Notas iniciais
Boa tarde!

A noite de domingo a toda e o que menos Santana queria era ficar em casa, tomou banho, vestiu um jeans colado, camiseta e jaqueta por cima e um salto. Se olhava no espelho por vários minutos, fazendo diversas poses, piscando e mandando beijos para o espelho. Depois de mais um tempinho se olhando e se admirando, Santana pegou sua bolsa e saiu do quarto.

Brittany estava na sala no sofá, notebook no colo vendo alguns vídeos sobre um ritmo de dança chamado Breaking. Brittany sentiu o cheiro amadeirado do perfume de Santana e se virou para vê-la passar pela sala logo reparando como estava vestida. Brittany arregalou os olhos, colocou o notebook no sofá e se levantou para se aproximar de Santana que tinha ido a cozinha para beber água antes de sair.

– Vai sair San? (Britt perguntava timidamente)

Santana deu um gole na água olhando para Brittany de canto de olho.

– Vou... (disse sem titubear)

– Onde?

– O que foi? Virou minha mãe agora?

– Não... (Brittany dizia sem jeito) ...eu não sou sua mãe San... sou sua namorada...

– Grande coisa... (debochava) Olha, não que isso seja da sua conta, mas eu estou indo para uma boate maravilhosa...a minha preferida...

– Posso ir com você? (a loira esboçava um pequeno sorriso) A gente podia dançar juntas...

– Sabe o que é Brittany? Não sei se vai ser bom você ir... pretendo dançar com outras garotas, beijar bastante e ter muito sexo com elas... já que minha “namorada” (fez aspas no ar) se recusa a me satisfazer... Mas quer saber? Melhor assim tenho mais variedade, não me leve a mal você é uma gracinha, mas tem muita mulher lá fora e esse corpo aqui... (olhava para si) merece ser compartilhado... (pegava sua bolsa e se dirigia para a saída)

Brittany estava sem palavras, seus olhos estavam vermelhos novamente e as lágrimas à borda. Santana girava a maçaneta, quando Britt reuniu forças para falar.

– San... não vai..

– Eu volto... não sei se hoje, mas eu volto... (a olhava com um sorrisinho)

– Você vai me trair San? (As lágrimas percorriam o rosto claro)

Santana sentia seu coração cortar, e essa sensação não a estava a agradando. Por que era tão ruim ver essa garota chorando? Respirou fundo e se dirigiu a Brittany antes de sair.

– Leve pelo lado positivo... eu estou sendo sincera... e eu não costumo ser... podemos contar como um avanço não é? (Sem esperar a resposta, Santana saiu pela porta, a batendo com força)

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Quinn tocou a campainha do apartamento de Santana, acompanhou Rachel em seus ensaios no período da tarde e reservou a noite para verificar se estava tudo indo bem. Pensou que talvez Santana, Brittany, Rachel e ela poderiam jantar no Del Posto, repetindo a saída daquele dia em que o quarteto se reuniu no jantar. Aquele dia não tinha sido tão legal como imaginava, mas agora era para forçar a memória de Santana então toda tentativa era válida, mesmo que significasse outro jantar de confusões.

Como ninguém atendeu, Quinn rodou a maçaneta e viu que a porta estava aberta. Qualquer dia alguém desconhecido iria entrar ali, não era a primeira vez que esqueciam a porta daquele jeito. Entrou e as sala e cozinha estavam vazias, pensou que se Brittany e Santana estivessem no quarto, poderiam estar compartilhando momentos íntimos. Colocou o ouvido na porta do quarto para ver se ouvia algum barulho que ligasse ao sexo, caso fosse positivo retornaria depois, mas ao contrário disso, ouviu o que parecia ser um choro. Bateu na porta e sem resposta, entrou devagar, encontrando Brittany deitada na cama abraçada a um grande gato azul.

– Brittany o que aconteceu? (se aproximou se sentando na beirada da cama) Cadê a Santana?

– Ela saiu... (choramingava)

– Me responde por que esta chorando e para onde a Santana foi?

Brittany se sentou encostando as costas na cabeceira da cama, mas não soltava o grande animal azul, o abraçando com mais força.

– San disse coisas tão ruins... se arrumou dizendo que ia para sua boate preferida... (respirou mais forte antes de continuar) queria ir com ela... mas ela disse que iria dançar com outras garotas e...

– E o que Brittany?

– Iria ter muito sexo com elas... (voltou a chorar) Santana vai me trair, fazer amor com outras meninas... dói tanto Quinn...

Quinn só podia sentir raiva da estupidez e do modo cafajeste que Santana estava agindo. Abraçou Brittany passando a mãos em suas costas a confortando.

– Por que não a impediu? Ou me ligou?

– O que eu poderia fazer? Segurá-la? Amarrá-la? E eu nem lembrei de te ligar, sou uma tonta mesmo...

Quinn se soltou do abraço e olhava séria para Brittany.

– Brittany se tem uma pessoa culpada por tudo isso, essa pessoa sou eu, e não posso permitir que Santana faça burrada, mas você precisa me manter informada... (Secou uma lágrima do lado direito do rosto de Britt com o polegar) Eu vou sair atrás da Santana, sei muito bem qual é a boate favorita dela... (já se levantava) Tem quanto tempo que ela saiu daqui?

– Acho que uns quinze minutos... Vai trazê-la de volta Quinn? (Brittany parecia mais aliviada)

– Sim, nem que seja arrastada... Ela não vai fazer coisa errada.... eu não vou deixar...

Dito isso, Quinn saiu depressa do apartamento de Santana e já pegando o elevador para o estacionamento do prédio.

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Santana chegou a boate e foi direto pegar uma bebida. O barman conhecia Santana muito bem, mas já a um bom tempo não via a garota por ali. Assim que se avistaram, Santana já pediu que ele lhe preparasse um drink.

– E ai Lui? Me prepara uma Margarita...

– Oooooou se não é Santana Lopez... quanto tempo garota, não vem aqui a um tempão.... (Já tratava de preparava o drink)

– Pois é...

– Mas também, agora que é uma empresária famosa e namora uma estrela, diga-se de passagem Brittany S. Pierce é maravilhosa... Por isso sumiu... Onde ela está?

Santana pigarreou, essa coisa de fama, as vezes atrapalha, todo mundo a pergunta sobre Brittany e ela não tem muito o que dizer, não lembra da garota.

– Aaaah a Brittany ficou em casa... não se sentia muito bem... dor de cabeça... (inventava algo para sair desse assunto)

– Sua namorada está passando mal e você vem para a boate? (Arqueava uma sobrancelha desconfiado)

Santana teve que pensar rápido.

– Sabe como é né... nos viríamos juntas, ai ela teve essa dor, disse que ficaria lá com ela, mas ela insistiu que eu tinha que vir, não podia ficar sem me divertir por culpa dela... insistiu tanto que estou aqui... (sorria recebendo o drink que acabava de ser feito)

– Ela insistiu que viesse sozinha, para uma boate... ( Lui olhava para os lados) Cheias de mulheres? (o barman desconfiava)

– Para você ver o grau de confiança que temos uma com a outra... Isso que é amor... (colocava a mão no coração)

– Que bom... se fosse comigo... sei lá... acho que não estou nesse mesmo grau de confiança...

– Você trabalha em uma boate... do que está falando?

– Minha namorada só não pira... porque é uma boate gay e ela sabe que não corre riscos porque eu sou muito hétero... (sorria)

– Será?

– Oooooou tá duvidando de mim? Qual é Santana? Não que eu ache errado ou nada disso, mas eu sou hetero... tenho amigos gays, mas sou hetero...

– Se você diz... (Santana respondia quando uma garota dançando ao fundo chamou sua atenção)

A garota parecia ter saído de alguns desses calendários, era loira, linda, corpo perfeito, totalmente o seu tipo, não evitou o sorriso.

– Tá rindo de que Santana? (Lui perguntava)

Santana saiu de seu transe e voltou a encarar o barman.

– Não nada... lembrei de uma coisa que aconteceu hoje de manhã... (mentia bebendo mais um pouco da bebida)

– Conta aí, quero rir também...

– Outra hora amigo... agora eu tenho que ir ali... banheiro... (Saiu levando sua bebida consigo)

Santana olhou para trás para ver se Lui olhava. Felizmente um casal parece ter deixado o rapaz ocupado preparando bebidas e então Santana decidiu colocar seu charme em ação para a loira que estava admirando. Conforme se aproximava, via mais nitidamente a garota e Santana tinha certeza que já tinha visto ela. Pequenos flashes voltaram a sua mente, sorrisos daquela loira, uma conversa bem próxima ao ouvido, mas não lembrava direito da conversa, só de algumas cenas. Já se achou convencida sobre ganhar a garota, se realmente a conhecia isso seria um ponto a favor, pelo menos era o que achava.

A menina estava dançando, mas a música havia terminado, ela conversava com algumas pessoas. Santana não se intimidou, chegou bem próximo da loira e sem que a menina percebesse sua aproximação e a cumprimentou ao pé do ouvido.

– Oi... (disse com voz rouca fazendo a garota se virar)

As pessoas que estavam conversando com ela, saíram em meio a risinhos e cochichos, possivelmente sobre ser Santana Lopez cumprimentando a amiga deles a deixando a sós com a latina. Antes sequer que a loira respondesse seu cumprimento Santana resolveu continuar falando.

– Olha... juro que não estou querendo te dar uma cantada barata... mas eu sei que eu te conheço de algum lugar... (mostrava um sorrisinho malandro)

A garota olhava para Santana e não conseguia acreditar que estava ali conversando de novo com aquela garota. Balançava a cabeça sorrindo.

– Realmente nós nos conhecemos Santana... não tem como te esquecer...

– Aaaaaah e mesmo? (Já estava se achando)

– Não tem como esquecer o fora cruel que você me deu a uns tempos atrás...

– Fora? Eu te dei um fora? (Olhava a loira de cima a baixo) Como? Você é perfeita!

– Também achava até ouvir suas palavras... Piranha, fácil e até me mandou procurar amor próprio em alguma bebida... dói até hoje quando lembro... (A loira recordava) bem agora eu sei por que não é? Santana Lopez namora Brittany S. Pierce a grande dançarina famosa... Competição injusta...

Santana não conseguia acreditar que tinha dispensado aquela mulher e muito menos daquela forma. Outra coisa que a deixava louca era o fato de todo mundo saber sobre sua vida e seu namoro. “Puta que pariu! Será que o mundo inteiro sabe que eu namoro aquela menina?”. Santana se sentia frustrada.

– Olha eu não lembro de ter dito isso, e se eu disse, não leva a sério tá? Você é incrível e maravilhosa... (Santana não lembrava o nome)

– Anabelle... meu nome é Anabelle, Santana, nem meu nome, nem o fora você lembra, mas eu não esqueci...

– Por que não resolvemos isso... (ficava mais perto de Anabelle falando ao seu ouvido, devido ao som alto e também para uma maior aproximação) Prometo que não vou te dispensar... pelo contrário... posso te levar ao banheiro e te fazer gritar meu nome... (dizia com voz sensual)

– Bom você disse que era uma “exper” em cantada, e não posso negar que está mais gostosa do que nunca, mas não tá funcionando tá bom? Da outra vez você mostrou uma lealdade pela sua namorada que no final das contas até achei digno, mesmo sendo humilhada como fui... mas agora, todos conhecem sua namorada, que é uma grande profissional e tem jeito de ser uma pessoa incrível e você está aqui... cantando outra garota... propondo sexo... perdi todo o tesão em você...

– Está se vingando por que eu te dei o fora da outra vez não é? Cara...eu nem me lembro...

– Tanto faz... porque agora eu estou te dispensando... e não é por vingança! Bom... talvez um pouquinho... mas porque você já não parece ser uma pessoa legal Santana...

– Você está numa boate... para beijar e talvez outras coisas... as pessoas não ficam analisando as outras para se envolver... Tipo, nossa aquela morena ali parece ter um coração amoroso, vou beijar ela... ou então... Olha, aquela loirinha ali, tenho certeza que ela tem um bom caráter... Deixa de hipocrisia... Vai dispensar isso aqui? (apontava para seu corpo)

– Hipocrisia ou não... hoje os papéis estão invertidos e quer saber Santana? Não estou afim de você, nem beijar, nem dançar nem nada... acho que as bebidas realmente trazem algo para gente (olhou para o copo de Santana quase vazio) Para mim, trouxe amor próprio... por que não vai pegar mais um pouco de bebida para você? Talvez ache um pouco de humildade... (sorriu e saiu de perto da latina deixando ela sem palavras, parada no mesmo lugar)

“Mas que merda é essa que está acontecendo?” Santana resmungava consigo mesmo. “Duas rejeições em dois dias... isso é um pesadelo!” A boate não estava tão cheia, começou a olhar em volta e tinha pessoas a olhando e cochichando. A fama que fazia aproximar as pessoas nas ruas não funcionava nas boates, pelo contrário, parecia afastar mais. Sentiu uma mão em seu ombro, um toque forte e delicado ao mesmo tempo. Sorriu para si mesmo. Pensava que a loira tinha voltado, se arrependido e estava louca para cair em seus braços.

– Ooou sabia que não estava falando sério porq... aaaah! (Se assustou quando viu que a dona do toque) Quinn!