“Como se cuida de um bebê?”.

Era o que Jasper se perguntava enquanto segurava aquela coisa berrante em seus braços desconcertados. Ele queria tanto saber onde é que se consegui ou se cria aqueles sentimentos que todos parecem ter em relação a filhotes, por que de fofa ela não tinha era nada...

O rosto vermelho. A boca babando. O nariz escorrendo. Por que diacho deixaram aquela criatura mirim com ele?

Ah é... Emmett acompanhou Rosie e Alice por vontade própria até o Shopping e Edward preferiu ir a ficar. Esme estava pedindo as coisas necessárias para a próxima mudança e Carlisle ocupado no hospital. Só sobrou ele... O desgarrado da família...

E ela não se calava. Só podia ser fome, era isso. Foi até a cozinha e... E notou que não tinha nenhum tipo de leite na casa. Ele ia ter que ir comprar... Ou ficar e matar a criança com um travesseiro... Se bem que não era uma boa ideia, todos ficariam chateados...

Exceto ele.

"Fi-ca Quie-ta". Pedia mentalmente balançando o ser em seu colo de um lado para o outro.

Deixou ela no sofá e subiu trocando-se de roupa rapidamente e voltou na mesma velocidade. Colocou um cobertor rosa que estava em cima da cadeira enrolado na bebê e foi em direção ao carro.

Chegando ao mercado. A voz eletrônica do GPS avisou.

Dando um sorriso macabro, apertou mais a criança em si e saiu. Ele estava todo de preto, procurando não chamar atenção. Alice sempre falava que preto nunca atraia nada. Ele esperava que ela estivesse certa.

Ou era o Karma.

— Oh meu deus, aquele não é o Jasper Cullen?

— Acho que é...

— Angela, ele está segurando um bebê.

— A senhora Esme deve ter adotado, Jessica...

— Vamos chegar mais perto.

— Não acho uma boa ideia.

— Vamos logo.

E Jasper suspirou, entrando na loja.

Primeira coisa:

Uma chupeta.

Escolheu uma de cor verde-musgo e a roçou na boca da menina, que logo sugou com um Plup e começou a chupá-la com um nhéknhéknhék estranho.

Muito bem, arrumou uma coisa para manter suas cordas vocais ocupadas...

Segunda coisa:

Roupas.

A sessão de bebês. Lotada de mulheres. Que legal.

Andando devagar, parou no primeiro conjunto que viu. Um macacão laranja cheio de solzinho desenhados nele. Vai esse. Tirou do cabide e sentiu a expectativa emanando para si.

— Oiii. – uma mulher com rosto espinhento e aparelho dental chegou perto. – Quer ajuda moço?

— Não... Obrigado. – falou devagar.

— Ah, que isso. – riu pelo nariz. – Eu faço questão.

E começou a mexer em tudo, fazendo uma bagunça, até sapatos tinha ali.

— Tem esse rosa, mas se quiser um chamativo, tem esse roxo, eu particularmente odeio roxo, sabe ele é tão escuro, mas eu amo o preto, preto combina com tudo você não acha? Tem esse azul claro e esse bege aqui, só que é comum demais, essa sandalinha ai combinar com essa calça lilás e esse macacão. Tem essa blusa rosa pink com essa saia cinza e um lacinho. Presilhas são mais á frente. Você tem namorada?

Que merda era aquela? Nem Alice ficava daquele jeito, Jasper podia jurar que ela tinha algum parentesco com porcos. Porcos magrelos e maus feitos. Por que se colocassem as orelhas redondas, ficaria idêntica a um, e Jasper nunca gostou de porcos.

— Tenho sim, com licença senhora.

— Ah, senhora não. É senhorita. Sabe, eu quase fui casada, não sei por que ele me traiu. Os homens de hoje são tudo assim, fingem e mentem muito bem. São uns cachorros desgraçados que não valem porcaria de nada. Você sabe que eu tive uma amiga que foi chifruda por três anos e meio? Ah, eu não deixava sabe? Eu descia o tabefe no cafajeste...

— O meu deus, aquela ali não é uma velhinha comprando uma calcinha fio dental? – fez cara de surpreso.

— Onde? Cadê?

E a moça se virava tentando achar a cena imaginada pelo loiro que de burro não tinha era nada e logo sumiu de perto dela.

Muito bem...

Fraudas.

Aquele troço com cheiro de anfetamina.

Pegou a numeração P e colocou metade do que tinha na prateleira dentro do carrinho. E era a hora de comprar mamadeiras. Na sessão que ficava próxima aos itens higiênicos, era lá que estavam elas. Ele não entendia para que tantos tipos de mamadeiras...

— Você sabe... – uma voz baixa falou atrás dele. – A mamadeira deve ser do tipo ideia para sua filha.

Pronto, mais uma... Cabelos amarrados num coque e óculos de garrafa.

— Ela não é...

— O bico deve ser grande o suficiente para deixar que o bebê sugue o leite, mas sem exagerado por que se sair muito liquido, a criança engasga.

— Eu sei, mas...

— Mas nada! – gritou. – Cadê a mãe dessa menina?

— Ela está no shopping...

— AH, sim. Então você é o tipo de pai caseiro?

— Eu não sou pai...

— Eu já entendi, meu senhor. – ajeitou os óculos redondos. – É difícil aceitar, principalmente quando se é lindo e jovem assim. Mas assim que abrir seu coração e olhar para a carinha fofa dela, a magia acontecerá!

— E isso seria?

— O encantamento da Paternidade! Como eu ia dizendo, tetinas e biberões para te ajudar a amamentá-la. Mas deve ser trocado periodicamente.

— Eu não vou usar tetas! – Jasper se exaltou.

— Larga o machismo, homem! – falou com sotaque do Texas. – Mas se insistir, existe as garrafas também, elas podem ser resistentes ao calor, garrafas de vidro. Mas eu repito que os mamilos especiais ainda são os que mais ajudaram a gengibre frágil dela.

— Moça, eu não pedi sua ajuda. – disse se afastando devagar.

E ela apenas sorriu.

— Não tenha vergonha. Bebês até o quarto mês de nascimento tem que usar mamilos por que eles são macios e pequenos do tamanho da boca deles.

— Mas eu já disse que não vou usar nada!

— Pegue esses daqui. – falou pegando um conjunto da marca Mans e colocando no carrinho de compras. – São morenas e vão combinar com a cor da sua pele.

— Ah, obrigado. – sorriu sem jeito. — Agora preciso ir.

— Sim, sim. Procure-me quando vier aqui outra vez, querido.

Dando as costas para ela, Jasper se perguntou o que estava havendo. Olhou para Bella, quietinha nos seus braços, chupando sua chupeta e piscando seus olhinhos, como se tudo estivesse normal. Seu estômago roncou levemente e era hora de voltar para o Lar.

Pagou tudo pensando estar livre, mas cantou vitória antes da hora. Jessica Stanley o esperava bem na porta de saída, o rosto suando e os olhos crispados. Ah, ele não merecia isso...

— Olá, JasPer. Quem é a menininha?

— Minha irmã? – respondeu e continuou andando esperando que ela notasse sua pressa.

— AH... Qual o nome dela?

— Isabella.

— AH... E quando a adotaram?

Dava difícil mesmo...

— Ontem.

— E você é tipo... O irmão urso?

Não, esse era o Emmett... Se bem que até ele a abandonara...

— Sim.

— Você sempre usa monossílabas?

— É.

E nessa hora já estavam perto do carro, ela não parava de acompanhá-lo, o que aconteceu com o instinto que mantêm humanos longes? Não importava, sua meta era chegar em casa.

— Ela é muito fofa sabia? Ela já gorfou no seu ombro? É nojento, não sei como Angela aguenta isso dos irmãos, ainda bem que sou filha única. E onde estão seus irmãos? Edward ainda é encalhado? Eu poderia arranjar...

— Jessica. – olhou bem no fundo dos olhos da garota. – Agora eu preciso ir. Mesmo. Adeus. – e bateu a porta do automóvel na cara dela.

E Izza começou a chorar, a chupeta caindo de sua boca e a baba escorrendo, o rosto ficando vermelho. O que ela tinha? Gostava de infernizá-lo? No mercado foi um anjo...

— O que você tem criatura? – perguntou fazendo-a ficar de frente para si.

E ela só berrou mais. Musica... Dizem que músicas acalmam filhotes... Estava prestes a ligar o rádio quando sentiu seu celular vibrando.

— Alôu?

— Jasper?

— Rosie?

— Alice está mandando você tirar a mão desse aparelho eletrônico agora.

— Como?

— Eu não sei, ela só pediu para mim te ligar e dizer isso.

— Por quê?

— Calma... Ah, por que ela vai viciar a Bellinha nisso.

— Ela?

— Você é burro, em meu irmão.— caçoou. – Ela. A música que você ia colocar.

— Que seria?

— Jasper! Seja o que for colocar ai, não ponha num canal infantil. Xau.

E desligou. Piiiip. Ok, não colocar num canal de radio infantil.

— DIRIGINDO MEU CARRO! DIRIGINDO MEU CARRO! EU VOU A PRAIA DIRIGINDO O MEU CARRO! – ele ouviu isso de longe, uma combi laranja estava vindo em seu encontro, o forçando á ir um pouco mais para o encostamento. – Não se reprima! Não se reprima! Canta! Canta! Dança, dança, dança sem parar!

Droga, acelera, acelera, acelera...

— O meu deus, mana! Aquele era o cara que eu falei que tinha visto uma velhinha comprando fio dental! – uma voz anasalada gritou.

— Será que ele esta com os mamilos dentro do porta mala? – outra garota respondeu.

PORcaria...

— Eai gatinho? – a de aparelho abaixou o vidro colocando a cabeça pra fora e fazendo seus cabelos desnutridos voarem no seu rosto.

— Você sabia que não pode dirigir com sua filha no banco da frente? Ainda mais com ela no seu colo? – a outra empurrou a irmã e apontou o dedo para ele.

— Será que as senhoras podem abaixar o volume? – se fez de surdo.

— É SENHORITA! – a primeira gritou.

— Homem, eu não sou tão velha assim sabia? – a outra ajeitou o óculos e desligou o som.

Silêncio.

— Então... Onde você mora, queridinho? — fez biquinho.

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Já em casa, respirou fundo, mais que aliviado. Havia sido o maior trabalho despistar daquelas duas malucas, implorava para Deus nunca mais deixá-las no mesmo ambiente que ele ou então deixaria de raciocinar.

Nunca imaginará que ir a um simples mercado pudesse ser tão complicado.

Preparou o leite morno e ficou dando de mamar – pela mamadeira – a Bella e vendo Telecine Pipoca. Mas claro, não sem antes jogar todas aquelas tetinas morenas no lixo.

Alice e os outros chegaram depois de algumas horas. Carregando uma pequena Carruagem de princesa.

— Alice...

— Jasper. – Emmett murmurou. – Melhor nem perguntar, mano. Melhor nem perguntar...

Na montagem do quarto da pequena Izza, Edward quebrou a Carruagem no meio a mandado de Rosalie e em vez de pintarem as paredes, colocaram pisos infantis com as letras do alfabeto em cores brancas e rosas. A janela fechada e almofadas estavam por todo lugar. Só uma parte ficou com um papel enfeitado, um esquilo em cima de uma árvore e um passarinho voando.

( http://is.gd/uSfd6E )

No final, o Ex Capitão Militar se viu forçado a ficar em um quarto de menina cheirando a morangos por que Bellinha não quis ir para outro colo e abriu o berreiro quando ameaçaram tirá-la dele.

Mas, pelo menos, ele agora tinha uma noção de como cuidar de um bebê.