Immortals
9 Capítulo 9 - Declarados
***
Elliott andava perdido em seus pensamentos, caminhando em direção à casa de Halley. Ele estava tão atordoado que não avistou Zack vindo em sua direção. O garoto se aproximou e colocou a mão no ombro dele, mas Elliott se assustou e deu um safanão no braço de Zack, fazendo-o voar e cair alguns metros a frente dele.
– Elliott! O que deu em você?
Ainda um pouco assustado, Elliott recuou.
– Elliott? – disse Zack, se reaproximando – sou eu.
Elliott se recuperou um pouco do susto e deu um leve soco no ombro de Zack.
– Hey!
– Nunca mais me assuste assim, ouviu?
– Mas o que...
– Esquece.
– Onde você estava?
– Em lugar nenhum.
– Nossa, não precisa ser rude sobre isso. Ok, eu não pergunto.
– Desculpe... podemos só ir para casa? No caminho eu te conto tudo.
– Tudo bem.
***
– Ele disse isso mesmo? – Zack estava surpreso.
– Disse.
Elliott cruzou os braços e se encostou na porteira da casa de Halley. Zack ficou de frente para ele, e os dois ficaram em silêncio por algum tempo.
– Ele não pode te obrigar. E você nunca faria uma coisa dessas com a Breena.
– Eu não, mas ele sim.
– Ele é capaz de...?
– Se eu realmente o conheço, ele é capaz de tudo.
Zack puxou Elliott e o abraçou. Elliott abraçou o pescoço dele e disse:
– Eu queria ser igual á ele. Queria poder fazer tudo da maneira mais simples, sem me importar com o que isso poderia causar. Queria poder ser forte, destemido, disposto a ajudar mas frio e distante ao mesmo tempo. Eu só não sou... feito assim.
Zack se soltou dos braços dele e sorriu.
– Talvez esse seja o seu maior dom.
Elliott sorriu de volta. Limpou a lente dos óculos e os dois entraram na casa.
Halley estava na cozinha, preparando alguma coisa. Ao ver eles chegando, ela limpou as mãos sujas de farinha no avental, sem notar que seu rosto estava enfarinhado também. Elliott se sentou na mesa e Zack se aproximou dela.
– O que você está fazendo?
– Torta.
– Eu amo torta – disse Elliott.
– Somos dois. – respondeu Zack.
– Somos cinco. Eu e as meninas também amamos. Essa é uma receita nova de torta de banana.
– Hum... banana – disse Elliott.
Zack não conteve a risada e olhou para Elliott maliciosamente. Ele devolveu o olhar, e os dois caíram na gargalhada.
– Zack, me dá uma ajudinha?
– Claro.
– Bate essa massa aqui com a colher enquanto eu preparo o recheio.
Zack e Halley continuaram preparando a torta, e Elliott saiu da mesa. Ele foi até o quarto e fechou a porta, mas, quando se virou, deu de cara com Breena.
– Ai meu Deus! – Elliott deu um salto por causa do susto.
– Chorão – disse ela.
– Ué, foi você quem invadiu meu quarto.
– Foda-se. Eu quero falar com você.
– Pode dizer.
Breena ajeitou os óculos vermelhos e ficou de frente para Elliott.
– Eu não sei que tipo de anjo o seu pai é. Mas eu sei o demônio que o meu é. Eu sei das maldades que ele pode fazer. Agora mais do que nunca.
– Onde quer chegar?
– Eu quero fazer uma proposta.
– Uma proposta?
Ela se sentou na cama.
– Nós não podemos deixar que eles invadam nossos corpos. Não podemos deixar que tomem posse deles. E só há uma maneira de impedir isso.
– E qual é?
– Matando-os. – disse ela firmemente.
Elliott ficou meio tonto. Matar o próprio pai? Aquilo era impossível.
– Você está ficando louca?
– Elliott, pense comigo. Miguel e Lúcifer podem tomar nossos corpos e fazer o que quiserem com eles. Se isso acontecer, temos que toma-los de volta. Mas eles não vão desistir. Precisamos por um fim nisso.
– Mesmo que matássemos eles, o que aconteceria depois?
– Eu não sei.
– Isso não vai funcionar, Bree. Tire essa ideia maluca da cabeça.
– E o que você sugere, han? Que deixemos que eles tomem nossa forma humana? Que deixemos que eles destruam essa forma? Se você quer pará-los esse é o jeito.
– Temos que encontrar outra saída. O mundo entraria em colapso.
Breena assentiu. Em seguida, deixou Elliott sozinho no quarto. Ele se deitou na cama e colocou as mãos sobre a testa, caindo em um leve devaneio, que foi interrompido pela doce voz de Daisy:
– Elliott?
– Sim?
– Posso entrar?
– Claro.
Ela se deitou ao lado dele, encaixando a cabeça em seu peito.
– Tá tudo bem?
– Tá, tá sim. Só estou com um pouco de fome.
– Acho que a torta está pronta. Quer comer agora?
– Quero.
Os dois se levantaram, mas antes que ele abrisse a porta, Daisy entrelaçou a mão em seu pescoço e o beijou. Ele a segurou pela cintura e a beijou também.
– Posso fazer isso a noite inteira se eu quiser.- disse ela.
– E eu posso fazer isso e muito mais em uma noite – disse ele num tom malicioso. Os dois sorriram um para o outro e foram para a sala de jantar.
***
Fale com o autor