Impact Magazine
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Santana tinha concordado em ajudar na montagem das barraquinhas depois que Brittany prometeu uma surpresa á noite. Estava morta de vontade de passar a noite com Brittany, sentir seu corpo novamente, cada dia que passava aquela saudade a torturava, mas talvez hoje pudessem matar esse desejo e desfrutarem do amor que sentem uma pela outra.
O vilarejo era bem humilde mesmo, as pessoas eram nitidamente muito pobres e poder ajudar de algum modo já começava a aquecer o coração de Santana, nunca havia feito nada a não ser para si mesma e a sensação de ajudar os outros não era tão ruim, pelo contrário.
Tinha bastante gente ajudando e logo logo terminariam de montá-las, Santana sentia-se cansada e pior, seu cheiro estava difícil de suportar até por ela mesma. Se bem que as pessoas que estavam ali a ajudando também viviam do trabalho na fazenda e não tinham um cheiro muito melhor.
Estava terminando de pregar umas tábuas e percebeu que estava sendo observada, olhou rápido para o lado e uma moça, que parecia ser daquele vilarejo mesmo a olhava a um tempinho. Aparentava ter uns dezessete anos, morena, longos e bonito cabelos castanhos, não desgrudava os olhos de Santana. Logo a latina pensou que poderia ser mais uma que Brittany tinha arrumado para a vigiar. Querendo fazer bonito para não que Brittany não tivesse reclamações do seu trabalho, tentou pregar as tábuas com mais agilidade, mas acabou perdendo o jeito com o martelo e acabou acertando um dos dedos.
– Aaaaaaaaaaaaai! (balançava o dedo mindinho)
A menina que a observava foi logo correndo ajudá-la.
– Machucou?
– Sim... (mostrava o dedo mindinho da mão direita)
– Espera um pouquinho... (A garota saiu correndo voltando rápido com uma pequena maleta)
– Não precisa... (Santana disse vendo a menina segurar sua mão para limpar o sangue com álcool) Aaaaaai... (a latina choramingava)
– Vocês da cidade são muito frouxos... (a garota sorria)
– O quê? (parecia indignada) lógico que não... eu sou muito... muito... Aaaaaaai! (gritou novamente quando a garota passava o álcool mais uma vez)
– Frouxa! (reafirmava) todo mundo por aqui machuca, até pior que um dedinho... mas não chora que nem criança...
– Eu não to chorando... (limpou rapidamente uma lágrima que corria antes que a garota percebesse) Só que doeu demais...
A garota colocava uma pequena faixa no dedo de Santana, mas sorria para latina e a olhava de forma diferente.
– O que foi? (Santana perguntava percebendo o olhar da garota) Desculpe... é meu cheiro né? Eu tive uns trabalhinhos meio sujos na fazenda hoje e não me deixaram tomar banho e... (ia continuar mais foi cortada)
– Não... não é nada disso... (sorria com a conversa de Santana) é que você é muito linda... mesmo sendo tão fresca...
– Ah... (Santana ficou sem jeito) ...obrigada... eu acho.
A garota terminou de colocar a faixa e sorriu para Santana, que devolveu com um sorriso fraco.
– Seu nome é Santana não é? Escutei falarem seu nome quando te entregaram essas tábuas... (disse apontando para o trabalho recém feito) ... o meu é July... meu pais colocaram esse porque eu nasci em julho... (apontou para um casal que estava ao longe arrumando umas bandeirinhas)
– legal... Obrigada pelo curativo... (agradeceu a garota que apenas respondeu com um sorriso tímido)
– Vai ficar para a festa de amanhã?
– É... parece que vou... Vou ter que ajudar nessa festa... não sei bem no que, mas vão me dar alguma coisa para fazer... (dizia já imaginando que não a deixariam a toa)
– Então com certeza eu vou vir amanhã... (disse saindo de perto da latina a deixando com a impressão de que tinha acabado de ser paquerada)
Santana sentou em um canto para descansar, fechou os olhos que estavam pesados. Era mais ou menos uma hora da tarde e o sol estava bem forte, aquele era o único lugar de sombra naquele momento e o corpo da latina parecia não ter forças mais, tinha trabalhado pela vida inteira. Sua barriga estava roncando, não havia comido nada desde o café da manhã que foi incrivelmente cedo. Estava começando a pegar no sono quando começou a ouvir uma voz bem conhecida.
– San... O que está fazendo quietinha aí? (Britt perguntava já bem próxima)
– Descansando... (respondeu com os olhos fechados)
– Temos coisas ainda para terminar San... (disse sentando ao lado da latina)
– B... to cansada, com fome e machucada... ( abriu os olhos para encarar Britt e levantou o dedo enfaixado mostrando-a)
Britt olhou o dedo que Santana balançava e sorria para a garota.
– Isso?... Foi na sua mão direita e você é canhota... ainda pode fazer muita coisa...
– Bati o martelo nele... Dói muito... (tentava convencer Britt)
– Deixa eu ver...
Brittany pegou delicadamente a mão de Santana e retirava a faixa devagar de seu dedo para dar uma olhada. Não tinha sido nada feio apenas uma unha que quebrou pegando um pouquinho da carne, nada de mais. Britt sorriu olhando para Santana que fazia uma cara de sofrimento exagerada.
– Tá horrível não esta? (perguntava arqueando uma sobrancelha para Brittany)
Brittany voltou a enrolar novamente a pequena faixa enquanto Santana dava pequenos gemidos de dor. Britt sabia que era um exagero de Santana, mas não podia deixar de achar fofo tudo aquilo. Terminando de enrola-lo deu um beijinho no dedo de Santana.
– Isso vai fazer ele sarar mais rápido... Um beijo sempre ajuda (Brittany disse olhando carinhosamente Santana)
A latina sorriu com aquele pequeno gesto de Brittany.
– Britt... acho que mordi minha língua... ela tá tão dolorida... você podia...
– Santana... (tentava repreende-la mostrando-se brava, mas o riso já estava evidente nos lábios da loira)
– Tô brincando...
Santana deu um sorriso tão lindo que Brittany não conseguiu resistir, se aproximou e a beijou, atendeu a entrada da língua de Santana que já passava em seu lábio inferior, apreciavam muito aquele beijo.
– Curada? (Britt perguntava dando um breve espaço)
– Hum rum... (Santana respondia ainda embriagada pela respiração de Brittany tão próxima, cessou o espaço novamente para selar os lábios da dançarina)
Depois de algum tempo curtindo o prazer da companhia uma da outra Brittany e Santana ajudaram a terminar de montar as barraquinhas. Deram um breve intervalo para almoçarem e depois concluírem os trabalhos. Uma hora e meia hora depois parecia que tudo já estava praticamente pronto.
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Já fazia quase uma hora que Santana estava no banho, se a surpresa de Brittany fosse algumas das coisas que passavam em sua mente ela não queria nenhum resquício daquele cheiro que ela teve que suportar o dia inteiro em seu corpo. Estava feliz de que pelo menos conseguia ter um banho quente naquele lugar. Iria terminar aquele banho e descansar um pouco antes de se encontrar com Brittany, precisava recarregar suas energias talvez fosse precisar delas mais tarde. Tinha acordado tão cedo aquele dia e trabalhado como nunca. Mal se vestiu, desceu para dormir no sofá, já que sua cama estava molhada devido a travessura que Brittany aprontou com ela pela manhã para acorda-la, colocou seu relógio para despertar no horário que tinha combinado com Brittany e deixou o sono a levar.
Quando o celular despertou, Santana só podia achar que não tinha dormido nada, ainda estava morta de sono, mas não ia fazer Brittany esperar. Desceu e encontrou um bilhete em cima da mesa.
“Me encontre no celeiro”
Santana achou um pouco inusitado, mas apenas seguiu para o lugar, chegando nele, olhava o lugar e tinha feno em toda parte. Todo aquele feno poderia ser desconfortável, mas se Brittany queria ali quem sabe poderia ser divertido.
– San... (Brittany chamava e San se virou para ver a loira entrando no lugar...
– Britt, acho meio estranho ter escolhido aqui... mas tudo bem... (disse se aproximando de Britt e beijando-lhe os lábios, quando estava pronta para aprofundar o beijo Brittany o cortou segurando-lhe as mãos)
– Vem... (puxava a latina para fora)
– Não ia mostrar minha surpresa aqui?
– Não... só marquei aqui porque você não conhece toda a fazenda, mas eu quero te levar a outro lugar...
Santana estava muito curiosa, mas já estava descartando a possibilidade de uma noite com Britt. A loira a levou até a cocheira e Santana arregalou os olhos ao encontrar dois cavalos selados do lado de fora.
– Vamos dar um passeio à cavalo San... (Britt dizia entusiasmada para uma Santana não tão empolgada)
– Britt... (engolia seco) eu nunca andei nisso na minha vida...
– Vem... eu te ajudo...(Santana hesitou um pouco, mas acabou cedendo, Brittany a ajudou a subir no cavalo e passou as instruções)
Passeavam devagar, Santana parecia tomar o maior cuidado do mundo para não fazer nenhum movimento brusco e agitar o cavalo, enquanto Brittany parecia cavalgar com a maior naturalidade do mundo. Brittany lançava sorrisos para Santana que se esforçava em correspondê-los. A loira queria segurar as mãos de Santana enquanto andavam a cavalo como ela tinha visto em um filme, mas percebeu o medo que Santana tentava não mostrar, ela não soltaria aquelas rédeas de jeito algum. Conversavam mas Santana nunca tirava os olhos do cavalo, Brittany sabia que Santana tinha aceitado fazer aquilo somente por ela. Lembrava daquele dia e Santana fez tudo que tinha pedido, mesmo que com um empurrãozinho, ela realmente estava se esforçando para demonstrar que estava mudada e que faria qualquer coisa.
Depois de andarem mais um pouco, fizeram a volta para retornar a cocheira. Santana agradecia mentalmente que aquela tortura fim. Tudo parecia tranquilo até um animal, não se sabe se era um coelho ou outro pequeno animal passou na frente do cavalo de Santana fazendo-o disparar. A latina gritava assustada e o cavalo corria ainda mais depressa. Brittany veio galopando atrás gritando instruções para Santana controlar o cavalo, mas era em vão, a latina só conseguia ouvir seu próprio grito, desesperando-se ainda. Fazia o que podia para se manter em cima do animal. Brittany correu tanto com seu cavalo até conseguir passar o cavalo de Santana ficando com o seu animal na frente do de Santana para fazê-lo parar. O cavalo levantou as patas dianteiras, e a latina teve que se segurar com todas as forças para não chegar ao chão. Finalmente o cavalo se aquietou e mais do que depressa Santana desceu bem desajeitada.
– Você viu... (dizia tentando respirar direito) esse... esse animal assassino queria me matar! (Sentava no chão apontando para o cavalo que agora parecia o mais pacífico do mundo)
– San... (desceu de seu cavalo para sentar ao lado da latina) ele só se assustou...
– Assustada estou eu... nunca mais eu ando nesse animal... (Santana olhava para o cavalo balançando a cabeça negativamente)
– Desculpe... (Brittany baixou a cabeça) eu... queria fazer algo romântico... nunca faço nada certo.
Santana olhou para Britt e se sentiu culpada por ter dito aquilo, Britt só queria fazer uma surpresa, talvez Santana estivesse frustrada por não ser o que esperava, claro que o ocorrido não favoreceu, mas a loira tinha as mais belas intenções.
– Britt não fica assim... eu acho que só fiquei com medo, só isso... (tentava consolá-la)
– Queria tanto que tivesse dado certo...
– Talvez não tenha dado certo porque eu não sou acostumada... mas quem sabe um dia (respirava fundo para o que iria propor) ...quem sabe nos podemos tentar novamente...
Brittany deu um fraco sorriso para Santana, ela sabia que Santana só estava dizendo aquilo para alegra-la, que tentaria novamente um outro dia só para fazê-la feliz. Beijou delicadamente os lábios de Santana.
– Sabe San... da próxima vez nós podemos fazer outra coisa... sem animais... (dizia com um sorriso formando no rosto fazendo nascer um grande sorriso aliviado de Santana)
Brittany levou os cavalos para cocheira e subiu com Santana para a casa grande. Santana andava engraçado com as pernas meio abertas e Brittany ria do modo que a latina caminhava.
– Que foi? (Santana pergunta percebendo o olhar de Britt, segurando-se para não exagerar nas risadas)
– Tá andando engraçado...
– Claro... Aquele bicho me machucou toda... não sente dor aí? (dizia apontando entre as pernas da loira)
– Eu já to acostumada... (sorria) não liga... daqui a pouco melhora...
– Se eu tivesse andando assim por outra coisa... andaria satisfeita...
– Não entendi... (Britt falava confusa)
– Nada... esquece, bobagem minha...
Chegaram a casa, comeram alguma coisa na cozinha e depois subiram. O colchão de Santana ainda estava úmido, então Brittany disse para Santana dividir a cama com ela, já que tinha sido culpada. Santana tinha que fazer um grande esforço e se concentrar psicologicamente para permanecer sem tocar em Brittany, sentindo aquele cheiro do seu perfume. Brittany não ficava atrás, saber que estava dormindo na mesma cama que a latina, atrapalhava seus pensamentos.
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O outro dia chegou rápido a festa do vilarejo estava rolando e todos ali pareciam se divertir. Brittany e Santana chegaram bem cedo para organizar as prendas que seriam oferecidas nas barracas e ajudar na distribuição da comida. Santana até estava gostando daquilo, a gratidão com que todos a tratavam, o sorriso que as crianças ali ofereciam quando ganhavam alguma prenda era muito satisfatório. Ser boa com as pessoas não arrancava pedaço, pelo contrário trazia uma paz de espírito que nunca tinha sentido antes.
Tudo ia as mil maravilhas, até constatarem que não tinha ninguém para ficar na barraca de tiro ao alvo. Essa barraca consistia em um grande recipiente de vidro bem cheio de água, em cima dele uma pequena prancha. Ao lado desse recipiente tinha um pequeno alvo que quando atingido fazia baixar a prancha e a pessoa que estivesse sentada sobre ela, cairia na grande caixa de vidro com água. Brittany estava distribuindo caldos para as pessoas e Santana estava ao seu lado ajudando quando vieram avisá-la.
– Srta Brittany... (um homem baixinho a chamava)
– Oi... (Britt, dava-lhe atenção)
– Precisamos de gente para a barraca do tiro ao alvo, todo o nosso pessoal já está nas outras...
Brittany pensou por alguns instantes, olhou para o lado e viu Santana distraída observando algumas crianças brincarem com seus brinquedos recém adquiridos.
– San...
– Oi Britt... (respondeu ainda sem olhar para a loira)
– Tem uma barraca ainda sem ninguém, pode ficar nela para mim?
– Claro Britt... (sorriu para Brittany, cheia com a mais boa intenção)
– Esse moço aqui vai te mostrar onde fica... (disse apontando para o homem baixinho)
– Tudo bem... (deu um selinho em Britt e seguiu o pequeno)
Quando chegou a tal barraca, seu sorriso murchou na hora, não era uma barraquinha como as outras, mas fazer o quê? Já tinha aceitado. Tirou os sapados e subiu sentando-se na pequena prancha. Começava a rezar baixinho para que aquele povo tivesse uma péssima pontaria.
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