Immortalis
4 Capítulo 4 — Need me.
Notas iniciais
Mantive meu olhar sobre a carranca que estava formada no rosto do Híbrido, ele ainda parecia estar aceitando minha resposta. E aquele maldito silêncio estava começando a me deixar aflita, porque ninguém era capaz de prever o que Niklaus fazia quando acabava sendo contrariado, principalmente ao ser provocado como eu continuava fazendo.
A loba também pareceu ficar incomodada pelo clima estranho e limpou a garganta, alternando seu olhar hesitante entre nós dois. Entretanto, tudo que eu menos esperava ver, aconteceu. O sorriso torto nasceu nos seus lábios enquanto sua expressão adotava a feição diabólica. Sufoquei o suspiro surpreso, apenas engolindo em seco, esperava ser ameaçada de novo. Ainda aparentando ser a reação melhor dele, para mim era a pior.
— Não é um problema. —respondeu calmo, indo até a pequena mesa de bebidas alcoólicas. — Podemos entrar em um acordo, assim todos nós sairemos beneficiados.
— Por enquanto não consigo ver nenhum beneficio para mim. — inquiri séria, sustentando o olhar contra o seu, Klaus soltou a lufada de ar acompanhado de um riso irônico.
— Sua magia está acabando por um motivo desconhecido, consequentemente o feitiço que te mantém viva está se desfazendo e isso significa que você morrerá muito em breve. — explicou sua linha de raciocínio lógico friamente. — Eu posso encontrar a solução do seu problema, mas em troca irá proteger Hayley das bruxas e me contar alguns segredinhos de Marcel.
Abri e fechei minha boca, procurando por respostas a altura, mas me calei. Se Klaus estava me propondo um acordo, sem ameaças, chantagens ou manipulação, era porque estava sem escolhas. Ele usava meus problemas como a solução para os seus. Às vezes chegava ser insano como aquele bastardo conseguia ser inteligente o suficiente e te manipular ainda estando em desvantagem, fazendo parecer o contrário. Por isso, sempre vencia seu oponente com facilidade.
O barulho do motor de algum automóvel se fez presente no lado de fora. Só assim, reparei que a loba havia abandonando a sala de estar, ela provavelmente se cansara de assistir nossa briga. Olhei na direção da janela, não dando a resposta de imediato, ele deu de ombros. Escutei a porta principal da mansão sendo aberta de forma bruta, causando o baque surdo, seguida da voz feminina com o sotaque carregado do inglês, que fez meu peito se aquecer estranhamente.
— Klaus venha até aqui e diga ela que o Elijah sempre cumpriu todas as promessas que fez. — a loira adentrou a sala, feito um furacão, ao menos percebendo a minha presença.
— Sem escândalos, irmãzinha. — Niklaus pediu calmamente, sorrindo completamente satisfeito. — Não vai cumprimentar a nossa visita?
Os olhos azuis claros foram na minha direção, rapidamente a expressão de Rebekah se esvaiu, como se estivesse encarando o grande fantasma do passado, contudo no momento seguinte ela retomou a postura de superioridade, me olhando de cima a baixo com certo desprezo e desviando o olhar. Mordi o canto da minha bochecha, sentindo o gosto amargo. Ela não havia mudado nada. Continuava a garota mimada e sem limites.
— Vejo que estamos com a família completa. — comentou, sorrindo amargamente, verificando o cômodo por inteiro parecendo procurar por alguém. — Cadê o Elijah?
— Não precisa se preocupar com o nosso irmão, ele está bem. — o loiro falou no tom enigmático, esfregando uma mão na outra, fazendo que sua irmã revirasse os olhos. — Mas recapitulando, o que diz, Charlotte?
— Não. — falei simplesmente. Novamente a reação do Híbrido foi à mesma, quando estava prestes a dizer alguma coisa o interrompi, continuando. — Deixarei bem claro, eu não quero e não vou fazê-lo existem outras milhares de bruxas nessa cidade, aposto que se procurar bem irá encontrar. Deixe-me em paz.
Dito isto, não esperei mais nenhum segundo para ver o que aconteceria caso continuasse ali. Peguei meu celular em cima da poltrona, caminhando para fora da mansão, atravessei o grande jardim, saindo até a rua deserta. Revirei os olhos, sabendo que era uma boa caminhada até o Quarteirão Francês, nem ao menos iria poder pedir carona para Chad ou Joe, pois nenhum dos dois sabia sobre minha ligação com os Originais.
Sem opções, comecei a andar pela via. E como pensado, de fato levei mais de meia hora para chegar à casa de vez. Tudo que queria era poder dormir pelo resto da minha eternidade para não ter que lidar com o que viria pela frente e eu sabia que quanto mais fugisse, pior seria, pois nunca conseguiria ficar em paz. Joguei o celular em cima da minha cama, rumei até o banheiro, retirando minha regata manchada de sangue seco pelo caminho, eu apenas precisava de um banho.
Fiquei embaixo do chuveiro por vários bons minutos, desliguei o registro, me enrolando na toalha. Peguei a primeira muda de moletom que estava na gaveta e vesti. Não estava em estado mental para ir trabalhar, depois se explicasse a Joe, ele entenderia. Retornei a cozinha, abrindo a geladeira, pegando a manteiga e preparando sanduíche. Por mais que estivesse sem fome, teria de me obrigar a comer se quisesse continuar andando sem desmaiar.
Liguei a secretária eletrônica do meu telefone, escutando os três recados preocupados de Chad, outros dois de Emma e um do meu sócio. Sorri fraco, pelo menos alguém se importava com o meu sumiço repentino, parecia ser o bom sinal, mas responderia mais tarde. Estava prestes a sair da cozinha, quando as batidas na porta, nem me dei o trabalho de verificar quem era porque provavelmente deveria ser Donna entregando as correspondências.
Destranquei a porta, sorrindo, mas meu sorriso desapareceu quando encarei o homem alto a minha frente. Marcel também sorria provocativo, fiz menção de fechar a porta, mas ele colocou o pé na frente, me impedindo de fecha-la por completo. Revirei os olhos, mal acreditando que todos eles haviam decido ir atrás de mim ao mesmo tempo. Aquele dia definitivamente não ficaria pior.
— Acho que as suas vadias te deram o recado. — zombei. — Na próxima vez não restará nenhum para te dar recado.
— Sabe que precisamos conversar. — Marcel ignorou minha provocação, continuando a forçar a porta, pois sabia que não iria conseguir entrar por nunca ter sido convidado a entrar no meu loft.
— Resolva seus problemas com os Mikaelson sem me envolver, eu não tenha nada haver com toda essa confusão. — avisei impaciente, respirando profundamente.
— Não é sobre eles, Charlotte, pelo menos não inteiramente, isso envolve a Davina. — falou apreensivo, sabendo como chamar minha atenção de verdade. Juntei a sobrancelhas, um pouco preocupada, finalmente abrindo um pouco mais a porta.
— Apenas diga.
— Klaus está desconfiado sobre como eu tenho acesso a todas as bruxas que praticam magia. Se ele descobrir sobre a Davina ou encontra-la, irá se aproveitar dos poderes dela. Você sabe disso, eu preciso da sua ajuda.
— Então, de repente todos precisam da minha ajuda, isso é incrível, não é Marcel? — perguntei sarcástica, entortando os lábios e erguendo os ombros. — Tivesse pensado isso antes de começar a usar aquela menina como uma vantagem, agora aguente as consequências.
— Você prometeu que iria protegê-la. — atacou, querendo acertar meu ponto fraco, contudo não aconteceu.
— E eu irei Marcellus, mas não venha querer me manipular para ficar do seu lado. Estou cansada de todos tentando fazer isso. — proferi séria, sentindo a raiva florescer dentro de mim.
— Sabe que vai ter que escolher um lado. — retorquiu no mesmo tom sério.
— Eu não tenho que escolher absolutamente nada, Davina ficará bem e eu irei protegê-la de quem tentar machuca-la, mas estou pouco me importando com essa droga de disputa entre você e Klaus por Nova Orleans. Não ouse voltar aqui de novo, porque vai se arrepender. — ameacei enfurecida, não dando a chance de escutar sua resposta e bati a porta.
Passei a mão pelo meu cabelo, exasperada, encarei o vaso com flores na minha frente e o peguei atacando longe, tentando descontar a minha frustração. Estava tudo tranquilo demais para ser verdade. Eu estava literalmente encrencada com aquela maldita carga de emoção. Ainda havia Davina que não tinha nada haver com aquilo e agora corria perigo de ir parar nas mãos de Niklaus.
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