Notas iniciais
boa leitura...

Brittany estava muito cansada da viagem, subiu para mostrar o quarto de Santana e dirigiu-se para o seu. Santana olhava para o quarto tão diferente do seu, só tinha uma cama, uma cômoda e um pequeno criado mudo. Deitou-se na cama e ficou imaginando o que esperaria no outro dia, trabalho de fazenda? Só mesmo Brittany para pensar numa coisa assim. Mas se isso era o que Brittany queria era o que ia fazer. Tentava dormir, mas o frio não deixava. Aquele lugar ventava muito a noite e Santana não havia trago nenhuma roupa de frio, vestiu uma blusa em cima da outra, mas não adiantou, ficava batendo o queixo. Pensou que talvez Brittany tivesse alguma para lhe emprestar. Levantou-se devagar, calçou seus chinelos e seguia para o quarto de Britt.

Abriu a porta do quarto de Brittany devagar, não queria fazer barulho por que ela poderia estar dormindo, entrou e não viu Brittany, talvez tinha descido para tomar água. A roupa que Brittany tinha usado mais cedo estava espalhada pelo chão. Santana sorriu pegando a blusa caída e levando ao rosto para sentir o perfume de Brittany, era viciante, fechou os olhos sentindo aquele aroma, tinha tanta saudade de senti-la novamente em seus braços como mulher. Ouviu um barulho vindo da porta e se viu sem saber o que fazer. Ficaria parada e deixaria Brittany vê-la cheirando suas roupas como uma tarada? Rapidamente se escondeu na parte lateral do guarda-roupa e ficou em silencio para que não percebesse sua presença.

Brittany realmente não percebeu. Tinha acabado de voltar do banho, não tinha banheiro no quarto e ela teve que usar o banheiro do corredor. A loira tremia de frio e Santana olhava com cuidado para que não fosse vista enquanto Brittany retirou a toalha para secar-se. A latina estava paralisada com aquela visão, Britt passando a toalha por todas as partes do corpo, barriga, braços seios, Santana passava a mão pelo rosto nervosa. Engoliu seco quando Brittany pegou o hidratante passando com cuidado e sensualmente pela pele, colocou uma das pernas na cama para passar o creme. A visão que Santana tinha naquele momento era demais para aguentar, acabou se desequilibrando e caindo fazendo um enorme barulho.

– Aaaaaau!

– Santana! (Brittany assustou-se com a presença da latina, enrolando-se novamente na toalha)

– Desculpe Britt... (levantava-se desajeitada) eu... entrei... só para te perguntar uma coisa... e...e... você entrou...

– Machucou? (interrompeu Santana se aproximando dela para ajuda-la a se levantar)

– Não... não... eu estou bem...

– O que faz aqui San?

– Eu... estava com frio... não trouxe agasalho, queria saber se poderia me emprestar?

– Mas porque estava aí?(perguntava apontando para o canto que Santana estava)

Santana parou tentando inventar uma boa desculpa para Brittany, mas logo se lembrou sobre o lance de falar somente a verdade, sem mentiras ou omissões.

– Eu entrei, você não estava, achei suas roupas no chão, peguei sua blusa para sentir seu cheiro, você abria a porta e eu não queria que pensasse que eu era uma tarada ou coisa parecida, me escondi, mas não sabia que estava voltando do banho, você ficou nua, não consegui tirar os olhos de você, não aguentei ver você passando aquele hidratante, me desequilibrei e cai... (Disse num fôlego só como se estivesse se livrando de um peso, respirou fundo e olhou para Brittany )

Brittany estava corada por tudo que Santana havia dito. Olhava a latina nervosa em sua frente, mas no fundo ria da situação. Santana conseguia ser tão fofa com esse lance de falar a verdade, estava até engraçado ela tão sem jeito naquela situação a situação.

– Tudo bem Santana... Eu te empresto um casaco...

– Ok... Obrigada... (parecia mais aliviada)

Vendo que Santana não saía do lugar e ainda precisava colocar sua roupa, Britt olhou para a latina que tinha o olhar fixo em seu corpo.

– Eu te empresto Santana... mas posso primeiro me vestir? (perguntou com um sorriso) ...levo o casaco para você no seu quarto...

– Cla...Claro Britt... (Saiu de seu transe e se sua pele não favorecesse já estaria completamente vermelha de vergonha) ...Eu te espero, lá no quarto... (disse já saindo)

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– San... Acorda...

Brittany tinha entrado no quarto de Santana e a balançava delicadamente no intuito de acorda-la para realização das tarefas matinais da fazenda.

– Humm... Britt... (resmungava sonolenta) ...Ainda está de noite...

– Já é de manhã...

– Tá tudo escuro... para mim ainda é de noite... (Santana abriu um dos olhos para espiar a janela e ver que o sol ainda não tinha nascido)

– São cinco e meia da manhã... já é dia sim e precisa se levantar para fazer as tarefas...

– Vamos fazê-las mais tarde! (colocava o cobertor tampando sua cabeça)

– Mais tarde não... As tarefas são realizadas cedo.... (Brittany tentava ser paciente, mas Santana não estava facilitando)

Brittany queria ser o mais delicada possível para acordar a latina, mas Santana estava dificultando

– San... San... (chamava, mas Santana já estava dormindo novamente)

Santana nunca foi fã da manhã e fazê-la acordar cedo era a coisa mais difícil. Quando trabalhava na Bad Style, praticamente todos os dias chegava depois das dez da manhã. Britt foi vencida pelo cansaço, sabia que o seu método para fazer a morena levantar não estava surtindo efeito, pensou em uma coisa que poderia ser muito divertida e com certeza Santana ficaria furiosa, o que seria mais engraçado ainda. Saiu do quarto e voltou com um balde de água fria em mãos. Se posicionou ao lado da cama segurando o balde, já com um sorriso brincalhão nos lábios. Derramou todo o conteúdo em cima de Santana que gritou com o contato da água fria.

– Briiiiiiiitttttttttt! (Santana levantou rapidamente toda encharcada)

Brittany não conseguia conter os risos. Santana tinha a cara emburrada e tremia o corpo inteiro.

– Como pode fazer isso Brittany?! (Santana a olhava enfurecida)

A loira não conseguia se pronunciar, ver Santana daquele jeito só fazia Brittany rir ainda mais, quanto mais Santana reclamava emburrada, mais Brittany ria causando nervos na morena.

– Brittany... para de rir... isso não teve graça... essa água está gelada! (Continuava brava) não vê que eu posso ficar resfriada/

– Desculpe San... (conteve um pouco os risos) ...é que você não acordava...

– Não precisava ter feito isso...

– Precisava sim... (Brittany disse se aproximando para tomar os lábios de Santana)

A raiva que Santana tinha, rapidamente foi dissipada, com Brittany a beijando daquele jeito, não tinha como continuar zangada.

– Desculpa... (Britt dizia entre o beijo)

– Tá totalmente desculpada... (a morena respondia embriagada pelo gosto dos lábios da dançarina)

– Mas foi engraçado... (dizia salpicando selinhos na boca de Santana)

– Não foi...

– Foi sim... (Sugava o lábio inferior da latina)

– Tá bom... (disse já completamente vencida) foi engraçado... mas não faz mais isso...

– Tudo bem... (deu um selinho nos lábios de Santana e se desconectou completamente dela) ...Agora troca de roupa... vou te esperar lá embaixo...

– Vai ter que me emprestar outro casaco... to morrendo de frio...

– Tá... vou te buscar outro...

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Santana trocou de roupa e desceu para encontrar Brittany na copa com a mesa cercada de coisas gostosas. Bolos, queijo, pães, biscoitos, suco natural, tudo feito na fazenda. Santana adorou aquela recepção e comeu um pouco de tudo, quem tinha feito foi Dona Constance, esposa do caseiro e a que cuida das tarefas domesticas da casa grande. Ela tinha ficado muito feliz com a visita de Brittany, tinha ficado sabendo ontem, vendo as luzes da casa principal acesa, a casa grande da fazenda quase não era frequentada, uma vez ou outra a família de Brittany vinha ao local em alguns feriados. Todos gostavam muito deles, afinal a compra daquela fazenda permitiu que a família de Constance continuasse a ter uma casa, um lar e trabalho, além de permitir que todos do vilarejo tivessem como se sustentar através das plantações. Não poderia estar mais agradecida. E sempre que Brittany pudesse dar um pulinho na fazenda, a trataria como uma rainha.

Brittany apresentou Santana a Constance e toda a família do caseiro. Sr Herman, tinha uns cinquenta e poucos anos, mas aparentava menos, cuidava dos assuntos da fazenda desde que era um adolescente e começou a trabalhar com o senhor Steve, antigo dono, tinham três filhos, dois rapazes e uma moça, dois viviam com eles e um, o rapaz de dezoito anos, mais novo dos três tinha ido para capital estudar. Brittany pediu para Herman acompanhar Santana para ensina-la o que deveria fazer.

– O que Britt? Não vai comigo? (Santana perguntava com medo do que lhe esperava)

– Não San... Vou ficar aqui com a dona Constance verificando o que vai ser necessário para preparar a festa, mais tarde te encontro para que posso me ajudar também...

Santana não sabia no que tinha se metido, foi seguindo Herman descendo por um caminho que dava a um celeiro, o lugar por onde passava tinha muita lama. Santana balançava a cabeça em desgosto por estar estragando seu par de botas importados.

– Oh não... minhas botas... tão caras!

– Nós gastamos mais botas do que roupa aqui Srta... (o caseiro dizia com um sotaque extremamente caipira para Santana)

– Só que essas maravilhas aqui valem uma fortuna... (Santana apontava para a bota) cinco mil...

– Srta... (o homem parecia impressionado) com esse dinheiro... eu comprava bota pra minha família inteira durante um ano e ainda sobrava pra comprar umas cinco cabras boas...

Finalmente chegaram no celeiro, senhor Herman tinha um balde em mãos e o entregou para Santana que não enterndeu muito bem, mas aceitou o objeto, quando o caseiro abriu a porta Santana tomou um susto com o tamanho do animal que estava a frente deles.

– Que monstro é esse?

– Essa aí e a Duquesa... nossa vaca leiteira... (falava mastigando um pedaço de palito) ...senta naquele banco ali... Cê vai tirar leite dela...

Santana engoliu seco e olhou com olhos arregalados para o homem.

– O que? Nem a pau... eu não vou tocar nesse bicho... faz você que tem prática...

– Srta Brittany disse que eu não podia fazer, hoje só você iria fazer as coisas... só pediu para eu te ensinar...

– Olha aqui... Britt não tá muito boa hoje... já me acordou com um balde de água fria e agora quer que eu tire leite disso ali? (falava apontando para a vaca) Desculpe Sr, mas o único leite que eu tiro é o da caixinha que a gente compra no supermercado e mesmo desse eu já não sou muito fã... Que tal o Sr fazer... e fica como um segredinho nosso... (Santana levantava uma sobrancelha sugerindo ao caseiro aquela proposta)

– Foi o que Srta Brittany me pediu, que a senhorita fizesse... e um pedido dela é uma “orde” pra mim... (Disse firme) ...Ela me falou que se “ocê” não quisesse fazer... era para contar para ela...

– Não... não precisa... eu...faço... (Dizia com o semblante triste olhando para grande vaca preta)

Santana não podia achar aquilo mais nojento, fazia como tinha sido orientada pelo caseiro, espremia com uma cara nada boa aquela pele mole e esquisita que eram as tetas da Duquesa, sentia que ia desmaiar a qualquer momento, quando achou que tinha terminado, pois o balde estava cheio, Herman lhe entregou outro para que pudesse continuar. O caseiro divertia-se com as feições que Santana fazia. Santana achava que aquilo era pior coisa que teria que fazer na vida, isso até o caseiro informar que teriam que tirar os porcos do chiqueiro para que pudessem dar uma pequena limpeza. Santana nunca sentiu um cheiro tão ruim na vida, tantas vezes teve que se afastar sentar numa grama um pouco longe para respirar, mas sempre que fazia isso, em menos de um minuto, Herman já a estava chamando dizendo que estava fazendo corpo mole. Santana tinha que voltar com o rabinho entre as pernas e continuar a limpeza, afinal, o que não fazia por Brittany? O pior momento foi quando um porquinho que tinha esquecido de tirar do chiqueiro apareceu do nada correndo por entre as pernas de Santana, a latina escorregou caindo na lama, se pudesse escolher um dia para ter nojo de si mesma, aquele seria o escolhido.

Santana queria subir para casa grande e se limpar, não estava aguentando o cheiro, mas o caseiro insistiu que isso acontecia o tempo todo e não era necessário fazer aquilo agora, pois ia se sujar mais com a próxima tarefa. Santana bateu o pé que não ia ficar infestada de lama. A solução que Sr Herman pensou para o sofrimento de Santana foi buscar uma mangueira e ali mesmo perto do chiqueiro molhar totalmente Santana que tinha sido pega de Surpresa, os jatos da mangueira eram muito fortes, a latina não conseguia nem gritar para o caseiro parar, a lama ia escorrendo pelo chão e quando Herman viu que a maior parte da sujeira tinha saído, desligou a água.

– O Sr não viu que eu gritei para parar? (Santana estava nitidamente nervosa)

– Ouvi não “sô”... num disse que queria tirar o “chero”? (o caseiro coçava a cabeça confuso)

– Mas não assim! Queria ir lá na casa tirar!

– Mas Srta... foram “orde” da Srta Brittany que não era para “ocê” subir até terminar tudo...

Santana percebeu que discutir era em vão. Além de estar encharcada e o cheiro ainda estava longe de ter desaparecido. Ainda estava fedida e agora também molhada.

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Depois de terminar com os porcos, Santana teve que dar uma passadinha nas cabras e no galinheiro antes de voltar a casa grande, a coisa que mais queria na vida era poder tomar banho por três dias seguidos. Vendo o estado de Santana, Brittany só podia rir, não conseguia parar. Se pudesse Santana explodiria todo aquele lugar, já iria dirigir-se para o banheiro quando Brittany a impediu.

– Ei mocinha aonde vai?

– Britt... aonde pensa que eu vou? Tomar banho por umas quatro horas...

– San... preciso que vá até o vilarejo e ajude a montar as barraquinhas... eu vou ajudar Constance a preparar a comida e depois encontro com você...

– Você nem sabe cozinhar Britt... (Santana dizia cruzando os braços)

– Mas cortar as coisas eu sei... além disso eu estou aprendendo rápido... lembra do omelete que eu te fiz?

Santana sentiu seu estomago revirar quando lembrou do tal omelete.

– Aaah... claro, acho que até hoje sinto aquele gosto maravilhoso na minha boca... (Santana tentou não fazer careta lembrando)

– Pois então...

– Britt pelo menos deixa eu tomar banho, não aguento o meu cheiro...

– Estamos numa fazenda San... o cheiro é assim mesmo... e o pessoal já veio aqui para avisar que precisam de gente...

– A festa é só amanhã...

– Mas amanhã cedo... a festa começa a partir das nove da manhã e vai até as três da tarde...

– Eu to tão cansada B... (Santana dizia com uma carinha sofrida) não sabe o que eu tive que fazer hoje...

– Sei sim... foi eu que pedi ao Sr Herman para te ensinar... (Brittany exibia um sorriso travesso) eu fazia tudo que você fez me divertindo muito quando tinha oito anos...

– Mas Britt...

– Prometo que se for... te faço uma surpresa hoje a noite... (a loira sugeriu com um grande sorriso)

– Tá bom...

Santana concordou rapidamente quando Brittany falou da surpresa, passavam mil coisas na cabeça da latina.