Imagine Leonetta Casados
68 Sexagésimo oitavo capítulo
Notas iniciais
– Violetta! Por favor, me escute! — ele gritou, pela milionésima vez
– Para, Leon! — ela berrou em resposta -Será que é tão difícil entender?
– Sim, é difícil de entender! — ele tentou segurar em uma de suas mãos
Ela recuou.
– Aceite isso! — ela cruzou os braços — Agora eu estou com o Diego. Aceite!
– Mas você não entende? — ele tentou, novamente, segurar em suas mãos — Não entende que o que passamos juntos foi especial?
– Sim, eu entendo! — ela gritou — Entendo que não nos damos bem e não podemos ficar juntos!
– Vilu, as coisas não precisam ser assim.
– Pra mim sim.
Ela virou-se e saiu.
– NÃO!
Leon acordou suando frio. Essa já era a terceira vez naquela noite que esse pesadelo invadia sua mente.
– Não, não, não...
Ele levantou-se da cama cambaleando e lavou o rosto. Tentou se concentrar ao máximo para não se desesperar.
Por que tantos pesadelos? Simples. Violetta devia estar aterrissando nesse momento na terra de Diego.
Espanha.
– Papai?
Ele virou-se assustado e se deparou com Letícia.
– Ei! — Leon cruzou os braços — O que você está fazendo aqui? Não era para estar dormindo?
Ela riu.
– Seu grito me acordou.
– Ah, sim. Esqueça o que eu acabei de dizer.
A menininha correu até ele rindo e abraçou-o.
– Agora vamos voltar para a cama, ok? — ele conduziu-a para a porta — É hora de dormir.
– Não! — ela choramingou — Não consigo dormir.
Ele abaixou-se e abraçou-a.
– Por que você não consegue dormir?
– Estou com saudades da mamãe.
Aquelas palavras o atingiram com força. Por que tudo o que acontecia precisava ser tão difícil? Nada dava certo. Era como se o mundo inteiro tivesse armado um plano maligno contra ele e Violetta.
– Filha... — ele suspirou — Eu já te expliquei, não expliquei? A mamãe foi obrigada a viajar para a Espanha, por dois anos.
– E eu posso fazer alguma coisa para ela voltar, papai? — ela perguntou, esperançosa
– Infelizmente — ele levantou-se — Você realmente não pode fazer nada.
– E você não vai fazer nada, papai?
Ele sentiu um choque percorrer seu corpo e uma ideia maluca surgiu em sua cabeça: ele precisava fazer alguma coisa.
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– Leon? Leon! LEON!
Essa já era a vigésima vez que Violetta tentava comunicar o marido por telefone. Se em alguma das vezes ela havia conseguido? Claro que não.
– Vilu? — André chamou-a
– Sim?
– Estamos dentro de um avião.
– Obrigado, capitão óbvio. — ela revirou os olhos
– Vilu?
– O QUE FOI? — ela berrou, atraindo olhares dos outros passageiros
– Dentro de um avião não tem sinal de celular.
– Ah, sim.
Ela jogou o telefone dentro da bolsa e recostou-se em sua poltrona.
– Vamos aterrissar em Portugal, certo? — Violetta perguntou
– Sim, se o avião não cair até lá — ele respondeu dando de ombros
– O QUE?
– Brincadeira — ele riu — Vamos aterrissar em menos de cinco minutos. Já conseguimos nós comunicar com o aeroporto local da cidade e está tudo certo.
Ela soltou um suspiro aliviado.
– Castillo! — Clarice apareceu com sua voz de gralha rouca estridente soando pelo avião — Já avisou seu namoradinho de que vamos ter que parar em Portugal?
Violetta revirou os olhos e se conteve para não soca-la.
– Não, ainda não, Clarice — ela abriu um sorriso falso — Agora se me der licença, gostaria de passar meus últimos minutos dentro desse avião sem precisar ouvir sua voz irritante.
Clarice lançou a ela um olhar mortífero.
– Certo. Se é que ele vai vir, avise que eu já providenciei para nós duas um vôo para Madrid, que vai ser daqui a dois dias. Não quero melações na hora de ir embora.
Ela sorriu e foi saltitando para sua poltrona novamente.
– Eu detesto essa mulher — Violetta bufou e chutou sua bolsa — Ela é insuportável.
– Relaxe — André sorriu — Pense que você terá dois dias para passar com Leon.
Um sorriso radiante reluziu em seu rosto.
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– Vilu? Violetta?
– Sim? Quem fala?
– Um dia longe de mim e já não me reconhece mais? — Leon riu
– Leon? É você? — ela conteve uma risada
– Sim.
– NÃO ACREDITO! VEM PRA PORTUGAL AGORA! É QUE O AVIÃO CAIU E ENTÃO NOS PRECISAMOS FAZER UMA PARADA E A CLARICE... ELA DISSE QUE...
– Vilu? — ele interrompeu-a — Não estou estendendo nada do que você está falando.
– Ah, sim — ela suspirou — Só venha para Portugal. Já chequei os horários de voo do aeroporto de Buenos Aires, e tem um daqui a duas horas.
– Mas você não ia para Madrid? — ele perguntou, confuso — Por que eu iria para Portugal?
– Ia, eu ia, tem razão — ela sorriu — Mas um passarinho bateu na turbina do avião, e então o André disse que íamos parar em Portugal e...
– André? — ele perguntou — O que ele tem a ver?
– Ele era um dos pilotos do avião! — ela respondeu como se fosse a coisa mais obvia do mundo
Ele soltou um gemido confuso do outro lado da linha.
– Mas enfim, isso não vem ao caso — ela disse — Apenas venha para Portugal. Quando você chegar aqui eu te explico direitinho tudo o que aconteceu. Teremos apenas dois dias para passarmos juntos.
– O que? Violetta, me fale agora o que está acontecendo!
– Tchau, Leon.
– Ela desligou! — ele praguejou
– Papai, o que a mamãe disse? — Letícia perguntou entrando no quarto
Ele arqueou uma sobrancelha.
– E como a senhorita sabe que eu estava falando com a mamãe?
Ela abriu um sorriso envergonhado.
– Eu estava escutando atrás da porta.
Ele riu e foi até ela abraça-la.
– Então, é o seguinte — ele abaixou-se e colocou as mãos na cintura — Preciso que você arrume sua mala. Nós vamos para Portugal ver a mamãe!
– Como que eu arrumo minha mala, papai?
– Aqui — ele tirou uma mochila de seu guarda-roupa — Coloque aqui as roupas que você quer levar.
A menininha sorriu sapeca e correu para seu quarto com a mochila na mão.
– Certo — ele abriu o notebook — Portugal, Portugal... aqui!
Correu até o guarda-roupa e jogou algumas coisas em uma mala. Fez a mesma coisa com os pertences de Chris.
– Certo — ele retirou as passagens já compradas da impressora — Portugal, aqui vamos nós!
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– Leon? — Violetta soou animada do outro lado da linha — Você já chegou?
– Sim! — ele respondeu, com a mesma animação que ela — Onde você está?
– No hotel — ela sorriu — E você?
– Eu estou no parque municipal da cidade — ele disse — Tem como você vir pra cá?
– Sim! — ela respondeu — Te encontro aí em dez minutos!
Ele guardou o celular e sentou-se em um banco.
– Leon! Oi!
Ele virou-se assustado e se deparou com Camila.
– Cami! — ele sorriu — Oi! Tudo bem?
– Tudo péssimo. — ela sentou-se também — Broduey é um idiota.
– Por que? — ele afagou seu braço — O que aconteceu?
– Eu vi ele abraçando outra menina! — ela cruzou os braços
Ele riu.
– O que foi Leon? — ela deu um tapa em seu ombro — Acha isso engraçado?
– Não — ele sorriu — Só acho um exagero. Lembra daquele episódio no Studio, que você ficou com ciúmes, mas no fim era só a prima dele?
– Sim — ela deu uma risada falsa — Mas hoje eu tenho certeza de que não é nenhuma prima dele.
Ele riu e abraçou-a.
– Droga, o Broduey está vindo — ela revirou os olhos — E ele continua com aquela menina! Ele está, ele... ele...
Ela virou-se rapidamente e beijou Leon. No mesmo instante Violetta chegou. Lágrimas de raiva brotaram em seus olhos, e ela voltou para o hotel, junto de André.
– Você ficou louca?! — Leon afastou-se — O que foi isso Camila?!
– Me... me desculpe — suas bochechas estavam coradas — Mas eu queria que o Broduey visse como é bom ser trocado por outra pessoa!
– Você tem noção do que aconteceu?! — ele levantou-se, pegou na mão de Letícia e Chris no colo — Com licença, mas eu estou indo encontrar a Violetta. Se ela chegar aqui, por favor avise que eu já fui para o hotel.
– Certo! — ela tentou parecer confiante
Ele saiu andando pela cidade, tentando encontrar o maldito hotel.
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– Vilu? O que aconteceu? Por que você está chorando? — André perguntou assim que Violetta passou pela porta da recepção
– O Leon! — ela jogou-se em uma cadeira — Ele estava beijando a Camila!
– O que? — ele sentou-se a seu lado — O Leon não é dessas coisas! O que aconteceu?
– Eu não sei! — ela enxugou uma lágrima — Quando eu cheguei eles estavam se beijando!
– Calma — ele afagou seu braço
Os dois permaneceram em silêncio por alguns minutos.
– Essa não — Violetta espiou pela janela — Ele está chegando.
– Tudo bem — André sorriu — Eu também sei causar ciúmes.
Assim que Leon passou pela porta, André beijou-a.
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