Immortality
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
CAPÍTULO QUATRO:
Desfado
1918
Bella e Edward subiram apressadamente pelas escadas do prédio.
Riam alto, comentando bobagens entre si. Ela vestia apenas uma camisola curta e ele uma blusa de algodão com calça de suspensórios; ela tinha nas mãos uma garrafa de rum e ele um masso de cigarros e fósforos no bolso. A vizinha do quarto andar, idosa e de olhos semicerrados, esticou a cabeça pelo corredor quando ouviu os passos pouco discretos. Ela reclamou algo em italiano, os xingando por serem tão jovens e tão barulhentos. Edward gargalhou e deslizou uma mão pelos quadris de Bella, puxando-a rapidamente para um beijo no pescoço. Continuaram subindo, chegando ao quinto e último andar. Edward abriu a janela do corredor, sentindo o vento gelado e os flocos de neve que entravam cômodo adentro: por cima do ombro, espiou Bella e logo ajeitou-se, saindo pela janela e apoiando os pés na escada rente a parede. Escalou até o teto, sentindo os dedos congelarem e afundarem na neve grossa que cobria o telhado retangular e inclinado. Não havia muito tempo. Logo, equilibrou-se e ajudou a içar uma Bella que subia com extrema lentidão por causa da garrafa de bebida em sua mão.
O casal encontrou-se, grudando-se um ao outro enquanto se arrastavam até o ponto mais alto do telhado: sentaram-se e Bella dividiu com Edward uma manta de lã. O rapaz inclinou-se, colocando um cigarro na boca e riscando um fósforo; as mãos de Bella formaram uma cúpula ao redor do tubinho branco, evitando que o vento frio apagasse o fogo. Edward deu uma tragada, sendo alvo do olhar curioso de Isabella. Ofereceu-lhe o cigarro e a mesma aceitou. Fumou um pouco e começou a tossir.
Ambos gargalharam.
Bella tomou um gole da bebida, direto do vidro, e entregou a Edward, que fez o mesmo. O rum vermelho desceu queimando a garganta, esquentando-lhes os corpos. Não era a maneira mais ortodoxa de comemorar um mês de casados, sabiam eles, mas tinha suas belezas. Tinham comido pouco no jantar, quebrando algumas das porcelanas quando se deram conta que compartilhavam de uma fome diferente. Encontraram-se embriagados um com o outro e decidiram aprofundar a sensação, abrindo uma das garrafas importadas que haviam ganhado no dia do casamento. E depois, entre bombons de licor e beijos nada comportados, decidiram subir para o telhado do edifício ver o prometido show:
Era uma noite especial na prefeitura da cidade, o que significava politicagem suja, um banquete e, às 22horas, fogos de artifício imensos e caros o suficiente para iluminar Chicago inteira. Numa época de Guerra como aquela, os governantes não perdiam a chance de ostentar um pouco mais, com a desculpa de tentar alegrar o povo.
O rum foi depositado entre o corpo do casal e Bella subiu as mãos, descobrindo com os dedos o pescoço e cabelos de Edward. Uniu-os em um beijo impaciente e sôfrego, deliciando-se com os malabarismos da língua de Edward. Sentia-se como nas escapadinhas que davam na dispensa da cozinha, quando todos os pelos de seu corpo se arrepiavam e ela sentia que poderia desfalecer nos braços dele. Edward mordiscou-lhe o lábio inferior, fazendo-a reclamar baixinho; correu a mão pelas pernas lisas de Isabella, abrindo um gentil espaço entre as coxas. Ela ofegou alto, quase engasgando com o beijo.
Ela usava apenas a camisola, sem nenhuma outra peça por baixo.
— Edward… — um murmúrio inaudível escapou de sua boca.
O rapaz Masen prosseguia suas carícias, espalhando marcas úmidas e avermelhadas por seu pescoço e espaço entre os seios. Logo, sua mão tinha encontrado o botão delicado em sua intimidade e ela gemia, satisfeita, surpresa e envergonhada. Suas bochechas ardiam em um tom rubi.
— Não acredito que… Que v-vamos fazer isso no… Telhado — disse Bella com dificuldade. Edward riu contra sua pele, subindo o rosto para encará-la nos olhos.
— Eu não vou fazer nada. — respondeu divertido. — Mas você vai.
Juntou os lábios nos dela novamente, devorando-a com paixão e devoção. Bella tremeu um pouco, arranhando a nuca de Edward com força e gemendo contra sua boca macia. Sentia-se quente, muito quente; um pouco de suor escorria por sua têmpora, indiferente a neve e ao frio. Seus cabelos, a esse ponto, estavam úmidos da neve derretida. Edward distribuiu beijos por seu rosto, carinhoso, satisfeito com o que causava nela. A mão que acariciava, agora, segurava-lhe o quadril com firmeza.
— Eu te amo tanto… — disse ele, procurando seus lábios novamente.
Não era necessária resposta, pois o corpo dela derretia-se, totalmente entregue e devoto a ele. Era recíproco. Logo, seus lábios se distanciariam com o estouro e assovios altos. Círculos estrelados, faiscantes, subiam pelo céu. Edward apertou-a contra o corpo, abraçando-a com carinho enquanto viam o brilho azul, verde e depois dourado. Desejou assistir os fogos, mas com rapidez se distraía, vendo as luzes refletidas nos olhos castanhos de sua amada. Velava-a com admiração, como se encarasse Deus; não tardou a beijar-lhe outra vez, cobrindo o canto do seu rosto com toques amorosos.
Então, quando o fúlgido espetáculo cedeu, eles desceram do telhado.
Deslizaram abraçados pelos corredores, muito mais românticos que famintos. O rum tinha acabado, correndo por suas veias como sangue. Ambos com a cabeça nas nuvens, rindo de tudo. Entraram no apartamento, trancando a porta — Edward demorou-se a largar a mão de Bella, desejando nunca se afastar, e ela soltou um risinho, caminhando até a estante. Ligou o velho rádio de madeira e aço, sintonizando numa das poucas frequências disponíveis; fugiu das notícias sobre mortes, sobre a Guerra, e estacionou onde tocava um fado. Aumentou o volume e escorregou para dentro dos braços de Edward, sendo guiada uma dança.
Uma viola emitia notas doces enquanto uma portuguesa, com a voz amargurada, relembrava e amaldiçoava seu antigo amor. Bella fechou os olhos, roçando o nariz no peito de Edward. Desejava de forma sofrida que fosse possível imortalizar aquele momento; que aquela dança nunca tivesse fim, que aquela noite, preenchida de perfeição, nunca se fosse. Um aperto no coração consternou-lhe as emoções por um instante, sabendo que restava, apenas, viver aquele momento. Antes que a tristeza tomasse conta, afastou-a com um tapa invisível: agarrou-se as expectativas dos próximos anos, sabendo que aquela cena se repetiria por muitos anos.
Acreditava ela.
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