Imagine Me & You (ouat Version)
11 Confessions.
Notas iniciais
- Parece cansado – Killian disse enquanto observava, encostado no balcão com uma taça de vinho em mãos, Neal lavando os pratos e arrumando a cozinha.
- Eu tô cansado – Neal disse secando as mãos e começando a secar os pratos. – Meu dia foi uma droga. Acho que vou largar o trabalho.
- Você viu a garota das flores? – o rapaz moreno disse sem nem prestar atenção no que o amigo havia falado. – Ela fez aquele discurso todo pra mim. Aposto que a gente vai rolar na cama depois.
Neal soltou um riso debochado.
- As coisas estão indo bem pra vocês? – disse.
- Muito bem! – Killian bebeu um gole de vinho, convencido.
Neal se aproximou dele e sussurrou em seu ouvido: “Ela é lésbica”. Logo em seguida caminhou triunfante até a pia e pegou algumas taças para guardá-las.
- Sério? – Killian perguntou tentando esconder a surpresa. – Bom... Isso é legal.
- Não acha que dificulta um pouco seus planos de sedução? – Neal perguntou franzindo teatralmente as sobrancelhas.
- Qualquer um pode mudar de lado – o outro disse. Quando Neal olhou desconfiado pra ele, ele rapidamente acrescentou: — Qualquer um não. Não eu, claro. Eu não mudaria, por que... Eu... Eu não vou mudar de time. Não mesmo.
**
Emma subia lentamente as escadas vestindo um casaquinho básico bege por cima da regata cinze que usava. Aquela discussão toda com Regina durante o jantar a estava incomodando, ela devia desculpas à florista, afinal havia, com toda a certeza, passado dos limites. Aquilo fora inteiramente desnecessário e Emma sabia disso. Assim que chegou no terraço foi contemplada com a visão maravilhosa da morena sentada no pequeno muro que ladeava o terraço. Regina segurava um guarda-chuva para se proteger das poucas gotas que caíam do céu naquela noite e parecia estar completamente perdida em pensamentos. Emma sorriu.
- O que tá fazendo? – a loira perguntou, atraindo então a atenção de Regina, que olhou para ela. A morena tirou uma mecha de cabelo dos olhos e colocou-a atrás da orelha, sorrindo para Emma logo em seguida. Um arrepio percorreu todo o corpo da loira naquele momento. O sorriso mais perfeito que ela já vira...
- É lindo aqui em cima – Regina disse.
- Mas tá chovendo! – Emma riu e Regina virou os olhos, divertida. Caminhou até Emma e observou enquanto a loira fechava a grande porta de vidro que agora as protegia da chuva. – O Neal não sobre aqui. Dizem que é o medo inconsciente de que você possa se atirar, mas sei lá. Ele enlouquece quando eu me aproximo da beirada – ela sorriu desconsertada e um silêncio constrangedor se estabeleceu entre as duas. Foi Emma quem quebrou o desconforto. – Desculpe pelo jantar.
- Eu já comi piores – Regina disse e sorriu, fazendo Emma rir.
- Eu meio que “estourei” – Emma encolheu os ombros e olhou para o chão.
- Não estourou, não – Regina olhou para ela com um sorriso divertido no rosto. – Só se empolgou um pouquinho.
As duas se encaram por alguns segundos até que Emma levou suas mãos aos braços de Regina, acariciando-os rapidamente para tentar esquentá-la.
- Você tá gelada – Emma disse.
- Eu tô bem – Regina respondeu.
- E tá molhada – a outra falou enquanto tirava o casaco e oferecia para Regina.
- Emma, eu tô bem! – a morena riu e tentou recusar o casaco, mas mesmo assim Emma jogou-o por cima dos ombros da florista e Regina respirou fundo, dando-se por vencida.
- O que vocês estão aprontando aí? – a voz de Neal fez com que Emma desse um pulinho para trás.
- Nada – ela disse um pouco nervosa. Regina olhou para o chão e mordeu o lábio inferior.
- Olha, o Killian quer jogar StripPoker e eu quero dormir, então é melhor que ele vá pra casa – Neal deu de ombros.
Regina e Emma se olharam por um instante antes de descerem rapidamente as escadas sem trocar uma palavra. Quando chegaram ao hall, Killian já estava esperando na porta, tendo Neal ao seu lado.
- Foi um prazer te ver – Neal disse depois de entregar o casaco de Regina à ela.
- Igualmente – ela disse e deu dois beijinhos no rosto do rapaz, acenando para Emma logo em seguida.
- Tchau! – Emma sorriu.
- Tchau – a morena respondeu e seguiu Killian até o carro.
Ele abriu a porta do passageiro para que a morena pudesse entrar e logo em seguida entrou no carro, girando a chave na ignição e dando partida. Após um tempo dirigindo, Regina começou a dar as direções.
- Entra na próxima curva à esquerda – disse.
- É uma opção, mas... E se ao invés disso formos direto para a minha casa? – Killian disse.
- Killian, é na próxima esquerda... – ela começou a dizer mas parou a frase na metade, ao ver que ele entrou na curva à direita.
Depois de um curto período de tempo em silêncio, ele olhou para Regina, que parecia triste.
- Você tá bem? – o rapaz perguntou.
- Só porque eu não quero transar com você? – Regina virou a cabeça e olhou para a janela, irritada.
- Você não precisa transar comigo – Killian riu baixinho. – Só... Só não senta no meu carro com essa cara, né.
- Tá... Me desculpa – um meio sorriso se formou em seus lábios e ela passou a mão direita pelo cabelo. – Sério.
- Tem alguma coisa te incomodando, não é? – Killian olhou rapidamente para ela e então voltou a olhar pra estrada. Regina não respondeu. – Sabe o que você deveria fazer? – ele disse. – Deveria se abrir. Comigo. Em baixo dessa minha cara de durão, tem uma alma sensível.
- Não acredito nisso – Regina disse sinceramente.
- É, não tem mesmo – Killian deu de ombros. – Mas pode se abrir mesmo assim.
Regina deu uma risadinha baixa e virou os olhos. Killian dirigiu até uma lanchonete que conhecia para que pudessem conversar.
- É uma mulher, né? – Killian disse, quase afirmando. – Eu tenho certeza que é! Não é? Tem que ser! Uma cena bem picante. Você e outra vegetariana.
Regina riu e virou os olhos.
- Ah, vai, me conta! – Killian insistiu. – Pode se abrir com o tio Jones aqui. Não me esconda nada!
- Você já conheceu alguém, mas... – Regina hesitou por alguns segundos, tentando encontrar a melhor maneira de falar. – Mas ela já estava com outra pessoa?
- Claro que já! – Killian disse como se isso fosse comum pra ele. E na verdade era. – As melhores sempre tem dono.
- E o que você faz? – Regina perguntou.
- Eu transo com elas – Jones respondeu calmamente, fazendo a florista dar uma gargalhada alta. – É sério! O marido é problema delas, não meu.
Regina parou de rir aos poucos e então respirou fundo.
- Não é legal se colocar entre outros casais – ela disse baixinho. – Não se deve causar esse tipo de dor... É melhor encarar e aceitar que não dá pra ser, e ficar com alguém disponível.
- Sua casa ou a minha? – Killian perguntou e Regina gargalhou novamente. – Ah, é sério, eu sou muito bom de cama!
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