Immortals
8 Capítulo 8 - Cascas
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Zack estava tão concentrado em seus pensamentos que nem percebeu o momento em que Halley entrou no quarto e se sentou ao seu lado na cama. Ela ficou o observando por algum tempo, esperando que ele notasse sua presença, mas Zack nem mexia os olhos. Halley estalou os dedos na frente dele, libertando-o de seu devaneio.
– Hall... nem te vi aí.
– Eu percebi.
Zack e ela ficaram em silêncio por alguns minutos.
– Estou com medo.
Zack abaixou o olhar e não disse nada, mas essa reação indicava que ele estava se sentido assim também. Hall encostou as costas na parede e abraçou os joelhos.
– O que acontece agora? – perguntou ela.
Zack também se encostou na parede e levantou a cabeça.
– Eu não sei.
Hall o olhou e disse:
– Então é isso? Acabou?
Zack abraçou os joelhos também e a encarou de volta.
– Não. Quer dizer... não sei.
– E porque você está inseguro?
Zack olhou em volta, pensando em uma resposta certa a se dizer. Mas, pela primeira vez, ele não tinha nada elaborado. Pela primeira vez, ele estava inseguro quanto a própria capacidade.
– Zack?
– Eu não sei – foi o que ele conseguiu dizer.
Halley se calou. Zack a envolveu com o braço direito, e ela deitou em seu ombro.
–É a primeira vez em trezentos e dezesseis anos que eu não sei de absolutamente nada. – disse ele.
– Acho que ninguém sabe.
Halley se levantou do ombro de Zack.
– Eu estou com medo de que não dê mais certo.
– Como assim?
– Você sabe... Elliott... Bree...
– Eu ainda não sei se entendi.
– É que eu não sei se eles vão continuar unidos agora. Quero dizer, o pai dela, o rei do inferno, escapou e agora está à solta. Pode usar qualquer casca que quiser.
– Casca?
– Casca é uma espécie de corpo onde o demônio se hospeda como um parasita, tendo total controle sobre ele.
– E o que faria Elliott e Bree se separarem?
Hall abaixou o olhar.
– Breena é a casca mais potente que existe na terra.
– Como assim? – Zack parecia um pouco perturbado agora.
– A forma humana dela pode ser controlada tanto por ela quanto por ele. É a mesma coisa que acontece com Elliott e Miguel.
– Miguel também pode possuí-lo?
– A forma humana dele permite que sim. Mas Miguel é o único, assim como Lúcifer é o único que pode usar a forma humana de Bree como uma casca. Tanto Breena quanto Elliott podem se hospedar em outros corpos, mas ainda há um elo entre sua alma e seu corpo. Ou seja, se a forma humana deles for destruída eles também deixam de existir, independente de estarem em seus corpos ou não.
Zack parecia um pouco confuso.
– Então... você tem medo de que...
– De que Elliott e Breena lutem entre si. Digo... Lúcifer e Miguel. Ah, até eu estou confusa.
– Hall... mas por que...
– Pense comigo, Zack. Lúcifer e Breena tem uma ligação um com o outro de alma. Além de pai e filha, os dois são uma partes que se completam. Um precisa do outro para sobreviver. Se um deixar de existir, o outro também deixa.
– Então quer dizer que se Breena deixar de existir...
–...Lúcifer deixa também. A mesma coisa vale para Elliott e Miguel. Eles são partes de um mesmo ser.
Zack ficou bastante transtornado. O raciocínio dela tinha lógica.
– Faz sentido.
– Eu sei. Onde está Elliott?
– Não sei. Mas Daisy e Breena estão na cozinha.
– Vou ficar com elas.
Hall saiu do quarto e deixou Zack sozinho novamente. Ele vestiu o casaco e foi atrás de Elliott.
***
– Pai?
– Sim, meu filho.
Elliott estava em uma capela á beira da estrada. Seu pai, o arcanjo Miguel, havia o chamado em um sonho até aquele lugar. Elliott e ele estavam frente a frente. Ele era belíssimo, e tinha traços bem parecidos com os de Elliott. Porém, ao invés de duas asas, ele tinha quatro.
– Por que me trouxe aqui?
– Eu quero apenas conversar.
– Sobre...?
– Meu irmão saiu do inferno. Lúcifer agora está a solta.
Elliott revirou os olhos e pensou consigo mesmo ‘‘Ah, sério? Você chegou a essa conclusão sozinho?’’. Porém, apenas ficou calado.
– E então? Não tem nada a dizer?
– O que você quer que eu diga? – disse ele, ajeitando os óculos.
– Que aceita fazer o que tem que ser feito.
Elliott não entendeu de início, mas depois pegou a linha do raciocínio e se espantou, afastando-se de súbito do pai.
– Você está sugerindo que eu...
– Que nós resolvamos isso da maneira correta.
– O que diabos está me propondo?
Miguel se irritou.
– Elliott McGarvey. Nunca mais use esse termo.
– Breena é minha melhor amiga há trezentos e quinze anos! Eu não vou fazer isso com ela!
– Não há outra maneira, meu filho... – disse ele, pousando a mão sobre o ombro de Elliott, que segurou a mão do pai e o afastou.
– Fique longe de mim. E de Breena também.
– Elliott, olhe bem como fala comigo.
– Eu falo da maneira como eu quiser. Sou tão poderoso como você.
– Você que acha.
– Você pode até ser meu pai. Mas se chegar perto de Breena Sawyer outra vez eu mato você.
Em seguida, desapareceu.
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