Immortal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Se não, ok.
Boa leitura até as notas finais.
POV NICO
Hoje fazia cinco anos. Cinco anos desde que tudo acabou. Cinco anos que sinto falta de cada jeito seu. Talvez um dia, nós nos encontraremos novamente. Thalia. A garota dona do meu coração.
Eu encarei o teto naquela manhã. Senti um nó se formando na minha garganta e as lágrimas começaram a rolar pela minha face. Eu iria passar numa floricultura antes de ir para sua casa.
“Eu estou tão sozinho. E os sentimentos são como doença. Venha e fique, fique perto de mim.” *
Eu ainda me lembro de como nos conhecemos. Foi na festa do Percy. Nós começamos a conversar... Ela estava tão linda. Preto era uma cor que sempre lhe caiu bem.
Sentei-me na cama e limpei as lágrimas. Suas coisas ainda estavam ali. Depois de todo esse tempo. Caminhei até um balcão e abri a gaveta, então comecei a folhear nosso álbum de fotos.
Eu quase nunca fazia isso. Por que eu não iria suportar. Eu me arrependo de tanta coisa. Acho que às vezes... Eu deveria ter passado todo o meu tempo com ela. Enquanto ela estivesse ao meu lado.
Enquanto jovens, pensamos que tudo é pra sempre. Mas a vida me apresentou o pior o possível.
Fiz minhas necessidades e me arrumei. Desci as escadas e vi Bianca sentada no sofá da sala. Ela apenas me olhou. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Ela andou até mim e nós nos abraçamos.
- Como você está? – Perguntou ela.
- O que você acha?
- Tem certeza que quer ir? A família dela vai estar lá.
- Eu preciso. Não ligo pro que eles pensam de mim.
Ela apertou minha mão fortemente.
Fomos no carro dela. Enquanto ela dirigia, eu fiquei viajando em meus pensamentos.
É impossível esquece-la. Merda de vida. Eu sinto falta do seu sorriso. Sinto falta dos seus beijos...
Eu engoli em seco.
E mesmo se eu tentasse não pensar, as cenas se repetiam na minha mente.
FLASH BACK ON
POV NICO.
- Então, Lia, já se arrumou? Já são quase oito e meia da noite.
- Já estou indo! – Berrou ela do quarto.
Sentei-me no sofá da sala e liguei a TV.
“A chuva forte continua por toda essa madrugada. Algumas cidades já estão começando a ficar alagadas.”
Senti um arrepio percorrer meu corpo com o som do trovão. Vamos pegar essa droga de chuva no caminho.
Chegaríamos de madrugada na casa de Percy. Iríamos passar o fim de semana lá. Haveria bastante gente.
- Pronto. Aqui estou. – Falou ela.
- Linda como sempre. – Eu a beijei.
Entramos no carro. A chuva caia sem parar.
Fazia algumas horas que eu dirigia. Olhei no painel. 23:14. A estrada estava escura e a chuva batendo no vidro violentamente.
- Quer que eu dirija um pouco? – Perguntou Thalia.
- Não. De boa. – Regulei o ar condicionado. Era uma noite fria e chuvosa.
Começávamos a passar por uma longa ponte, quando alguém bateu atrás do carro. Thalia me encarou:
- Meu que merda! – Ela virou-se para trás. – Será que amassou muito?
- Não sei. Vou lá ver. – Peguei o guarda chuva do banco traseiro. Me preparava pra abrir a porta, quando ela disse:
- Quer que eu vá junto?
- Não precisa. Volto num instante.
Foi quando eu senti a mão dela sobre meu rosto. Eu a olhei, e então nos beijamos. Um beijo que parecia uma despedida. Então peguei e sai do carro.
Armei o guarda chuva, que não foi o suficiente, pois chovia demais. O céu quase todo momento tinha um clarão. Andei até o carro de trás. Havia um homem, que deveria ter uns quarenta anos. Ele tentava se desculpar.
— Por favor, seu moço, eu... Eu... Meu. Deus! – Ele apontou para algo que vinha atrás de mim.
Foi então que tudo aconteceu. Tudo tão rápido. Eu estava de costas para o meu carro. Então ouvi um som de buzina alta e virei-me.
Um caminhão em alta velocidade vinha em nossa direção. O homem puxou-me para trás. Eu só ouvi o barulho da batida. Meus olhos acompanharam cada segundo daquilo. Mas não foi suficiente, o caminhão continuou empurrando os carros, na direção do muro da ponte.
FLASH BACK OFF
- Nico? Nico? Você não vai sair?- Bianca me cutucou e eu vi pela a janela a floricultura.
- Ah, sim, certo...
Fechei os olhos, então mais lágrimas caíram pelo meu rosto. Thalia. Thalia. Thalia. Abri a porta do carro e o sol fez arder meus olhos. Passei a mão na cara, para tirar as malditas lágrimas.
Entramos na floricultura. Havia um delicado cheiro de baunilha. A atendente nos olhou de cima a baixo. Então, saiu de trás do balcão e veio até nós.
- O que posso ajudar? – Perguntou.
Bianca e eu nos entreolhamos.
- Quero flores. As mais bonitas que tiver. – Disse.
Bianca apontou para algumas rosas vermelhas:
- Essas são bonitas.
-Sim, poderíamos levar um pouco dessas e mais outra. – Falei.
A vendedora nos guiou até o outro lado da loja:
- Temos essas aqui. – Ela tinha o olhar em mim e em Bianca. – Vocês, são os Di Angelo, não é?
- Sim, mas poderia me ver essas aqui e mais as rosas? Faça um arranjo bem bonito, são para minha... para minha namorada.
Quinze minutos depois, estava dentro do carro segurando um enorme buquê.
- Será que ela vai gostar? – Perguntei.
- Acredito que sim. – Respondeu Bianca ligando o carro.
Havia quase uma hora que estávamos na estrada. Estávamos chegando na sua casa. Seu novo lar depois daquele dia.
Então senti um aperto no coração.
FLASH BACK ON
Estava perplexo demais. Tanto eu, quanto o homem ao meu lado. Chovia fortemente. E tudo o que meus olham viam, era o caminhão empurrando os carros contra o muro da ponte. O caminhão estava rápido demais.
Então, apenas vi acontecer. Os veículos despencaram ponte a baixo. Foi um som horrível da batida. Depois, o barulho na água.
Meus olhos não acreditaram no que viam.
“Quando você ama alguém, eles sempre vão embora rápido demais. Mas uma memória, uma memória”**
Não podia estar acontecendo. Não. Não.
A chuva caia cada vez mais forte. A luz dos carros me cegavam. Eu não tive reação.
O guarda chuva caiu das minhas mãos. Cada gota de chuva fria que me atingia era como tiros.
Não estava acontecendo. Não.
Então eu gritei. Apenas gritei. Meus joelhos encostaram o chão.
Thalia.
“Haverá somente um sobrevivente”**
As cenas só se repetiam na minha mente. Suas últimas imagens. “Me preparava pra abrir a porta, quando ela disse:
- Quer que eu vá junto?
- Não precisa. Volto num instante.
Foi quando eu senti a mão dela sobre meu rosto. Eu a olhei, e então nos beijamos.”
“A memória que eu era seu e você era minha. Todo mundo morre, morre”**
Tive certeza que meu coração foi arrancado. Voltei a realidade quando senti alguém cutucando meu ombro. O homem falava alguma coisa, que eu não entendia. As sirenes estavam cada vez mais perto. Ignorando o homem, eu me levantei e fui perto da onde tudo tinha acontecido. Havia destruição para onde quer que eu olhasse.
Minhas pernas, eu não as sentia. Então alguma voz gritou em meio ao tempestade que parecia que nunca mais iria acabar:
- Senhor! Senhor! Você tem que voltar! Senhor!
Eu apenas continuei andando.
-THALIAAAAAAAAAAAAAAAA! THALIA! – As lágrimas se misturavam em meio as gotas de chuva.
Ela podia estar viva. Ela tinha que estar.
FLASH BACK OFF
- Nico? Você não vai abrir a porta?
Sua voz me tirou daquele transe. Bianca passou a mão delicadamente em meu rosto, tirando as lágrimas.
Observei os carros que já haviam chegado.
“Estou tão sozinho. E os sentimentos são como doença.”*
Encarei Bianca, enquanto ela segurou minha mão. Seus olhos estavam vermelhos e no seu rosto, lágrimas caiam.
Eu peguei as flores e abri a porta. Bianca trancou o carro, e nos demos a as mãos.
Tenho que dizer... que... Há bastante gente para vê-la.
A medida que caminhávamos entre as lápides. As pessoas nos encaravam e ficavam conversando me sussurros.
Elas se afastavam da gente, como se fóssemos criminosos. Eu não conseguia parar de chorar. Zeus, Jason... A família dela estava em volta do túmulo. Me aproximei mais. Mesmo com o olhar ameaçador de Zeus sobre mim.
“Mas nada dura para sempre.”**
Ela estava ao lado de sua mãe.
FLASH BACK ON
O dia estava amanhecendo. Percy tentava me consolar em vão. Ela tinha que estar viva. Os bombeiros trabalharam a noite toda...
Nós estávamos na beira do rio. Do enorme rio.
Quando Zeus chegou, ele veio para cima de mim. Nós começamos a brigar, se não fosse por Percy.
Bianca queria me tirar dali. Não queria que eu visse.
Mas ninguém iria me impedir.
Quando eles começaram a retirar as coisas da água.
Eles... Eles estavam tirando o carro. O que restou dele. Completamente destruído... E eu vi Thalia.
Seu rosto...
Não.
Nãoooo.
A pele estava pálida. Eu não reconheci seu rosto. Ela estava sem uma das mãos.
A água saia do carro.
Não.
Eu não tinha nenhuma outra reação, a não ser gritar. Percy se pôs na minha frente, tampando minha visão.
Annabeth começou a chorar.
FLASH BACK OFF
As imagens invadiram minha mente. “Estou sempre correndo atrás do tempo. Mas todo mundo morre, morre. Se eu pudesse comprar o 'para sempre' a um preço. Eu o compraria duas vezes, duas vezes”**
Depositei as flores sobre seu nome. “E sentir um significado para o mundo real (...) Quando você ama alguém, eles sempre vão embora rápido demais. Mas uma memória...”**
POV BIANCA
Nós e Zeus, fomos os últimos a deixar o lugar.
Eu dirigia por aquelas estradas.
- Tem certeza que quer descer aqui? – Perguntei.
Ele apenas afirmou com a cabeça. Deixei o carro no encostamento da ponte. Ainda era possível ver a parte reconstruída.
Nico deixou o carro, correndo. Eu abri a porta. Senti a brisa do rio tocar no meu rosto, secando as lágrimas.
Andei até ele que chorava sem parar. Eu não estava tão diferente.
POV NICO
As águas escuras que iam para o horizonte.
Mas parecem que todos morrem.
Minha mãe, Thalia.
Thalia.
O nosso último beijo. Por onde quer que eu olhasse eu a via.
O sol estava entre as nuvens. As montanhas, o rio em sua grandeza, o horizonte.
Thalia.
Um lindo lugar para morrer.
“Eu quero ser imortal, como uma deusa no céu. (...) Como se eu nunca fosse morrer. Quero viver para sempre, para sempre em seu coração. E vamos ficar juntos, a partir do fim até o começo”**
Imortal.
* Surround me with your love – 3-11 Porter
** Immortal – Marina and the Diamonds.
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