Imortal
8 Capitulo 8
Notas iniciais
O Imortal
Finalmente após um ano e meio de viagem estaria voltando para “casa”. Parte de sua missão estava concluída e por isso recebeu permissão dos deuses para voltar a Serdin... Voltar para ela.
Sieghart estava apoiado no ninho da águia de seu navio e com sua luneta procurava sinais de que estava perto da praia Carry. De acordo com seu planejamento seria naquele dia que chegariam em terra firme. Foram dois longos meses de viagem da terra de Xênia até ao destino.
A tripulação já estava cansada e ansiosa para visitar seus parente e amigo que deixaram para trás...
—Não muito diferente de min, eu creio... —Só que logo veio a mente de Sieghart que a despedida dele com certeza fora diferente dos tripulantes do navio, pois suas famílias os aguardavam. Ele? Provavelmente havia ninguém o esperando ou o querendo ver novamente. Ao avistar ao longe um punhado de cores amarelas e verdes, Sieghart sorriu e gritou para baixo: — Sr. Antilles acredito que chegamos!
—Aye capitão, acredito que sim! -Retornou Antilles o timoneiro, um velho sábio e com mais barbas do que cabelos na cabeça. Olhou para frente analisando o horizonte e procurou Sieghart que já havia voltado ao convés e disse: -Mas não se preocupe jovem capitão, ainda temos algumas horas pela frente.
—Hahaha, queria eu poder ser chamado de jovem Antilles. Me acorde quando chegarmos em terra firme. – E virando para tripulação gritou: -Vamos lá seus cães! Trabalho dobrado para chegarmos em casa mais rápido possível. E ao chegar vão beber, foder, amar suas mulheres, abraçar suas crianças e cachorros. Se divirtam e em dobro, pois terão que se divertir por min também, pois não ficarei convosco. Sr. Antilles, cuide bem deles! -Disse entrando em seus aposentos deixando para trás as palmas e os gritos alegres dos marujos.
Tirou seu casaco e o jogou em um canto qualquer, sentou-se na beirada da cama, tirou as luvas, os sapatos e foi lavar as mãos em uma bacia em cima de sua mesa.
Enquanto lavava as mãos percebia seu reflexo tremulo devido as ondas que batiam no casco do navio.
—Como será que eles vão reagir...? -E como em inúmeras vezes nesse ano que se passou ouviu uma risada no fundo de sua mente e um sussurro na base do ouvido.
—Ela deve te odiar profundamente por tê-la deixado...
—Calada bruxa. -Mais uma leve risada maliciosa e silêncio, quero dizer, silencio que se pode conseguir em um navio é claro.
Sentou-se novamente na cama e apoiou sua cabeça em suas mãos.
—Espero que eu consiga remendar o estrago que fiz...—Deitando-se suas costas no colchão e fechando os olhos, logo caiu em sono.
Estava com todas as coisas que iria precisar em sua mochila e todas suas armas em sua bainha.
Voltou ao quarto de Elesis e depositando sua mochila no chão fora até a mais nova e sentou-se de leve na beirada da cama com medo de acorda-la. Ela era linda, droga ela estava linda, os cachos bagunçados caindo em seu rosto, suas mãos fechadas em punhos, sinais de uma guerreira que estava sempre preparada para qualquer situação. A coberta caindo de seus ombros mostrava parte do seu torço que estava coberto pela sua roupa, mas logo Sieghart viu que ela estava com frio e levantou a coberta até os ombros da mais nova o que fez com que um leve sorriso forma-se no canto da boca de Elesis.
Poderia ficar horas e horas a observando, mas tinha que partir. Suspirando depositou um beijo na bochecha e na testa da jovem e tirou os fios que estavam em seu rosto.
Sem olhar para trás pegou sua mochila, fechou a porta e fora embora... Detestava despedidas.
Não precisou de ninguém ir acorda-lo, Sieghart sentiu o navio parar e logo levantou-se. Pegou seu equipamento e uma tabua bastante peculiar envolta de panos, a qual ele colocou nas costas.
Se despediu de ninguém, sua tripulação sabia como ele era e o quão reservado ele era.
Saiu do porto da cidade portuária de Carry, passou por algumas casas, estalagens, lojas dos diversos tipos. A cidade estava bastante movimentada pois, seus guerreiros, seus familiares estavam em casa.
Logo estava na estrada, no “mundo selvagem” por assim dizer.
Passava pelas colinas que dividiam Carry de Serdin, por pastos, plantações, florestas, rios até avistar de longe as muralhas dos muros de Serdin.
Cinco dias já haviam se passado, este sendo o sexto, mas como já era tarde e ainda havia certo chão de terra para cobrir até chegar ao Quartel General da caçada decidiu achar uma estalagem que havia ali por perto, estava coberto por um sobretudo e capuz então não havia perigo de ser reconhecido.
Arrumou um quarto simples só para passar a noite e logo foi se deitar.
Estava a caminho do porto mais próximo onde Gaia já havia providenciado seu navio e sua tripulação, cortesia por ser emissário dos deuses. Não era muito longe de onde estava a casa provisória da caçada então foi a pé de madrugada mesmo. Eram 3 da manhã.
Toda sua mente falava para continuar andando, mas seu coração ardia e gritava para deixar de ser idiota e voltar.
—Tenho uma missão a cumprir e somente eu posso cumpri-la. -Pensou o imortal. Mas seus pensamentos foram cortados por uma voz que vinha em sua direção.
—SIEGHART!
—Droga...Elesis -Murmurou o imortal. Elesis ainda com cara de sono corria em sua direção e ao chegar perto parou para tomar ar. -Sua idiota! Que pensa que está fazendo? -Ela colocou as mãos nos joelhos e logo se recompôs.
—Eu idiota? Quem é que está indo embora no meio da noite sem nem falar nada?
—Eu...? Hun? Quem te disse isso? Foi o Lass né?! Aquele desgraçado...
—Não... foi outra coisa... Uma voz, não sei explicar. -Sieghart logo encaixou um mais um e pensou:
—Aquela bruxa, ela não poderia deixar barato ne? -Pensou Sieghart e no fundo de usa mente ele ouviu uma risada maléfica e ouviu: -Nem fodendo... Ou talvez sim...
—O que importa é que eu te alcancei e posso te levar para casa. -Disse indo na direção do imortal indo pegar em sua mão, mas Sieghart deu um passo para trás.
—Não posso Elesis. -Disse ele firme, mas suave.
—O que? Você deve estar com sono, vamos voltar, você dorme, descansa e amanhã você me expli... -Elesis novamente tentou pegar a mão de Sieghart e conseguiu, mas Sieghart soltou sua mão com a dela e deu dois passos para trás.
—Me ouve Elesis! -Dessa vez seu tom era mais ríspido o que trouxe a atenção de Elesis para ele. -Eu não vou voltar, eu estou indo embora...
—Embora... Mas... O que?
—Eu estou indo embora, minha missão aqui está completa e já estou com outra para ir concluir. -Ela o olhou incrédula e retornou:
—Sua missão concluída? E fica assim você vai embora, sem deixar rastros... Seu covarde! -Disse Elesis segurando fortemente para não chorar. Ele não merece ela pensou.
—Elesis eu tenho que ir, minha missão... -Ela riu ironicamente e disse:
—Sua missão... Era isso que éramos pra você, sua missão...
—Elesis, eu...
—É isso que somos... que eu sou para você Sieghart? Somente uma missão que você completa e joga fora e dá tchau... É isso que sou pra você? -Ela olhava para ele agora com os olhos lacrimejando e ele desvia o olhar. -Olhe para min seu covarde! -E ele olha.
—Elesis... -Mas é interrompido por um abraço da mais nova.
—Por favor Sieg... Não vá... -Ele fica calado, mas retorna o abraço de leve. E ela o aperta mais ainda por isso. -Você é a única família que eu tenho, posso não ter uma gota de sangue seu mais, mas por favor... Não vá... Não posso perder... Não de novo. -Oh como ele queria.
—Sinto muito minha ruivinha. -E deposita um beijo nos cabelos da menor, antes de dar um soco no estômago da menor o que a faz desmaiar.
Logo que o dia começou com seus primeiros raios de sol Sieghart se levantou, fez suas necessidades, pagou a estalagem, pegou um pão fresco e pegou o caminho de casa.
Era menos que onze horas quando passou pelos portões de Serdin e a cidade já o recebera, indiretamente, pois estavam comemorando o seiscentésimo alguma coisa aniversário da derrota de Cazeaje e dia de Sieghart.
—Que maravilha... -Murmurou o imortal.
Não leve a mal, ele adorava sua cidade, mas essa parte ele preferiria não se envolver.
O Q.G da caçada ficava em uma região separada do lado de fora da cidade, mas preferiu passar pela cidade para ver o que mudou. Serdin era uma cidade murada como qualquer outra de sua época, a diferença agora é que parecia mais tecnológica. Em suas torres, por exemplo, estavam dispostos canhões de energia muito parecidos com as de Mari, pensou Sieghart.
—Imagino como deva estar o Q.G.
E pensou correto pois logo que avistou o quartel logo notou que o que era antes somente uma casa agora parecia mais uma pequena vila a parte de Serdin.
Tentando ter uma vista melhor do quartel Sieghart escalou uma das muralhas de Serdin e começou a analisar a situação.
O quartel agora tinha no seu centro várias casas além da casa original, havia uma capela por perto, ferreiros, campos de treinamento de espada, arquearia. Isso tudo dentro da primeira muralha, pois caso não tenha dito haviam três muralhas dispostas dos mesmos canhões que em Serdin.
—Vamos lá, não é mesmo?
Os sistemas de segurança de Mari eram bons, mas Sieghart conseguiu passar pelas duas primeiras muralhas tranquilamente.
Estava caminhando para a terceira muralha o que o deixava mais perto de seu destino quando sentiu um movimento nas arvores atrás de si, estava de capuz levantado e parecia um andarilho qualquer, não é à toa que estariam desconfiados de quem era. Mas continuou andando até chegar a primeira muralha, não era muito alta, como as primeiras, dava para escalar, mas preferiu bater no portão pois estava sendo vigiado. Queria ver quem era, Lass talvez, ou Jin... Esperava sinceramente que não fosse Elesis.
—Identifique-se! -Sentiu na sua nuca um arrepio pois tinha uma arma apontado para sua cabeça, mas a voz meiga e doce, embora um pouco mais madura não passava autoridade nenhuma. Sieghart sabia quem era.
—Ora, ora, ora! Pelo que saiba não é assim que recebemos velhos amigos... -A pessoa que estava atrás dele recuou um pouco, mas manteve a guarda.
—Velhos amigos? Quem é você? Essa voz...
—Amy, pensei que eu era seu imortal preferido? -A jovem Amy abaixou seu capuz e realização bateu em sua face quando Sieghart se virou e abaixou o dele também.
—Sieghart... -Ele concordou com a cabeça. -Sieg-nii...? -Como ele sentiu saudades disso... Amy parecia tomar noção do estado que Sieghart estava, seu rosto estava mais cansado, parecia ter perdido parte daquele fogo de quando o conheceu, seu rosto estava com barba por fazer, o que dava certo charme para o mais velho, suas roupas estavam surradas e seu rosto com mais cicatrizes do que ela pode se lembrar.
—Sim Amy, guh... -Mas fora interrompido pois Amy jogara seus chakrams no chão e saltando para um abraço com o mais velho.
—Eu senti tanto sua falta... -Sieghart retornou o abraço e sentia as pequenas lagrimas saírem do rosto da sistina. -Tanta falta... -Ficara ali abraçando a mais jovem, acalmando-a fazendo carinho em seus cabelos e sussurrando que estava em casa e que não ia embora mais.
—Estou em casa princesa... -Ela se separou e o olhou, ele deu um leve beijo na testa da mais nova que corou e soltou uma leve risada boba, mas Sieghart notara que ela estava com um olhar triste por trás das lagrimas felizes.
—Espero que para ficar! -Disse ela se recompondo e falando com sua autoridade fofa.
—Prometo que sim...
—Amy quem é ai embaixo? -De cima da torre da muralha veio uma voz grossa e forte, mas bastante brincalhona.
—Acho melhor você vir ver! -Gritou Amy que abraçou Sieghart novamente dando um beijo suave na bochecha, perto de mais da boca notou Sieghart e ela também pois corou de leve, mas não soltou o imortal.
—Velhas múmias ainda ganham bem-vindas Ryan? -Logo que Ryan que estava descendo as escadas da torre ouviu a voz de Sieghart correu até tropeçando até abrir os portões.
—Velha múmia...? Não pode ser! -Logo que Ryan abriu os portões e deu de cara com Sieghart ainda abraçado com Amy. -Sieghart...
—Venha velho amigo... -E Ryan o meninão que sempre foi acabou se juntando ao abraço.
—A sua múmia descarada, hahaha. -Sorria o jovem elfo. -Sentimos sua falta. -Logo se separaram, menos Amy, fato que não passou despercebido por Ryan nem por Sieghart.
—E eu de vocês, estavam de patrulha?
—Sim, mas ainda falta algumas horas para acabar. Nos só fazemos algumas rondas durante o dia, já que temos os guardas de Serdin como nosso apoio. -Disse Ryan sorrindo e como Amy notando o quão cansado Sieghart estava. -Vamos Amy, melhor deixar o nosso vovô descansar. -Disse puxando a garota que relutantemente foi.
—Vovô, esse apelido ainda me persegue? -Ryan soltou uma risada e Amy voltou para dar um abraço final em Sieghart que retribuiu. Ela então aproximou sua boca a orelha do imortal ficando nas pontas dos pés e disse:
—Você tem muita explicação para dar, ouviu senhor?
—Sim eu sei...
—E fique sabendo. -Dando um leve beijo na testa do imortal. -Sua recepção não será tão calorosa quanto essa que estou te dando... -O imortal a olhou torto e ela continuou indo em direção a onde Ryan havia vindo. -Já se faz um ano e meio Sieg-nii, muita coisa mudou... Muita.
—Era disso que eu temia. -Murmurou Sieghart, mas Amy já havia subido e ela não o ouviu.
Sieghart adentrou a pequena vila da Grande Caçada e começou a analisar o lugar, como havia visto de longe havia sim um ferreiro, padaria, marceneiro e outros afina naquele lugar, parecia um distrito de Serdin por completo.
—Lothos esteve bastante ocupada.
Já era finzinho de tarde e Sieghart viu em sua frente o quartel. Sem tocar nem nada adentrou o forte e novamente analisou o lugar, não estava muito diferente da última vez eu havia visitado. Era um forte grande com três andares, no térreo ficava o salão de entrada que a direita e a esquerda haviam portas que levavam para cozinha, banheiro comum, armazém, uma sala para descansar e outros cômodos que ele mesmo não conhecia.
A frente do salão subia uma escada que se dividia para a direita e a esquerda, que para cada lado fazia-se um corredor com várias portas, quartos dos integrantes da caçada. Mas jugando como cresceu a região, supunha que moravam nos arredores também. No final os corredores viravam e se uniam formando outras duas escadas para o terceiro andar onde era a sala de reuniões oval e a sala da Comandante.
E como precisava conversar com Lothos foi direto para sua sala. Subindo alguns degraus foi ouvindo conversas vindo de alguns quartos, jurava que havia ouvido Ronan e Arme conversando, em outro quarto ouviu alguém malhando, com certeza Jin.
Ao chegar na porta da Comandante Sieghart bateu três vezes como de costume e já foi adentrando o local, Lothos estava em sua mesa concentrada em alguns papeis.
Estava tão concentrada que não ouviu Sieghart entrando. Ele sentou-se e pigarreou de leve.
—Elesis já disse que não dá pra gente enviar outro grupo de bus... -Sieghart ouviu atentamente, mas decidiu intervir e disse:
—Lothos...? -Ela olhou para cima e demorou alguns segundos para relacionar quem era. Ela em choque então se levantou e bateu continência.
—General, como vai?
—A vontade Lothos, não estou aqui como seu superior. -Disse Sieghart sorrindo, Lothos corada voltou a se sentar e logo perguntou.
—Tenho que perguntar Sieghart, onde esteve e por onde andou esse tempo todo? -A persona de Comandante havia voltado e Sieghart soltou uma leve risada.
—Fui enviado em uma missão de urgência para Arquimedia e Atôn, acontecimentos que não aconteciam a seiscentos anos voltaram a acontecer... -Nisso Lothos juntou os fatos e ficou boquiaberta.
—Cazeaje...
—Sim ela voltou e está mais forte do que nunca e sinto que sua influência está se aproximando de Serdin, ouvi boatos de que ela estaria reconstruindo sua fortaleza em Ellia, mas ali não é seu foco, seu foco é e sempre será algo ao norte, existe algo ali que a tem atraído. E isso eu não consegui informações, não consegui chegar perto o suficiente para fazer uma boa coleta de informações...
—Isso explica... Sim, mas é claro... -A cada palavra de Sieghart, Lothos ficava mais aflita.
—Sim? -Ela suspirou e olhou nos olhos de Sieghart e disse:
—Quando eu disse agora a pouco que Elesis queria novamente um time de busca... -Sieghart fechou os olhos e suspirou.
—Lass...? É Lass que desapareceu não é mesmo?
—Sim... -Sieghart suspirou novamente e ficou calado por alguns instantes. -Sieghart...?
—O que conversamos aqui hoje Lothos eu irei explanar em uma reunião que farei com toda a caçada. Mas me dê ao menos um dia ou dois... Estou muito cansado e preciso... Revê-los.
—Sim eu entendo. -Disse Lothos com um leve sorriso no rosto, ao abrir o armário pegou uma chave e quando foi entregar a Sieghart, ele a parou dizendo:
—Não precisa Lothos. -Sieghart tirou de seu pescoço onde havia uma chave e um pingente fechado. -Não saio de casa sem levar as chaves. -E começou a sair, não antes de Lothos falar:
—Bem vindo ao lar Sieghart. -Ele de costas fechou os olhos e disse:
—É bom estar em casa.
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