Immortal

29 “Tick, Tick, Tick. That’s The Sound Of Your Life Running Out!”


Notas iniciais
Quem é vivo sempre aparece, taí um ditado que nunca vai perder a verdade, heusehusehuh Xenti, desculpa por mais essa demora, esse fim de semestre foi absurdamente insano, cruel, demoníaco, maníaco, quase psicopata =P Mas eu sobrevivi sem maiores danos, hahaha! o/ Enfim... Mais uma vez obrigada pela paciência, haha! Esse título é uma referência à 5ª temporada de Dexter (nada a ver, eu sei), mas essa frase me arrepia até o dedão do pé! xP

Cada novo passo era extremamente penoso à mulher de verdes olhos instáveis.

Seus pés travavam aquela árdua corrida ao longo do cenário que, em cada mínimo e menor aspecto, lhe trazia dolorosas recordações da imagem de Charles por cada canto percorrido, ainda que a altivez do Instituto agora se mostrasse comprometida pela recente destruição em que fora submetida aos termos assassinos da GlobalGen.

Mais do que tudo, Eve queria parar, escorar-se à parede fuliginosa e permitir de bom grado render-se ao pranto e ao luto que já a espreitava, impaciente, quase sedento por consumi-la. Seu semblante encenava indiferença, porém o real sentimento em seu peito parecia disposto a esmagá-la pelo modo cruel e descortês com que a pressionava. Seu pai, afinal, se fora nos termos mais definitivos possíveis, antes que Eve fosse sequer capaz de reunir a coragem necessária para que sua conturbada relação com o professor angariasse a tão almejada redenção que, desde o início, era a principal ambição de Xavier ao fazer mais uma tentativa de contato com a filha.

E que ela não hesitou em, mais uma vez, afastar em meio ao seu repúdio arrogante e sentimentos feridos dentro daquela conturbada relação. E agora pagava o merecido preço de seu irremediável orgulho, aparentemente insaciável pelas dores passadas e levando-a a colecionar novas angústias.

Apenas os dedos de Logan, entrelaçados com complacência aos seus enquanto a acompanhava naquela breve corrida, foi motivação o bastante para que Eve se permitisse sustentar a vontade necessária que ainda a movia. Apenas a força dele vinha sendo o bastante para erguê-la...

...Ao menos por ora!

Derraparam desajeitadamente quando enfim deram-se conta de estar no mesmo recinto que os antigos alunos de Charles Xavier, e a amargura novamente acometeu Hela assim que suas retinas captaram aquilo que um dia fora seu lar, destruído, irreconhecível pelas fuligens e eternamente desfalcado pela ausência de Charles. A cena perturbadora se agravou ainda mais com as feições extremamente pálidas e assustadas dos X-Men que travaram ali uma luta perniciosa, sem ao menos chegar a abranger um alcance superficial acerca das razões que levaram àquele inesperado embate.

— Não é possível... – Hela sussurrou, desconsolada ao notar a obra de seu pai desfeita em meio à destruição evidente do lugar. O cenário de extermínio fez com que fosse mais difícil esconder as lágrimas, que se formaram como fartas películas brilhantes na linha bem delineada de seus inconformados olhos.

— Eve! – Hank exclamou, a surpresa em sua voz rouca despontando dolorida pelos vários ferimentos arrecadados durante a batalha, as largas queimaduras em seu corpo tirando por completo a destreza de seus movimentos – Logan, você não devia tê-la trazido aqui. Acho que fomos infectados por... Alguma coisa... – avisou, a ignorância daquela situação incerta o incomodando profundamente.

— Sim, peludo, nós sabemos! – Wolverine adiantou-se, dirigindo-se à Fera com urgência – Pra onde eles foram? – inquiriu, referindo-se aos mutantes da GlobalGen.

— Eu nem sou capaz de dizer quem são eles, que dirá saber seu rumo a partir do Instituto – Fera arfou, meneando a cabeça num gesto exaurido de incompreensão – O que vocês sabem sobre o que aconteceu aqui? Me parece que esse ataque tinha por intento atingir vocês dois. Por quê?

— Somos culpados por saber demais, Hank – Eve respondeu um tanto quanto vaga, arrancando um olhar irrequieto de McCoy e dos alunos ali presentes, isolados pelo mortífero silêncio de sua mudez – Não temos tempo de explicar tudo agora. Temos que tentar reverter isso... – avisou, a desesperança levando-a a duvidar de que tal situação pudesse ser passível de algum conserto.

— Então é verdade... Nós fomos mesmo infectados? – Tempestade perguntou num tom inseguro atípico, a postura encurvada numa posição assentada e derrotista, os olhos fixando-se num canto qualquer do piso, parecendo não querer encarar nada específico.

Logan e Eve trocaram um breve e preocupado olhar, desconcertados diante daquela provável possibilidade.

— É quase certo que sim... – Hela anuiu, sua postura indicando o quanto estava desconfortável em abordar o assunto – Tudo pode não ter passado de uma encenação, mas nós temos uma caralhada de motivos pra duvidar disso.

— E nós vamos morrer? – perguntou Vampira, incisiva. A essência de seu olhar estava assustada, porém incrivelmente madura. Os olhos de uma autêntica X-Men.

Dessa vez resposta alguma foi verbalizada, e tanto Eve quanto Logan baixaram com incômodo o olhar, incapazes de encarar qualquer um ali. Incapazes de encarar a realidade dos terríveis fatos que se mostravam escancarados a quem quisesse ver.

— Eles... – Hela pigarreou, mudando descaradamente de assunto – Eles disseram alguma coisa antes de saírem?

— Nada que fizesse muito sentido! – Hank recordou, ainda sentindo-se completamente estúpido quanto ao que acabara de ocorrer ali – Só fizeram um terrorismo barato quanto a nossa condição e gabaram-se de terem sido imunizados por uma vacina quando eu destruí a máscara de gás de um deles... O líder, creio eu.

— Existe uma vacina? – Wolverine questionou, de súbito esperançoso.

— Foi o que nos disseram... – anuiu, esgotado – Vocês ao menos podem nos explicar o que está havendo?

— Aguenta aí, tufo de pelo... – Wolverine o cortou, os amendoados olhos agora focados em Eve com todo o fulgor de esperança que ainda era capaz de nutrir – Se encontrarmos essa vacina, podemos curar a tempo todos os mutantes infectados pela Praga!

— Não, creio que não... – Hank mais uma vez se manifestou, mesmo o comentário não sendo direcionado a ele – Vacinas são medidas profiláticas, e não curativas. Ter acesso a ela não mudaria em nada a nossa situação.

— Mas pode fazer a diferença com quem ainda não foi contaminado... Certo? – Hela questionou, revezando olhares entre Logan e McCoy, falhando miseravelmente ao tentar camuflar o desânimo contido na própria voz.

— Certamente que sim! – Fera concordou, e na complexidade incutida nas nuances de seu semblante Eve percebeu que o mutante compreendera que, para eles, não havia a mais remota esperança de cura.

“A não ser que...”— Hela cogitou, perguntando-se por que não ponderara essa alternativa antes.

— Eu posso tentar curar vocês! – lembrou, o brilho óbvio iluminando sua expressão num relance de entendimento inesperadamente alegre. Suas íris arroxearam-se, sugestivas, convidando os mutantes infectados a beberem de seu inesgotável elixir da vida. – Alguma cobaia se habilita? – sorriu, estendendo a mão para quem quisesse tocá-la.

Kurt, já apresentando sinais evidentes do início da infecção, aproximou-se da mutante, ansioso por recuperar a saúde que lhe fora roubada. Seu olhar anêmico encontrou o da mulher, e os três dedos azuis de sua mão direita se ergueram trêmulos de encontro à pele de Eve, que naquele sublime instante carregava o prelúdio da vida. Tocou-a sem hesitar, esperando por algum grande sinal de que o poder de cura tivesse cumprido seu desígnio...

...Porém, assim que o contato se firmou, o lilás nas íris começou a vacilar, intercalando-se ao habitual verde musgo como interferências de imagens televisivas. Até que o roxo recuou por completo, sobrando apenas o tom oliva dentro de seus ambíguos olhos mutantes.

— Funcionou? – Noturno inquiriu em dúvida ao romper o toque, se dando conta no momento seguinte que sua pergunta fora completamente prematura ao perceber que nem mesmo as queimaduras que sofrera durante a batalha saíram de seu corpo. Eve franzia a testa, confusa, nitidamente incapaz de explicar a intrigante omissão de seu poder.

— Eu... eu não entendo... – ela se afastou, quase ferida, estranhamente culpada por falhar naquele decisivo momento em que várias vidas dependiam de sua mutação. Invariavelmente a cena em que tentava salvar seu pai já morto ocupou por completo suas lembranças, e a dor chegou tão forte ao fundo de sua garganta quanto o gosto amargo da bile.

— Talvez esteja além da capacidade de seu poder por ora... – Hank abstraiu, usando de sua exímia inteligência e sagacidade para já propor uma teoria que explicasse a prática – Você acabou de despertar de um coma grave, eu diria, e talvez a sua capacidade ainda não esteja inteiramente recuperada. Sua energia, no momento, provavelmente está canalizada apenas em si mesmo, ainda ocupada em devolver-lhe a força perdida e em reparar os danos que sem dúvida foram graves após o... incidente... contra a Irmandade – Fera concluiu com amargura, sem qualquer indício de seu singular bom humor nos tristes olhos que mantinham vivo o animal dentro de si. Ao menos o que restara dele.

Eve caminhou até uma janela da destruída Mansão, conseguindo vislumbrar num relance o túmulo alto e elegante de seu pai. O único que poderia demonstrar algum controle sobre essa situação caótica, agora enterrado a sete palmos nos domínios de seu próprio lar. Engoliu em seco na tentativa de suprimir a tristeza líquida que queria sobretudo escorrer de seus olhos, contudo a angústia alçou uma voz mais imperativa dessa vez, e algumas lágrimas ousaram cruzar a linha de partida.

— Precisamos encontrar essa vacina, guria... – Logan seguiu-a, apertando levemente o ombro da mulher num gesto cúmplice, farto em ternura.

— Não... – a filha de Charles contrapôs, secando num movimento sutil a umidade do rosto e levando os verdes olhos, firmes e infelizes, a encarar cada X-Men naquela sala – A Praga já foi solta. Até encontrarmos o primeiro vestígio dessa vacina, a maioria dos mutantes já vai estar infectada e morta antes que nos dêmos conta, e de nada vai servir a porra do nosso esforço. – exaltou-se, inconformada com toda a situação – Na verdade, se engajar nessa busca agora seria tanta perda de tempo que provavelmente estaríamos fazendo um enorme favor à GlobalGen.

— E o que você tem em mente? – Ororo franziu a sobrancelha, vislumbrando em Eve uma acanhada parcela do mesmo ardil típico de Charles.

— Jogar toda a merda no ventilador. Fazer com que os verdadeiros responsáveis paguem! – suspirou longamente, não acreditando no que diria a seguir – E pra isso, precisamos do apoio daquele traste do Magneto. Ele sabe fazer um espetáculo quando quer, isso ninguém pode negar... O velhote tem estilo!

— Magneto fugiu desde que você o curou. – Ororo argumentou, descartando aquela opção com a intensidade de um olhar descrente – Jamais o acharemos sem o professor...

— Não é verdade... – um meio sorriso se esboçou quase imperceptível nos lábios de Logan, que destilou um olhar repleto de significado para Eve – Eu sei por onde começar.

Notas finais
Me desculpem caso eu acabe demorando a responder os reviews de vocês, eu estou numa situação SUPER precária em relação à internet (em resumo, no momento estou me apropriando do wi-fi alheio), mas por favor, não deixem de comentar! Eu posso demorar, mas vou responder todos com mais entusiasmo do que se um dia houver Nutella de 5kg no mercado (como se eu tivesse cacife pra pagar por isso, mas enfim...)! =D E ah, me digam o que acharam da nova capa! =D Talvez eu ainda a troque, mas por enquanto vai ser essa mesmo, hehehe! Beijos a todos, e até mais! ^^