Imortal

3 E de repente... Jason


Enquanto andava pela rua, sentia uma presença estranha. É como se as sombras tivessem vida. Acelerei o passo e tentei ignorar toda aquela coisa sombria que de alguma forma estava escondida, mas conseguia me seguir.

Cheguei em casa e entrei rápido. Pim subiu as escadas correndo e pulou em minha cama. Eu tinha que dar um jeito de ligar para Jason, mas logo que pensei nessa possibilidade, a campainha tocou.

Desci correndo e quando abri a porta, não tinha ninguém.

_ Droga!

Bati a porta e retornei ao meu quarto. Tomei um susto tremendo; Jason estava sentado na janela.

_ Caramba! Assim você me assusta!

_ Desculpa.

_ Nem vou perguntar como você subiu aqui... Ultimamente você vem me surpreendendo mesmo.

_ Poderes...

_ Então, vamos continuar nossa conversa... – Eu disse enquanto pegava meu vestido e o deixava pendurado no guarda roupa para não amassar.

_ Você realmente acha que eu tenho a intenção de te machucar?

Eu me virei para Jason e disse:

_ Não, eu na acho.

_ Então por que fala que tudo isso pode ser uma armadilha?

_ Porque você pode estar fingindo.

_ Caramba Carol! Eu já disse que não.

_ Tudo bem Jason, eu realmente tento acreditar em você, mas tenta me entender, eu fiquei chateada!

_ Eu sei, eu sei.

_ Mas então, me conta mais sobre o Carl.

Sentamos no chão.

_ Ele vai se vingar o mais rápido possível Carol. Tem alguém próximo à você que não está aqui?

Pensei bem e arrepiei quando raciocinei.

_ Me-meus pais! – O medo subiu pela espinha e me fez gaguejar.

_ Isso não é muito bom.

_ Mas eles estão vindo para cá, por causa do baile de formatura! Chegam hoje de madrugada ou amanhã bem cedo! – Eu comecei a ficar desesperada. – Meu Deus do céu! E se acontecer alguma coisa Jason? E se Carl machucar meu pais? Não, isso não pode acontecer! – Eu abracei os joelhos e coloquei a cabeça entre eles.

_ Calma Carol...

_ Jason, eles são tudo o que eu tenho!

_ Olha, eu não posso garantir nada para você, mas pensa positivo.

_ Vou tentar. Mas, me fala desse canalha.

_ Ele quer o seu dom de juntar as almas.

_ Isso eu já sei. E onde eu posso encontrá-lo?

_ Ninguém sabe. Ele sempre vem até você.

Fiz uma cara de “droga” e Jason perguntou:

_ Por que essa pergunta Carollyne?

_ Ahn... Ér... Nada não, apenas curiosidade.

_ Acho bom você não estar planejando nada que nos desagrade.

_ Jason, estou com medo. – Eu desviei o assunto, mas não disse nenhuma mentira. Eu estava com muito medo mesmo.

_ Ei, relaxa, eu já disse que vou te proteger.

_ Mas e se ele te vencer? – Eu me levantei e fiquei encarando o garoto.

_ Eu morro, mas te protejo até o último segundo.

Eu abaixei a cabeça, ele se levantou, foi até mim, subiu minha cabeça e disse:

_ Eu nunca vou deixar alguém te machucar.

_ Obrigada. – Eu sussurrei.

Ele me deu um abraço super aconchegante.

_ Me faz um favor? – Eu pedi.

_ Claro.

_ Fica aqui hoje? Quero dizer... Lógico que não vai acontecer nada, mas é só para vigiar. Tipo, eu estou com medo, de verdade.

_ Sem problemas.

Aquilo ia ser super estranho, mas ele não disse que ia me proteger? Pronto, aquela era uma forma de proteção.

_ Então, eu vou tomar um banho.

_ Está com fome?

_ Não muita, e você?

_ Um bocado.

_ Depois do banho eu faço algo.

_ Não precisa se preocupar, eu me viro.

_ Ok.

Peguei a minha roupa e entrei no banheiro. Liguei o chuveiro e fiquei a observar a água cair. Geralmente eu refletia na hora do banho.

Entrei debaixo da água e deixei-a percorrer meu corpo; Indo da cabeça às pontas dos pés. Levei as mãos ao rosto, seguindo em caminho aos cabelos e passando os dedos pelo emaranhado de fios ruivos. Observei as marcas, e delicadamente passei o dedo por elas, fazendo todo o seu trajeto, e me distraí mais naquele braço, o braço direito, que há um dia não parava de sangrar, e que agora estava quase perfeitamente bem; Havia uma linha rosácea no lugar.

Terminei meu banho um pouco demorado e me vesti rapidamente. Ao sair do banheiro lá estava Jason, sentado no chão e brincando com Pim.

_ Parece que ela gostou de você. – Eu disse sacudindo a toalha no cabelo.

_ É, acho que sim. – Ele deu uma risada.

Sentei na cama e disse:

_ Então, isso tudo vai ficar só entre nós dois.

_ Isso o quê?

_ Nossa conversa, você aqui, tudo.

_ Sem problemas. – Ele se sentou do meu lado.

_ E caso meus pais apareçam, se esconda!

_ Eu sou um bruxo, esqueceu?

_ Pequeno detalhe. – Eu ri. – Olha, eu estou te dando um voto de confiança. Depois de tudo que você fez, isso é o que você menos merecia.

_ Pode deixar, não vou falhar.

_ Então ta, vou dormir.

Deitei, apaguei as luzes e disse:

_ Boa noite.

_ Boa noite. – Ele respondeu.

Dormi rapidamente e profundamente, porque nem percebi as horas passarem muito rápido.

Acordei com uma mensagem que dizia:

“Filha, nosso vôo atrasou. Não precisa nos esperar, pois não sabemos a hora que vamos chegar. Desculpe.”

_ Ah, droga!

_ O quê? – Jason perguntou.

_ Ah é, você está ai! – Eu tinha me esquecido desse pequeno fato. – Meus pais me mandaram uma mensagem, o vôo deles está atrasado e não sabem a hora que vão chegar.

_ Bem, eles ainda pretendem chegar, então não se preocupe.

Eu estava sentada e então caí de costas na cama e esfreguei o rosto.

_ Quantas horas já são?

_ Já são meio dia e meio.

_ Mas já? – Dei um grito e levantei. – Eu tenho que ir à casa de Stephan!

Levantei, peguei uma roupa e fui correndo para o banheiro me trocar. Eu tinha que almoçar com ele, depois planejar meu penteado e maquiagem e ficar pronta antes das seis horas da tarde; Ir para o salão do baile e aproveitar, afinal, era a minha formatura.