Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=lV-gDGQN3qg&feature=related Nao eh uma Songfic normal, vou postar apenas algumas partes das musicas, e as vezes, vou repeti-las.

.:Iris:.

Pequenos pingos de chuva molhavam o asfalto naquela noite. A fumaça das chaminés percorria o céu, aquecendo e trazendo o familiar aroma de madeira queimada.

"E eu desistira da eternidade para te tocar Pois eu sei que de alguma maneira você pode me sentir Você é o mais próximo do paraíso em que eu jamais estarei E eu não quero ir para casa agora."

O silencio foi rompido com o pequeno som de passadas rápidas. Uma garota. Era ela que corria pela rua esburacada, pisando com os pés descalços nas poças d'água. O vento batia em seus cabelos, fazendo-os chicotear contra seu rosto pálido como o de um fantasma. Na mao esquerda, um bau, e com a direita segurava o colar de crucifixo. A barra do vestido negro, rasgada, era arrastada pelo chão. Preso ao cinto, um punhal. Lágrimas negras, manchadas pelo delineador, escorriam-lhe pela face, destacando-lhe as iris vermelhas.

"E tudo que vejo é este momento E tudo que respiro é sua vida Porque mais cedo ou mais tarde isso irá acabar Eu só não quero sentir sua falta esta noite."

Os passos ficaram mais lentos, pois não queria chegar tão rápido ao seu destino, mas não tinha escolha, teria de faze-lo cedo ou tarde, como sempre. Virou na ultima esquina, e, ainda mais devagar do que antes, passou pelo portão do cemitério. As lápides, cheias de musgo, e envelhecidas pelo tempo, nunca lhe foram tão familiares...

No centro dos tumulos, havia um imenso carvalho, e sentado abaixo dele, estava o garoto tocando seu violão. Suas vestes e seus cabelo eram tão negro quanto os da garota, e seus olhos cor de onix. Tão profundos que parecia ser possivel se afogar neles.

"E eu não quero que o mundo me veja Pois não acho que eles compreenderiam Quando tudo é feito pra não durar Eu quero apenas que você saiba quem sou eu."

Ao ve-la correu em sua direção, abraçando-a. A garota sentiu o toque do amado pela ultima vez, antes de lhe enfiar um punhal em seu coração. Depositou em sua boca um ultimo beijo, selando sua morte, antes de aprisionar sua alma no bau. O bau das almas.

"E você não pode enfrentar as lágrimas que não vem Ou o momento de verdade em suas mentiras Quando tudo parece como nos filmes Sim, você sangra apenas pra saber que está viva."

Ele estava morto. Mais uma vez. Era sempre assim, ele nascia, crescia, e de uma forma ou outra, seus destinos se cruzavam. Em todas as suas reencarnaçoes, ela o matava. Eles eram perfeitos um para o outro, eram almas gemeas, a unica diferença é que ela jamais envelheceria, ou morreria.

"E não quero que o mundo me veja Pois não acho que eles compreenderiam Quando tudo é feito pra não durar Eu apenas quero que você saiba quem sou eu."

Era imortal, porque na verdade, já havia morrido. Uma alma amaldiçoada. Não passava disso. Tudo por um erro de seus pais, por causa disso, era uma caçadora de almas, trabalhava para a morte. E o que a morte quisse-se deveria ser feito. Tudo o que queria era morrer junto com ele, pois assim poderiam ficar juntos.

Mas era impossivel, a história deles se repetiria até que a maldição fosse quebrada, coisa que nem mesmo a propria morte sabia como fazer.

Enfim, sua história seria eternamente assim.

"E você não pode enfrentar as lágrimas que não vem Ou o momento de verdade em suas mentiras Quando tudo parece como nos filmes Sim, você sangra apenas pra saber que está viva." "E eu desistira da eternidade para te tocar Pois eu sei que de alguma maneira você pode me sentir Você é o mais próximo do paraíso em que eu jamais estarei E eu não quero ir para casa agora."