Immortal

26 Uma Vitória Manifestada Em Derrota


Notas iniciais
Buenas noches, muchachos! xP Desculpem por mais essa demora, mas como eu já disse por aí, é a vida universitária, não tem muito o que fazer quanto a isso... :/ Mas de forma alguma é descaso com vocês, é só a Veterinária com suas aulas demoníacas se alimentando da minha energia vital como sempre... =P Agradeço mais uma vez pela eterna paciência de vocês e peço que tenham um pouquinho mais, porque a fanfic já está na reta final!

Ororo andava irrequieta pelo acampamento dos X-Men, seus passos firmes levando-a a circular sempre o mesmo trajeto de terra compactada. As mãos, compulsivas, limpavam de tempos em tempos o uniforme ainda impregnado dos resquícios da recente batalha.

Fitou pela enésima vez o horizonte que se estendia por colinas e declives, baixando o olhar quando mais uma vez não encontrara o que tanto queria ver.

Estava extremamente incomodada com a demora dos três mutantes que ficaram para trás, enfrentando o mortífero poder da Fênix de forma quase irresponsável ante a certa desvantagem. Um suspiro arrependido e desassossegado cruzou o limite de seus lábios, os olhos sempre vistoriando os arredores à procura de qualquer sinal de Charles, Logan ou Eve avançando naqueles sutis aclives.

– Nós deveríamos voltar! – Tempestade finalmente disse, em alto e bom som, atraindo a atenção instantânea dos alunos que se amontoavam todos juntos num limitado perímetro. Todos a fitaram em súbito silêncio, aquele pensamento verbalizado de Ororo parecendo transpassar as feições de cada um dos mutantes. – Foi estupidez bater em retirada antes que todos estivessem seguros!

– Os garotos não teriam a menor chance contra a Fênix, Ororo... – McCoy lembrou, o tom de voz paciente como se falasse a uma criança teimosa. – Nem mesmo nós teríamos. A nossa melhor esperança agora reside no sobrenome Xavier.

– Eles não podem ser alunos pra sempre, Hank! Todos nós fomos treinados pra trabalhar em equipe e lidar juntos com a desvantagem, mas na primeira oportunidade fora da segurança da sala de simulação, fugimos!

Seguiu-se um enorme apelo de concordância entre os alunos àquele ponto de vista, todos parecendo constrangidos pela sensação de impotência e inutilidade ao abandonarem o desfecho da batalha.

– O professor mandou nos trazer aqui pra fazer parte da luta, não como arquibancada – Bob opinou, arrancando um uivo inflamado de concordância dos colegas.

– Estamos juntos nessa! Ou toda a cumplicidade dos X-Men é verdadeira apenas dentro do Instituto? – Vampira emendou, encarando com intensa firmeza os mutantes, buscando por uma aprovação que não tardou a chegar.

– Nós vamos! – Noturno assegurou, a voz cheia de convicção soando irremediavelmente alegre e cheia de sua contagiante expectativa juvenil – Eu posso levar todos num piscar de olhos até lá! – piscou, convencido de si.

Hank encarou os alunos com enorme diversão, mal escondendo a sugestão de sorriso que marcava seu rosto. Charles ficaria um tanto orgulhoso..., McCoy pensou, ele mesmo sentindo uma fração daquele orgulho quase paternal. Esses garotos têm fibra!

– Parece que vamos então! – Fera anunciou em seu tom de típica liderança, agora ofertando um de seus sorrisos incrivelmente incisivos e abertos, ele também instigado pelo retorno ao combate. Sentiu os pelos ao longo de seu corpo se eriçarem assim que todos se deram as mãos – a fim de compartilhar o poder de teletransporte de Kurt – e logo o silêncio encheu as suaves colinas do acampamento, agora totalmente vazio.

Logan não chegou a perceber quando a pequena multidão de alunos tornou a se aglomerar na região da recente batalha, ao som de um único estouro do teleporte, sobre o chão daquela fatídica colina que fora o palco de uma pequena guerra entre a Irmandade e o Instituto.

Logan não percebeu – ou não se importou – com os gritos de vários timbres assombrados que protestaram, num uníssono abismado, a condição mórbida do professor Xavier, a indignação histérica permeando junto ao vento e recriando a balbúrdia naqueles amaldiçoados montes. Mas o mutante verdadeiramente não se importava.

Logan tampouco percebeu a condição letal de sua antiga paixão – outrora conhecida como Jean – que a cada segundo transcorrido perdia um pouco mais de sua escassa e quase nula vitalidade. O aspecto de sua pele antes imperioso agora se reduzia a uma estranha estrutura de aparência mumificada, cinza, morta (ainda que seus olhos faiscassem um último fiapo de vida antes do derradeiro fim).

Logan não percebeu os últimos gorgolejos da Fênix que precederam sua inevitável morte, um tanto quanto acolhedora se comparada àqueles últimos minutos agonizantes da breve existência que teve naquele corpo que a priori fora sua prisão.

Logan apenas compreendia o sangue quente que escapava do corpo cada vez mais gélido e enfraquecido de Eve, seus verdes olhos ainda fechados à consciência de uma maneira que incutia um profundo medo no mutante ao imaginar que eles jamais tornariam a se abrir para o mundo...

...Não era capaz de sentir a respiração da mulher, e suas feridas abertas continuavam relutantes ao poder de cura que já devia ter se manifestado e cicatrizado cada um dos cortes. Temia em seu mais profundo íntimo que a ausência de manifestação de seus poderes significasse... sua morte...!

Ororo e os alunos ajoelharam-se, horrorizados, ao redor do corpo sangrento de Charles, a terrível imagem do professor recheada apenas de morte, avisando-lhes que algo dera terrivelmente errado naquele epílogo da batalha do qual apenas Eve, Wolverine, Charles e Fênix participaram. Um grito pesaroso do mais profundo desalento fez vibrar aquela floresta na mesma sintonia desesperada dos X-Men recém-chegados...

...Um grito que era de ninguém por ser de todos.

Apenas Hank tomou uma direção que não trilhava o caminho até o amigo de longas datas, mesmo que tal desvio lhe doesse. McCoy deslizou com pressa até a filha do professor, refletindo que se havia um Xavier que ainda poderia ser salvo, certamente este não seria Charles. Não depois de vislumbrar rapidamente o estado de íntima morbidez sanguinolenta em que se encontrava o velho amigo, sua pele uniformemente clara agora tingida pelos tons cianóticos dos extensos hematomas que marcavam o moribundo corpo doentiamente inchado.

Hank, ignorando a náusea que a visão da mutante banhada em sangue lhe causou, depositou os dedos polegar e médio no pescoço de Eve, visando sentir a pulsação de sua carótida. Precisou pressionar mais a fundo para finalmente perceber o breve e sutil latejar ritmado naquela região. Logan, em sua expressão abalada, sequer demonstrou perceber a chegada de Fera ou de qualquer outro mutante.

– Ela ainda está viva! – McCoy anunciou, finalmente conseguindo a atenção de Wolverine – Mas precisamos tirá-la daqui o quanto antes. Ela não me parece ter muito mais tempo... – avisou, e bastou tais palavras ecoarem para que Logan, sem ao menos demonstrar concordância, a erguesse ao seu modo decidido num colo extremamente zeloso, tomando a frente para o caminho até a aeronave dos X-Men num perfeito silêncio inquebrável, finalmente um pouco mais desperto para a realidade do curto tempo que a mutante dispunha caso o sangramento não fosse rapidamente estancado.

À visível e abalado contragosto, os demais mutantes imitaram aquela trilha liderada por Logan, carregando o corpo de seu mentor, os vários pares de olhos marejados ainda desacreditando do preço a se pagar por aquela vitória que seus olhos traduziam somente em derrota.

Não houve triunfo algum, afinal, essa era a amarga verdade.

Durante a funesta viagem aérea, Hank – ao seu melhor modo solícito – prestou os primeiros socorros que estavam ao seu alcance à Hela, não havendo muito a ser feito além de esperar para que pudesse acomodá-la melhor dentro dos recursos muito mais amplos do Instituto. E rezar para que Eve fosse capaz de aguentar a viagem, e que provasse ser capaz de se recuperar após receber os devidos cuidados.

McCoy iniciou um amplo questionário sobre todos os detalhes extras do fim da batalha que levaram a filha de Charles a ficar naquele estado comatoso. Logan, a princípio, recusou-se teimosamente a cooperar, parecendo na realidade não ouvir, seu olhar amendoado vagando alheio ao mundo e fixo apenas na mulher de olhos mutantes, o coração ainda ribombando indomável por seu peito temeroso. Apenas se obrigou a colaborar quando percebeu, num imediatismo tardado, que a própria vida de Eve podia depender de uma interpretação mais profunda do que havia de fato acontecido naquela aurora não alaranjada, mas rubra.

A partir desse pensamento, relatou todos os eventos nos detalhes mais mínimos que pôde se recordar – dando maior ênfase e atenção ao relatar a forma como Hela tentou trazer Charles de volta à vida com sucessivas tentativas fracassadas e dolorosas, até que isso culminou no delicado estado em que agora se encontrava.

Fera ouviu tudo com extrema atenção sem se pronunciar em momento algum, sua mente aguçada já começando a especular possíveis teorias para a gravidade em que Eve se encontrava, adiando o luto por Charles até que pudesse fazer algo de concreto pela herdeira de seu estimado – e falecido – amigo.

– E foi quando as feridas começaram a se abrir... – Wolverine concluiu sua narrativa com um sugestivo olhar que recaía sobre os feios ferimentos da mutante, tão abertos quanto no momento em que foram feitos.

Hank apenas anuiu, o semblante atipicamente sério transmitindo a preocupação de sofrer mais aquela terrível baixa.

Tempos difíceis prometiam aproximar-se a galope, e todos pareciam capazes de ouvir o trote de seu advento.

O Instituto descansava no mais resoluto e pesaroso silêncio.

Até mesmo a brisa, recorrente nos arredores da Mansão X, parecia estranhamente estagnada, estática, em sintonia ao luto que se chorava nos domínios daquele belo e verdejante terreno, agora de rumo incerto. Não havia qualquer voz capaz de verbalizar a tamanha tristeza que dominava os corações habitantes daquele reconfortante lugar, a dor melhor traduzida em lágrimas incontáveis que desciam – sem consternação – pelos vários rostos jovens que agora admiravam a lápide de seu professor...

...Do homem que jamais mediu esforços para ajudá-los a lidar com suas mais tormentosas mutações. Do tipo raro de ser humano que oferecia o braço em auxílio a quem apenas pedia a mão.

Desolados, os alunos mantinham os inchados olhos vidrados na posição em que Xavier fora enterrado, cada um deixando florescer lembranças marcantes e vívidas a despeito do tempo de convivência, que agora ganhava um definitivo e doloroso fim.

Algumas flores começaram a ser depositadas sobre o elaborado túmulo de Xavier, as pétalas de diversas cores adaptando-se com indescritível beleza ao colo daquele que tanto os ensinara, o homem de aspecto afável e paternal que jamais doaria novamente suas palavras de sabedoria, ou mesmo disporia um novo sorriso acalentador em sua face floreada de amabilidade.

Os X-Men de fato haviam ganhado a batalha contra a Irmandade, mas a verdadeira guerra fora perdida com a terrível e inesperada morte de Charles, essa única perda descompensando todo o sentimento vitorioso de mais uma vez salvar a humanidade.

E a dor era inarticulada. No ar não se ouviam últimas palavras, homenagens, nem mesmo um breve e sussurrado ‘adeus’ por parte daqueles que choravam por seu mestre. Porque, como os alunos perceberam naqueles dias, as tristezas mais profundas varrem todo tipo de eloquência para longe, restando apenas a oratória simplória, porém eficaz, do pranto.

Apenas um X-Men não fazia seus últimos e silenciosos tributos à memória do professor, ocupando-se com outra Xavier que, no momento, lhe trazia preocupações maiores e mais significativas.

Wolverine mantinha-se fielmente encurvado junto à maca de Eve, admirando com indizível pesar as profundas feridas que se dispunham, escarlates, ao longo do corpo da mulher desacordada já há alguns dias. Faixas embebidas em pomadas revestiam os cortes que quase a mataram pela perda de sangue, este finalmente aceitando estancar após os cuidados recebidos.

Ele apertou com mais firmeza uma das mãos femininas que segurava, a exaustão estampada por todo o seu rosto por um momento se sobrepondo ao medo que sentira de perdê-la. Acariciou com infinita ternura os olhos que ele tanto queria ver novamente abertos, perguntando-se como pudera ser tão tolo, tão cego. Foi preciso disputá-la com a morte para perceber a profundidade de seus verdadeiros sentimentos, vendo-os com clareza apenas agora ao vislumbrar o rosto inexpressivo se curvando cada vez mais à inconsciência profunda, o semblante alheio ao mundo não dando qualquer sinal de que voltaria à vida.

A consciência da mutante parecendo perder-se cada vez mais profundamente dentro de seus labirintos internos.

Hank entrou na enfermaria do Instituto ao som de seus típicos passos pesados. Sua expressão, sem qualquer traço do humor que lhe era peculiarmente característico, trazia a mesma indignação desacreditada dos alunos que ainda se reuniam em volta do túmulo de Charles. O homem índigo deu um longo suspiro, abalado com os últimos acontecimentos. Revezou alguns olhares entre Eve e Logan, percebendo de imediato a apreensão do mutante.

– Ela foi muito esperta... – McCoy falou, não sem admiração, seu timbre parecendo programado para o consolo. Checou brevemente o monitor de frequência cardíaca da paciente após ajustar o cateter que perfurava a veia visível em seu braço, provendo-a de nutrientes. Eve estava estável, uma condição que não deixava de ser preocupante no contexto de um coma. – Se não fosse por ela, provavelmente a Fênix nos teria reduzido a cinzas num piscar de olhos... – tentou sorrir de um modo encorajador, mas todas as suas expressões pareciam fundamentalmente vazias – Ela é forte, tenho certeza de que logo ficará bem.

– Já faz quase uma semana! – Logan retrucou, o desânimo fluindo irredutível por seu timbre raivoso. A cada dia que Eve permanecia desacordada era um dia a menos para alimentar sua esperança de rever os verdes olhos astutos e zombeteiros que tanto adorava. – E até agora eu não sei o que ela tem. – destinou uma pontada intencional de acusação à voz. Hank era a maior esperança de Eve, mas ele andava ocupado demais com os próprios estudos do magnetismo da Terra para se dedicar por completo à mutante.

– Quase uma semana...! – Fera concordou com ares pensativos, impressionado com a estranha sensação do tempo voando para longe do alcance de seu poder de mensuração – De qualquer forma, o trauma que ela sofreu no dia da batalha foi muito intenso, é de se esperar que sua recuperação seja um pouco mais tardia...

– O que ela tem afinal, bola de pelo? – Logan repetiu a pergunta que a cada minuto martelou em sua mente durante aquela semana, já sentindo sua rasa paciência se esvair.

Hank suspirou pesarosamente, ele mesmo não possuindo uma visão muito entendida do caso de Eve justamente por ser uma situação única, sem nenhum contexto prévio semelhante para lhe ajudar a entender todas as implicações que ameaçavam a vida da mutante.

– O que você precisa entender, Logan, é que todo o poder dela provém de um equilíbrio muito delicado e poderoso de todos os elementos naturais, o que incluiu a morte e a vida...

– E o que isso quer dizer? – questionou, sempre cortante e tão direto quanto possível.

– Eu acredito que quando Eve fez suas tentativas de reviver Charles, isso tenha se traduzido no evento mais antinatural que poderia ser desencadeado. Veja bem, excluindo algumas crenças religiosas, a ressureição não existe como um evento da natureza, entende? Por isso que o simples fato de tentar a machucou tanto. Foi uma forma do seu poder lhe avisar que deveria parar, que os elementos naturais não poderiam amparar por muito tempo uma situação tão insustentável quanto esta que Eve impôs. As feridas se abriram como uma primeira advertência, mas...

– Mas ela não parou... E aí veio o coma – Wolverine começou a entender, pesaroso, recordando ainda com um traço de horror todas as tentativas feitas por Hela, cada uma arrancando-lhe um grito mais agonizado do que o último.

– Não, não parou. E justamente por isso ela está nesse estado. E ouso dizer que se não fosse por esse coma induzido por seus poderes, Eve provavelmente acabaria morrendo caso não parasse de se arriscar em salvar o professor de uma morte que já estava estabelecida.

Logan estremeceu, angustiado.

– E como ela fica...?

– Eu não vou mentir, Logan, o prognóstico não me parece muito bom... Ela está perfeitamente estável, o que significa que não há pioras e nem melhoras em seu estado geral, e enquanto essa situação se mantiver, o quadro não se modifica. – McCoy fez uma pausa, encarando a face alheia de Hela por um momento – Esses cortes são profundos e, abertos, estão susceptíveis a infecções caso ela não retome o controle de seus poderes e se cure. Mas, se em contrapartida usarmos a lógica, a mutação de Eve induziu esse coma justamente para preservar sua vida, para protegê-la da tragédia que a acometeria caso sua ambição em ressuscitar Charles não fosse freada. Portanto, acho pouco provável que esse mesmo poder a deixe morrer...

– Mas você não tem certeza... – Wolverine concluiu o que estava nítido nas entrelinhas do discurso de Hank, fitando-o com visível desânimo e cansaço.

– Eu não chego nem perto disso... – confirmou, resoluto, o pesar parecendo verdadeiro em seu rosto de coloração azulada – Isso só o tempo poderá dizer, infelizmente.

Numa desabitada cidade localizada à leste do estado da Pensilvânia, uma esguia mulher de frios olhos castanhos esperava com impaciência que a ligação recém discada se completasse. Apertava o aparelho móvel contra a orelha esquerda com uma força ligeiramente exagerada, os dedos trêmulos traduzindo o ódio mais profundo que alguma vez já sentira.

Estava parada na Sala de Arquivos da GlobalGen, percorrendo com os olhos o desfalque pequeno – porém devastador – em suas estantes escondidas do mundo naquela cidade esquecida por Deus.

– Alô? – a voz repicada de Paretta atendeu após algumas poucas chamadas, seu timbre incerto aumentando ainda mais a ira de Barbara, a mulher que o contatou.

– Onde você está, seu idiota? A empresa está às moscas! – ela rugiu, extravasando todas as suas frustrações naquele único rosnado que fez suas cordas vocais tremerem. Não esperou que aquele verme respondesse sua pergunta, iniciando de imediato todas as acusações que estavam entaladas pedindo passagem por sua garganta – A GlobalGen está um caos! Documentos e relatórios de extrema importância sumiram, o elevador ativou o comando de autodestruição e Stryker simplesmente não me atende... – desabafou com irritação, a voz um crescente agudo que inspirava ameaça. Por fim, usando um tom de menor importância naquela lista de prioridades, acrescentou: – E como se não bastasse todas essas negligências, algumas de nossas cobaias mutantes morreram.

– Espero que não muitas... – Paretta disse, sem verdadeiramente parecer pesaroso quanto às cobaias mortas, pensando apenas no atraso que aquilo poderia significar às pesquisas.

– Você ouviu o que eu disse, seu escroto de merda? – questionou, furiosa – Documentos que provam a existência da GlobaGen foram extraviados! E todo esse caos... Há quanto tempo você não vem trabalhar? Eu mesma tive que alimentar os mutantes nas gaiolas – disse com evidente nojo, como se seu alto cargo administrativo (dado pelo próprio presidente dos Estados Unidos, como Barbara sempre gostava de lembrar) dentro da empresa não pagasse por aquele serviço extra e repugnante – Eu passei por Centralia apenas para consultar alguns registros e o que encontro é o lugar todo destruído e com um desfalque inadmissível na Sala de Arquivos! – ralhou, seu tom ordenando por explicações.

– Eu sei quem está com os nossos registros... – Paretta engoliu em seco do outro lado da linha, dois de seus dedos estremecendo ao tocar de leve o rosto, a carne irreconhecível pelo fogo que Eve atiçara contra ele quando o mutante ainda achava que podia ter o controle da situação. Suspirou, o medo se alastrando por seu íntimo com a mesma rapidez com que as chamas de Hela foram ateadas ao seu corpo, deformando-o por completo naquela imensidão inflamada – Eles estão com Logan e minha última caça... – contou, incapaz de pronunciar o nome da mutante sem que sua voz oscilasse com o terror que ela lhe incutia.

– A Xavier? – exasperou-se, percebendo que a situação era ainda muito mais alarmante do que imaginara – Temos que recuperá-los imediatamente! – avisou de modo inquieto, a urgência da situação lhe proporcionando um desagradável mal estar – Em mãos erradas esses documentos nos levarão à ruína.

– O que você tem em mente?

Barbara gastou um segundo extra para se permitir um sorriso ferino, ignorando o fato de que seus planos pudessem ser ousados demais.

– Reúna suas coisas, meu caro. Faremos uma visitinha a Nova York.

– Eu... eu não posso... – avisou de imediato, tentando em vão camuflar o horror de se imaginar enfrentando Hela uma segunda vez – Eu me demito! É isso, me demito! – disse debilmente, pouco se importando com a ferida em seu orgulho ao gaguejar daquele jeito patético.

– Você lembra o que aconteceu com o último que tentou se demitir, não? – ameaçou, referindo-se a Logan e o modo pouco cordial com que passou a ser tratado assim que começou a atrapalhar o progresso da GlobalGen – Você não tem escolha, Paretta. Ou está conosco ou está contra nós! E você sabe muito bem o que significa estar contra nós...

A mulher encerrou a ligação antes que pudesse ouvir mais lamúrias daquele desprezível mutante, deixando seu olhar vagar por mais um momento ao redor da desordem do ambiente. Aspirou uma porção generosa de ar e a segurou por um longo tempo nos pulmões, imaginando que, se aquele acabasse sendo o fim da GlobalGen, estava mais do que na hora de disseminar sua arma contra os nojentos mutantes.

Soltou o ar aos poucos, disposta a tudo pela integridade daquela empresa que ainda purificaria da existência a vil escória que habitava um planeta pertencente aos humanos.

“Tudo pela humanidade” – pensou, acendendo um cigarro.

Notas finais
O capítulo ficou bem quebrado, mas foi de propósito, eu realmente quis dar esse aspecto meio atemporal a ele. Isso porque todos os meus movimentos são friamente calculados =P Beijos, beijos, lindezas! Espero ver vocês nos comentários, tô com sodade! x]