Notas iniciais
Boa terça feira!

Quinn chegou cedo na Impact Magazine, pois ela e Santana ficaram de se reunir para conversarem sobre algumas coisas da empresa. Hoje ia ser a noite da festa de lançamento e na manhã seguinte a Impact Magazine estaria em diversas bancas, elas estavam ansiosas por isso. Elas combinaram de liberar os funcionários ao meio dia para que pudessem se aprontar para a festa que seria em um grande salão de festas de NY.

Tinham marcado as nove e meia da manhã, mas passou das dez e Santana não tinha chegado. Quinn começou a pensar que Santana “aproveitou muito a noite” e viria um pouco mais tarde, mas assim que o relógio marcou onze horas, Quinn viu que algo estava errado, Santana teria telefonado.

Quinn tentava ligar para o telefone de Santana sem sucesso, chamava até cair na caixa postal.

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Santana estava sentada no chão do seu quarto. Não tinha dormido quase nada aquela noite por isso as grandes olheiras ganhavam um destaque que foi agravado pela vermelhidão dos olhos de tanto chorar. Ao seu lado, uma garrafa de vodka semi cheia, sua cabeça encostada na parede e olhar vago, parada não se sabe por quanto tempo naquela posição até se mover para beber mais um gole de sua bebida. No quarto tocava uma música de fundo. Santana nem se lembrava quando ela tinha ligado o som.

Estava sem direção, sem um norte, não queria sair de casa, só conseguia chorar, e se sentir triste. Lembrava de toda a discussão do dia anterior, de como nada mais fazia sentido.

Mas o que faria? Ficar ali sentada no chão remoendo tudo quando sua revista seria lançada na manhã seguinte e a noite seria a grande festa? A verdade é que todo entusiasmo por esse momento estava esmagado, seu coração destruído, algo que imaginava ser perfeito, recíproco, não era o que pensava. Britt não tinha tirado o que Sam Evans tinha dito da cabeça e quando pensava que estavam melhores do que nunca viu a imagem de Britt vindo para sala arrastando uma mala. Sem conversar antes, sem abrir o jogo, se não tivesse chegado aquela hora, Brittany teria ido para seu apartamento sem dar explicações.

Ela tinha escondido por todo o tempo o que pensava, o que mais teria escondido? Brittany esperava algo dela, algo que Santana queria muito, mas não assim tão de repente, pensava que Britt estava na mesma sintonia, que compartilhava do mesmo pensamento e que não seria um pedaço de papel que iria impor que se amavam. Mas Britt queria isso agora e do jeito que ela jogou as palavras “o que é que eu tenho que fazer para você querer casar comigo?” era como uma imposição, como se ela não fosse feliz com a atual condição das duas, e por isso estava a abandonando para voltar para o seu apartamento. Por algumas vezes, em seus momentos de insegurança, Santana pensava que Britt pudesse um dia perceber que o relacionamento das duas não era o que queria e iria abandoná-la, mas nunca imaginou que seria tão cedo.

Chorava silenciosamente, nem se importava em enxugar as lágrimas. Para que? Iriam cair novamente e não parariam mesmo se quisesse.

Seu telefone tocava novamente, tinha tocado durante toda a manhã, com certeza era Quinn ou Brittany que insistentemente tentava falar com ela. Olhou no visor, era Quinn, lembrou que tinha combinado de se reunir com ela na empresa, olhou no relógio do quarto, onze e trinta e cinco. Resolveu atender.

– Até que enfim Santana... não adianta nem perguntar se virá a empresa porque sei que pelo horário não vai... (Quinn estava irritada pela ausência de Santana) Santana combinamos de ser profissionais e você já começa a faltar?

Santana só escutava, não tinha o que contestar.

– Está me ouvindo Santana?

– Sim... (respondeu secamente)

– Acho que quando tiver essas festinhas á noite com Britt, se lembre de colocar o despertador programado no horário, precisava de você hoje aqui e não agarrada com sua namorada...

Santana queria esconder o que estava acontecendo, pouco importava que Quinn pensasse que era uma irresponsável, mas não conseguiu, assim que Quinn se referiu a Brittany, Santana começou a soluçar e chorar no telefone.

– Santana... está chorando? (Quinn ficou com os olhos arregalados, não esperava por essa reação) Ei não precisa chorar só porque eu estou te dando um sermão! (sorriu tentando descontrair)

– Eu não... eu não passei a noite com Brittany...

– Você está bêbada Santana? Porque está chorando?

A latina não estava bêbada, pelo menos não o suficiente para estar chorando como sempre fazia quando estava com o teor de álcool no sangue muito alterado. Chorava porque sofria e não conseguia esconder isso.

–Acabou... Brittany e eu... acabou tudo...

Quinn outra vez foi pega de surpresa. As duas pareciam não querer se desgrudar nunca, Santana estava caída de amor e Britt não parecia estar diferente.

– Como assim Santana?

– Não entende o que “acabou” significa?

– Eu entendo, mas... (Quinn queria saber mais, mas a ligação foi desconectada) Santana? Santana?

A amiga havia desligado. Quinn só conseguia pensar em duas situações: “Ou aconteceu algo muito grave ou muito estúpido para as duas terminarem”. Mas o que tinha certeza era que Santana estava desolada.

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Brittany estava deitada na cama, olhando sua aliança de compromisso, parece que ainda não tinha caído a ficha de que seu namoro havia acabado. Preferia pensar que a qualquer momento, Santana apareceria por aquela porta e a abraçaria, beijaria e a diria o quanto a ama.

O apartamento parecia ainda maior do que se lembrava e mais empoeirado também, e agora, sem Santana, com certeza muito mais solitário. Brittany ficava imaginando se chegaria o dia que deixaria de ser estúpida, de ser burra. Por uma besteira, acabou magoando Santana, entendia que a situação fazia a latina pensar que sua vontade de casar ser referia a Sam Evans, afinal o cantor tinha falado muita coisa que tinha atingido em cheio Santana, mas não era isso. Não era o que Sam Evans disse que fez Britt pensar em casamento e sim o grande amor que sentia por Santana e que queria compartilhar com ela para o resto da vida e selar isso o mais rápido possível, pois em sua cabeça, não tinham porque esperar.

Estava acabada, Santana não só não entendeu, como terminou tudo pensando coisas horríveis, de que ela não era feliz e que nunca dariam certo. Brittany só queria sair do apartamento porque o “treinamento” não tinha dado certo, pensava que nunca teria Santana como esposa e morar junto já não era necessário. Não a estava abandonando, estava frustrada sim, pois tinha colocado na cabeça um plano para convencer Santana, que também deixou a ex-namorada triste, pensando que só tinha feito aquelas coisas porque esperava algo e não porque a amava. Britt pensava diferente, ela só fez tudo aquilo, só aprendeu tudo aquilo porque amava Santana e através destas demonstrações de amor queria mostrar a latina o quanto era amada e que seria uma grande esposa.

– Plano estúpido! (resmungava a si mesma)

Tinha os olhos vermelhos, chorou durante toda a noite, e durante a madrugada e grande parte da manhã tentou ligar para Santana que não a atendeu.

Lembrou da caixinha de bombom que Santana havia lhe dado antes de sair. Esticou as mãos para a pegá-la no criado mudo. Sentou encostando as costas na cabeceira da cama e abriu a caixa. Lá estavam os bombons em formato de bichinhos, seis no total, separados por uma pequena forma de papel. Novas lágrimas surgiram nos olhos azuis ao lembrar como Santana era carinhosa e sempre pensava no que ela gostava, e como ela amava aqueles bombons. Tinha uma girafa, um pato, um elefante, um urso, um peixe e um gato. Brittany deu um meio sorriso.

– Então, o que é que eu faço agora?

Brittany conversava com os pequenos bombons.

– Eu não quero perder a San... eu a amo tanto... Como é que eu vou viver sem ela?

Olhava insistentemente para a caixa aberta, como se esperasse uma resposta.

– Como eu faço para demonstrar para San que eu só pensei em casamento porque ela está ao meu lado e porque eu queria realizar esse meu sonho com a mulher que eu amo? Como eu faço para dizer que meu coração está recheado de amor por ela?

Brittany ficou por uns segundos em silencio, observando os pequenos bichinhos.

– Como é que vão poder me responder não é? Os corações de vocês estão recheados de brigadeiro...

Britt enxugou uma lágrima que começava a cair novamente.

– Sabe... eu vou guardar vocês... porque a San adora o peixinho e nos sempre comemos juntas... sei que é estranho falar com vocês sobre isso, afinal vocês vão para o nosso estômago...mas são tão deliciosos (dava de ombros) E eu acredito...eu espero que a San entenda que tudo foi um engano e me perdoe por ser tão boba e precipitada...

Fechou a caixa, deixando um pequeno espaço só para cochichar mais algumas palavras.

– Obrigada por me ouvirem... vocês são mais compreensivos que o Lord Tubbington jamais foi... (fechou a caixa totalmente)

Levantou e guardou a caixa na geladeira, a mesma estava vazia, quando foi morar com Santana tinha a esvaziado. Voltou e pegou seu telefone, novamente ligava para Santana e novamente ela não a atendeu.

Brittany estava sofrendo, mas pensava que Santana estava sofrendo muito mais. Como gostaria de ter uma máquina do tempo para evitar ver o rosto de Santana tão triste como na noite anterior. E ela era a culpada.

Tinha que fazer alguma coisa, não podia ficar ali só lamentando o que aconteceu e sofrendo pelo fim do namoro. Se queria Santana de volta tinha que correr atrás. Mas o que poderia fazer? Santana não atendia suas chamadas, com certeza também não iria querer atende-la pessoalmente.

Brittany pegou suas chaves e saiu do apartamento, entrou no carro e deu partida.

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Quinn saiu da Impact Magazine assim que Santana desligou a chamada onde conversavam mais cedo. Chegou ao prédio em menos de meia hora e ia tocar a campanhinha quando percebeu que a porta não estava trancada. Entrou devagar e encostou a porta atrás de si. Tudo parecia normal, seguiu pelo apartamento e não encontrou Santana na cozinha ou sala, foi para o quarto e abriu a porta devagar.

Santana levantou a cabeça para ver Quinn entrando para o quarto. Não disse nada, abaixou a cabeça e continuou sentada, mas desta vez com as mãos ao redor das pernas abraçando-as.

Quinn caminhou até onde Santana estava e sentou ao seu lado, ainda não disse nada, Santana diria se ela quisesse compartilhar o que sentia, ela só precisava saber que ela estava lá para ela se caso precisasse, caso quisesse desabafar o que tinha acontecido entre ela e Brittany. Quinn imaginava que a amiga estava passando por um momento difícil e não queria força-la a dizer algo que não queria. Só precisava sentir que ela estava ali ao seu lado.

Santana permanecia com seu rosto abaixado, nem ela sabia se queria ficar sozinha ou compartilhar o que sofria com alguém. Somente a música de fundo ecoava no lugar, Santana não sabia quantas vezes o cd estava repetindo o playlist. Quinn apenas começou a passar a mão delicadamente nas costas de Santana para cima e para baixo a confortando. Ao sentir as mãos de Quinn, Santana que estava calada até então começou a chorar novamente, saiu da posição que estava para abraçar forte a amiga que estava ao seu lado molhando os ombros claros de Quinn com seu choro desesperado.