Imagine - One Shot.

1 Capítulo Único.


Eu abri os olhos pouco antes do sol nascer. Espreguicei-me, esticando os braços para os lados e levantei. Eu sempre era a primeira a acordar da casa. Trabalhava para Lennon desde 1963, quando ajudava Cynthia a cuidar de Julian e a fazer os afazeres domésticos. Construí um elo muito forte com os três e, após a separação dos dois, continuei a trabalhar para John. A pedidos dele e principalmente a pedidos de Cynthia. Ela ainda se preocupava com John, apesar de tudo.

Ele continuava sozinho desde então. Já o peguei em diversos tipos de ocasiões. Dias nos quais ele chegava com garotas diferentes, indo para o quarto rapidamente com um sorriso mudo no rosto. Dias nos quais ele chegava bêbado em casa. Diga-se por passagem: ele não era um bêbado agressivo, ou alegre... Ele chegava tonto, sentava no sofá e chorava. Às vezes brigava consigo mesmo. Pode-se dizer que era engraçado vê-lo assim. Mas eu me importava com ele. O pior, admito, foi após o término dos Beatles. Ele chegou em casa exausto, jogou sua guitarra em cima do sofá, foi até a cozinha onde eu preparava a janta, pegou uma garrafa de uma de suas bebidas, um maço de cigarro e voltou pra sala, sentando-se na poltrona. Após algum tempo, ele estava deitado desconfortavelmente, com a garrafa e o maço totalmente vazios. Para não dizer que não sobrou um cigarro qualquer, o que ainda restava estava queimando já no fim dentro do cinzeiro. Carreguei-o para o quarto – o que não foi tarefa fácil. No outro dia ele me agradeceu com o olhar profundo em tristezas. Esses dias difíceis passaram, é claro. E John continuava sendo atencioso como sempre era. Tirando suas ironias e ataques possessos que surgiam às vezes. Em geral, ele era um bom patrão. Uma boa pessoa. Digo sinceramente que o conheço como quase ninguém. E, afirmo, ele era um ser humano incrível.

O barulho do despertador partiu meus devaneios. Pela primeira vez, em quase dez ou nove anos de trabalho, eu havia acordado antes do horário de sempre.

Levantei-me e fui até o armário procurar algo pra vestir. Tirei o pijama e vesti uma muda de roupas. Lavei meu rosto e arrumei meu cabelo. Desci até a cozinha e preparei o café da manhã de John. Deixei tudo preparado na mesa e passei a esperá-lo, visto que ele não acordava muito tempo depois.

Após algum tempo de espera, fui até o corredor para afirmar se estava tudo bem... Quando cheguei lá, passei a ouvir uma bela melodia que saia da sala de música de John. Andei até lá calmamente e passava a ouvir agora não somente a melodia do piano, mas também da voz dele.

Adentrei na sala no momento em que ele havia parado para escrever alguma coisa em seu caderno. John ainda estava de pijama, com apenas o roupão por cima. Seu cabelo meio desarrumado e usando seus óculos redondos. Quando deu por minha presença, olhou para meus olhos sorrindo.

- Dei permissão? – ele disse cruzando os braços.

- Não, senhor, me desculpe. Eu só vim ver...

- Calma, estou brincando. O que achou? – ele apontou para o piano se referindo ao que estava tocando.

- É incrível. Como chama? – falei indo até mais perto e alisando o piano branco com as pontas dos dedos.

- Imagine. Olhe... Escute a próxima parte – ele falou e passou a tocar com facilidade.

You may say I'm a dreamer/ But I'm not the only one / I hope someday you'll join us and the world will be as one.

- É realmente linda. Sinceramente.

- Obrigado, Kate – ele disse abrindo um sorriso leve.

- Senhor, o café está na mesa. Esperarei lá – disse dando meia volta e encaminhando até a porta.

- Não!

- Desculpe? – virei um pouco para observá-lo. Ele me fitou um pouco sério e me chamou para que eu chegasse mais perto.

Ao me aproximar dele, fez um gesto para que me sentasse ao seu lado e assim fiz. Ele passou a tocar uma melodia qualquer e sussurrava algumas palavras que eu não compreendia. Ele virou pra mim sorrindo maliciosamente e eu estremeci.

- Er... L-Lhe trarei um chá e alguns biscoitos até aqui – gaguejei pela primeira vez como nunca havia feito antes em sua presença.

Levantei rapidamente e antes que pudesse sair sequer de perto do piano, John saltou a minha frente e pressionou seu corpo contra o meu, me encostando ao piano. Senti toda a extensão do meu corpo tremer ao senti-lo passando seus braços ao redor de mim.

- Permite? – ele sussurrou passando a mão direita sobre meu rosto, afastando meus cabelos e com a outra, explorava meu corpo por baixo da blusa. Eu possuía dúvidas até fixar meu olhar em seus olhos por baixo dos óculos redondos. Transbordava alguma coisa por eles que eu não podia recusar. Dei-lhe um beijo em forma de consentimento.

Ele me colocou sentada em cima do piano e me beijava intensamente enquanto eu passava minhas mãos em seus cabelos. John encostou a testa na minha e sorriu, levando-me a sorrir também.

- Eu te amo – ele disse calmamente. – Eu sempre te amei.

- Isso... Isso é sério?

- Você me conhece melhor que ninguém para saber que não brinco com isso – ele me deu um selinho rápido após falar isso.

- Tem razão – falei baixo e fechei os olhos ao sentir seus beijos descer para meu pescoço. — John?

- Hm? – ele murmurou voltando a me olhar.

- Eu também te amo. Desde que te vi pela primeira vez – confessei.

- Oh. Isso é novidade pra mim – ele sorriu e voltou a me beijar. Eu me sentia fraca. Nunca havia me sentido assim antes. Eu queria John mais do que qualquer coisa naquele momento.

Ele me carregou até seu quarto e me deitou na cama, deitando-se por cima. Ele beijava a extensão de meu pescoço e trabalhava com as mãos ao longo de meu corpo. Ambos estávamos ofegantes e nos despíamos rapidamente.

A cada toque seu, eu sentia cada vez mais a necessidade de tê-lo comigo daquele modo para todo o sempre.

- Eu te amo – ele disse calmamente. – Eu sempre te amei.

[...]

- Eu também te amo. Desde que te vi pela primeira vez – confessei.

Notas finais
Eaí, o que acharam?
Até mais c:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!