Imaimashī
2 Capítulo 2 - Lanternas
Terminou de trançar os longos e cheios cabelos loiros, respirando aliviada.
Seu olho azul estava marcado por um delineado bem simples, trabalho que não se deu com o olho multilado. Não o faria mais apresentável de qualquer forma.
Sua blusa arrastão azul marinho de mangas longas e gola alta deixava o decote profundo de seu quimono menos chamativo. E conferiam mistério ao enorme desenho ostentava no pescoço. Os demais eram pouco visíveis, dependiam de sua movimentação para serem expostos.
O tom lilás azulado do quimono conversava bem com o dourado de seus cabelos, o azul de seu olho e o tom rosa-arroxeado de seus lábios. As unhas médias pintadas de negro e as mãos enfeitadas por tatuagens finas, que pareciam anéis extremamente delicados à olhos desatentos.
Os bordados do quimono eram em tons de roxo, tal como seu obi. A faixa de couro negro que o mantinha lugar combinava com as botas de salto baixo e cano médio.
Desceu para o hall do hotel, e encontrou Temari na companhia de Kankuro e o ninja que provavelmente era o namorado da loira sunesa.
Shikamaru viu o sorriso feliz que Kankuro abriu ao ver a figura.
—Amaya!
A mulher da Névoa riu baixinho, se aproximando e abraçando o rapaz.
—Então ainda lembra de mim, pequeno marionetista. Aliás, de pequeno você não tem mais nada.-Shikamaru arqueou a sobrancelha. Muito surpreso.-Onde está o Gaara? Faz muito tempo que não vejo aquele ruivinho de cabeça quente.
Agora ele estava, de fato, chocado. Aquela mulher tinha uma aparência selvagem que não conduzia com seus atos.
—Ama, esse é Nara Shikamaru.
Temari apresentou o namorado, ganhando a atenção da amiga, que deu um sorriso simpático ao ninja da folha, antes de lhe estender a mão.
—Hoshigaki Amaya. Prazer em conhecê-lo.
—Igualmente.
Então os quatro pegaram o rumo do festival, encontrando o mesmo grupo do telhado uma esquina antes do mesmo. Todos olhavam a figura estrangeira, e estranharam o quase sorriso que Gaara deu a ela.
—Será que você ainda lembra de mim, Gaara?-A loira brincou, e sua voz rouca causou um arrepio na nuca de Neji, mas não foi percebido pelos demais. O olho normal passou de um Sabaku ao outro.-Vocês dois vão parar de crescer em algum momento ou vão ter a altura do Kisame?
—Quanto de altura o Kisame tem?-Temari foi rápida em perguntar.-Você já é mais alta do que deveria.
— Não esqueça que eu sou agregada à família Hoshigake.-Ela deu de ombros.-A propósito, Hoshigake Amaya. Prazer.
—Uzumaki Naruto!
Claro que Naruto apresentou a si mesmo e a todos os outros, o que fez a loira rir. E os senseis ficarem muito incomodados pela quebra de expectativa. Esperavam diversos comportamentos da Capitã dos Espadachins da Névoa. Menos que ela fosse uma moça tão simpática e tranquila.
— Eu sei que vai soar muito estranho.-Dessa vez ela se dirigiu diretamente aos mais velhos, especialmente Kakashi e Asuma.-Mas eu não sou uma espiã de Kirigakure. Eu sei que estão apreensivos pela fama da Névoa Sangrenta e do Mizukage. Mas seria bom que Konoha soubesse que a maioria de nós não concorda com o que foi feito.
—Todos os sete carregam selos amaldiçoados de obediência?
A pergunta direta de Kakashi pegou todos de surpresa, especialmente o Hyugga, que não encontrou o dito selo na pele da loira.
—Só os mais rebeldes e com Kekkei Genkai altamente destrutivas, Hatake-san. Yagura não é do tipo que lida bem com o fato de ser contrariado.
Gai entrou no assunto de Taijutsu dos espadachins, e os dois foram batendo papo enquanto caminhavam a última quadra até a rua principal, onde o festival estava montado.
Com mais luzes a sua disposição, e aproveitando o fato das meninas roubarem toda a atenção da loira de Kirigakure, Neji passou a observá-la cirurgicamente.
Viu a porção extravagante de argolas nas orelhas, os pequenos enfeites de prata nos cabelos loiros, os anéis finos, que estranhamente pareciam se fundir com a pele... A marca amaldiçoada impressa na garganta, embora não tivesse a oportunidade de enxergar o desenho com nitidez. Como o azul do olho direito tinha algumas ranhuras chumbo, e o olho branco era límpido até demais.
A pele cicatricial era profunda, fruto de uma laceração. Aquele ferimento era uma incógnita, e atiçava sua curiosidade.
Os lábios arroxeados eram bastante cheios, incomuns em Konoha. Muito bonitos. O nariz delicado, assim como o sorriso.
Uma mulher de estética feroz e alma gentil.
Linda.
Percebeu que estava reparando demais quando ganhou uma cotovelada nas costelas, vinda de Shikamaru.
Agradeceu o fato do Nara não se pronunciar, ao menos até se afastarem os demais.
—Nunca vi você tão interessado em alguém. Ino, Sakura e Hinata já estavam conversando sobre isso. Desculpe cotovelada.
—Tudo bem...-O Hyugga olhou de relance para onde elas estavam, as barraquinhas de comida típica. A loira de Kirigakure parecia muito confusa com a infinidade de comidas diferentes.-Shikamaru... O que ela tem?
—Não sei. Talvez tenha pra você o que Temari tem pra mim. E pode ter muito mais do que você imagina escondido ali. Por que você não vai lá oferecer ajuda pra ela, Neji?
O castanho avaliou a situação, vendo que os demais já debatiam o que iriam comer, e ela continuava a olhar tudo. Sem fazer nenhuma pergunta.
Ela é tímida.
Estranhou o próprio pensamento. Mas admitiu a coerência. Então seguiu até a loira, ganhando um sorriso pequeno e fofo.
—Quer ajuda?-Seu questionamento saiu mais tímido do que pretendia, mas fez ela sorrir mais um pouco.-Aqui, eu posso te dizer do que as comidas são feitas... Assim pode escolher o que quer provar.
—Muito obrigada.
Caminharam por cada uma das barraquinhas, lado a lado,e Neji foi explicando as comidas mais típicas de Konoha, que a loira não conhecia. Ela não parecia muito disposta a comer coisas que já tinham em Kirigakure.
Mas surpreendeu o Hyugga quando pediu um simples sobá, e uma caneca de Machá. Ele pediu um igual e os dois se sentaram em uma das várias mesinhas que haviam por ali.
Viu a alegria dela em tomar o caldo quente, antes de abrir os hashis e enrolar um pouco de macarrão.
Agora que podia ver as mãos dela de perto, percebeu que eram tatuagens extremamente finas. E que a marca na garganta era um kanji. E seu olhar a fez ficar corada.
—Desculpe, não foi de propósito.
—Tudo bem... É que ninguém... Costuma me olhar tão de perto...
—Por que?-O ninja franziu a sobrancelha, pensando nos olhares que a maioria dos homens pelos quais passaram haviam dado à sua acompanhante.-Em Kirigakure? Aqui todos olharam.
—Não... Eles olharam pra muitas coisas, não pra mim. Olharam minha cicatriz, o olho morto, meu decote, minhas pernas... Nenhum deles olhou pra mim... Só você.
Aquela constatação era pesada. Especialmente porque Neji também tinha percebido isso.
Ninguém que olhou pra eles tinha interesse na mulher por trás da cicatriz grotesca e que carregava nos ombros a macabra história da Névoa Sangrenta.
Exceto o gênio do Clã Hyugga.
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