Iminente destino

15 Capítulo 14 — Dores do crescimento


Notas iniciais
Achou que eu tinha desistido de atualizar essa fanfic? Achou errado, otário! Pois é, assim como dias melhores virão, o bloqueio também sempre se vai. Estou voltando pra abalar! Recapitulando, porque sei que ninguém se lembra de mais nada (SPOILERS AHEAD), a Lea continua capturada, sendo exposta ao Cubo no Laboratório Alfa e o Bob deu seu jetpack pra Natasha escapar do Leviatã, só que Belova conseguiu acertá-lo e ele caiu. Continuando... Boa leitura!

Os pingos d’água ecoavam pelo túnel de paredes mofadas. Cada gota lembrava a Steve que o tempo urgia, e ele não apreciou a sensação. A base foi realocada com máxima urgência semanas atrás, após a traição de Clint. A nova localização foi a primeira encontrada sem a ajuda de Nick Fury, que subitamente sumiu do radar. Vai ver até ele desistiu. O herói cabisbaixo chutou uma pedrinha, aborrecido. Muitos abandonaram a causa, indo para o outro lado. As Academias de Treinamento se multiplicaram pelo país, usando toneladas de propaganda com o rosto sorridente de Tony Stark, a jovialidade de Peter Parker, que há pouco revelou sua identidade, e a contribuição imensurável de uma nova figura, o cientista Reed Richards, que também dispunha habilidades peculiares. Ele e três amigos ganharam poderes após uma missão espacial, uma história que Steve não deu muita atenção. Havia permanecido distante das notícias ultimamente. Uma sensação de exaustão drenava todas as suas energias antes mesmo da metade do dia. Mantinha seu escudo erguido, pronto para qualquer batalha, todavia, seu interior se parecia com o que restou de uma.

Caminhou por túneis de diversos tamanhos e odores para chegar até a base, uma das mais desconfortáveis em que já estiveram. Mas não podia reclamar. Estavam seguros e era o que importava. Restaram poucos, porém leais. Kate assumiu o comando da central de comunicações, mais para desviar o foco da desilusão com relação à Clint e à partida involuntária de Lea. Lea. O nome retumbou por seu subconsciente como um clamor distante. Ele prometeu cuidar dela quando se conheceram. Muitos amigos foram encarcerados na prisão balsa, nas profundezas do oceano, e ele lamentava por não contar mais com eles. Cada perda era uma gota num copo prestes a transbordar. Ele falhou com todos eles, inúmeras vezes para ter a coragem de contar.

— Steve, você está bem? — perguntou Sam, encostado na parede de frente para ele.

— Estou inteiro — respondeu, sem manter contato visual. Um silêncio incomodo seguiu-se, fazendo Steve levantar o olhar, culpado. — Sinto muito, Sam. Não foi minha intenção.

— Sei — retrucou, atribuindo-lhe um daqueles olhares de esguelha que só ele sabia fazer. Manejou o celular nas mãos, indeciso. — Olha, pelo visto sua noite está péssima, e eu odeio ser o cara que dá o último golpe, mas...

Sam interrompeu-se para virar a tela do celular para o amigo, que a encarou incerto, de cenho franzido. Uma voz ligeiramente conhecida acordou as entranhas de Steve. Não necessariamente a voz, mas o ódio pincelado em cada sentença. O Capitão América conhecia bem aquele discurso, infelizmente.

— A estrada para algo glorioso está sendo trilhada, senhores. A glória da Hidra!

A gravação se encerrou com a conhecida saudação. O loiro sentiu o estômago revirar. Passou a mão pelo cabelo, num gesto de exasperação. Tentava manter o controle. Não podia ser verdade. Seus olhos viram errado.

— Quando isso aconteceu? — inquiriu, num balbucio desatinado.

— Não sei exatamente. Começou a circular há alguns dias na internet e viralizou — informou Sam, torcendo os lábios. — Pela sua cara, não preciso contar o resto. Nós sabemos de quem se trata.

As gotas apressaram o ritmo, mesmo o tempo ter parecido parar. Aquilo realmente não podia ser real. O Caveira Vermelha se desintegrou diante de seus olhos ao segurar o Cubo Cósmico, na Segunda Guerra, naquele avião. Ele simplesmente não podia estar de volta. Em sua mente já fatigada, montava equações que não mostravam resultados concretos. Perdeu-se ainda mais em seu próprio labirinto interior. Não, ele havia falhado muito, mas isso era demais. Desta vez não falhou somente com seus amigos, falhou com a humanidade.

* * *

Contrastando com o ambiente gelado exterior, os ânimos esquentaram dentro das instalações do Leviatã. Horas se passaram desde a invasão na sala de triagem, mas o evento parecia ter acabado de ocorrer. Uma equipe de busca vasculhava os arredores afim de encontrar Natasha Romanoff, com ordens de não retornar sem ela, viva ou morta. Belova passou por cuidados médicos, nada que a impedisse de continuar ocupando seu posto superior. Nem por um momento sentiu-se ameaçada pela quebra de segurança debaixo de seus olhos, mesmo sob pressão dos soldados. Fraquejar não estava em seu sangue.

— Você armou todo esse circo que resultou numa falha, deixou um deles escapar, e agora que temos o outro do outro lado da porta não quer nossa interferência? — esbravejou o general. — Desculpe a franqueza, senhorita Belova, mas não termos interferido foi exatamente o que causou toda essa bagunça.

O rosto de Belova se enrijeceu debaixo dos curativos. Outros soldados acompanhavam o general, além de um homem de jaleco negro carregando uma maleta. Instrumentos de tortura, deduziu. Ela não iria deixar ninguém tocar no jovem. Não por ter simpatizado com ele, mas porque conhecia outros meios de obter uma revelação. As palavras dela podiam abrir cortes mais profundos do que qualquer navalha.

— O senhor está se indispondo comigo, general? — questionou, mantendo o tom de voz ameno e inabalável. — Devo lembra-lo de que sou os olhos e ouvidos do Orion, portanto, seu representante. Acho que ninguém aqui quer causar nenhuma situação desconfortável, não é?

O pequeno grupo se entreolhou, depois encarou o general. Uma faísca de medo brotou no olhar do militar. Aquela mulher poderia destruí-lo em segundos, bastava um sussurro nos ouvidos do Orion. Entre seu braço direito e um soldado descartável, em quem ele acreditaria?

— A senhorita cuidará bem da situação — afirmou, enfim, fazendo uma pequena saudação com a cabeça.

Ele girou nos calcanhares, de punhos cerrados e mãos cruzadas atrás do corpo. Os soldados restantes foram se dispersando, também ostentando semblantes insatisfeitos. O centro médico voltou à sua calmaria habitual. Ela respirou fundo, ainda paralisada de tensão. Lidar com eles a deixou indisposta. Mais do que nunca, seu futuro dependia do que faria a seguir com quem estava atrás da porta. Girou a maçaneta devagar, entrou, depois se trancou. Não queria interrupções.

O corpo de Bob permanecia imóvel sobre o leito, estirado perfeitamente na horizontal. O colar cervical o obrigava a sempre encarar o teto. Ela arrastou uma cadeira e se sentou ao lado dele. O barulho o despertou mais. Sentiu o desprezo dele crescer conforme passava o tempo.

— Por que ela se importa com você? — sussurrou Belova, com o rosto próximo ao dele, o medindo com olhos depreciativos.

— Pergunte a ela — balbuciou, sentindo o corpo ser picado por mil agulhas. — Oh, esqueci, você errou o alvo.

— Não, eu acertei exatamente onde queria — assegurou. Bob ensaiou um levantar de sobrancelhas. — Só não esperava que você fosse sobreviver. Mas isso dará um ótimo trunfo.

— Ela nunca voltará.

— Eu sei que não. Não esquente sua cabecinha com isso. — Esticou a mão e pegou o minúsculo bisturi sobre a bandeja de curativos. — Nós não encontramos o pen drive onde supostamente guardou os arquivos. Uma varredura no sistema apontou que você não foi fundo o bastante — informou, triunfante, encarando a lâmina reluzente.

— Querida, acredite, eu fui fundo o bastante — retrucou, com um pouco mais de convicção. — Admita, você falhou.

Belova ficou de pé e encostou a lâmina fria abaixo do olho dele. A pele cedeu um pouco. A expressão de Bob não se alterou, continuou com o mesmo olhar de triunfo que a irritava profundamente. Parece que o abandono o deixou mais forte.

— Eu posso te matar de quarenta e sete maneiras diferentes só usando este bisturi, todas dolorosamente — afirmou, com um sorriso sádico estampado nos lábios vermelhos.

— Então, quando começamos? Não é como se fosse sua primeira vez.

Ela desmanchou o sorriso e se afastou. Devolveu o bisturi e quase ia se retirando, só que deu meia volta e voltou para próximo dele. Parecia estar de ânimo renovado.

— Eu entendi — exclamou, exultante. — Você é destemido, como ela era quando jovem. É por isso que ela se importa com você.

— Queria estar morto — resmungou.

— Romanova e eu não chegamos a fazer contato na época da Sala Vermelha, mas ouvi histórias interessantes. — Deslizou a língua pelos dentes antes de se sentar novamente. — Que bom que temos todo o tempo do mundo, assim posso narrar algumas façanhas da infame Natalia Romanova.

Notas finais
Essa Belova não perde uma oportunidade de atacar a Nat, hein? Que recalque! Amores, o próximo capítulo está pronto e vai ~abalar geral~, além de ter encontros especiais. A fanfic continuará, pois minha cabeça está borbulhando de idéias. Dessa vez vai, galero! Comentem para ver se os comentários de vocês batem com meus planos ;D Beijinhos invernais!