Imortal
11 X - 19:25
Lindo, tinha me esquecido completamente que ia pro cinema com a Elisa.
Agora cá estou eu vestindo uma jardineira azul sob minha regata branca. Calcei meu all star e sai trôpega arrumando meu cabelo.
Raios de burrice.
Peguei meu celular e a chave da Senna explicando rapidamente pra onde ia á Russel e Liesel.
Sai logo em seguida.
Tinha deixado a Senna no meio-fio, o que me poupou um enorme trabalho.
A liguei e logo acelerei cantando o pneu.
Estou apressada ora.
Seguia rumo ao shopping pela segunda vez no dia.
Numa hora ainda vou me enjoar dele.
Tentei passar por um carro que andava tão lento, quase parando, só que o infeliz não me deu chance.
Porque quando estamos apressados sempre aparece algo para nos retardar mais?
Nos meus séculos de existência nunca achei a resposta.
Queria voltar pro século XVI.
Nada de carros ou motos, apenas carruagens e cavalos.
Facilmente transitava pelas ruas de Roma, apesar de não gostar de algumas coisas daquela época.
Ainda tinha o fato da Inquisição.
Naquele século conheci o próprio inferno.
Tudo era tão obsessivo, psicótico.
Não, era pior ver tantas pessoas morrerem na fogueira por motivos tão exclusos.
Num dado momento, presenciei uma briga entre duas vizinhas, fora uma coisa horrível.
No dia seguinte uma das vizinhas foi levada para as masmorras acusada de bruxaria, logo depois ela teve o mesmo destino de todas que eram acusadas.
Fora uma época obsoleta que queria extrair da minha mente, mas não podia.
Século XVI fora um tempo bom e ao mesmo tempo ruim.
Só que talvez não o pior.
Ainda me lembro da Segunda Guerra Mundial, tantas pessoas morreram.
Também estava lá, no coração do nazismo, fazendo parte da diretriz de Hitler, me amaldiçôo até hoje por ter participado daquele genocídio.
Afastei essas cruéis lembranças da minha cabeça, chegava no shopping com o celular vibrando.
Elisa.
-Já cheguei – avisei desligando logo depois.
Guardei meu celular novamente.
Tinha visto as coisas caminharem para frente, tecnologia avançada, novas vacinas apesar de haver novas doenças.
Sim, adoro ver as coisas evoluírem, adoro notar quantas mudanças ocorreram nesses oito séculos em que respiro.
Entrei no shopping me encaminhando para o cinema.
Logo vi Elisa, ao tinha nem como não notá-la.
Ela usava uma blusa decote em U, azul turquesa, uma calça marrom, sandália gladiadora prata e o cabelo solto caindo por seus ombros.
Abriu um sorriso ao me aproximar, retribui o sorriso com um oi.
Depois fomos para a fila, comprando ingressos para uma comedia romântica.
Acho que filme desse tipo só presta pra assistir com o namorado ou não.
Ao entrarmos na sala o filme já estava começando, nos sentamos na fila do meio e logo depois compramos pipoca.
Tá o filme era uma graça, mas com a conversa melosa que rolava do meu lado com um casal e a Elisa não parando de cochichar, minha paciência chegava ao limite.
Tenham caridade por essa pobre alma desgovernada.
Logo depois do estrondoso filme, fomo comer.
Elisa fala mais do que sei lá quem. Até parece que tomou água de chocalho.
Essa frase resgatei do fundo do baú.
Impressionante.
Enquanto ouvia Elisa falar dum acontecimento que houve na casa de sua tia, meus olhos focalizaram um casal impressionante.
A mulher possuía um longo cabelo loiro com mechas vermelhas que escorria por seu ombro esquerdo, olhos que pareciam ser um misto de verde com vermelho, hipnóticos, a pele parecia porcelana dando destaque às bochechas rosadas, era alta mais do que eu pelo menos, era toda cheia de curvas.
Com certeza chamava a atenção dos homens.
Usava uma blusa vinho gola alta acompanhada de uma calça skinny cinza e uma bota preta.
Agora o homem, é uma outra historia.
Tinha um cabelo preto brilhante, curto e liso tendo alguns fios caindo por sua testa, olhos claramente prateados, a pele alva, boca media tendo o lábio inferior um pouco maior que o superior. Alto, tendo ao que parecia um porte atlético.
Notei então que usava um piercing no nariz, aquele que atravessa a o osso. Acho que chamam piercing de segurança.
Sonharia se duvidar com ele hoje.
Usava um, sobretudo caqui e um coturno preto.
Claramente escultural e estonteante.
Notei então que no braço direito da mulher havia uma extensa tatuagem que parecia ser um dragão, realmente era um dragão que rodava em círculos por todo o seu braço.
Então os dois passaram por nossa mesa, dando olhares direitos para mim.
O que tinham visto?
-Que Deus – elogiou Elisa os acompanhando com o olhar.
Também os observava, mas com outra idéia.
Parecia ter algo neles de sombrio, que há muito não sentia.
Realmente, eles abalam a estrutura.
Minha noite acompanhada de Elisa acabou depois de mais alguns minutos.
Queria saber como fora à noite de Russel.
A Força Especial é uma organização governamental criada por Cedric Walsheer.
Antigo presidente dos E.U.A.
Quem mais seria?
A Força fora a junção de duas outras organizações FBI e C.I.A, ou seja, o pau comia agora pra qualquer lado.
Na verdade nunca imaginei que veria as duas serem extintas, porque fora isso que aconteceu quando a Força mostrou suas garras.
Realmente quando me lembro disso, me lembro que fiz parte dela por três anos.
Não vou dizer que foram anos maravilhosos, mas não foram de todo ruins.
Tirando o fato de costelas quebradas, facadas, porradas e as mortes que foram de tantas maneiras que me impressiono ao lembrar disso.
Digo uma coisa, morrer não é nem um pouco legal.
Posso até ser imortal, mas levar um tiro, meu amigo é doloroso.
Não morro, mas desmaio por um tempinho enquanto minhas células entram em estado critico para fechar o ferimento.
É uma loucura quando isso acontece.
Conheci Russel nos últimos meses que decidi ficar na Força.
Ela tinha acabado de ser transferida, na verdade de ser chutada da SWAT, porque não queriam uma mulher assustadora como ela por perto.
Chamo eles até hoje de medrosos por conta disso.
Voltando ao assunto, eu fui encarregada de guiar seu exame de analise.
Em outra linha, teria que descer o braço sobre ela, sendo que não podia machucá-la muito.
Que injustiça, não?
Eu quase morro e ela fica apenas com ferimentos superficiais.
Oh, ingratidão da vida.
Cheguei em casa, não era nem onze da noite, mas Liesel já dormia no sofá.
A pequena deveria estar bem cansada.
Aula pela manha, estagiaria em uma empresa automobilística á tarde e depois cuidar das obrigações escolares.
Me canso até de pensar nisso.
-Nossa – disse Russel – O que te deu para chegar tão cedo?
-Isso fora uma piada? – retorqui azeda.
Ela me lançou um olhar gélido.
Tudo bem, me calei.
-Quer saber sobre ontem, não é mesmo? – indagou ela caminhando para a cozinha.
-Lógico – murmurei
Russel me recriminou com o olhar.
Vi sobre a mesa de granito varias fotos e papeis.
-Tudo que conseguimos reunir – declarou ela colocando um pouco mais de café na sua xícara.
-Hmm – murmurei dando uma olhada nas fotos.
Caraça, até um magnata dos negócios estava envolvido com o trafico.
Realmente é como dizem, não julgue cedo demais.
-Conseguiram pegá-los? – indaguei pegando um relatório
-Metade deles – disse ela bebericando sua xícara – Não é lá muito fácil pegá-los.
Concordei dando uma olhada nos gráficos.
Realmente muita grana correu pelas mãos deles.
Coloquei o relatório na mesa novamente e me voltei para Russel.
-Qual o problema? – perguntei ao notar a expressão preocupada dela.
-Vou precisar duma mãozinha – respondeu ela me encarando
Engoli em seco.
Lá vou eu me meter em confusão, de novo.
-Em que assunto? – perguntei cruzando os braços.
-Seduzir, disfarçar, manipular – respondeu ela – Sua área.
Assenti e lá vamos nós, de novo.
-Tudo bem – disse dando de ombros – O que devo fazer?
-Quem você deve manipular? – ela me corrigiu colocando sua xícara na pia.
-Que seja – retorqui azeda
Ela me repreendeu com o olhar.
Revirei os olhos.
Ela me apontou uma foto onde havia um coroa falando ao celular.
O cara para meu consolo não parecia ser cadavérico.
-Dentro de três dias, considere-se secretaria desse cara – decretou ela.
Fiz uma expressão de tédio.
-O que devo arrancar dele? – perguntei monótona
-O numero das contas e os nomes dos envolvidos – respondeu ela arrumando tudo
-Saquei – disse – Vai ser como tirar doce de criança.
Ela riu com desdenho.
-Não seje tão precipitada – ela me alertou
Balancei a cabeça afirmamente.
-Amanhã resolvemos isso – decretou ela – Além do que soube que irá ter uma revanche amanhã, certo?
-Relacionada á basquete, Russel – esclareci, antes que pensasse asneira.
-Aham –murmurou ela – Quero ver amanhã, boa noite Josephine.
-Também desejo pra você – desejei subindo pro meu quarto.
Amanhã, garantiria uma vitória.
Notas finais
o/
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