Immortalis

6 Capítulo 6 — Slow Burn.


Notas iniciais
Boa leitura! ;)

Narração em 3° pessoa.

Ele assistia as labaredas das chamas se arrastando e consumindo lentamente a pele do primeiro corpo daquele vampiro sem vida, em meio a pilha de outros de sua espécie no mesmo estado. E, estava limpando uma bagunça que não era sua, mas sim de Rebekah, sua temperamental doce irmã, Rebekah. Ela apenas havia pisado na cidade, trazendo consigo o dom especial de atrapalhar os planos de Niklaus. Por isso, começava a pensar como convenceria Marcel, uma cópia aperfeiçoado seu próprio eu, desconfiado, acreditaria na morte coincidente de ambos tão repentina sem culpar algum Mikaelson.

Mesmo que soubesse, muito bem, como manipular quem queria. Ainda não poderia se arriscar demais, pois quanto mais perto tivesse a amizade de Marcellus, mais encontraria chances de reconquistar seu trono em Nova Orleans, consequentemente precisava de pessoas poderosas ao seu lado, isto incluía, evitar mortes de vampiros pelas mãos de sua irmã, controlar a loba qual carregava seu filho e ter Charlotte Montgomery disposta a ajudá-lo.
Klaus ainda precisava conhecer aquela versão divergente e mais raivosa de Charlotte, quem costumava ser marcada por agir pelos impulsos dos sentimentos, ela costumava lembrar muito da personalidade Rebekah. Contudo, pode notar tal mudança quando a reencontrou, mesmo emotiva, conseguiu ter firmeza nas palavras e determinação. Talvez, precisasse encontrar o jeito certo de conquistar a confiança da bruxa, sendo assim adquirindo mais informações sobre os acontecimentos do último século que passara longe.

Seu olfato aguçado foi preenchido pelo cheiro de amêndoas e o perfume levemente adocicado. Não precisava se virar para saber quem era. O Híbrido conhecia aquele cheiro há muitos séculos, nunca mudava, sempre o mesmo. Escutou os passos apressados se aproximando, misturado ao coração descompensado da mulher. Era Charlotte. Chegando no horário pontual, como ambos combinaram ao decorrer da semana.

— É perceptível como você ainda continua sendo pontual. — Klaus comentou no seu famoso tom sarcástico, virando-se para encara-la quando estava perto suficiente para conversarem.

— Não perca seu tempo fazendo comentários desnecessários. — Charlotte respondeu impaciente, cruzando os braços, fazendo que percebesse como sentia-se desconfortável.

— Estou tentando ser gentil, mas se dispensa. — ergueu seus ombros em sinal de paz, sorrindo satisfeito. Adorava saber como ainda tinha algum efeito sobre a mesma. — Não posso fazer nada.

— Por que só não vamos ao ponto direto? — sugeriu apressada, podendo ver o cenho franzido da mulher em função do cheiro nada agradável dos corpos carbonizados a pouca distância, o que nada incomodava ao Original.

— Como mandar. — concordou, seguindo para o hall de entrada do casarão, sendo seguido pela bruxa.

Ambos adentraram a casa, sendo recepcionados pelo rotineiro silêncio daquele lugar. Não havia nenhuma movimentação. Klaus sabia os motivos de tal calmaria, pois Rebekah havia decidido tomar partido e tentar recuperar Elijah após sua confissão de ter dado o próprio irmão como um gesto de confiança a Marcel. Enquanto a lobinha tinha se trancado no quarto, depois da discussão sobre o passeio perigoso pelo Bairro Francês, colocando tudo quase a perder, incluindo a vida dela e do bebê. Sabia ter perdido o controle em algum momento quando a raiva se aflorou, mas apenas de passar na sua mente que algo poderia ocorrer àquela criança o deixara estranhamente enfurecido. Adentrando o escritório, fez questão de esquecer o pequeno momento de fraqueza e concentrasse no plano de reconquistar sua cidade.

— Então, conte-me, Charlotte... O que te fez mudar de ideia tão repentinamente? — perguntou sem muitos floreios. Ele a queria, porém não era tolo de acreditar na mudança de ideia por pensar em sua família, existia algo grande escondido.

— Apenas tive oportunidade de repensar melhor nas minhas opções. — ela rebateu calma, arrumando a postura na cadeira. O Mikaelson sustentou o olhar contra o dela, tentando encontrar qualquer resquício de hesitação nas íris castanhas escuras igual as outras vezes de reencontro, ainda assim parecia decidida.

— Qual são essas opções, bruxinha? Há poucos dias você deixou muito claro que queria distância de mim e da minha família.

— Com certeza não pelo seu novo senso maternal, Niklaus. — debochou, começando a irritar do Híbrido pelo sarcasmo. — Eu tenho meus interesses nessa história também.

— Quais são seus interesses? — continuou indagando ameaçador, reparando em cada mínimo gesto de seu corpo. Em mil anos de vida, ele aprendera através de muitas formas saber sobre um mentiroso, a hesitação e o nervosismo sempre o entregavam.

— Recuperar a minha magia, continuar vivendo e proteger alguém. — revelou sem delongas, não hesitando, permanecendo controlada.

— Quem seria esse alguém?

— Eu não acho que você esteja em condições de me questionar tanto, Klaus. — Charlotte falou, fazendo que o Híbrido arqueasse uma sobrancelha, irônico. — Você precisa de mim e eu preciso de você.

— Eu não sei o que você está planejando, bruxinha. Mas, caso tente alguma coisa contra mim ou minha família, faço questão de gravar aquela adaga em seu peito. — ameaçou em um tom sério, levantando um dedo em riste. — Será pior se Marcel estiver envolvido.

— Por favor, Niklaus, poupe-me de suas ameaças. Sei que você é o grande Híbrido impiedoso. — rolou os olhos, gesticulando com as mãos. — Só precisamos acertar como isso funcionará.

— Quero que consiga quebrar a ligação entre Hayley e aquelas malditas bruxas! — Klaus trincou o maxilar. Odiava o fato de ser quase controlado por ambas. Ninguém nunca tivera tanta ousadia.

— É como eu tinha dito antes, eu posso colocar a vida de Hayley em perigo, não consigo ter controle dos meus poderes... Por isso preciso da sua ajuda para encontrarmos o que está acontecendo comigo. — a mesma argumentou, deixando ele ainda mais inquieto, precisava agir o mais rápido possível, tomando cuidado sempre.

Em silêncio, dois trocaram olhares, enquanto aguardavam a resposta do Original. Klaus mesmo ansiando por ter o poder de rei mais uma vez, onde teria as coisas como desejava, ter o exército de vampiros fiéis e o controle de todas as facções de criaturas sobrenaturais, podendo assim viver proporcionar um lar a seu futuro herdeiro. Porém, para isto, precisava ter alguém poderoso ao seu lado e Charlotte era essa pessoa, sendo a única bruxa de linhagem pura do Clã Montgomery. Significando não ter outras alternativas qual não fosse aceitar.

— Temos um acordo. — decretou por fim, estendendo sua mão em sinal de selo, Charlotte aceitou o cumprimentou, concordando. — Espero que honre nosso acordo, bruxinha. Porque terá muito a ganharmos.

— Para todo o sempre, não é? — Charlotte soltou de repente, deixando-o sem reação. Chegava ser insano que algum dia aquela mulher a sua frente fora considerada um membro da família Mikaelson.

Antes de poder retrucar de forma amarga, escutaram a voz estridente de Rebekah clamando por si. Klaus revirou os olhos, sem muita paciência pelos escândalos fora de hora da irmã mais nova, encarou a bruxa, que deu de ombros. Ele abandonou o escritório, rumando a direção da sala de estar, sendo acompanhado pela mulher.

— Você tem razão, aquela garota, Camille, é a chave para conseguirmos Marcel. — Rebekah comentou apressada, aproximando-se deles, enquanto olhava a bruxa de cima a baixo, sem nenhuma questão de ser educada.

— O que é? — O Mikaelson indagou exasperado.

— Não é o que, mas sim uma garota... O nome dela é da Davina, ela tem dezesseis anos e é extremamente poderosa. — a loira disse um pouco confusa, levando a certeza que Marcel tinha uma bruxa como vantagem, por isso precisava encontrá-la.

— Uma bruxa, isso é ótimo! — riu satisfeito, balançando a cabeça de um lado para o outro. — Onde ela está?
— Eu... — Rebekah tentou responder, mas não lembrança de nada. — Aquela pirralha pagou a minha memória!

— Como assim?

— Ela entrou na minha mente e me fez esquecer! Você entregou Elijah ao desconhecido, Klaus! Quantas vezes ele terá de te perdoar? — aumentou o tom de voz, fitando Charlotte por cima dos ombros do irmão mais velho. — Espero que tenha um grande plano, pois uma bruxa mais poderosa que um Original têm Elijah em mãos!

— Eu fiz o que tinha que fazer para recuperar nossa casa! — Klaus ralhou indignado, não sabendo como tinha se equivocado.

— Uma casa sem família, não tem sentido Klaus! — a Original começou a caminhar na direção da porta, mas sendo impedida pela mão do Híbrido. — Vou fazer o impossível para encontrar o meu irmão! Encontre uma maneira de concertar a sua besteira!

Rebekah bateu a porta com violência, fazendo que Klaus apertasse os próprios punho, enfurecido. Queria encontrar Marcel e fazê-lo contar o lugar secreto onde aquela garota estava, sobretudo precisava amenizar o calor do momento e pensar com a razão, bastaria uma conversa entre amigos e tudo poderia ser resolvido, sem atrapalhar seus planos. Pois, iria ter de acelerar os passos, encontrar a bruxa e eliminá-la do caminho.

— Você vem comigo, bruxinha. Nós vamos descobrir o que está prejudicando sua magia a partir de agora. — determinou sério, abrindo a porta da casa de novo. — Não temos mais tempo a perder!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.