la assim como tenho feito todos esses anos — confessou sem remorso sorrindo para mim — Na verdade, só me arrependo de tê-la deixado viva depois que escapou do massacre, porque achei que poderia manipulá-la a seguir as minhas ordens até que tivesse idade suficiente para casá-la com alguém que morasse bem longe daqui, permitindo que pudesse finalmente assumir meu lugar de direito. — revelou e senti a fúria me dominar me fazendo atacá-lo com toda minha raiva, mas parecia que meu oponente estava se divertindo com meu descontrole me deixando com mais raiva.
Tentei acertá-lo de todos as formas possíveis, mas o General do Leste era mais experiente se desvencilhando dos meus golpes com destreza, deixando claro a sua superioridade na arte da espada.
— É melhor se dar por vencida, minha querida sobrinha. Acha mesmo, que iria perder uma batalha para uma mulher?! — questionou zombando de mim enquanto tremia de raiva depois de tudo que soube.
— Serei a primeira a fazer isso e direi a todos, que uma mulher derrotou o poderoso General do Leste. — declarei fazendo-o rir, como se tivesse acabado de lhe contar uma piada extremamente engraçada.
— Gostaria de vê-la tentar, rainha Virgínia. — disse com escárnio e parti para cima dele, atacando-o com toda força que ainda existia em mim, mesmo meu corpo protestando de exaustão devido ao esforço físico que fazia durante horas e a dor latente em minhas mãos devido ao peso da espada que usava para me defender, diante de tudo isso não consegui impedir que o General do Leste me desarmasse chutando a minha espada para longe me deixando indefesa diante da sua fúria assassina de anos.
Assim que percebeu que estava desarmada, ele partiu para cima de mim tentando me golpear com a sua espada mais impedi o seu ataque segurando a lâmina com as minhas duas mãos fazendo-o rir surpreso por meu gesto.
— Já não está farta de lutar, Virgínia? Por que não aceita o seu destino e morre de uma vez?!— questionou furioso sem desviar os olhos dos meus enquanto segurava a lâmina da sua espada em minhas mãos, vendo o sangue pingar do ferimento causado pela arma.
— Porque encontrei algo pelo que lutar, General do Leste — segredei séria desviando meus olhos dele para olhar Gael, que finalizava o seu duelo antes de voltar a sua atenção para mim arregalando os olhos diante do que via e correndo em minha direção, enquanto voltava meus olhos para o homem em minha frente — Você jamais entenderia isso, porque é incapaz de sentir algo por outra pessoa. O seu egoísmo e desconfiança, não deixa que outras pessoas possam se aproximar para lhe mostrar que a vida não é só vingança, dor e raiva, ela pode ser calma, feliz e acolhedora. — expliquei e ele sorriu sarcástico, como se não acreditasse no que havia acabado de falar.
— Não me diga que se apaixonou pelo fedelho mimado?! Logo você, que não deixava ninguém se aproximar para fazer um a corte?! — questionou admirado e dei de ombros fazendo-o rir — Ouça o conselho do seu tio, sentimentos nos deixam fracos, por isso seu pai sucumbiu e tantos outros da nossa casa, porque foram piedosos e amorosos com outras pessoas. Só espero que tenha aproveitado a companhia do fedelho mimado do Sul em sua cama, antes de sucumbir em minhas mãos porque o reino do Leste é pequeno demais para ter dois senhores. — decretou furioso e forçou mais a espada em minha direção, com a intenção clara de me atingir mas uma segunda espada bloqueou seu ataque afastando-a para longe de mim mas antes que pudesse reagir o General do Leste investiu em mais um ataque furioso em minha direção, sendo impedido por Gael.
— Já cansei de você, fedelho mimado, se para chegar até Virgínia tenho que passar por você que seja. — disse furioso, antes de golpear Gael na barriga chutando-o para o lado, enquanto um grito de dor escapava da minha boca.
Sem me preocupar se seria atingida pelo General ou por qualquer um dos meus inimigos, corri em direção ao meu marido me ajoelhando no chão segurando-o nos meus braços, enquanto Gael lutava para respirar diante da gravidade do seu machucado.
— O que você fez, Gael?! — questionei entre lágrimas tentando conter seu sangramento, enquanto Yumi partia furiosa para cima do General determinada fazê-lo pagar por ter ferido seu superior.
— Eu...Protegi...Você... — sussurrou com dor sem desviar os olhos dos meus, enquanto notava que a pressão que fazia em seu abdômen não estava contendo seu sangramento.
— Você não devia ter feito isso...Não podia colocar sua vida em risco, quando sei me proteger. — expliquei entre lágrimas preocupada com a quantidade de sangue que saia dele, assim como o tom pálido que seu rosto estava assumindo.
— Jamais...Duvidei disso... — sussurrou com dor olhando nos meus olhos, erguendo sua mão direita para acariciar meu rosto com carinho, enquanto lágrimas rolavam por seu rosto — Preciso lhe contar...Meu último segredo...Antes que... — revelou angustiado e neguei com a cabeça, enquanto lágrimas caiam dos meus olhos.
— Não, você pode me contar qualquer coisa, depois que estiver melhor. — ofereci tentando fazê-lo parar de falar, desviando meus olhos dele para ver ao redor em busca de ajuda.
— Virgínia — sussurrou com dor e voltei minha atenção para os seus olhos azuis cristalinos, que pareciam perder seu brilho devido a quantidade de sangue que seu dono perdia — Eu amo você...A amo desde a primeira vez... Que a vi...— disse com dor sem desviar seus olhos dos meus e virei meu rosto para beijar sua mão que estava repousada em minha bochecha com carinho.
— Eu sei. Na verdade, sempre soube que sentia algo por mim assim como eu sinto por você, só não queria admitir para mim mesma porque estava com medo de te perder. Todo mundo que eu amo e me ama, acaba morrendo e não queria isso para você...Por isso sempre o afastei de mim, porque queria te proteger...Só que acabei falhando, me perdoa...— confessei culpada por ter arrastando-o para uma guerra que não era sua e como consequência, sua vida estava em risco por minha causa.
— Não precisa me pedir, perdão...Amor...Fiz por amor a você...E faria mil vezes...— sussurrou fraco enquanto me olhava com carinho, como se quisesse guardar o meu rosto na memória enquanto acariciava minha bochecha. — Eu te amo...E você me ama?
— Amo...Amo mais do que tudo nesse mundo. — assegurei sincera e ele sorriu apaixonado para mim, enquanto lágrimas caiam dos meus olhos.
— Foram as melhores últimas palavras...Que poderia ouvir na vida...— sussurrei sem forças desmaiando em meus braços me deixando desesperada, apavorada com a possibilidade dele ter morrido.
Não podia perder outra pessoa que amava, por culpa do General do Leste que parecia ter prazer em me fazer sentir dor e desespero.
— Gael...— sussurrei entre lágrimas abraçando-o de encontro ao meu peito, enquanto implorava para que abrisse os olhos.
— Vossa majestade, precisa se recompor e nos liderar, não pode fraquejar agora. — ouvi Arthur dizer se ajoelhando ao meu lado e neguei, pois não tinha condições de comandar nenhum exército depois do que aconteceu com o homem que amava.
— Não consigo fazer isso, Arthur...Não sem meu marido... — solucei com dor sem desviar os olhos do homem em meu colo que ficava cada vez mais pálido a cada minuto.
— Consegui sim, vossa majestade, não pode deixar que o General tire mais uma pessoa que ama dos seus braços. Respire fundo e use toda dor, raiva e sede de vingança, para fazer justiça por todos que sofreram na mão do usurpador — Arthur disse sério sem desviar os olhos dos meus enquanto olhava para Gael — Era o que vosso marido iria querer, minha rainha.
Respirei fundo, recorrendo ao pouco de controle que ainda existia em meu ser para terminar o que havia começado. Não podia deixar o sacrifício de Gael e de tantas outras pessoas antes dele serem esquecidos, faria o General do Leste pagar por tudo que tinha feito até aqui nem que tivesse que levá-lo comigo para o inferno.
— O rei consorte, está... — Arthur começou a questionar se interrompendo, temendo dizer algo incoerente.
Temerosa, desviei meus olhos de Arthur para ver o homem desacordado nos meus braços e aproximei meus dedos do pescoço de Gael, respirando aliviada por sentir sua pulsação mesmo tão fraca quanto estava naquele momento. Deixando claro, que precisávamos correr contra o tempo para salvá-lo.
— Ele está vivo, mas sua pulsação está muito fraca devido a grande perda de sangue. Arthur, leve meu marido em segurança para os meus aposentos, recrute alguns soldados do Sul para fazer a escolta de Gael até lá, providencie assistência médica a ele e o proteja até que tudo isso esteja resolvido. Se eu cair, faça de tudo para tirar meu marido e Agnes em segurança daqui, assim como todos os outros que nos ajudaram. Leve o rei consorte em segurança para o seu reino natal, lá ele estará seguro da fúria do General do Leste e de todos os meus inimigos. — ordenei e balançou a cabeça concordando, gritando o nome de alguns homens enquanto voltava minha atenção para Gael acariciando seu rosto frio com carinho, gravando cada particularidade dele.
— Continue lutando, meu amor, não desista agora que nos encontramos...Preciso tanto de você, Gael. — sussurrei para ele me inclinando para beijar a sua testa com carinho, me afastando em seguida assim que alguns soldados do Sul se aproximaram de nos e os autorizei a carregarem meu marido.
Respirei fundo, controlando toda a minha dor e levantei do chão para comandar a guerra que não havia iniciado, mas que seria decidida hoje.
— Termine o que começou. Vingue todos aqueles que o General nos tirou. — Arthur disse sério me entregando a espada de Gael e concordei, aceitando a espada que ele me entregava, antes de vê-lo deixar a sala do trono abrindo caminho ao lado de mais alguns homens para levar meu marido em segurança daqui enquanto ia cumprir o meu destino que era eliminar de uma vez o General do Leste da face da terra.
Com cuidado, tirei o pequeno fraco do meu decote derramando um pouco do seu conteúdo na ponta da minha espada, antes de seguir em direção a Yumi que duela com o General do Leste de maneira violenta.
— Yumi, vá atrás de Artur, ajude-o a proteger meu rei consorte em meus aposentos — ordenei após defendê-la de um ataque desleal do General do Leste — Do General do Leste, cuido eu. — assegurei sem sombra de dúvidas para a Capitã do Sul que tentava recuperar o folego, após os ataques do comandante do meu exército.
— Sim, princesa. — Yumi declarou séria, correndo para fora da sala do trono determinada em cumprir a ordem que havia lhe dado.
— Chega de joguinhos e interrupções, Virgínia, vamos acabar com isso de uma vez — declarou furioso sem desviar os olhos de mim e concordei — Espero que esteja disposta a tudo, porque só irei desistir do meu trono morto.
— Eu estou, General, e saiba que também só desistirei morta. — assegurei antes de começarmos o nosso duelo, ambos com a missão clara de eliminar o outro de uma vez por todas.
Mantive minha guarda durante toda a luta, tomando cuidado com a ponta da minha espada, enquanto esperava pela oportunidade perfeita para desferir o golpe que poria fim a essa disputa de décadas de uma vez. Segundo Tadeu, seria estupidez a minha atacar um adversário com anos de experiência militar como o General, tudo que poderia fazer se ele me atacasse era me defender até que estivesse cansado demais e pudesse revidar com um golpe certeiro, algo que ele jamais esperaria e foi o que fiz, mas o peso do vestido que estava usando me cansava rápido demais e decidi arriscar atacando de uma vez.
Transpassando minha espada em seu ombro esquerdo, fazendo meu inimigo urrar de dor e raiva, diminuindo assim sua força de ataque por causa do machucado recém adquirido.
E sorri por saber que logo os efeitos da substância que havia na ponta da espada começariam a fazer efeito.
— Sua garota insolente, quem pensa que é para me ferir?! Agora já chega, vou acabar com você de uma vez — gritou e golpeou a minha espada com fúria e resisti ao seu ataque, firmando meus pés no chão obtendo estabilidade, enquanto o General do Leste usava o peso do seu corpo potencializando o seu ataque forçando minha mão a soltar a arma que empunhava. — Desista de uma vez por todas, Virginia.
Mas antes que pudesse dar o seu golpe final, o General gemeu de dor afastando-se de mim enquanto sua mão esquerda ia parar no local em que havia acabado de lhe ferir deixando-o confuso.
— Sabe o que é essa dor que está sentindo, General do Leste? É o veneno da sua querida amiga, a mesma que mandou colocar entre os lenções da minha cama e que a utiliza para acabar com seus desafetos, a famosa serpente do Leste — segredei para ele que arregalou os olhos diante do que havia lhe revelado. — Mas não se preocupe, não vou permitir que morra apenas com o veneno da sua amiga, porque do jeito que é cruel seria bem capaz de ser o único na face da terra a sobreviver ao veneno da criatura mais mortal.
Usado toda a fúria que havia em mim fui para cima do meu oponente, acertando-o no mesmo lugar que havia ferido meu rei consorte minutos atrás, enterrando minha espada bem fundo nele sem desviar meus olhos dos seus.
— Isso é por meus pais... Por todos aqueles que matou...Por todas as humilhações que me fez passar, durante todos esses anos que esteve no poder...E por meu rei consorte, por ter a audácia de machucar o homem que amo na minha frente...Desejo que os deuses o façam sofrer no inferno, pagando todos os pecados que cometeu em vida, seu maldito. — sussurrei com ódio afundando ainda mais minha espada nele enquanto via a vida sumir dos seus olhos, deixando-o cair no chão inerte aos meus pés.
— Ordeno que parem de lutar agora, o General do Leste caiu — gritei séria atraindo a atenção de todos que ainda estavam de pé lutando, fazendo com que olhassem para o homem morto aos meus pés que um dia se proclamava o comandante do meu exército — Rendam-se e permitirei que tenham um julgamento justo ou terão o mesmo destino que seu comandante — ordenei severa enquanto os soldados do Leste olhavam para o homem caído aos meus pés, antes de tomarem qualquer decisão.
Em silêncio, um a um dos soldados que usavam o brasão do Leste em sua farda caminharam em minha direção jogando suas espadas aos meus pés, enquanto meus homens do exército dos rebeldes junto com a tropa do Sul prendiam os aliados do inimigo, permitindo que pudesse finalmente controlar meu reino sem a interferência do General e seus associados.
— O que deseja que façamos com os prisioneiros, majestade? — questionou Drake depois que o último soldado do General havia sido preso.
— Levem uma parte deles para os calabouços e outra para as torres de segurança, em hipótese alguma mantenham todos juntos, mas deixe-os separados dos prisioneiros que já estão no local. Preciso de respostas e só poderei obtê-las se estiveram vivos, o que não irá acontecer se dividirem o mesmo espaço com seus desafetos. — orientei e ele concordou ordenando seus homens que seguissem minhas orientações, antes de começarem a levar os prisioneiros para os locais que indiquei enquanto me dirigia novamente para Drake e Tadeu, que parou ao lado dele assim que se aproximou.
— Drake, preciso que você e seus homens vão atrás de todos da câmara dos lordes e os tragam vivos até o castelo, para que possam respondam por todos seus crimes — ordenei e ele balançou a cabeça concordando, enquanto voltava minha atenção para Tadeu — Tadeu, confio em você para coordenar tudo enquanto me ausento por algumas horas, preciso saber se meu marido...— sussurrei a última parte com a voz falha, temendo que o pior tivesse acontecido e respirei fundo, espantando meus temeres que não me ajudariam em nada nesse momento.
— Não se preocupe, minha rainha, o rei consorte ficará bem, já o vi sobrevier a ferimentos piores. Além do mais, ele tem muito pelo que viver agora. — Tadeu assegurou me olhando, dando a entender que sabia dos sentimentos que o príncipe do Sul nutria por mim — Não se preocupe, cuidaremos de tudo enquanto fica ao lado do seu consorte.
— Obrigada aos dois. — agradeci me despedindo e correndo em direção aos meus aposentos encontrando no caminho alguns servos correndo com panos sujos de sangue de um lado para o outro, fazendo meu coração se apertar diante da quantidade de sangue que Gael estava perdendo.
Assim que me aproximei do corredor que abrigava meus aposentos, vi Yumi e Arthur ao lado de agrupamento de homens desalinhados e cansados usando o uniforme do Sul, mas determinados em proteger a entrada do meu quarto onde seu superior estava lutando pela vida, enquanto mais servos saiam dali com panos sujos de sangue e outros entravam com as mãos cheias de panos limpos, me permitindo ter um vislumbre das inúmeras pessoas que rodeavam a minha cama naquele momento.
— Arthur... Gael...— sussurrei entre lágrimas temendo ouvir o que não desejava.
— O rei consorte, ainda está lutando, majestade, e asseguro que não será dessa vez que perderá uma batalha. — Arthur disse com os olhos vermelhos, mas com a voz segura de que seu superior iria vencer a batalha por sua vida, assim como tantas outras que ganhou nos campos de guerra.
— Agnes e Henrik, sabem o que houve? — questionei para Arthur preocupada com a reação dos dois.
— Sim, os dois estão no quarto ajudando o médico real a cuidar do rei consorte. — Arthur me explicou e ouvimos um grito de dor vindo do quarto, um que reconheceria em qualquer lugar como sendo de Gael, e tentei entrar no local sendo impedida por meu amigo que bloqueou a passagem.
— Ordeno que saia da minha frente, Arthur...Preciso ver meu marido. — ordenei furiosa sentindo as lágrimas caírem dos meus olhos e ele balançou a cabeça negando.
— O médico real está operando o rei consorte, provavelmente os remédios que inibem a dor ainda não fizeram efeito. Sei que se estivesse consciente, seu marido não iria querer que visse algo assim. — ele explicou e ouvimos mais um grito de dor de Gael que parecia me rasgar por dentro, só de imaginar o tormento pelo qual ele deveria estar passando naquele momento por minha causa.
Determinada, tentei passar por Arthur que me segurou enquanto os gritos de Gael se tornavam mais dolorosos se misturando os meus, por não poder estar ao seu lado naquele momento.
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