Notas iniciais
Olá pessoas, estou aqui de volta com o primeiro capítulo oficial de Imperador Negro, e devo dizer que muito animada com os comentários que recebi no prólogo, vocês são incríveis! Finalmente eu consegui achar o Período histórico em que essa história se encaixa, isso graças a Brenda que me aguentou fazendo zilhões de perguntas pelo whats e me respondeu com a maior paciência, VALEU BRENDA! PARA MELHOR ENTENDIMENTO DA LEITURA! ani/ani-cha: meu irmão mais velho chichi: meu pai haha: minha mãe otou-san: seu pai Tachi: espada antecessora da katana No Japão existe diferença na hora de se referir a parentes da sua própria família e da família de outros, enquanto aqui no Brasil diferenciamos com os pronomes possessivos, lá é nas palavras, como por exemplo: meu pai ser chichi, e seu pai otou-san. Não sei se as coisas ainda são assim, mas por se uma fic de período tradicional isso vai tar muito presente aqui. oicho-kabu: Parecido aos jogos de cartas “Blackjack” e “Baccarat”. Consiste em tentar obter cartas cuja soma dê um número acabado em 9. É um jogo de 2 pessoas, sendo uma delas responsável por dar as cartas. Ganha quem obtiver um número acabado por 9 primeiro. Desculpa pelos erros e boa leitura!

Japão Imperial, Período Heian, 21 anos depois.

Nos arredores do palácio, dois jovens lutavam com suas tachis no jardim, próximo a uma das árvores que beiravam o rio, onde um homem observava atentamente cada movimento dando instruções. A grama verde e recém molhada por uma chuva que caíra no final da noite abafava o sons das sandálias que se movimentavam rapidamente, conforme os corpos fugiam e revidavam os golpes.

— Manuseie a tachi como se fosse uma extensão de seu braço Naruto, com mais leveza. — ao longe um homem de cabelo prata instruiu enquanto observava o treino.

— Eu sei, eu sei, escuto isso toda vez! — ele falou dando um giro com a tachi, quase a deixando cair quando a força da outra lâmina colidiu com a sua.

— Mas não entende já que não segura o cabo corretamente, — falou Sasuke forçando sua tachi contra a do outro, o que o fez recuar — talvez se falasse menos e ouvisse mais entenderia.

— Cala boca! — Naruto gritou emburrado com o sorriso provocador do outro.

Sasuke odiava os gritos de Naruto, e houve uma época quando odiava o próprio. Sempre achou o loiro um menino bagunceiro e desrespeitoso, gritava pelo palácio, atrapalhava encontros importantes, ou quebrava qualquer coisa pelo caminho, e poucas vezes ganhava uma dura reprimida. Ele que tinha sido criado para ser forte e discreto repudiava o comportamento escandaloso do garoto, ainda mais quando nas aulas de combate esse aprontava até mesmo com Kakashi, o sensei de ambos. Não entendia o porquê de terem de aguentar a presença irritante do moleque no palácio, ainda que Kushina ocupasse um cargo importante, ele não era nenhum membro da Família Real, apesar que estranhava a grande influência que a mãe do menino parecia ter.

Foi no aniversário de onze anos de seu irmão mais velho, Itachi, que entendeu o porque daquele comportamento do menino. Naruto tinha quebrado um vaso dado de presente por um dos visitantes como um sinal de paz e respeito por seu pai, o Imperador, e por uma infelicidade do destino ele presenciara a cena, mas quando seu pai chegara Naruto tinha desaparecido ficando sobre si a culpa, naquela noite não pode comparecer as comemorações como um castigo pelo seu mal comportamento, ficara no quarto irado com o outro garoto, até que seu irmão apareceu para saber como ele estava.

— Ani, o que você está fazendo aqui? — Sasuke perguntou se virando na cadeira para a porta.

— Haha me contou que você quebrou o vaso dado pelos Hyugas.

— Não foi eu ani-chan, foi o Naruto, só que o chichi chegou depois que ele tinha fugido e a culpa ficou para eu. — Sasuke falou fazendo um bico, o que fez Itachi ri de leve do irmão que virou o rosto emburrado para janela, apoiando o queixo no braço.

— Sei que não foi você Sasuke, o chichi e haha também, — Itachi caminhou pelo quarto até parar ao lado do irmão, apoiando a mãos nos cabelos do pequeno — você ficou de castigo por ter denunciado seu companheiro, para nosso chichi isso é uma desonra sua com seu amigo.

— O que ele fez foi errado, — Sasuke se levantou indignado — e ele não é meu amigo.

— Sabemos que foi errado, aliás essa não é primeira nem será a última travessura de Naruto, mas ainda assim fidelidade a um amigo é importante Sasuke.

— Já disse que ele não é meu amigo. — Sasuke resmungou um tanto envergonhado com o sermão.

— E por que não é? — Itachi sorria achando graça na birra do mais novo.

— Porque ele é chato, bagunceiro e grita muito, eu nem sei porquê ele vive aqui se não é um Uchiha.

— Sasuke, — o tom sério de Itachi chamou a atenção do pequeno — não seja tão duro com Naruto, ele não faz nada disso por maldade, ele sente falta de um otou-san e é graças a essa dor dele que nossa família é tão importante.

— Como assim ani-chan? — ele olhava curioso para o rosto do irmão sem entender o que ele queria dizer.

— Sasuke, nosso chichi só se tornou Imperador porquê Imperador Minato, otou-san de Naruto, morreu em um ataque ao palácio quando você ainda era bebê. Kushina-sama por confiança a honra de nosso chichi, passou o trono para nosso clã. — Sasuke olhava surpreso para o irmão, nunca tinha ouvido falar nessa história. — Naruto nasceu para um dia ser Imperador, mas os deuses tiraram não só o trono de seu destino, como a chance de ter um otou-san.

— Por que ninguém nunca me contou isso?

— Você só tem sete anos, tem coisas que não precisa saber.

— Mas você só tem dez! — ele falou inconformado, o que fez Itachi rir.

— Agora tenho onze, — ele deu um breve toque nas testa de Sasuke, que levou a mão ao local sem entender o motivo daquele gesto. — agora tenho que ir.

Sasuke observou a figura de seu irmão se afastando com aquele belo kimono azul de detalhes vermelhos. Não conhecia nada sobre o família de Naruto, além da mãe do próprio e que seu pai era morto, muito menos sabia que o garoto sofria por esse fato, já que este se demonstrava sempre tão alegre, imaginou que isso era resultado da tal vivacidade dos Uzumakis que ouvira falar. Ainda sentado na cadeira de frente para a janela, Sasuke ouviu sua porta novamente ser aberta, não se deu ao trabalho de olhar imaginando que seria a sua mãe a visitá-lo, porém sua atenção foi chamada quando viu uma das bandejas utilizadas pelos servos tocando seu braço, ao virar a cabeça viu o menino loiro de grandes olhos azuis o encarando com um sorriso no rosto.

— O que faz aqui? — perguntou se levantando assustado.

— Minha okaa-san me contou que você está de castigo por causa do vaso que eu derrubei e por isso não pode ir para festa do Itachi-chan.

— Por sua causa, — Sasuke o acusou emburrado — você sempre destruí tudo.

— Gomen, foi sem querer, eu escorreguei. Olha, até trouxe isso escondido para me desculpar. — o menino sorriu mostrando a bandeja de doces.

— Se você fosse menos distraído arrumaria menos confusão e problema para todo mundo, seu dobe. — Sasuke cruzou os braços bravo com o outro.

— Não me chame de dobe seu teme! — Naruto berrou para o outro — E eu vou comer esses doces sozinhos, você é chato.

— Estou satisfeito, e não gosto de doces. — o moreno tinha uma postura superior, mas perdeu assim que viu o outro se sentando no chão do seu quarto. — O que você está fazendo?

— Comendo oras, já que você não quer. — o menino tirou um monte de cartas do bolso, deixando do seu lado no chão enquanto voltava a devorar os doces.

— Um oicho-kabu, — comentou Sasuke se sentando de frente para o loiro — você sabe jogar? — Sasuke perguntou vendo Naruto engolir um grande pedaço de doce.

— Hai! Eu trouxe para nós jogarmos, mas acho que você não quer. — Naruto respondeu enquanto lambia o dedo melado com alguma calda.

Relembrando o que Itachi tinha falado, Sasuke começou a separar em silêncio as cartas, percebendo que o outro estava disposto a jogar Naruto sorriu feliz. Passaram o resto da noite jogando no quarto de Sasuke, Naruto perdeu diversas partidas e acusou Sasuke de roubo, o outro inconformado com o insulto culpava a burrice de Naruto, mais tarde Kushina finalmente achara seu filho dormindo todo sujo de doce no chão, entre diversas cartas, meio que chutando as costas do também adormecido Sasuke.

A partir desse dia ambos se tornaram verdadeiros amigos, Mikoto e Kushina admiravam tal amizade como Fugaku secretamente se lembrava da sua própria com Minato, já que mesmo com personalidades opostas, Naruto mais vivaz e atrapalhado, Sasuke mais contido e calculista, conseguiam conviver em uma estranha harmonia.

— Vamos lá dobe. — Sasuke falou pressionando a sua lâmina contra a de Naruto, que segurava a tachi de forma defensiva frente ao rosto.

Em um giro rápido, Naruto se dirigiu com a sua lâmina para as costas de Sasuke, mas esse percebendo o movimento a tempo direcionou a tachi diagonalmente por cima do próprio ombro para lhe proteger as costas, aproveitando a surpresa do amigo com sua defesa e se abaixando esticou sua perna enquanto girava, dando um rasteira no outro, e apontando a ponta de sua tachi para o peito ofegante enquanto se levantava.

— De novo abaixou a sua guarda Naruto. — Kakashi falava enquanto observava Sasuke e pensava em quão brilhante tinha sido sua defesa.

— Eu sei, — ele falou enquanto era puxado para cima pela mão estendida do companheiro — mas esse movimento de defesa do Sasuke, eu nunca tinha visto algo assim.

— Sasuke é realmente muito criativo para novos golpes. — Kakashi falou dando um aceno admirado para seu aluno — Mas ainda assim Naruto, você já conhece o estilo de luta dele, já devia saber lidar com isso.

Imediatamente Naruto começou a espernear, falando sobre a clara preferência que seu sensei tinha com o amigo, mas Sasuke não se importava, já que sua atenção estava voltada a para seu irmão que atravessava a ponte de madeira que ficava sobre o rio, conversando com seu pai, há algum tempo ele vinha observando um comportamento diferente por parte do irmão, principalmente depois que este voltara da sua última viagem. Como um sinal de respeito pela presença do Imperador, Naruto e Kakashi se curvaram para o homem de expressões duras e decididas, por fim Sasuke repetiu o gesto, mesmo sendo seu pai tinham poucos momentos especificamente familiares, já que esse sempre se via ocupado com atividades do cargo, fazendo-o o tratar mais como o Imperador do que como seu progenitor.

Com um aceno Fugaku lhes concedeu uma permissão silenciosa para prosseguir com o treinamento, Sasuke se voltou novamente para o amigo sentindo o olhar do seu pai observando cada um de seus movimentos. Se Itachi se tornaria Imperador, o lugar de Sasuke era ao lado de seu irmão, comandando exércitos, treinando homens para cuidar da segurança do povo e seu líder, o Japão se apoiava em Itachi, e seria seu dever zelar para que esse apoio nunca caíssem. Naruto atacou, se aproveitando de sua grande força para aumentar o efeito do movimento, Sasuke se esquivou para a esquerda, já posicionando a lâmina na lateral do corpo, continuaram com os ataques e as esquivas, Kakashi nada falava sabendo que gritar instruções naquele momento não seria visto com bons olhos pelo Imperador.

Minutos se passaram daquela forma, e a demora da luta incomodava Sasuke, Naruto era um bom samurai, mesmo que a seu modo, porém a duração da batalha poderia ser interpretada como falta de capacidade por parte de seu pai, uma vergonha para a família. Quando o loiro desceu a kanata na vertical, como se fosse cortar seu oponente ao meio, Sasuke interviu colocando sua lâmina no caminho esperando o momento em que a força do golpe aumentasse para que pudesse desviar para o lado desequilibrando Naruto e acabando com a luta. Porém no momento que começou a executar o movimento, seus olhos captaram uma pequena mudança na posição de Fugaku, bastou aquilo para que Naruto recuperasse o equilíbrio e Sasuke, com um chute, caíssem no chão.

O impacto na grama molhada trouxe o mesmo sentimento de todas outras vezes que era derrotado na frente do pai, a raiva consigo próprio, o desgosto por sua falta de habilidade o atingia com a pior de todas tachi o perfurando. Alí, com o rosto escondido no meio da grama, não se sentia digno do nome que carregava.

— Concentração, Sasuke. — a voz de seu pai trovejou, o fazendo se sentar sobre as pernas no chão.

— Hai, chichi. — disse abaixando a cabeça em sinal de reverência.

Ao levantar o rosto, viu o olhar avaliativo de seu irmão, que lhe direcionou um discreto sorriso antes de acompanhar o pai até o palácio. Ao ver que ambas figuras desapareciam no horizonte se colocou em pé, buscando sua arma para continuar o treinamento.

— Sasuke, — disse a voz calma do seu sensei, que se aproximava sem pressa pela grama. — pararemos por hoje, já que amanhã você terá um dia cansativo.

— Tenho que continuar a treinar. — falou baixo ao inspecionar a lâmina.

— Kakashi-sensei está certo, eu já estou todo quebrado. — como se para dar enfase, o loiro esticou os braços, fazendo uma careta de dor.

Mesmo que distraído, Naruto percebia o motivo de tanta dedicação do amigo nos treinos, o que lhe deixava preocupado. Certa vez até diminuíra o ritmo de uma de suas lutas para que Sasuke vencesse com facilidade, dando uma boa imagem ao pai, porém esse percebera, usando movimentos que o obrigaram a lutar sério caso quisesse viver. Foi quando reconheceu todo grande potencial do amigo e sua superioridade em batalha, a vendo desaparecer com o menor sinal da pressão das expectativas de Fugaku Uchiha.

— Eu irei treinar.

Respondeu o príncipe, se afastando com passos pesados, tentando esconder a postura derrotada, para treinar durante horas até seu corpo não suportar em uma área isolada do jardim do palácio.

Notas finais
A história está bem calma, mas nesse capítulo é fundamental para percebemos duas relações muito importantes para o Sasuke: Naruto e Fugaku. Enquanto com a amizade de Naruto vemos parte do lado sentimental, com Fugaku a pressão dos deveres de um Príncipe, e isso será muito importante para o entendimento das ações de Sasuke no futuro. O próximo capítulo só sairá daqui duas semanas, no dia 29, já que estou finalizando minha outra long (Doce Rendição) e tenho que terminar de escrever a short (Indecoroso). Mas depois disso, vão ser postagens semanais. Até domingo!