Notas iniciais
Boa tarde...

– Quinn? (Uma voz soou pelo grande teatro. Vagarosamente a loira virou-se para ver a dona do som. Ela sabia muito bem de quem se tratava)

– Rachel...

– Não sabe como me surpreende ver você aqui... (a pequena morena mostrava um sorriso enorme e se aproximava de Quinn)

Ver Rachel se aproximando depois de tanto tempo e com aquele sorriso que a fez feliz em tantos momentos, aquecia seu coração, mas trazia também lembranças ruins e essas rondavam sua mente.

– Estou surpreendida comigo mesmo por estar aqui. (Disse virando-se para sair)

– Quinn espere! (disse fazendo Quinn voltar a encará-la) Vamos conversar... não nos vemos a tanto tempo... (dava um sorriso fraco)

– Não temos nada para conversar, tudo que tínhamos a dizer uma para outra já foi dito... (dizia com tom de desprezo na voz)

– Está tão linda Quinn... (falava com mansidão na voz) quero dizer, você sempre foi... o tempo só te fez bem...

– Como descobriu que eu estava aqui? (sua tonalidade de voz ainda permanecia a mesma, fria e sem expressão)

– Pode se esconder Quinn, se disfarçar (tocou de leve o capuz de Quinn que desviou o rosto fazendo a mão de Rachel se afastar) mas sinto sua presença a quilômetros de distância...

– Aaah... (deu um sorriso irônico) você sente a minha presença? Mas não sentiu a minha dor!(Quinn olhava nos olhos escuros de Rachel com raiva)

– Eu sofri tanto quanto você Quinn e mesmo depois de tanto tempo... meus sentimentos por você não se alteraram...

– Não precisa mais continuar com sua atuação Rachel, a peça já acabou, pode mostrar como você é de verdade, a pessoa egoísta e egocêntrica que sempre foi... a única pessoa com quem você se importou, sempre foi você, e eu percebi isso tarde demais...(Fazia uma pausa para respirar fundo) Mas quer saber? Você hoje para mim Rachel, faz parte do passado, eu superei, não representa mais nada para mim.

– Então porque está aqui? Por que não foi me felicitar depois da peça? Mostraria sua superioridade sobre tudo o que aconteceu...

– Meu Deus! (Quinn balançava a cabeça desacreditando) Mesmo depois de tudo, sua carreira sempre entra em todos os assuntos...

– Porque nunca me atendia? Não respondia aos meus e-mails? Tentei manter contato com você Quinn... (sua voz estava embargada)

– Talvez porque eu queria seguir em frente com a minha vida, vida que eu entreguei em... (parou um pouco para respirar fundo e controlar a raiva em sua voz) ...a vida que eu entreguei em suas mãos e você não pensou duas vezes antes de abandoná-la pela sua carreira...

– Me afastar de você foi a decisão mais difícil que eu tomei em minha vida... (disse enxugando uma lágrima que escorreu pelo seu rosto)

– Estranho... (Quinn não alterou sua expressão com a lágrima de Rachel) Você fez parecer tão fácil... (virou-se e dirigiu-se para a saída sem olhar para trás)

– Ainda Te amo Quinn! (disse vendo Quinn sair pela grande porta do teatro)

Quinn ouviu muito bem as palavras de Rachel, mas não podia responder ou debater aquela declaração, não poderia olhar para trás, seus olhos já estavam úmidos, as lágrimas teimavam em cair, limpava o rosto a cada segundo andava o mais rápido que conseguia. Rachel não a veria naquele estado, mostrar-se fraca era a última coisa que precisava. Seu orgulho era mais importante que seus sentimentos.

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Santana resolveu levantar bem cedo no domingo para preparar o café, não era boa no quesito cozinhar, mas pelo menos sabia fazer um omelete básico. Não queria correr o risco de Brittany fazer uma surpresinha como a de ontem. Santana jurava que o gosto daqueles ovos queimados ainda estava em sua boca.

Brittany foi para a cozinha com uma carinha marcada pelo travesseiro, sentiu um cheiro bom no ar e resolveu verificar de onde vinha. Santana estava terminando de preparar o omelete e Brittany se aproximou abraçando-a por trás, depositando beijinhos em seu pescoço.

– Bom dia amor... (Brittany sussurrou no ouvido de Santana)

– Bom dia... (virou-se para beijar os lábios de Britt) Preparei o café hoje...

– Não precisava San... você gostou tanto do meu omelete ontem, que não me importaria de fazer ele para você todos os dias... (disse de forma carinhosa e Santana engoliu seco lembrando do gosto)

– Britt... você foi tão carinhosa preparando o café para mim ontem, que eu queria retribuir (deu um selinho na loira) quero retribuir todos os dias daqui para frente...

– Claro que não San... estou tão animada com a cozinha que quero tentar outras receitas...

Santana decidiu voltar sua atenção ao omelete, que já estava pronto, queria evitar esse tipo de assunto com Britt, pois tinha a esperança da dançarina esquecer essa história. Se um simples omelete Brittany conseguia deixar horrível imagina o que faria com algo mais complicado? Só precisava fazer Britt esquecer aquilo, contar a verdade poderia magoa-la, quanto mais a conhecia, quanto mais estava com ela, mais queria protegê-la. Pensava no que ia fazer quando a revista fosse publicada, não queria lembrar disto. Não naquela hora, não quando estava passando momentos tão bons com a loira. Perto dela, cuidar de um bebê barulhento não parecia o fim do mundo!

Brittany se sentou na mesa e Santana a serviu e serviu-se do mesmo. Britt provava e parecia gostar do que comia, Santana não era o Az da cozinha, mas seu omelete era decente.

– Muito bom San... O da Tina é melhor, mas o seu também é bom... (Britt sempre era muito sincera)

– Está desfazendo do meu omelete Srta Pierce? (Fazia cara de ofendida)

– Nunca San... (aproximou-se de Santana, deu um beijo rápido e continuou a apreciar seu café da manhã)

Comiam tranquila, mas depois de alguns minutos Gabriela começou a chorar no quarto. Brittany ia levantar-se para ir atrás da menina, mas Santana a interrompeu e pediu que a continuasse a comer que ela iria ver a garota. Brittany ficou surpresa, mas abriu um enorme sorriso e um brilho intenso tomou conta de seus olhos. Santana chegou ao quarto e quando Gabi a viu cessou o choro a chamava com as mãozinhas. Santana deixou um sorriso tomar conta de seu rosto e se aproximou dela para carregá-la, percebendo que a menina estava molhada, a recolocou na cama deitada e seus olhos iam de Gabriela para a mochila rosa e vice versa.

– Você consegue Santana... (dizia a si mesma e passava as mãos pelo rosto com se isso lhe desse coragem) Vamos lá... me deseje sorte Gabi... (olhava para a criança que estava distraída olhando alguma coisa no quarto)

Santana abaixou-se para pegar a mochila e retirar uma frauda dela. Sentou-se na cama e começou a fazer como tinha visto Brittany fazer. Despregou devagar e com cuidado a frauda que Gabi estava, respirava a cada passo que avançava. Quando a frauda soltou-se, ergueu a criança um pouco para retira-la.

– O paninho molhado... tenho que passar o paninho molhado (abaixou-se novamente para pegar os lenços umidecidos)

Santana passava o lenço em Gabi que mexia as perninhas sem parar. Ficou mais difícil quando tentava colocar a frauda. Gabriela não parava quieta.

– Gabi... se não parar de mexer, não vou conseguir fechar isso...

Meio desajeitada Santana fechou a frauda e sorriu satisfeita quando levantou Gabi e a peça não caiu, colocou uma calcinha de bichinhos no bebê e um vestido roxo que encontrou na mochila. Também teve dificuldades em vestir a roupa, mas nada que se compare a troca de fraudas. Colocou a frauda suja em uma sacola e pegou Gabriela no colo para levá-la para onde estava com Britt.

Ao olhar para porta do quarto Brittany estava lá, parada com um sorriso orgulhoso estampado no rosto. Tinha assistido todo o esforço de Santana e não podia estar mais feliz com a interação da namorada e sua priminha.

– Tava aí o tempo todo?(Santana pergunta arqueando uma sobrancelha, Brittany balançava a cabeça confirmando) Que má... eu estava num sufoco ali... podia ter me ajudado...

– Ajudar em quê? Não estava precisando de ajuda, você estava fazendo um trabalho excelente...

Brittany beijou os lábios de Santana e levaram Gabi para dar a mamadeira. Com Gabriela alimentada sentara-se no sofá para assistir TV e Brittany logo deixou no canal de desenhos para um olhar entediado de Santana. Brittany parecia mais distraída com o desenho que Gabriela que contorcia-se no colo da loira querendo descer para o chão. A loira finalmente cedeu aos desejos da criança e a colocou com cuidado sobre o tapete da sala. Gabi abriu um enorme sorriso e começou a se arrastar, segundos depois já estava se apoiando na mesinha de centro para colocar-se de pé. Santana vendo aquilo cutucou Brittany para que visse a menina dando passinhos vacilantes ao redor da sala.

– Britt! Olha aquilo... o monstrinho anda... (Santana tinha um sorriso bobo de admiração nos lábios)

Brittany olhava para o rosto feliz de Santana. Ela era tão linda quando sorria. Quanto mais a olhava mais tinha certeza de que era a mulher da sua vida, com quem queria passar todos os seus dias

– Percebeu que sua priminha conquistou você San? (dizia para a morena que virou-se para encarar Britt)

– Nada a ver Britt! (continuava na negativa)

– Não negue San... é só olhar para sua cara de boba... (disse dando um beijo nos lábios de Santana)

Santana voltou a olhar Gabi que continuava andando e por vezes parava para dar um sorriso para elas com aqueles dentinhos pequenos.

– Talvez Britt... (confessou) ...talvez eu esteja começando a gostar...

Até parecia mentira. Toda vez que Santana demonstrava estar começando a gostar da menina ou de estar cuidando dela, a garota aprontava uma. Gabi andou até uma das mesas da sala, começando a tatear em cima dela e com um empurrãozinho derrubou um vaso chinês de Santana, caríssimo. Brittany se assustou com o barulho, Santana olhava com olhos arregalados de raiva e Gabi se divertia batendo palminhas, feliz com seu feito.

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Quinn olhava pela varanda do hotel a paisagem daquela manhã em Ohio. Sua mala já estava sobre a cama e estaria voltando para NY em pouco tempo. Voltou para o quarto e pegou a mala para descer e fazer o check-out. Terminando os procedimentos passava pelo grande hall quando percebeu a presença de uma pequena morena sentada em uma das poltronas do lugar. Ao vê-la a morena levantou-se e foi ao seu encontro.

– O que está fazendo aqui? (Quinn perguntava com a voz alterada)

– Quero conversar com você...

– Não temos nada para conversar (disse com firmeza) Como sabia que eu estava aqui?

– Te procurei na sua casa. Seus pais nem sabiam que tinha vindo para cá. Deduzi que se não tivesse viajado ontem mesmo, estaria no melhor hotel da cidade, estou esperando aqui a uma hora, sabia que em algum momento sairia e poderia te encontrar. Veio para Ohio só para me ver Quinn? (olhava para os olhos esverdeados aguardando a resposta)

Quinn não acreditava que Rachel teve a ousadia de procurá-la em sua casa. Agora seus pais estavam sabendo que veio a Ohio e nem sequer os visitou.

– Você acha mesmo que tudo gira em torno de você não é? Não vim aqui por você. Vim a trabalho e por coincidência você estava se apresentado no teatro. Eu devia ter ido embora quando cheguei a ele e vi que era sua Companhia que iria se apresentar, mas meu trabalho exige que eu me mantenha atualizada sobre tudo, teatro, cinema, música, já estava lá então me permitir ver o show...

– Não minta para mim...

– Não vou ficar ouvindo suas besteiras... (Quinn andou rapidamente para a porta de saída sendo seguida por Rachel)

– Quinn o que eu posso fazer para te provar que meu amor não morreu? (Rachel dizia dando passos rápidos atrás de Quinn)

Aquelas palavras atingiam em cheio Quinn. Como depois de tanto tempo aquela chama ainda podia existir? Teimando em perturba-la toda vez que Rachel abria a boca para dizer algo? Mas seu ódio era mais forte, a controlava. Parou e encarou os olhos da morena outra vez.

– Se afaste de mim Rachel... (disse pausadamente) ...é a única coisa que eu quero que faça...

– Você veio até mim... por mais que tente negar, sei que não veio a Ohio a trabalho, vejo nos teus olhos. (encarava a loira séria) e agora Quinn... eu não vou me afastar de você. Meu pior erro foi ter feito isso uma vez... não vou cometê-lo de novo.

Quinn não disse nada, deixou Rachel esperando por suas palavras e deu as costas para a morena novamente pegando um taxi que estava na porta do hotel. Dentro dele Quinn arrependia-se de ter vindo ver Rachel, por não ter conseguido controlar a vontade de ver a garota mais uma vez. Talvez para ter certeza se ainda existia algum sentimento guardado. E tinha confirmado. Ainda amava Rachel Berry.