Imortal

6 Capitulo 6


Imortal

Sieghart claro, não conseguia dormir. Tinha muita coisa em sua cabeça. A missão que teria de fazer, como iria se despedir, o aniversário de Elesis. Pensava em meios de resolver isso sem machucar ninguém. Evitar quaisquer problemas futuros que isso iria acarretar.

Não queria ir, isso era claro. Mas tinha a obrigação de fazer o que era mandado fazer. Ser o emissário dos deuses era um dos pontos negativos de ter ganho sua imortalidade. Ele poderia fazer tudo o que lhe convir, mas quando chamado para alguma missão tinha que parar tudo que fazia e ir até Xênia e agora não seria diferente.

A única coisa naquele momento que lhe garantia um sossego era o som suave da respiração de Elesis. Era calmo e bem rítmico. Ela estava deitada com sua cabeça no torço de Sieghart. A camisa do imortal estava um pouco molhada por causa do choro da menor, mas isso não importava, ela estava ali com ele e ele faria de tudo para tornar a noite dela melhor.

Enquanto um dos braços ela usava como encosto, com o outro braço Sieghart fazia carinho nos fios ruivos da menor. Com os dedos ele fazia pequenos carinhos na bochecha macia dela, segurava de leve a cintura de Elesis fazendo carinhos ali também, ou seja, tudo, tudo para tornar a noite mais tranquila para ela.

Era acostumado a fazer esse tipo de coisa, sempre teve dificuldade para dormir. Além de que ele se deitara com milhares de mulheres ao longo de sua vida, o bastante para saber o que se deve fazer para dar prazer a mulher ou simplesmente, como no caso, deixa-la confortável.

Ele depositou sua mão na bochecha dela e beijou a testa da garota de leve. Quando soltou os lábios de sua testa notou que ela estava com os olhos semiabertos.

—Múmia já é de manhã? -Perguntou a jovem com a voz sonolenta. Ele sorriu de leve e pegando de leve na cintura da menor a aproximou de seu corpo a deixando mais confortável.

—Não ruiva ainda é de noite. -Ela olhou para a janela, que ficava do lado da cama, e notou um fecho de luz claro azulado que entrava no quarto e concordou.

—E... Por que ainda está acordado?

—Tenho problemas para dormir, se quiser eu vou para meu quarto para deixa-la dormir mais um pouco. -Não queria sair, ele admitia mentalmente, mas se ela pedisse ele faria. Ele começou a sair da cama, mas Elesis não o deixou ir colocando a mão dela na cintura dele o fazendo ficar.

—Não, pode ficar. -Disse ela quase voltando a dormir de novo. -Vem aqui. -Agora os papeis estavam invertidos, ela puxara Sieghart num abraço. A cabeça do imortal agora ficava no torço da jovem e ela passava os braços na cabeça dele o abraçando. Ela sorriu docemente vendo a cara de desentendido e disse de leve: -Não abuse Sieghart, ou vai se arrepender de ter nascido. -Ele sorriu e se aconchegou nesse abraço puxando o ar de leve e sentindo a fragrância jovem e bela que era Elesis. -Boa noite... E obrigado...

Ele sorriu e respondeu: -Boa noite minha ruivinha.

Dia 1

Elesis acordara cedo no outro dia. O dia começara frio e confortável e o jeito que Sieghart estava deitado com ela melhorava mais a situação. Não queria sair dali, mas como era costumeiro dela queria ser a primeira a estar de pé entre os integrantes da grande caçada. Sieghart ainda descansava sua cabeça no pescoço de Elesis e seus cabelos ficavam fazendo carinho em seus cabelos.

Mas primeiro tinha que fugir do agarro do imortal, não que fosse difícil, Sieghart dormia como um touro, parecia até que não dormia assim a séculos. “Faria muito sentido” pensou Elesis. Ao se levantar colocou logo seu coldre com sua espada e seu casaco de espadachim. Gostava de estar preparada para todo tipo de ocasião e mesmo nessa calmaria da floresta da vida não podia manter sua guarda baixa.

Antes de sair deu um beijo na testa de Sieghart e deu uma leve risada vendo a cara de abobado. Desceu as escadas e foi para cozinha preparar seu café forte como amava tomar. Sempre que sentia sono matinal tomava café para reforçar sua atenção. A caçada sempre carregava itens uteis para as longas viagens que faziam e isso envolvia carregar café e outros ingredientes.

Sentou-se na mesa de madeira que era adornada por uma camada fina de musgo, cipós e flores que seguiam padrões de cores vermelhas, brancas e amarelas. Tomou o primeiro gole e logo se sentiu mais animada.

Algo não deixava de sair da mente de Elesis enquanto tomava seu café. Sieghart estava agindo muito estranho. Ok, mais do que estranho.

Sieghart sempre foi animado, risonho e piadista, mas ela tem notado discretos olhares de tristeza em sua face. Os que ele rapidamente mudava para caras sorridentes, mas ela conviveu tempo suficiente com a caçada para perceber quando alguém finge alguma coisa. Sieghart estava escondendo algo de todos. Mas mesmo sabendo que ele esconde algo ela não conseguia sentir vontade de querer se aprofundar nesse mistério. Tinha medo de tocar em algo profundo do passado do imortal.

Era como ele tivesse perdido o brilho dele... Ela se preocupava com ele. Ele era família, mas ao mesmo tempo não era. Sinceramente depois de seiscentos anos é provável que não tenha 1% do sangue dele realmente. Ele a protegia, mas deixava ela se proteger, lutava ao lado dela, mas incentivava ela a continuar lutando... Não sabia o que sentir em relação ao imortal.

—Bom dia Elesis! -Disse Arme bocejando e tirando Elesis de seus pensamentos. Elesis demorou alguns segundos para reagir, mas respondeu com o melhor sorriso que tinha:

—Bom dia Arme dormiu bem?

—Sim, até que sim, mas tenho certeza que alguém aqui dormiu melhor que eu ein? -Elesis quase cospe o pouco de café em sua boca e fica ruborizada, o que traz uma risada a maga. -Quando vimos que um certo imortal não saia do seu quarto. Não sabíamos se ficávamos preocupados ou animados de algo ter acontecido. -Elesis recuperou a compostura, embora ainda mantivesse um leve rubor e disse:

—Não aconteceu nada, ele só me consolou... Você viu como fiquei ontem. -Arme parou de rir e concordou com a cabeça.

—Mas seria interessante se tivesse acontecido algo, ein Elesis? -Disse agora Lire se juntando a conversa.

—Não, não seria. Além do mais vocês estão bem enxeridas hun? Estão parecendo a Amy. -O que Elesis disse tirou risadas das três.

—Vocês podiam calar a boca sabe? -Disse uma voz sonolenta na sala. Era Lass que ainda tentava dormir. As três ficaram com vergonha, principalmente por causa do conteúdo da conversa, mas logo voltaram a rir.

Sieghart acordara assustado. A poucos segundos tivera outro sonho, mas dessa vez tinha certeza de que o sonho tinha sido influenciado. Sonhou com Cazeaje no quarto que ele estava e falando com ele.

Ela aparecia ao lado de sua cama com uma roupa de seda fina que mostrava o, estranhamente pois ele já vira o monstro que ela pode se tornar, esbelto e sexy corpo que ela tem. Era transparente o que mostrava os seios fartos e suas curvas, estava de cabelos soltos embora os chifres ainda estavam lá. Ela dizia:

“Lembra-se de como me chamavam meu amado? ” -Novamente aquele tom sedutor e assustador ao mesmo tempo. E como antes não conseguia se mover. “Vamos, você deve se lembrar. “ -Sim de certo modo ele se lembrava.

“K-karina... “ -Ela sorriu maliciosamente lambendo os lábios. Depositou uma das pernas na cama onde Sieghart se encontrava que abria suas vestes mostrando sua coxa para o imortal. Cazeaje então tocando na blusa do imortal fez com que ela se desintegrasse em fagulhas de chamas mostrando o abdômen de Sieghart.

“Ainda bem que se manteve em forma... “ -Tudo que ela falava era como se ela o conhecesse melhor que muitas pessoas, como se eles tivessem um passado antes. Ele sentia dores de cabeça só de pensar nisso, era como se sua mente o bloqueasse de tentar acessar essas memórias. “Não tente se lembrar ainda... Tudo será revelado com o tempo meu amado. ” -Subindo na cama e sentando-se em cima da cintura do moreno ela desamarrou as vestes deixando Sieghart vislumbrasse com sua beleza, deitou-se sobre seu peito e deu leves mordidas em seu peito e pressionava seus seios contra o corpo do imortal.

Arranhava o peito dele de leve com suas unhas afiadas. Subia as mordidas e os beijos para o pescoço de Sieghart que relutantemente soltava leves gemidos. Ela então começou a movimentar seu quadril arrancando suspiros de Sieghart.

Então ao sentir algo ali ela também suspirou.

“Alguém parece que se animou, hun? “ -Disse ela sorrindo maliciosamente.

“Bem é meio difícil... Não é mesmo...” -Sussurrou ele tentando falar alguma coisa. “A-afinal de contas você não fede a sarna q-quando está nessa forma...” -Cazeaje ou Karina riu maldosamente e mordeu fundo no pescoço dele deixando uma marca o fazendo suspirar e a ela também pois sentiu o corpo do imortal reagir.

“Bom creio que é hora de partir meu amado... Por mais que eu queira continuar isso aqui. “ -Dessa vez ela levou suas mãos a calça do imortal o fazendo sentir prazer aonde ela tocava. “Queria lhe sentir... Mas ainda não é a hora. Você ainda será... Meu... “

E assim Sieghart acordou assustado e sentindo um aperto no coração, além de notar que as marcas que ela fizera no sonho estavam em volta do seu corpo.

—Então... Não foi um sonho... -Seu coração palpitava rapidamente enquanto processava o que ocorrerá. Cansado levantou da cama e colocou seu casaco e saiu do quarto.

Todos já estavam acordados, ou pelo menos quase todos. Amy estava pintando as unhas, Arme e Lire junto de Ryan faziam o almoço, este sempre beliscando a comida e levando bronca das outras duas. Lass dormia no sofá e Mari estava sentada na mesa estudando seu livro, enquanto Ronan e Elesis discutiam algo sobre organizar as coisas para viagem pra Serdin. Jin continuava treinando com seu boneco lá fora.

Sieghart foi então sentar ao lado de Mari que lhe deu um bom dia calmo enquanto passava os olhos pelo seu livro, ela notou que ele estava um pouco suado e com olhar cansado. Elesis sorrindo veio até ele também lhe dando bom dia e querendo lhe perguntar sobre o assunto que estava em discussão, mas Mari a interrompeu dizendo:

—Sieghart... Que marcas são essas no seu pescoço? -Sieghart congelou e olhou para Mari que não tirava os olhos do livro. Todos que estavam ali, até mesmo Lass que abriu um dos olhos, pararam o que estavam fazendo e prestaram atenção no que Mari tinha dito.

—Hun, Elesis? Você não disse que nada aconteceu? -Disse Lire segurando a risada. Elesis então chegou perto de Sieghart e afastou a blusa do imortal para ver a marca e notou que não parava só ali.

—Sieghart tire a blusa... -Não preciso dizer que Amy soltou o esmalte, Lire e Arme pararam de rir na hora e Mari abaixou o livro.

—Hun... Como é? -Mal tinha acabado de falar e seu casaco e sua blusa já estavam no chão. E todas as meninas e agora também os meninos ficaram assustados. As marcas estavam piores do que quando acordou, estavam inchadas e exibindo hematomas bem marcados.

—Elesis o que você fez? -Perguntou Arme agora com um tom mais sério e chegando perto para examinar Sieghart que estava mais abatido ainda. Elesis se ajoelhou ao lado de Sieghart pegando na mão dele.

—Eu não fiz nada, eu te disse a gente só dormiu junto... Ah merda. -Ela notou o problemão que havia criado ao falar isso. Amy saltou de sua cadeira e foi correndo começando a questionar o que aconteceu, Lass caiu do sofá surpreso, a caneca de Ronan caiu se quebrando e Mari ficou olhando para Elesis e Sieghart. Ryan, bem Ryan só sorria enquanto comia um pedaço da carne.

—Ruiva, as vezes é melhor ficar quietinha... -Disse Sieghart tentando forçar um sorriso, mas agora estava tremendo e suando mais. Das feridas começaram a escorrer pequenas gotas roxas. Ela pegou Sieghart no braço e junto com Lire o levaram para o quanto onde deixaram Zero e Grandark descansando.

—Sieghart, o que está acontecendo? —Perguntou G.D. que já estava nas costas de Zero que parecia já estar pronto para viajar novamente.

—Não sabemos ele apareceu assim na cozinha, ele não estava quando acordei. -Disse Elesis ajudando Lire a limpar as feridas.

—Isso é ferida magica, só pode ser coisa de bruxa. Mas como ele pode ter ficado desse jeito, ele não se envolveu em nenhuma batalha desde a luta contra você Zero. -Disse Arme preparando um feitiço para retirar o que parecia ser veneno do sangue do imortal.

Sim é ferida magica e muito poderosa por sinal. A última vez que consigo lembrar dos registros de nosso criador de feridas desse modo que saiam esse liquido roxo... Era na época de Cazeaje. -Todas pararam por um segundo olhando surpresas para Zero, mas ao ouvir Sieghart uivando de dor voltaram sua atenção para o imortal.

Sieghart com suas últimas forças olhou para Elesis e viu antes de desmaiar uma pequena lagrima sair dos olhos da menor... E entrou num sono profundo.

Ao abrir os olhos novamente não estava mais no quarto feito da arvore de Gaia, estava em pé frente aos portões que um dia estivera a seiscentos anos atrás. A sua frente os portões velhos e reforçados que um dia passou e vindo em sua direção vinham seis guardas da escuridão. Sacou sua lamina, a highlander, e correu em direção a primeiro.

Segurava a lamina para trás e a primeira coisa que fez foi desviar do primeiro golpe e dar um golpe no estomago do inimigo o desintegrando em fumaça. O segundo e o terceiro vieram atacando em conjunto, Sieghart correu e conseguiu saltar passando por um espaço entre os dois golpes que visavam atacar-lhe a perna e o pescoço. Ao colocar o pé no chão, virou-se e enfiou a lamina nas costas de um dos atacantes.

Para sua surpresa um quarto monstro veio com tudo dando outro golpe, ele retirou a lamina do corpo do monstro que virava fumaça e desviou do golpe segurando a lamina do guarda com uma das mãos e a cortando com a espada. Após isso virou seu corpo cortando a cabeça deste inimigo e cortando o segundo inimigo pela metade a partir do abdômen.

O quinto e o sexto ficavam se empurrando para ver quem ia primeiro, ou seja, estavam com medo de enfrentar o imortal. Sieghart colocou a arma na bainha e começou a se aproximar dos inimigos. Os pegou pelo pescoço já que deixaram sua guarda baixa e começou a exalar uma energia negra de seu corpo:

—Provocação Fatal!—A esclera de seu olho, ou a cor branca dos olhos agora era negra e o corpo dos Guardas começara a findar se tornando carcaças imóveis e sem vida. O que Sieghart não esperava era tomar uma porrada logo em seguida pois uma criatura gigante que segurava em sua mão gigantes parafusos o atacara. Sieghart foi arremessado, mas conseguiu controlar a queda. -Droga! -Disse o imortal.

A criatura, um Troll gigante possuído pela bruxa, veio correndo e quando ia dar um último golpe a mão de Sieghart se encheu de energia roxa e seus olhos ficaram negros novamente.

Como um raio Sieghart atravessou a criatura em sua barriga gritando:

—Investida Fantasma!

Parou um segundo para se recompor e respirar um pouco, estava cansado, ele não era imortal ainda, lembrou-se. Ao olhar para frente viu milhares de outros monstros no pátio do castelo encontrava-se uma moça vestida com um vestido preto com detalhes roxos longo que ao tocar no chão se desfazia em fumaça que disse:

—Vamos brincar meu jovem guerreiro! -E entrou para dentro do castelo.

Notas finais
Por favor comentem, quero o feedback de vocês agora que voltei a postar mais capitulos ^^ !