Maxine passou o resto das férias de natal dividida entre brincadeiras na neve e o calor da sala comunal. Theo a fazia companhia a todo momento, nunca a deixou sozinha, os dois compartilhavam brincadeiras, livros e silêncio com a mesma facilidade com que piscavam os olhos. Um dia antes do fim das férias, Draco voltou, e Max agradeceu pelo presente. Os dois sorriram entre si sob um acordo de trégua mudo, e jogaram xadrez bruxo, sob os conselhos imparciais de Theo.

Os dias começaram a se passar tão rápido quanto antes. Ela não dormia mais nas aulas, e embora esporadicamente conversasse com Hermione, não procurava muito mais por ela ou pelos outros. Não sabia que tipo de ligação tinha com Harry, nem o porquê de sentir a necessidade de conversar com ele ou defende-lo, mas ignorou esse instinto, ela tinha mais o que se preocupar.

Logo o dia da partida da Grifinória e Lufa-Lufa chegou e a Sonserina em peso compareceu para torcer contra os leões. Ela decidiu manter um tom neutro, e ao subir as arquibancadas, percebeu que toda a escola estava ali, até mesmo o Diretor Dumbledore, e o prof. Snape iria apitar o jogo.

― Espero que eles percam. – Disse Draco ao lado dela, Max bufou e o garoto se exaltou – Nem comece, Max.

― Não comecei. Eu quero ver se Harry é realmente tão bom quanto disseram.

― De que importa se é? – Theo perguntou com a sobrancelha erguida.

― Importa que passarei a vê-lo como uma verdadeira ameaça.

Os dois aceitaram a resposta. Viram Snape com a cara amarrada, e Hermione e Rony subirem as arquibancadas até parar abaixo deles. Max revirou os olhos ao ver Draco cutucar e pirraçar Rony e não se meteu, até mesmo riu um pouco, até a partida começar. Nesse momento ela pegou o binóculos de Draco à força, sob o protesto dele e acompanhou avidamente o que acontecia.

― Snape penalizou a grifinória.

― Porquê? – Theo perguntou, com o próprio binóculo.

― Jorge Weasley mandou um balaço nele.

Draco bufou irritado; ela percebeu na mesma hora que sairia veneno do loiro.

― Sabe como eu acho que eles escolhem jogadores para o time da Grifinória? – disse Draco bem alto alguns minutos depois, quando Snape aplicou nova penalidade em Grifinória sem a menor razão; Max deu uma cotovelada na costela de Draco, que se afastou rindo. – Escolhem as pessoas que dão pena. Vê só, o Potter, que não tem pais, depois os Weasley, que não têm dinheiro. Você também devia estar no time, Longbottom, você não tem miolos.

Neville ficou muito vermelho, mas se virou para encarar Draco.

― Eu valho doze Dracos, Malfoy – gaguejou ele.

Draco, Crabbe e Goyle rolaram de rir – Max nem havia percebido que goridiotas estavam ali – e com os olhos presos no jogo, Max se abaixou e deu tapinhas no ombro de Neville, em encorajamento.

― Isso mesmo Neville, enfrente o Draco.

Hermione lançou um olhar a ela sem entender nada, Theo bufou uma risada e Draco continuou:

― Longbottom, se miolos fossem ouro, você seria mais pobre do que Weasley, e isso já é muita coisa.

Rony parecia estar prestes a voar em cima de Draco; Ele não ter feito isso ainda que era a verdadeira questão.

― Estou lhe avisando, Draco... mais uma palavra...

― Rony! – disse Hermione de repente. – Harry!

― Quê? Onde?

Harry inesperadamente dera um mergulho espetacular, que provocou exclamações e vivas da torcida. Max se esticou, na ponta dos pés, seguindo Harry voar para o chão como uma bala.

― Ele é realmente bom. – Ela sussurrou no ouvido de Theo.

― Não diga isso ao Draco ou será deserdada.

Ela riu, pois Draco não prestava um pingo de atenção nela, ainda provocando Rony.

― Você está com sorte, Weasley, Potter com certeza localizou dinheiro no chão! – disse Draco.

Rony reagiu. Antes que Draco soubesse o que estava acontecendo, Rony partiu para cima dele e o derrubou no chão. Neville hesitou, depois pulou o encosto da cadeira para ajudar. Max olhou atônita por alguns segundos, mas revirou os olhos, se afastou para mais longe e continuou a acompanhar o jogo, ignorando Draco e Rony embolados embaixo de sua cadeira, nem nos pés arrastados e gritos que saíam do redemoinho de socos que era Neville, Crabbe e Goyle.

― Vamos, Harry! – Hermione gritou.

― Veja, ele vai bater em Snape. – Theo exclamou.

― Ele não é louco! Ou é?!

Os dois assistiram o vulto vermelho passar a milímetros de centímetros de distância de Snape, e arquejaram juntos; Harry saía do mergulho, o braço erguido em triunfo, o pomo seguro na mão. As arquibancadas explodiram, até mesmo Max gritou animada, abraçando Hermione aos pulos, já que Theo não compartilhava sua animação; tinha que ser um recorde, ninguém era capaz de se lembrar do pomo ter sido agarrado tão depressa.

― Foram o quê?! Cinco minutos?!

― Menos!

― Ele é ótimo! – Max gritou.

― Menos Max, menos. – Theo disse, contrariado.

Ela assistiu Snape pousar amargurado, a cara lívida e os lábios contraídos; ele deveria estar muito puto mesmo, mas logo passou a atenção ao garoto feliz, extasiado ao lado, recebendo os cumprimentos do time, e não deixou de considerar como ele ficava fofo daquela forma, principalmente sorrindo.

― Vamos Max. – Theo a puxou, chamando-a – Deixe o Draco aí.

Max assentiu, saltando da cadeira e seguindo o amigo, não sem antes olhar mais uma vez para o campo, com o rosto quente. Sim, ele ficava muito fofo depois de uma vitória.

A Sala Comunal estava cheia.

Draco reclamava do olho roxo, e Pansy tentava paparicá-lo, mas Max deu um empurrão na cara-de-buldogue e sacando a varinha, passou a cuidar do ferimento ela mesma. Todos os alunos reunidos reclamavam alto da vitória da Grifinória, Theo já tinha ido se recolher; ele não gostava de estar entre muitas pessoas, e já teve o suficiente por um dia. Draco ralhava, ameaçando Rony, e Max não tirava da cabeça os olhos verdes eufóricos.

― Ai Max, assim dói.

― Pare de ser um bebê chorão. – Ela reclamou revirando os olhos, e conjurando gelo, o enfiou dentro do cachecol e pôs sobre o olho de Draco – Foi um belo gancho.

― Ele vai ter o que merece.

― Ele não vai ter nada. Vocês brigaram, ele mereceu a vitória.

― Porque sempre toma partido deles? – Max bufou, e olhou diretamente para o loiro carrancudo.

― Não tomei partido de ninguém aqui. Estou cuidando de você, não estou? Não estou na enfermaria ajudando o pobre do Neville ou curando o nariz sangrento de Rony. – Max se levantou para sair dali – Estou te ajudando, e você nem ao menos merece...

Sua mão foi puxada. Draco a fitava, constrangido, mas não desviava o olhar.

― Fique.

Bufando, Max cedeu, caindo sentada ao lado do loiro, sem notar que ele ainda segurava sua mão, que ele ignorava nervoso aquele toque, puxando conversas aleatórias com Crabbe e Goyle. Tudo que Max pensava era em como estaria a festa na Grifinória, se Harry estaria comemorando, se ela estaria comemorando. Ela balançou a cabeça, rindo de si mesma. Apesar desses pensamentos absurdos, estava feliz em estar ali em meio aos sonserinos, todos nervosos e irritadiços, unidos perante à derrota.

As semanas voltaram a correr com facilidade. Max dormiu nas aulas de História da Magia, e se via atormentada pela quantidade de deveres passados. Theo a ajudava a tentar dar conta, repassando as anotações que fazia a ela, e os dois passavam todo tempo livre na biblioteca, entre bocejos e muxoxos, os últimos pertencentes a ela. Não sabia que teria tanta dor de cabeça, e curiosamente, as únicas matérias que conseguia equilibrar bem era Poções, Feitiços e Transfiguração.

Em uma noite de sábado, Draco entrou irritado pelo buraco, praguejando sobre as mil formas com que faria Harry, Rony e Hermione pagarem. Max assistiu calada o garoto passar direto para o dormitório e arqueou as sobrancelhas. Aquela era uma fofoca que ela gostaria de saber. E foi o que fez; no café da manhã do dia seguinte, ela foi até a mesa da Grifinória, ignorando os olhares fulminantes, até a menina de cabelos cheios, terminando de comer.

― Ei Mione. – A menina estava vermelha, evitando os olhares e cochichos ao redor – Podemos conversar?

Só então Max percebeu que Hermione foi para o lado, dando espaço para ela, que se sentou colada, tentando evitar os olhares enviesados.

― O que aconteceu ontem à noite?

― Fomos pegos fora da cama.

― Que nem Draco?! – Hermione assentiu, nervosa – O que vocês quatro estavam fazendo?

― Nada demais, mas foi bem ruim. Perdemos cento e cinquenta pontos.

Max olhou para a mesa da Sonserina, onde Draco e companhia sorriam animados, o mau humor da noite anterior completamente dissipado. Aquilo explicava tudo. Os olhares feios não eram para ela – não só para ela – e sim para o trio.

― Vai ficar tudo bem, é só uma Copa de nada.

― A gente ia ganhar, Max.

― Ainda podem ganhar. – Hermione lançou um olhar de desdém misturado à incredulidade a ela, que sorriu amarela – Bem, a sonserina pode não ganhar.

― Obrigada Max. Você deveria estar comemorando nossa derrota e está aqui tentando me ajudar. – Hermione a abraçou de lado e saiu da mesa – Nos vemos na sexta.

Essa foi a deixa para Max sair da mesa antes que fosse linchada. Como previsto, na mesa da Sonserina, Draco comemorava alto a derrota da Grifinória, e dizia que cumpriu com os deveres esperados dele. Nos dias seguintes o padrão continuou. As outras casas estavam irritadíssimas com Harry, e a Sonserina pelo contrário, batia palmas quando ele passava, assobiavam e davam vivas. “Obrigado, Potter, ficamos lhe devendo essa!”

Ela não podia mentir dizendo que não estava animada pela possibilidade de vencer a competição. A dia da detenção de Draco chegou, e Max acabou conseguindo um copo de chocolate quente com alguns doces que tinha, e deixou ambos ao seu lado no Salão Comunal, sentada no tapete mais uma vez, revisando o conteúdo de Poções. Theo a olhava de tempos em tempos, e Max por fim se irritou:

― O que é?!

― Porque está fazendo isso pelo Draco?

― Isso o quê?! – Ela levantou o olhar do pergaminho, encarando o amigo.

― Você está praticamente recompensando-o pela detenção. – Theo ergueu a sobrancelha.

― Não estou fazendo isso!

― Está sim! Tipo, pobre coitado, sofreu muito, não foi?

― Não seja ridículo, Nott.

― Eu estou sendo ridículo? Você não para de brigar com o Malfoy e agora deixou uma refeição à espera dele.

― Não é uma refeição, é só chocolate quente. – Max se revoltou e se levantou, pegando as coisas de uma só vez. – Se quer saber, coma se quiser. Vou para o meu quarto.

― Isso não muda suas intenções iniciais!

― Vai à merda Nott!

Theo praguejou em voz baixa, e o som de seus resmungos foi a seguindo escadaria abaixo, e sua pergunta permaneceu em seus pensamentos enquanto rolava na cama, tentando dormir.

“Porque está fazendo isso pelo Draco”

Não sei, ela se respondia; Não sei.

Notas finais
Mais dois capítulos e termina o ano 1 de Maxine! Comentem, digam o que acham! Beijos na bunda!