Immortals: O Livro da Magia
15 Beco Diagonal
― Vamos passar no Gringotes primeiro.
As duas desceram a rua a passos rápidos, Max seguindo a dianteira de Minerva. O beco estava cheio, crianças iam de um lado a outro, pais e trabalhadores exaustos correndo por todo canto. Max mais uma vez estava fascinada pelas vitrines, demorando-se um bom tempo na loja de artigos de quadribol, mas Minerva terminou por voltar e arrastá-la de volta.
― Snape disse que terá testes para artilheiro e apanhador.
― Jura?!
― Você poderia fazer o teste para artilheiro.
― É o quê? Tá com medo de eu derrotar o seu querido Potter?
― Não estou com medo nenhum, caso faça isso, receberá meus parabéns. Só acredito que encaixaria melhor como artilheira, embora não goste nem um pouco do estilo de jogo do seu time.
Max riu alto.
― Eu também não, mas gostaria muito de jogar como artilheira. Só precisaria de uma vassoura.
― Não seja por isso. Tenho certeza de que Potter te emprestaria a vassoura para o teste e depois arranjaremos uma nova para você. Ah, olhe, ali está a Granger.
Max ultrapassou Minerva, encontrando Hermione sentada nos degraus do Gringotes. Assim que a viu, Max correu até ela, subindo as escadas em pulos e os braços das amigas se enlaçaram. As duas riram, se balançando.
― É tão bom te ver bem.
― Achou o quê? Que quem estava te enviando cartas era o Salem?
Hermione riu e se afastou, o cabelo castanho e cheio movendo-se junto a ela. Elas não conseguiram se encontrar no trem, e tampouco na saída da estação lotada. Hermione só soube que ela estava bem quando finalmente se mudou e enviou uma carta à amiga, que respondeu em um papel manchado em lágrimas, recomendando que também mandasse uma carta a Harry, pois este também estava muito preocupado. No entanto, Harry não respondeu a nenhuma de suas cartas, e Max passou a considerar que imaginou a visita dele na enfermaria.
― Não mesmo, mas é diferente receber cartas de te ver assim, carne e osso.
― Eu sei. – Hermione se aprumou, olhando por cima do ombro de Max.
― Boa tarde, profa. McGonagall.
― Boa tarde, srta. Granger. – Minerva sorriu e se virou para Max – Darei uma passada no cofre, nos encontramos aqui na frente, sim?
― Sim, Minerva.
Minerva deu as costas a elas, entrando no banco e as duas amigas se fitaram seriamente. Poucos segundos depois, começaram a rir.
― Eu não consigo acreditar ainda que você está morando com a profa. Minerva.
― Às vezes nem mesmo eu acredito. É muito diferente.
― Isso quer dizer que é bom?
― Isso quer dizer que é ótimo. E não, Mione, nós não passamos o verão discutindo as lições de transfiguração.
― Eu não pensei nisso – O leve rubor nas bochechas da menina demonstrou o contrário – Como os professores irão te chamar agora?
― Srta. McGonagall. – Max fez uma pose pomposa ao responder, o que fez as duas caíram na risada novamente – Não sei se conseguirei me acostumar a isso.
― Podemos treinar. A partir de agora só escreverei nas cartas “Cara Srta. McGonagall...” – Max riu com a ideia absurda – Ah olhe, é o Harry. Aquele é o Rúbeo? Harry! Harry! Aqui!
Max se virou na direção apontada por Hermione. De fato era Harry, sendo acompanhado por Hagrid, e estava coberto de fuligem e cinzas, o óculos quebrado. Hermione desceu os degraus atrás do menino e Max a seguiu de perto ao encontro dos dois.
― Que aconteceu com os seus óculos? Alô, Hagrid... Ah, que maravilha rever vocês... Vai entrar no Gringotes, Harry?
― Assim que eu encontrar os Weasley – respondeu Harry e o olhar sem graça dele encontrou o de Max, que acenou animada.
― Você não vai ter que esperar muito – disse Hagrid com um sorriso.
Harry, Max e Hermione se viraram: correndo pela rua cheia de gente vinham Rony, Fred, Jorge, Percy e o Sr. Weasley.
― Harry – ofegou o Sr. Weasley. – Tivemos esperança de que você só tivesse ultrapassado uma grade de lareira... – Ele enxugou a careca reluzente. – Molly está alucinada... aí vem ela.
― Onde foi que você saiu? – perguntou Rony. – Ah, oi Max.
― Na Travessa do Tranco – informou Hagrid de cara feia.
― Que ótimo! – exclamaram Fred e Jorge juntos.
Max se virava confusa, sem ter tempo de cumprimentar apropriadamente o grupo.
― Nunca nos deixaram entrar lá – comentou Rony invejoso.
― Ainda bem – rosnou Hagrid.
― O que é a Travessa do Tranco? – Max indagou curiosa.
― Um lugar abominável, Max, nem queira saber. – Hagrid exclamou.
Os olhares dos Weasley agora estavam nela, mas não tiveram tempo de falar nada; A Sra. Weasley aproximava-se correndo, a bolsa balançando loucamente em uma das mãos, uma garotinha ruiva que só poderia ser irmã deles, agarrada à outra.
― Ah, Harry, ah, meu querido, você podia ter ido parar em qualquer lugar...
Tomando fôlego ela tirou uma grande escova de roupas da bolsa e começou a escovar a fuligem que estampava Harry. O Sr. Weasley apanhou os óculos de Harry, deu-lhes uma batida com a varinha e os devolveu, como se fossem novos.
― Bom, tenho que ir andando – disse Hagrid, cuja mão era apertada pela Sra. Weasley (“Travessa do Tranco! Se você não o tivesse encontrado, Hagrid!”). – Vejo vocês em Hogwarts! – E o guarda-caça se afastou a passos largos, a cabeça e os ombros mais altos do que os de todo mundo na rua cheia.
Hermione começou a subir as escadas novamente, e Max irritada pela falta de educação de Harry, a seguiu.
― Adivinhem quem eu encontrei na Borgin & Burkes? – perguntou Harry a Rony, Max e a Hermione enquanto subiam as escadas do Gringotes. – Malfoy e o pai dele.
― Draco está aqui?
Harry lançou um olhar desgostoso a ela, que sustentou em desafio.
― Lúcio Malfoy comprou alguma coisa? – perguntou o Sr. Weasley sério logo atrás deles.
― Não, ele estava vendendo.
Max bufou. O Sr. Weasley começou a falar algo dos Malfoy, mas ela já não prestava atenção, os dois entraram juntos no banco, Harry ainda lançava olhares fulminantes a ela:
― Algum problema, Harry?
― Não, nenhum.
― Que bom.
Ela havia imaginado a preocupação dele? Havia imaginado a presença dele na câmara? Na ala hospitalar? Só poderia, pois o garoto nunca havia sido tão frio com ela antes, tão idiota como estava sendo naquele momento. Hermione percebeu a estranheza, segurou seu braço e a conduziu, falando alto:
― Estávamos tão preocupados com você, todos nós, não é Rony?
Rony pareceu confuso.
― É... claro...
Max riu, balançando a cabeça. Hermione teria que ser mais sutil, mas o momento quebra-gelo havia passado, pois se encontravam diante dos pais de Hermione, que se apressou para apresenta-los. O sr. Weasley ficou muito animado em conhecer eles, mas a menina não havia parado e ficou entusiasmada ao apresentar os amigos, incluindo Max, quando os Weasleys e Haryr desceram para os cofres.
― Pai, mãe, essa é a Max, a amiga que te falei que adora competir comigo.
Max apertou as mãos do sr. e da sra. Granger, que olhavam curiosos para sua roupa.
― Ela é a única no meu nível, e eu adoro desafiá-la. É divertido.
Hermione riu, balançando o corpo.
― Nós desafiamos uma à outra. – Mione pareceu notar a atenção dos pais – Ah, a Max é nascida trouxa, como eu.
― Verdade? Deve ser bom ter uma amiga que entenda, para vocês duas.
Max se remexeu, coçando a nuca.
― É muito bom, a Mione é a única amiga que eu tenho que parece me entender de verdade, por isso a protejo.
Mione assentiu, sem hesitar, mas a atenção das duas foi desviada quando Minerva, atravessou as portas do cofre, indo até ela, as vestes sacudindo-se atrás dela.
― Sra. Granger, sr. Granger. – Minerva cumprimentou os dois com um menear de cabeça – Bom vê-los novamente. Vamos, Max?
― Mas já? – Max suplicou, agarrando o braço de Hermione – Acabamos de chegar...
― Ouvi dizer que Lockhart estará na Floreios e Borrões e quero evitar a multidão que aquele aparvalhado atrai o máximo possível. – Max abriu a boca para reclamar, mas Minerva lançou um olhar severo, que empalideceu Hermione – Eu avisei que seríamos rápidas, tenho trabalho a fazer ainda hoje.
― A Max pode voltar por flu pela casa dos Weasley, eles estão aqui também. – Max sorriu pela coragem da amiga, e olhou para Minerva com sua melhor cara de órfã pedinte.
― Hermione! – a sra. Granger recriminou a filha, mas essa não se importou.
― Bem... para isso teríamos que falar com eles...
― Sem problemas, aí vem eles!
E de fato, vinha a sra. Weasley gingando ainda a segurar a mão da filha mais nova, seguida pelo marido e pelos filhos, Harry ao lado de Rony. Os garotos se espantaram com a visão da professora, mas a sra. Weasley se adiantou, apertando a mão de Minerva.
― Professora McGonagall, como vai?
― Vou bem, Molly, Arthur, Weasleys, como estão?
― Bem, bem. Nunca a vimos por aqui. – O sr. Weasley comentou, também apertando a mão de Minerva.
― Vim comprar o material de minha filha, Maxine. – Minerva estendeu a mão para trás, e Max, mais uma vez envergonhada, deu um passo à frente, a professora logo cercou seu ombro.
Os Weasleys a encararam com curiosidade. Apenas Hermione, Rony e Harry sabiam de sua mudança de sobrenome, e ela suspeitava pelos sorrisos que os gêmeos davam, que eles se encarregariam de propagar a notícia o mais rápido possível.
― Na verdade – Max tomou coragem para continuar – a Minerva precisa trabalhar, e eu gostaria de saber...
― Se ela pode voltar de Flu para casa a partir de sua lareira, ela gostaria de continuar com os amigos pelo resto do dia. – Minerva acenou para Harry e Rony, o primeiro parecia confuso – Não a quero pegando a lareira do Caldeirão sozinha. Claro que se for incômodo...
― Incômodo nenhum! – a sra. Weasley declarou, estendendo o braço e puxando Max para um abraço amoroso. – Compraremos seus materiais, ela sabe andar de flu?
― Sei sim. – Disse indignada.
Como não saberia?
― Agradeço, Molly, Arthur. – Minerva a puxou pela mão – Um minutinho, venha Maxine.
Max seguiu Minerva até a parede de mármore. A professora abriu a bolsa, retirando uma bolsinho de couro que sacolejava, tilintando, estendendo para a menina, que a agarrou e prendeu no cinto.
― Aí está, quero que compre seus materiais todos novos, escutou bem Max?
― Sim, Minerva.
― Nada de gastar com bobeiras, ouviu bem?
Max sorriu de canto, balançando o corpo para frente e para trás.
― Talvez só um pouco de bobeira?
― Max...
― Sim, Minerva.
― Comporte-se.
― Farei meu melhor.
Minerva suspirou fundo, assentiu, deu tapinhas em seu ombro e se virou, atravessando as portas fechadas. Os Weasley já haviam se dispersado, Hermione prontamente a alcançou, enlaçando os braços das duas e saíram rindo para alcançar Harry e Rony, os quatro seguiram pela rua tortuosa, em direção à sorveteria. Ao contrário das orientações de Minerva, a garota pagou o sorvete de Hermione e o dela, e Harry fez o mesmo com Rony, todos de Morango com manteiga de amendoim, e juntos, lamberam felizes enquanto subiam o beco, examinando as vitrines fascinantes das lojas.
Max parou mais uma vez na loja de artigos de quadribol e admirou cobiçosa o conjunto de vestes das Harpias de Holyhead, enquanto Rony fazia o mesmo com os Chudley Canons, e não demorou para que os dois entrassem em uma discussão acalorada sobre as vantagens dos times favoritos, interrompidos por uma Hermione impaciente, que os puxou para comprarem tinta e pergaminho na loja ao lado. Na Gambol & Japes – Jogos de Magia, eles encontraram Fred, Jorge e Lino Jordan, que estavam fazendo um estoque de fogos de artifício Dr. Filibusteiro, que disparavam molhados e, não aqueciam, e a menina não hesitou em comprar uma boa quantidade dos fogos também, além de outros itens de logros, prontamente aconselhada pelos gêmeos sobre quais eram os melhores.
Num brechó cheio de varinhas quebradas, balanças de latão empenadas e velhas capas manchadas de poções, os garotos deram de cara com Percy, profundamente absorto na leitura de um livro muito chato intitulado Monitores-chefes que se tornaram poderosos.
― Um estudo dos monitores-chefes de Hogwarts e suas carreiras – leu Max alto na quarta capa, rindo alto. – Parece fascinante...
― Deem o fora – disse Percy com rispidez.
― É claro que ele é muito ambicioso, o Percy já planejou tudo... quer ser Ministro da Magia... – comentou Rony para Harry, Max e Hermione em voz baixa quando deixaram o irmão sozinho.
Enquanto compravam o resto do material, Hermione a cutucou, enquanto percebia Rony fazer o mesmo com Harry, e Max arqueou as sobrancelhas suspeita, quando os dois cochicharam para os amigos ao mesmo tempo.
― Você não está falando com o Harry. – Hermione sussurrou, voltando a agarrar seu braço.
― Ele está sendo idiota.
― Ele esteve muito preocupado com você. Depois do que aconteceu...
― Bem, não parece. – Max resmungou alto – Ele não respondeu nenhuma das minhas cartas e não pareceu exatamente feliz em me ver.
― Ele teve motivo para não responder...
― Ah Mione, foi por isso que quis que eu ficasse? Para me forçar a fazer as pazes com o testa rachada?
― Claro que não. – Hermione soltou indignada – Eu senti sua falta.
― Acho bom, pois só fiquei por sua causa, e por gostar um pouco do Rony... – Max retrucou, revoltada – só você é minha amiga, eles não, esqueceu?
― Ah francamente, chega Max. – Max se virou, chateada, mas Hermione já pulava na frente, puxando o braço de Harry – Vocês dois precisam conversar.
Em um segundo os lugares estavam trocados. Era Harry que caminhava ao lado de Max constrangido, e Hermione com Rony, na frente deles, frequentemente olhando para trás. Max raspou a garganta, abraçando o corpo ao olhar para longe. Isso era ridículo, ela se sentia vulnerável; Harry foi a única pessoa a vê-la completamente frágil, quase morrendo – embora aparentemente não estivesse para morrer, ela se sentia assim –, ele foi a pessoa que Max se apoiou, abraçou para se sentir segura, e havia simplesmente sumido, não respondeu quando ela enviou uma carta agradecendo, se expondo.
Ela odiava se se sentir idiota, ser feita de idiota.
Harry olhava repetidamente para ela, coçando o cabelo.
― Tá com piolho testa-rachada?
― O quê?! Não! – Max não conseguiu se segurar, e estourou em uma risada que aliviou o clima; até mesmo Harry deu um sorrisinho de canto – Eu estou aliviado em ver que está bem.
― Como assim? Achou que era um fantasma escrevendo suas cartas?
Max crispou os lábios, olhando para as vitrines.
― Não... eu não sabia o que tinha acontecido com você... não recebi nenhuma das cartas de vocês... só quando Rony apareceu para me salvar que eu soube de você, ele me contou que você se recuperou, e que havia voltado para casa.
― Que desculpa esfarrapada, Potter.
― Não! Eu juro que é verdade! – Harry parou, segurando a mão da menina, que sentiu instantaneamente o calor tomar o rosto – Um elfo doméstico estava escondendo minhas cartas, pra que eu achasse que não tinha amigos e não voltasse para Hogwarts esse ano.
Max arqueou as sobrancelhas, sentindo a curiosidade vencer a irritação.
― Oras, e porque isso?!
― Ele disse que algo terrível vai acontecer em Hogwarts esse ano, e que eu tenho que ficar seguro. Até usou magia para fazer com que eu fosse expulso.
― Certo... isso é suspeito.
Harry balançou a cabeça, repetidamente.
― Não é?
― Que tipo de perigo?
― Não faço ideia, quando perguntei, ele se recusou a falar.
Os dois voltaram a caminhar, lado a lado, tão presos no mistério que não notaram o sorriso de Hermione e Rony para eles.
― E não deixou mais nenhuma dica?
― Não. Ele chorava, gritava, e se batia na parede, veio me ver contra a vontade dos senhores dele, uma trama, ele disse, feita há meses.
― Bem, só pode ser uma família de sangue-puro, importante, elfos são considerados questões de status entre famílias assim.
― Você conhece sobre isso?
― Claro que conheço Harry, eu estudo em Hogwarts, você não?
― Sim, mas eu não sabia sobre eles.
― Você certamente precisa estudar mais, mas isso não é importante. A questão aqui é, como saberemos de quem ele está falando?
― Não tem como, tipo, são muitos alunos.
― Muitos alunos, mas poucos com esse tipo de influência. – Max fitou os olhos verdes do amigo – Qual o nome do elfo?
― Dobby.
Max conhecia aquele nome, mas de onde? Passada uma hora, entre conspirações e suspeitas, os quatro se encontravam na frente da Floreios e Borrões, onde Hermione deu um grito esganiçado ao ver a placa na frente da loja.
GILDEROY LOCKHART
autografa sua autobiografia
O MEU EU MÁGICO
hoje das 12:30 às 16:30
― Vamos poder conhecê-lo! – gritou Hermione esganiçada. – Quero dizer, ele é o autor de quase toda a nossa lista de livros!
A aglomeração parecia ser formada, em sua maioria, por bruxas mais ou menos da idade da Sra. Weasley. Um bruxo de ar atarantado estava postado à porta, dizendo:
― Calma, por favor, minhas senhoras... Não empurrem, isso... cuidado com os livros, agora...
Os meninos se espremeram para entrar na loja, mas antes que Max pudesse segui-los, escutou uma voz familiar a chamando:
― Max! Ei, Max!
Max se virou com um sorriso largo, e sussurrou para a amiga, empurrando-a:
― Encontro vocês daqui a pouco. – Hermione assentiu com uma cara de desgosto e seguiu os amigos para dentro da casa, e no segundo seguinte, Draco a esmagava em um abraço animado; Max ria ao corresponder, dando pulinhos animados – Sentiu tanta minha falta assim Drakie?
O menino ruborizou ao se afastar, passando a mão pelo cabelo loiro lambido.
― Eu? Até parece.
― Ah claro, super me convenceu. – Max empurrou o ombro do menino, ainda sorrindo.
Antes que Draco continuasse, uma mão pálida pousou em seu ombro, apertando-o, e o menino se calou, envergonhado, o sorriso diminuindo a cada instante. Max olhou para cima, e estremeceu ao ver aquele que não deveria ser nada menos que o pai de Draco; o mesmo tom quase branco do cabelo, tinham o mesmo rosto fino e pontudo, e olhos cinzentos quase idênticos – enquanto as orbes do homem não transmitiam nada além de frieza ao avalia-la dos pés à cabeça, o de Draco era sempre caloroso ao se encontrarem.
― Não irá me apresentar sua amiga, Draco? – disse o homem com desdém, ainda a avaliando.
Draco abriu a boca para falar, mas Max não se intimidaria pelo homem. Ela estendeu a mão e disse com um sorriso desavergonhado:
― Maxine McGonagall, é um prazer conhece-lo, sr. Malfoy.
― Ah, a garota de quem tanto falou, Draco. – Draco ruborizou ainda mais, olhando para longe – Bem, é sempre bom amizades importantes. Vamos, Draco.
Max mais uma vez arqueou as sobrancelhas. Amizades importantes? O homem nada mais disse e Draco com um aceno seguiu o pai. Max continuou a olhar curiosa para eles até que sumissem dentro da loja lotada. Ela não gostou nem um pouco do homem, e percebeu rapidamente de onde as atitudes que não gostava de Draco vinham. Torcia para que a mãe do menino fosse melhor que aquilo, pois caso contrário, odiaria ter que odiar os pais dele.
Com um dar de ombros, Max entrou na loja, espremendo-se para alcançar as prateleiras de livros, e quando enfim agarrou o Livro padrão de feitiços, 2ª série, ela voltou a se esgueirar, buscando os ruivos com os olhos. Não deveria ser tão difícil assim, eram praticamente uma nação, facilmente seriam encontrados. No entanto, no mar de gente em que se encontrava, foi a voz alta do bruxo famoso que chamou sua atenção:
― Não pode ser Harry Potter!
A multidão se dividiu com as águas do Mar Vermelho, todos murmurando agitados. Max se virou a tempo de ver Harry ser puxado para a frente pelo bruxo de topete loiro à vista mesmo sob o chapéu cônico em ângulo estranho, com vestes chamativas azuis-miosótis. A cara do menino estava em fogo quando o bruxo agarrou apertava sua mão e posava para a foto, obviamente tirando proveito da fama de Harry.
― Mas que cara de pau! – Max exclamou, incrédula com o que via.
Quando Harry tentou se esgueirar, o bruxo só puxou o menino com mais força, passando a mão por seus ombros.
― Minhas senhoras e meus senhores – disse em voz alta, ao mesmo tempo que pedia silêncio com um gesto. – Que momento extraordinário este! O momento perfeito para anunciar uma novidade que estou guardando só para mim há algum tempo!
“Quando o jovem Harry entrou na Floreios e Borrões hoje, ele queria apenas comprar a minha autobiografia, com a qual eu terei o prazer de presenteá-lo agora.” A multidão tornou a aplaudir. “Ele não fazia ideia”, continuou Lockhart, dando uma sacudidela em Harry que fez os óculos do menino escorregarem para a ponta do nariz, “que em breve estaria recebendo muito, muito mais do que o meu livro O meu eu mágico. Ele e seus colegas irão receber o meu eu mágico em carne e osso. Sim, senhoras e senhores, tenho o grande prazer de anunciar que, em setembro próximo, irei assumir a função de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!”
Max contorceu o rosto em desgosto. Isso era sério? Esse pavão chamativo?!
A multidão deu vivas e bateu palmas, e Harry foi presenteado com as obras completas de Gilderoy Lockhart. Max viu o amigo se esgueirar para fugir das atenções e percebeu que também precisava pegar os próprios livros. Indo até às pilhas de livros, pediu e pagou pela própria coleção dos livros do pavoneado, e se virou para seguir o caminho que Harry havia feito, encontrando Rony e Hermione no caminho, também com os braços pilhados de livros.
― Vocês viram aquilo?! – Hermione gritou, ainda tentando equilibrar os livros nos braços.
― Eu vi! Ridículo!
― Quem é ali?! – Rony perguntou, indicando com a cabeça para a direção em que Harry e Gina estavam, onde outro menino estava – Será que alguém foi pedir autografo ou algo assim... Ah, é você! – Rony exclamou, percebendo a presença de Draco. – Aposto como ficou surpreso de ver Harry aqui, hein?
Na mesma hora Max desanimou, e Draco fez uma careta ao ver a companhia dela.
― Não tão surpreso como estou de ver você numa loja, Weasley – retrucou Draco. – Imagino que seus pais vão passar fome um mês para pagar todas essas compras.
Rony ficou tão vermelho quanto Gina estava. Largou os livros no caldeirão, também, e partiu para cima de Draco, mas Harry e Hermione o agarraram pelo casaco enquanto Max também segurava Draco, que a encarou irritado.
― Como sempre tem que se envolver onde não deve, não é?
Max crispou os lábios, olhando para longe.
― Rony! – chamou o Sr. Weasley, que procurava se aproximar com Fred e Jorge. – Que é que está fazendo? Está muito cheio aqui, vamos para fora.
― Ora, ora, ora, Arthur Weasley.
Era o Sr. Malfoy. Ele parou com a mão no ombro de Draco, com um sorriso de desdém igual ao do filho.
― Lúcio – disse o Sr. Weasley, dando um frio aceno com a cabeça.
― Muito trabalho no Ministério, ouvi dizer – falou o Sr. Malfoy. – Todas aquelas blitze... Espero que estejam lhe pagando hora extra!
Ele meteu a mão no caldeirão de Gina e tirou, do meio dos livros de capa lustrosa de Lockhart, um exemplar muito antigo e surrado de um Guia da transfiguração para principiantes.
― É óbvio que não – concluiu o Sr. Malfoy. – Ora veja, de que serve ser uma vergonha de bruxo se nem ao menos lhe pagam bem para isso?
O Sr. Weasley corou com mais intensidade do que Rony e Gina.
― Nós temos ideias muito diferentes do que é ser uma vergonha de bruxo, Malfoy.
― Visivelmente – disse o Sr. Malfoy, seus olhos claros desviando-se para o Sr. e Sra. Granger, que observavam apreensivos. – As pessoas com quem você anda, Weasley... e pensei que sua família já tinha batido no fundo do poço...
Ouviu-se uma pancada metálica quando o caldeirão de Gina saiu voando; o Sr. Weasley se atirara sobre o Sr. Malfoy, derrubando-o contra uma prateleira. Dúzias de livros de soletração despencaram com estrondo em sua cabeça; Draco e Harry ao mesmo tempo puxaram Max para longe; ouviu-se um grito “Pega ele, papai” – dado por Fred e Jorge; a Sra. Weasley gritava “Não, Arthur, não”; a multidão estourou, recuando e derrubando mais prateleiras.
― Senhores, por favor, por favor! – pedia o assistente, e, depois, mais alto que a algazarra reinante. – Vamos parar com isso, cavalheiros, vamos parar com isso...
Hagrid caminhava em direção aos dois atravessando um mar de livros. Num instante ele separou o Sr. Weasley e o Sr. Malfoy. O Sr. Weasley com o lábio cortado e o Sr. Malfoy fora atingido no olho por uma Enciclopédia dos sapos. Ele ainda segurava o livro velho de Gina sobre transfiguração. Atirou-o nela, os olhos brilhando de malícia.
― Aqui, tome o seu livro, é o melhor que seu pai pode lhe dar...
E, desvencilhando-se da mão de Hagrid, chamou Draco, indo para fora da loja. Draco continuou a segurar a mão de Max, enquanto Harry a puxava para longe, e Max olhou uma última vez para o garoto irritado, soltando-se dele. Ele não olhou para trás, mas a menina seguiu seu trajeto, até que sumisse, escutando o resto da fala de Hagrid:
― Podre até a alma, a família toda, todo mundo sabe disso. Não vale a pena dar ouvidos a nenhum Malfoy. Sangue ruim, é o que é. Vamos agora, vamos sair daqui. Venha Max, Minerva não gostaria nada de saber que está envolvida nessa confusão.
Hagrid a puxou pela mão, liderando o caminho para fora da loja. O assistente parecia querer impedi-los de sair, mas mal chegava à cintura de Hagrid e pareceu pensar duas vezes. Eles subiram apressados a rua, os Granger tremendo de susto e a Sra. Weasley fora de si de fúria.
― Um belo exemplo para os seus filhos... saindo no tapa em público... que é que o Gilderoy Lockhart deve ter pensado...
― Ele estava satisfeito – informou Fred. – Você não ouviu o que ele disse quando estávamos saindo? Perguntou àquele cara do Profeta Diário se ele podia incluir a briga na notícia, disse que tudo era publicidade.
Mas foi um grupo mais sereno que voltou à lareira do Caldeirão Furado, de onde Harry, Max, os Weasley e todas as compras iriam retornar a casa deles, usando o Pó de Flu. Eles se despediram dos Granger, que iriam atravessar o bar para chegar à rua dos trouxas, do outro lado; o Sr. Weasley começou a perguntar ao casal como funcionavam os pontos de ônibus, mas parou de repente ao ver o olhar da Sra. Weasley.
Max seguiu os Weasley na orientação, parando na Toca com todas as compras e foi bem acolhida pela sra. Weasley, que orientou que ela se sentisse à vontade e só partiria depois do jantar. Max amou a casa, todo seu aconchego, seu lar familiar, o relógio que mostrava onde os membros da família estavam, com as fotos de todos eles... Era tudo perfeito, mas depois de Rony mostrar o quarto brevemente, os gêmeos a arrancaram de lá antes que começasse outra discussão sobre quadribol para poderem mostrar os planos para o ano letivo.
Max se lembrou de pedir a eles para guardarem suas compras de logros, sob a promessa de entregarem de volta, pois Minerva não hesitaria em queimar todos se os visse. E sorrindo, Fred e Jorge concordaram, sob uma exigência, ambos de braços cruzados:
― Você os usará contra seus colegas de casa? Senão, nada feito. – Fred começou, forçando uma cara séria.
― Principalmente o Malfoy. – Jorge cruzou os braços, falhando na intenção ao deixar escapar uma risada.
― Usarei neles, no Zabine e na Parkinson, talvez Draco, caso ele me irrite, o que provavelmente acontecerá em duas semanas, no máximo.
Os gêmeos sorriram, aceitando os pacotes.
― Sabe, Max, você é a única cobra que presta. – Fred sorria.
― Ainda sim, sou uma cobra.
― A melhor de todas. – Jorge bagunçou seu cabelo, e Max fingiu indignação antes de rir, sacudindo-se.
― Ok, se perderem meus equipamentos, farei ambos sofrerem terrivelmente.
― Sim, senhora. – os dois bateram continência.
Max saiu rindo do quarto deles, e desceu as escadas ainda com um sorriso no rosto, que diminuiu ao parar na porta entreaberta do primeiro andar, e sem pensar duas vezes, viu a ruiva caçula arrumando o material. Ela parecia triste, um pouco irritada, e Max sentiu o ímpeto de falar com ela, mas ignorou. Gina nem ao menos a conhecia, não gostaria de vê-la ali em um momento de fragilidade.
Ela odiaria ser flagrada assim.
Após fechar a porta silenciosamente para dar mais privacidade à menina, Max terminou de descer tudo e encontrou o sr. Weasley esperando por ela na frente da lareira, ao lado da sra. Weasley, Harry e Rony na frente da mesa. O ruivo sorria, mas o clima entre ela e Harry parecia ter retornado ao que era no início da tarde.
― Seria bom se você passasse o verão aqui, como o Harry. – Rony a abraçou, animado.
― Quem sabe outro verão?
Rony sorria ao se afastar, e olhou para os pés ao continuar.
― Eu tô feliz por você estar bem, Max. Eu também fiquei preocupado, todos nós ficamos.
Max olhou para Harry em busca de confirmação, mas esse olhava para longe, e a irritação que a menina sentia havia voltado instantaneamente.
― É bom saber que pelo menos você se importa, Rony. – ela falou alto, dando as costas para Harry – Vejo vocês em Hogwarts.
― Pode sentar com a gente no Expresso!
― Ah, não vou pegar o expresso. Eu moro em Hogsmeade agora!
Os olhos de Rony brilharam de inveja. Max riu ao alcançar a sra. Weasley, que a abraçou amorosamente.
― Quando quiser retornar, é só falar querida.
― Sim, sra. Weasley, obrigada por tudo.
Ela pegou um punhado de pó, entrou na lareira com o sr. Weasley e jogou no chão, falando alto.
― Chalé das heras.
Sua última visão foi Harry olhando para ela com desculpas no rosto, dando um passo à frente. Mas logo estava na sua sala, perguntando-se porque sentia tanta vontade de estar perto do testa-rachada quando obviamente não era recíproco. Mas faria diferente naquele ano... naquele ano ela deixaria de ser idiota.
Com todos eles.
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