Imortal
6 O esconderijo
Depois que eu desmaiei tudo aconteceu rápido demais. Stephan e Jason partiram falhamente para cima de Carl. O vilão me pegou em seus braços e antes de partir, disse:
_ Brevemente nós nos encontraremos, imbecis.
E magicamente Carl sumiu, me levando juntamente consigo.
Stephan caiu ajoelhado na grama de todo o jardim e então as lágrimas que o garoto tanto prendia, despencaram, debatendo-se com o vento gélido que insistia em cantarolar por ali.
_ O que a gente vai fazer? – Stephan perguntou ainda ajoelhado e com a cabeça baixa.
_ Se tivermos sorte e Carl for descuidado, ele provavelmente irá para seu esconderijo, que por sinal eu sei onde é, já que trabalhava para ele.
Stephan levantou a cabeça e então olhou para o garoto que estava em pé ao seu lado.
_ Desculpa.
_ Desculpar pelo quê? – Jason perguntou sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo ali.
_ Me desculpa por duvidar de você, mesmo depois de ter dito que queria protegê-la também.
_ Ei cara, não se preocupe... No seu lugar, eu faria o mesmo. Não é fácil confiar na pessoa que estava destinada a fazer o mal. – Jason disse e estendeu a mão para que Stephan se levantasse. – Estamos aqui pelo mesmo propósito, então não há motivos concretos para guardarmos rancor. Temos que nos unir e mais do que nunca precisamos ter fé de que iremos salvá-la.
Stephan pegou na mão de Jason e olhou para o garoto, levantando em seguida.
_ Tudo bem, estou contigo. Tudo pela Car.
Eles apenas balançaram as mãos em sinal de união e logo começaram a pensar como fariam para me encontrar;
_ Você vai precisar passar em casa e fazer uma mala rápida, pois vamos viajar. – Jason disse.
_ Sem problemas, você me acompanha?
_ Claro, e enquanto isso nós pensamos no que podemos fazer, certo?
_ Certo.
Os dois andavam rapidamente pela calçada e pareciam mais que estavam correndo. A casa de Stephan não era tão longe do Colégio, por isso não demoraram muito para chegar.
Subiram os degraus correndo, e Stephan pegou tudo que precisaria, e enquanto guardava as roupas e acessórios em uma mochila, Jason andava de um lado para o outro em busca de uma solução.
_ Já sei!
_ O que? – Stephan parou no meio do caminho e olhou para Jason.
_ A Carollyne usava algo que era da Anne?
Stephan parou para pensar, mas não foi muito difícil descobrir.
_ Sim, ela usava um colar que eu dei para Anne, há muito tempo atrás.
_ Ela estava com ele?
_ Não consigo me lembrar... Vamos passar na casa dela e procurar.
_ É, pode ser.
Os dois se apressaram. Stephan guardou tudo que tinha que guardar, e então desceu juntamente de Jason, para o andar inferior da casa, tentando ainda lembrar se eu estava usando ou não o colar formado por um cristal em formato de coração e com as iniciais de Steph gravadas lá dentro. Após as várias tentativas falhas de recordar, decidiu encarar o vento e correr contra o tempo em busca do colar.
_ Mas então, em que esse colar vai nos ajudar?
_ Desse jeito, vai ser mais fácil encontrar Carollyne, só precisamos ter a sorte de encontrá-lo em casa.
_ É, tomara.
Enquanto corriam, Steph se lembrou de um fato muito importante: Havia bastante tempo em que ele não recebia uma carta de Anne, e talvez, aquilo os ajudassem, ele só precisava saber se realmente havia mais uma carta e onde ela estava.
Ao chegarem à minha casa, Stephan tratou de encontrar a chave dentro de sua mochila e abrir a porta. O primeiro e único local em que eles procuraram foi em meu quarto. Reviraram tudo e é lógico que deixaram a maior zona no meu quarto. Caso eu saísse viva eu precisava lembrar de brigar com os dois depois.
Enquanto Jason procurava no banheiro, Stephan procurava nas gavetas ao lado da minha cama, guarda roupas.
Depois de muito esforço em vão, os dois se sentaram no chão e começaram a conversar.
_ É, acho que ela foi com o colar.
_ É o que parece.
_ Mas, eu não entendi. Como ao certo isso ajuda?
_ Como o colar era da Anne, que hoje é metade Carollyne, posso fazer um feitiço. É como se o colar unisse as duas, e é uma ligação muito forte. Através dele podemos fazer um certo tipo de conexão com as duas, e descobrir qualquer coisa que quisermos.
_ Isso viria muito a calhar agora.
_ Pois é.
Stephan deitou no chão enquanto olhava para o teto e pela primeira vez sentia muito medo. Medo de me perder; Medo de nunca mais poder me tocar. Mais uma vez ele segurava as lágrimas porque não queria parecer idiota na frente de Jason. E ele sentia muito a minha falta.
_ Ei cara, eu sei como é a dor de perder alguém. Eu era aliado do Gregory e tinha uma namorada. Quando Carl começou a querer derrotar Gregory, marcaram um jantar e eu e Jane fomos convidados. No meio do jantar minha garota começou a passar mal e rapidamente caiu morta no chão. Infelizmente Carl conseguiu me enganar, dizendo que quem havia envenenado a bebida dela fora Gregory, e eu cegamente tomado pelo ódio, acreditei e me voltei contra ele, unindo-me a Carl. Depois de tempos que descobri a verdade, mas já era tarde. Gregory estava banido e se eu não fosse mais leal ao Carl, ele jurou que me mataria.
_ Nossa, então é por isso que você trabalha para ele?
_ Exatamente.
Os dois ficaram em silêncio e então, ainda deitado no chão, Stephan virou a cabeça para o lado e algo lhe chamou a atenção. A luz batia em alguma coisa que estava em baixo da cama e reluzia algo brilhante.
Stephan se ajoelhou e aproximou do objeto. E ficou extremamente feliz quando achou; Era o colar.
_ Jason! Jason! Achei o colar!
_ Ótimo, então vamos nessa.
Enquanto desciam as escadas, Stephan se lembrou de olhar a caixa de correios, em busca de encontrar uma terceira carta, que os ajudassem a me salvar; E para a segunda felicidade dele no dia, lá estava a Carta, grafada com a caligrafia de Anne Waste.
_ O que é isso? – Jason perguntou curioso.
_ Anne escreveu várias cartas para mim e Carollyne, para que soubéssemos como proceder em relação ao Carl.
_ Hum, legal. Mas vamos, estamos sem muito tempo.
Stephan guardou a carta em sua mochila e saiu correndo juntamente de Jason. Eles pegariam o carro e dirigiriam a noite toda para encontrar o esconderijo de Carl. Jason se encarregou de dirigir, já que ele sabia que não dormiria, e enquanto isso Stephan poderia descansar, pois era tarde da noite e ambos logo precisariam de muita força. Uma luta estava prestes a ser travada, e Stephan e Jason não pretendiam falhar.
_ Por que você não nos tele transporta? Você não é um bruxo? Não tem poderes para isso? – Stephan perguntou.
_ Não tenho poder para longas distâncias. Por exemplo, não posso nos tele transportar para onde o Carl está, mas quando chegarmos ao esconderijo eu posso nos levar para dentro. Entende?
_ Ah, é como se fosse curto alcance, né?
_ Exatamente.
_ Jason, você realmente acha que nós vamos conseguir salvar Car? – A aflição na voz de Stephan era claramente perceptível.
_ Nós vamos fazer de tudo para que ela não morra. Mas entenda, Carl é muitíssimo poderoso e pode acabar com nós dois em um milésimo de segundo.
_ Não importo. Se eu pelo menos souber que ela vai sobreviver e ficar bem, eu me sacrifico. Eu só quero que ela não sofra nada, pois eu sei que não vou suportar a idéia de que a perdi.
Stephan abaixou a cabeça e por um segundo foi possível saber que lágrimas se formavam em seus olhos.
Ele estava preocupado. Pela primeira vez o garoto estava preocupado de verdade. Nunca havia amado uma garota tanto quanto me amava e tudo que Steph menos queria era me perder. Ele sabia que eu era sua metade e não queria que eu encontrasse o fim tão trágico que me aguardava; Se preocupava demais comigo.
Meu namorado tentou não pensar no pior e focou na paisagem negra e manchada que se movia rapidamente do lado de fora do carro e notava o céu sem estrelas. A única coisa que iluminava naquela noite era o farol do carro.
Jason também estava preocupado, mas não queria demonstrar. Tinha medo... E tinha medo principalmente de não ser capaz daquilo que havia me prometido: Me proteger de qualquer ameaça. Ele já se sentia mais do que culpado por não ter conseguido evitar a minha captura e não aceitaria o fato de ser incapaz de evitar minha morte, apesar do garoto saber que isso era a verdade... Ele não tinha forças suficientes para enfrentar Carl, mas se esgotaria ao máximo para tentar.
Os dois não se comunicaram mais; Ambos focados na estrada. Os pensamentos perdidos, as emoções em alta, o medo que gelava a espinha... Os sentimentos exagerados e reações internas causadas pelo nervosismo.
Depois de muito tempo, Steph acabou pegando no sono, afinal, era humano e precisava dormir. mas Jason permaneceu acordado até que encontrasse seu destino: O esconderijo de Carl.
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