Império Romano

11 Um cara fala com as plantas


Notas iniciais
narração: Ninha

A menina se surpreendera, não com sua espada apontado para o filho de Ares na garganta, mas por todas as pessoas que estavam a sua volta, incrédulos olhando a menina agir como mulher. O garoto, diferentemente de todos, segurou sua mão e riu, apertando devagar para se levantar.

- Foi minha melhor batalha em anos! – confessou, deixando a garota mais constrangida do que já estava.

- Obrigada – sorriu, já retrocedendo sua espada ao anel.

Sun estava parada em um canto, brincando com uma de suas mãos e pequenas bolas de fogo que pareciam o sol. Era como se a garota soubesse do que iria acontecer. Ninha se sentou ao lado dela a olhando aos poucos e sorriu. A menina se virou para a mesma com seus cabelos presos em uma trança e apontou para o anel em silêncio. NInha por sua vez o tirou entregando para a garota. Sun parecia analisar todas as suas partes, os aros duplos, o desenho em cima dele até que o entregou de volta para a filha de Poseidon.

- Foi como imaginei – suspirou – esse anel só responde a você, é presente do seu pai, não é?

- É sim, mas como..

- Oricalco, sua espada é feita com um dos elementos mais raros que existem. Acho divertido, e seu pai parece ser legal.

- Seria legal, se minha mãe não tivesse morrido em seu território, não acha?

A menina se calou, constrangida com o que a garota falara. Ninha percebeu o desaforo e apontou para a floresta, olhando com atenção.

- Não vão muitos campistas lá, vão?

- A não ser os que querem se matar, não, há muitos animais perigosos no local e a maioria deles não são tão gentis assim.

- Eu vou tomar um banho Sun, te encontro no jantar?

Ninha se virou para ela, correndo na direção dos chalés. Assim que saiu de vista de todos os cambistas, se virou para a floresta. As árvores pareciam grandes e altas e davam um aspecto macabro a floresta. Ninha passou por alguns locais sem saber o porque queria ir tanto para lá. Seus pés corriam rapidamente, mal deixando pegadas e esperava não se perder na volta. Assim que virou algumas esquinas, ou assim poderia chamar os embolorados de árvores, se deparou com um grande rio. Suas águas cristalinas passavam devagar e a garota podia ouvir vozes vindo do fundo. Sem pensar, tirou suas roupas e mergulhou. Assim como na água da piscina, não sentia frio. E assim como sua diretora fizera, a garota começou a respirar em baixo da mesma. Começou a mergulhar um pouco mais fundo nas águas, podia enxergá-la muito bem. Os peixes beliscavam seus pés, aprovando sua presença ali. Ao todo, Ninha achava legal ser filha de Poseidon e ter controle sobre aquilo o que ela sempre amou.

Enquanto mergulhava, sentiu um grande puxão em sua perna. Olhou para trás e não viu nada. Tentou ficar longe de onde estava e logo, algo puxou seu cabelo. Se debateu, voltando ao nível d’água quando algo a puxou para baixo. Agora conseguia prestar atenção. Ouvia vários risinhos e então uma voz bem conhecida.

- Pare! – Ela tinha certeza de que era Dyana.

Todos os puxões pararam e as meninas ninfas da água começaram a aparecer, era bem claro o descontentamento na face de cada uma, o que lembrava a Ninha, elas pareciam bem humanas.

- Ela não fez nada!

- Só porque ela é filha de Poseidon, acha que pode nadar aqui – retrucou uma outra Náiade mais velha.

- Me desculpe – Ninha pediu, aparentemente constrangida.

- Não precisa se desculpar, Ninha, essas mulheres acham que tomam conta do rio...

- Não, é sério, desculpe – disse já saindo da água.

Quando se pôs fora da água, ainda conseguia ouvir a briga das naiades na água, e riu quando viu um pé de alguma delas ir para cima d’água e voltando rapidamente ao rio. Uma brisa gelada passou em seu rosto e lembrou de suas roupas largadas em cima de uma pedra, já se levando ao local. Quando chegou lá, um garoto de quinze anos estava parado. Brincava com as folhas, criando rosas e formatos distintos com cada uma delas. O menino, diferente do que imaginava, parecia ser calmo.

Se dirigiu devagar até a pedra, tentando não ser notada e pegou o seu vestido, com o seu plano em vão quando o seu colar caiu.

- Sou Jericó – ele disse, com uma voz calma. — Pelo colar, você é Ninha, não é? – ainda olhava para o outro lado, sem olhar para a menina. – Pode se trocar.

A garota não sabia o que pensar, mas se trocou rapidamente e se dirigiu ao lado dele, se sentando. Ele tinha uma áurea calma. E era tudo o que Ninha precisava lá. Se sentou e bocejou.

- Sim, Ninha, é um prazer.

- Você fala como uma adulta — constatou

- Injusto, ou não, cresci aprendendo a lidar com os problemas.

O garoto se virou devagar se levantando, olhava as sombras das árvores e segurou a mão da loira.

- Acho que está na hora de ir, se não me engano, os lobos sairão para caçar.

A frase fez efeito na criança, que acenou com um sim com a cabeça e se dirigiu ao local onde ele estava, o seguia devagar, as vezes ouvido um bom dia que ele falava para as plantas, ela contatou e anotou mentalmente. O homem era louco.

Notas finais
Proximo capítulo Narração de Lola
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.