Immortals
11 Capítulo 11 - O fim é apenas o começo
Notas iniciais
Lúcifer segurou a mão de Breena antes que ela atacasse e, olhando no fundo dos olhos dela, disse:
– Então aprenda a ser.
Ele quebrou a mão dela e a jogou contra Halley, que também voou.
– Hey, filho da puta! – a voz de Daisy ecoou atrás dele – Morre!
Ela pisou no chão, formando um terremoto. O chão começou a se rachar, e Breena gritou:
– Para trás! Para trás!
– Oooh, merda!
O piso cedeu e metade do andar desabou, derrubando Zack junto com ele.
– Zack! – gritou Daisy.
Ele despencou de uma altura de uns vinte metros, desaparecendo no breu da noite. Breena correu para perto do desabamento, mas não dava para enxergar nada. Furiosa, ela pulou em cima do pai e sacou uma faca, desferindo vários golpes contra ele, que desviou de quase todos eles, mas não impediu que ela perfurasse sua garganta. Ele a jogou para o lado e pousou a mão sobre o ferimento, certificando-se de que não era letal. Lúcifer segurou Breena pelo pescoço e a ergueu no ar.
– Pare de me subestimar, minha filha. Vocês não podem me enfrentar.
Ele a largou e se virou para os outros.
– Vocês ouviram? Não podem me enfrentar! Eu sou o Deus das Trevas!
Lúcifer olhou para Elliott e rapidamente apareceu na frente dele.
– Nem mesmo você e seu pai.
– Lúcifer... – uma voz grossa penetrou nos ouvidos dele. Ao se virar, deu de cara com Zack. Mas havia algo de diferente.
Os olhos amarelos tornaram-se azuis claros, e suas feições estavam um pouco diferentes. Lúcifer olhou direito, e, ao enxergar através daqueles olhos, arregalou os olhos e se afastou.
–M-Mi-Miguel. – Gaguejou ele.
Miguel colocou a mão sobre o peito dele, e o olhou nos olhos. A garganta e os olhos dele mudaram de cor, foram ficando alaranjadas e, subitamente, seus olhos começaram a pegar fogo. Não demorou nem um segundo para que o corpo consumisse o corpo dele inteiro e ele virasse um corpo completamente carbonizado que se desfez em cinzas. Miguel levantou o olhar e encarou Elliott. O garoto estava apoiado na mesa, assistindo á tudo completamente pasmo. Ele cuspiu um pouco de sangue e tentou ficar de pé, mas sua perna doía bastante. Miguel se virou para Breena, que chorava baixinho.
– Shh, querida. – disse ele, tocando seu rosto. Ela deu um tapa em sua mão.
– Fique longe.
– É assim que me agradece por ter salvo a vida de vocês?
– Você... – disse ela, com uma expressão enojada – você o matou.
– Ah, quanto a isso não se preocupe. Lúcifer é meu irmão, não posso mata-lo. Eu só enviei-o de volta para o inferno – disse ele, pegando alguma coisa no bolso – mas dessa vez eu tenho certeza de que ele não sairá.
Miguel mostrou uma chave blindada.
– Então não vai tentar...
– Não, Breena. Eu precisava destruir um de vocês dois, e está feito. Agora você não é mais a casca dele.
Ele se virou para Elliott.
– Nem você a minha, meu filho.
– O que você fez com Zack?
– Zack está ótimo.
– Saia do corpo dele agora.
– Eu vou. Mas antes quero deixar algo claro.
Miguel se virou para os garotos.
– Mesmo que esteja no corpo dele, Zack pode me ouvir. Eu quero que vocês prestem bem atenção. Cada um de vocês tem de trezentos e quinze á trezentos e dezesseis anos. Conhecem a humanidade melhor do que qualquer um na face da terra, e por isso são bem valiosos. E eu não digo isso em relação a historiadores e cientistas, mas sim em relação ao céu e ao inferno. Vocês são os aliados perfeitos para os dois lados. E precisam escolher um.
– O que quer dizer?
– Que devem ficar de algum lado. O que vocês me dizem?
Todos concordariam em ficar do lado ‘‘certo’’, se não fosse pelo fato de que por ser metade demônio, Breena não poderia entrar lá. Aceitar uma aliança com o céu significava deixa-la para trás e manda-la de volta para o inferno. Miguel estendeu sua mão para os garotos, Mas Elliott ergueu o braço e os afastou do pai.
– Não podemos deixa-la.
– Vocês precisam deixa-la.
– Não. Não precisamos. Não podemos. – Elliott se afastou mais ainda – Porque ela faz parte da alma desse time.
– Elliott, estão cometendo um erro.
– Não estamos não – disse ele, abraçando-se com Breena – Pelo contrário: estamos muito certos do que estamos fazendo.
Miguel não disse nada. Apenas assentiu. Uma forte luz surgiu da escuridão, iluminando o corpo de Zack. Seus olhos voltaram á cor amarela e seus traços voltaram ao normal. Então, um flash de luz em forma de ser humano com quatro enormes asas tomou conta do lugar. Zack caiu ajoelhado ao chão, tentando se reorganizar. O nariz dele sangrava bastante, e ele se sentia um pouco tonto. Elliott e Breena o colocaram de pé, e ele olhou para os amigos, depois focou sua atenção em Elliott e deu uma risada.
– Nunca mais deixe seu pai fazer isso.
Elliott riu, mas Zack agarrou o braço dele.
– É sério. Nunca mais.
– Fique tranquilo, ele não vai precisar.
Zack sorriu. Breena e Daisy se tele transportaram, e Elliott chamou Zack.
– Elliott, me espera lá fora?
– É claro.
Ele saiu, deixando Halley e Zack sozinhos.
– Então... Salvamos o mundo mais uma vez? – sorriu ela.
– Acho que sim. Mas eu quero um tempo disso. Quebrar a rotina as vezes é bom.
Halley entrelaçou as mãos no pescoço dele.
– E o que você pretende fazer nessa quebra de rotina?
– Dar mais importância as coisas boas da vida. Dessa vida eterna a que estamos condenados.
– E por onde quer começar?
Ele abraçou a cintura dela.
– Vivendo mais intensamente.
Os dois se beijaram, e sentiram a energia um do outro fervendo na pele. Um beijo caloroso, intenso, apaixonado. Era algo muito bom de se fazer. Tão bom que nem prestaram atenção nos quinze minutos que se passaram. Ela se soltou dele e disse:
– Sabe... elas devem estar preocupadas.
– É claro.
– Então... te vejo daqui a pouco.
Mas antes de ir, ela sussurrou no ouvido dele:
– Mas ao invés de dormir no quarto com Elliott hoje, venha dormir no meu. É que... acho que ele e Daisy precisam de privacidade, sabe?
Zack sorriu, e ela sorriu de volta. Em seguida, desapareceu. Zack desceu as escadas do shopping e foi até a portaria, onde Elliott estava recostado em um muro. Zack ficou ao lado dele, recostando-se também.
– Então acabou? – perguntou Zack.
– É... acabou.
Os dois ficaram em silêncio por mais algum tempo. Elliott deu uma cotovelada no braço de Zack, sorrindo para ele.
– Hey... Como é matar alguém com o fogo?
– É... estranho. Não sei como você consegue.
– Sabe... quero comer algo diferente hoje.
– Tipo?
– Burritos.
– Temos que leva-los rápido para as meninas, se não vão esfriar.
Zack pegou nos ombros de Elliott, mas ele se virou.
– Vamos tentar algo diferente hoje.
Ele tirou o sobretudo e o vestiu em Zack, em seguida, pegou em sua mão.
– Preparado?
– Elliott...
Então Elliott levantou voo, e os dois subiram até o nível das nuvens.
– Elliott! Eu tenho medo de altura!
– Então perca esse medo! Abra os olhos!
– Não posso!
– Porque não?
– Porque se eu abrir e ver a altura em que estamos eu vou te matar!
– Zack, abre os olhos!
Pouco a pouco, Zack foi abrindo seus olhos e a imagem de uma noite iluminada refletiu em sua íris. Ele começou a admirar tudo aquilo, toda aquela paisagem á sua volta. Era um ângulo diferente de tudo o que ele conhecia. Ao se virar, Elliott estava sorrindo para ele.
– Não é maravilhoso?
– É sim... Diferente de tudo o que eu já vi.
– Zachary Meyer... Trezentos e dezesseis anos e você ainda não tinha visto isso?
– Não. Mas vale muito a pena.
Os dois sorriram um para o outro. Em seguida, mergulharam na noite fria.
***
– Vocês não acham isso demais? – perguntou Daisy.
– O que?
– Sei lá... estar aqui.
– Fazemos isso todas as noites. Bem... exceto naquelas em que temos coisas mais importantes.
Todos estavam sentados em um outdoor de Las Vegas.
– La Vegas... Que cidade bonita...
– E perigosa. É a cidade dos truques.
– Perigo é o que tomamos todos os dias de café, almoço e janta. Não é um problema para nós.
Eles riram. Continuaram em silêncio até que o outdoor se iluminou e uma reportagem começou a passar. Atentos, eles ouviram:
‘‘São estimados em cerca de doze reféns no cassino. Os bandidos estão armados e atacaram o lugar á um pouco mais de três horas. A polícia está tentando identifica-los, mas é impossível entrar no local. As autoridades esperam uma espécie de milagre para que todos saiam vivos.’’
Eles se entreolharam e sorriram.
– E... para não perder o costume... – disse Elliott.
Zack montou nas costas dele e as meninas se desapareceram em um flash de luz. O time cortou o vento frio, correndo em direção ao cassino. Era o que faziam de melhor: ajudar pessoas. Mantê-las vivas.
Imortais. É um dom que muitos querem mas poucos podem ter. Existem lados bons e lados ruins. Mas isso não importa para eles, não mais. Eles sabem que precisam apenas de uns aos outros. Sempre foi assim, e sempre será.
Afinal, um time funciona assim. É isso o que eles são, e o que sempre irão ser.
*** FIM ***
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