Império de Paz

8 VII. Não serei uma imperatriz sem poder


Sophia gritou uma vez, uma segunda vez e uma terceira vez. E nessa terceira vez algo muito estranho aconteceu.

– Por favor Alteza imperial não grite.- O homem então tapou a boca de Sophia. Sophia percebeu que conhecia essa voz e esse rosto.– Sou eu Yasu, e me perdoe.

Ele então tirou sua mão, se levantou e se afastou. E medo virou, o mais destrutivo dos sentimentos: raiva.

– O que passou na sua cabeça para fazer isso!? Sabe o susto que me causou!?- Na cabeça de Sophia vinha a frase, "seja paciente seja calma", mas Sophia não tinha esse desejo.– Você sabe que posso mandar você, belo ilustre, para a prisão!?

O rosto de Yasu ficou branco com isso. Então ele se ajoelhou e começou a implorar.

– Perdão senhora, mas perdoe por favor. Não era meu objetivo a assustar. Eu só queria a acalmar. Eu vi seu rosto quando a imperatriz viúva a informou sobre a biblioteca e a senhora parecia querer algo para a acalmar.- Ele a viu? Então Ulrike estava certa.

– Então por que se vestir como um servo e me atacar!?

– Minha senhora não gosta de mim será que iria aceitar me deixar entrar em seus aposentos!?- Foi a única resposta necessária. Sophia realmente não mostrou gostar dele, se ele a enganou foi por sua culpa, uma infelicidade.– Não era meu desejo cair em cima de senhora. Foi um acidente. Eu só desejava chegar mais perto.- Ele parecia estar falando a verdade, Yasu não parecia o tipo que atacava mulheres anoite.– Se a senhora deseja que eu saia eu sairei.

Sophia tinha realmente o desejo de o mandar embora, era isso que ela muito desejava. Mas ele estava com uma expressão muito penosa.

– Toque sua música.‐ Sophia tinha muita misericórdia e pena.– Agora mude logo de cara, prefiro o lascivo ao penoso.

Yasu sorriu em resposta e começou a tocar. Mas por mais que Sophia estivesse nervosa, e como ela não estaria? A música realmente era calmante. Yasu realmente tocava muito bem.

Sophia até que entendia Daiki ser comparado com ele. Yasu era tudo que as pessoas gostavam, era alegre, educado, bonito e talentoso. Parecia um pacote completo.

– Eu sempre tocava para minha mãe. Ela estava constantemente triste e isso a alegrava muito.

– E por que ela estava sempre triste?- Sophia realmente não deveria ter feito essa pergunta, era muito evasiva. Mas ela foi feita não havia nada a fazer.– Não responda se não desejar.

Yasu primeiramente continuou a tocar. Mas depois ele novamente parou.

– O Reino Kita não foi criado para ser independente, ele nasceu como um lugar para os Minami terem alimentos, era apenas o celeiro dos Minami. Mas quando nos tornamos independentes essa condição criou um reino fraco, pobre e dependente.- Era bem verdade que Sophia sabia que os Kita foram o último reino a surgir, mas não as condições isso aconteceu.– Durante muitos séculos pudemos viver de forma próspera e boa, mas durante o reinado de meu avô as coisas mudaram e passamos a sofrer muito.

– Sofrer muito?

– Não tivemos colheitas boas o suficiente. Continuamos a alimentar os outros três reinos, mas nosso povo passava fome, a dívida que tínhamos com eles também cresceu e rebeliões começaram a surgir em todo o reino. Meus pais estavam sempre preocupados

Rebeliões? A imperatriz viúva falou de um problema no norte, mas Sophia não imaginava isso. Mas por que de seu pai não os ajudar?

– Mas vocês não pediram ajuda ao imperador? Creio que se...

– Meu pai pediu. E a guarda imperial foi enviada e acabou com a rebelião. Mas não ganhamos mais ajuda do que isso. Os Tomohito não deixaram.

– Como eles não deixaram? O imperador tem a obrigação de ajudar os que necessitam de ajuda.

– Certamente ele tem. Mas quando o imperador não tem poder, o que ele pode fazer? Minha senhora não sabe que o imperador não governa? Ele apenas faz o que os Tomohito dizem.

Mas não era assim. Sophia decidiu não dar muita atenção a isso, vítimas sempre desejavam culpar alguém, e claramente os Takeda e os Tomohito tinham problemas. Era melhor esquecer dessa conversa.

– Eu agradeço Yasu pela sua gentileza. Você toca muito bem e tenho certeza que sua mãe realmente gostava muito. Agora se puder me deixar sozinha eu desejo descansar antes do jantar.

Yasu se curvou e saiu. Sophia sentia muita pena dele e do seu reino. Eles pareciam ter sofrido muito, e ainda sofriam. Sophia esperava ajudar de alguma forma.

Mas o que ele falou chamou sua atenção. Rebeliões não deveriam existir no Império de Paz, e sua família não deveria ficar sem poder no seu império.

Dez dias, fazia dez dias, três horas e vinte e quatro minutos que os ilustres estavam na Cidade de Verão, fazia dez dias que Daiki estavam na Cidade de verão. E fazia quase dez dias que sua amada biblioteca foi destruída.

Infelizmente não foi salvo muita coisa do incêndio. Algumas pinturas, alguns pergaminhos, alguns fragmentos, mas nada em grande escala e também de grande importância.

O luto de seu povo continuava, e o seu também. Ainda era muito difícil para Daiki continuar no Palácio de Verão, mas era necessário, e ele sempre recebia informações, então se poderia viver assim.

Mas para Daiki era uma alegria sempre receber também bilhetes de Sophia. Ela era muito gentil e o estava alegrando muito. Daiki já a considerava uma amiga. Mais que uma amiga ela não poderia ser em todo caso, talvez ela fizesse como seu pai, que dos três casamentos dois eram do clã Tomohito.

Mas assim, Daiki ainda se sentia muito desanimado, e não conseguia se juntar a corte para jantar. Era melhor ficar em seu quarto. Era melhor, até que alguém bateu.

Quando Daiki foi ver quem era. Ele viu apenas a dama muito estranha e ocidental, com cabelo alto que sempre estava com Sophia. Como era mesmo o nome dela?

– Lady Ulrike?

– É condessa Ulrike. Nunca a chame de Lady, ela é a filha de um conde imperial e deseja ser reconhecida como tal.- Daiki não estava entendendo nada. Ela estava falando de si mesma?– Eu posso entrar?

Daiki só pode sair do caminho, ele não estava realmente entendendo nada, ela parecia a condessa, se vestia como ela mas tinha a voz de Sophia.

– O que está acontecendo aqui? É a senhora minha príncesa?

– Você descobriu que surpresa. Mas eu entreguei meu disfarce.- Qual poderia se o motivo de se disfarçar?– Não acredito ainda que estou no quarto sozinha com um homem, eu estaria acabada se alguém descobrir.

– Mas qual o motivo disso? Por que minha senhora está aqui? E onde está a condessa Ulrike?

– Eu já disso para me chamar de Sophia. E Ulrike está na sala de jantar sendo a príncesa imperial. Não há muita diferença entre nós.- Certo fazia sentido, se uma estava aqui a outra estava lá.– E vim aqui para conversarmos, mas antes, o que você achou de me ver como um príncesa europeia?

Quando Daiki olhou melhor, só havia uma palavra de ele poderia usar para a descrever. Ela estava espetacular, não havia em todo o mundo mulher mais bela. E esse pensamentos o deixaram vermelho.

– Você está muito linda Sophia. Não há beleza igual.- Sophia também corou com esse comentário, mas ela conseguiu desfaçar rindo.

– Você é muito gentil Daiki. Mas existem sim mulheres mais belas.- Daiki discordava muito.– Mas não é de beleza que desejo conversar. É sobre outro assunto.- Sophia ficou seria agora, isso mostarava que não era algo divertido, nem talvez agradável. Daiki pelo menos desejava que não fosse uma notícia ruim.– Você sabe sobre a rebelião no Reino Kita que aconteceu a anos atrás?

Esse era realmente um assunto não muito agradável. Todos se lembravam dessa rebelião e do que ela causou.

– Não há como esquecer Sophia, foi horrível! Ela aconteceu no terceiro ano do seu pai e os rebeldes foram brutalmente destruídos.- Daiki não era nascido ainda, nenhum deles era. Mas todos ouviam histórias sobre como eles foram mortos.– E infelizmente os rebeldes fizeram também um grande estrago nos outros três reinos.

– A guarda imperial foi brutal. Como isso pode ter acontecido?

– Eles simplesmente receram ordens para acabar com a rebelião. O imperador não tinha muito poder para decidir como eles iriam agir.

– Você já é a segunda pessoa que fala que o imperador não tem poder. Sei que o poder dele é pouco, mas não é inexistente.

A imperatriz viúva então escondeu de Sophia esse assunto.

– Sophia, você sabe o que aconteceu no ultimo ano do seu avô?- Sophia fez que não com a cabeça, seria difícil mas cabia a Daiki a informar.– Naquele ano seu avô tentou abrir o comércio com o ocidente, e isso não agradou muito, principalmente o Reino Azuma, eles viram isso como uma traição do imperador a tradição e aos costumes, e eles tiraram o poder do seu avô.

Sophia não expressou reação nenhuma com essa informação. Na verdade ela parecia pressa em seus pensamentos, como se estivesse pensando.

– Então agora tudo faz sentido.

– Eles tomaram o poder total e continuaram com ele durante anos, seu avô morreu, seu pai se tornou imperador e se casou com...

– Com Tomohito Yuna, que lhe deu um filho homem, mas morreu no processo. Então depois do luto ele procurou na Europa e encontrou Sophie Charlotte de Saxe-Eisenach e se casou com ela, ela lhe deu uma filha, e depois de alguns anos também morreu, ele então se casou com Tomohito Teimei mas ele morreu. Então meu pai se casou com uma Tomohito para conseguir novamente seu poder.

– Você resumiu bem. Mas ele conseguiu alguns poderes. Mas em contra parte os quatro reinos se tornaram mais independentes.

Sophia voltou a ficar calada, novamente ela parecia estar pensando. E uma expressão triste surgiu em seu rosto.

– É isso então que acontece quando alguém deseja trazer modernidade ao seu império. Eles tomam o seu poder, não me surpreende surgir um rebelião.- Deveria ser difícil para Sophia ouvir isso, todos sabiam que na Europa os monarcas estavam acostumados com o poder.– Eu agradeço muito Daiki por me informar. Sinto que você é um amigo precioso.

O coração de Daiki se acelerou com isso. Um amigo precioso, ela o considerava precioso.

– Eu sempre estou disposto a lhe servir.

– Daiki eu não desejo ser meu pai, eu não quero ser uma imperatriz sem poder. Eu vou ter novamente o que foi tirado, vou novamente ter poder. Eu sou Sophia da Livônia afinal, não respondo a reis, eles respondem a mim.- Sophia parecia decida e o brilho no olhar dela dava a Daiki o desejo de a seguir sempre.– Você vai me apoiar nisso?

– Eu lhe apoiarei em tudo Sophia. Vou sempre estar com você.- Daiki novamente corou com essa frase, e Sophia também.

Ela não parecia mais estar com a expressão decidida, mas era agora envergonhada. E percebendo isso Sophia se despediu e saiu.

Daiki então percebeu algo em seu coração. Um sentimento agradável e bom. Mas que poderia lhe dar problemas.

– Eu me apaixonei. Me apaixonei pela minha senhora, que vai se casar com outro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.