Imortal
1 Capítulo único
Notas iniciais
Espero que gostem.
Uma fina chuva caia sobre os ombros da garota, de negro de cima a baixo, parada na frente de uma lápide nova. Ela segurava flores brancas e tinha os olhos vermelhos de chorar. O enterro do irmão, vítima de bala perdida, havia acabado a 15 minutos, mas ela continuou em pé ali. Pensou em toda a vida que tiveram juntos. Lembrou-se do primeiro chute que ele levou de uma garota, ela entrou em seu quarto e o viu chorando. Não disse nada, simplesmente o abraçou e enxugou cada lágrima. Quando ameaçaram ele na escola por ter visto quem roubou a copia de uma das provas, ela que o ajudou a contar de forma que parecesse que não havia sido ele. Os dois juntos eram imbatíveis. Porque a deixara agora, sozinha, com a mulher horrível com quem seu pai se casara?
Caiu de joelhos no cascalho, levando o rosto as mãos. Chorou soluçando alto, o mais alto que ela já havia soluçado. Lembrou de todos os bons momentos que passaram juntos. De como ele tinha dado uma dura de brincadeira no seu namorado assim que ele a pediu em namoro. Como ele sempre a ajudava com as matérias difíceis. De como ele ia dar um beijinho de boa noite em sua testa antes de dormir. De como ele a chamava de “pequeña” e ela o chamava de “pequeño”. Porque era tão difícil dizer adeus, se ele já tinha se ido? Ido para sempre.
Um grito escapou de sua garganta. Um grito preso a três dias, que foi quando seu irmão foi baleado. Levantou a cabeça aos céus e gritou. Gritou com vontade, até a voz acabar. Então abaixou a cabeça e voltou a chorar copiosamente. Não, ele não gostaria de vê-la assim. Percebeu que a chuva engrossava. Era melhor voltar para casa antes que pegasse um resfriado. Enxugou as lágrimas e pôs a rosa branca em frente à lápide, onde se lia “Juan Pedro : 1993 – 2013 : Uma estrela a mais no céu”.
-Me perdoe. – A menina murmurou com o pouco de voz que restava – Me perdoe por ser fraca. Me perdoe por cada briga. Me perdoe por tudo Juan... Eu te amo, pequeño.
Dito isso, a garota se levantou e abriu o guarda-chuva, também negro. Enquanto se afastava, um vento balançou os cabelos escuros da menina e ela pode sentir a sensação morna que sentia toda vez que seu irmão falava “Eu te amo, pequeña”. Uma lágrima escorreu involuntariamente quando, sentindo um vazio crescer em sua alma, olhou para trás.
-Você sempre estará aqui comigo Juan. Você sempre será imortal para mim. – Sussurrou antes de seguir para o mundo, agora muito menos colorido sem seu irmão.
Fale com o autor