Imaginary Love
18 Capítulo 17.
Notas iniciais
Felicity.
Felicity! — Mamãe deu um grito supersônico atraindo a atenção de maior parte do aeroporto. Eu gemi e ela jogou os braços para cima, praticamente correndo em minha direção. O vestido, dois palmos a menos do que o permitido pelos bons modos, subiu ainda mais. — Que saudade, honey! — Jogou os braços ao meu redor.
Mamãe. — Murmurei atordoada, dando dois tapinhas em suas costas. — Achei que você viria daqui duas semanas. — Continuei, afastando-me para encarar os olhos azuis que deram origem aos meus.
Desde que mamãe me telefonara, avisando que iria vir para Starling City, tudo estava uma completa bagunça, já haviam se passado cinco semanas e Donna desmarcara e remarcara a viagem tantas vezes que eu já não sabia muito bem o que pensar. Bem, isso até dois dias atrás, quando ela afirmara que viria daqui duas semanas. No dia de ação de graças para comemorarmos juntas.
Claro que mamãe mudara de ideia. Eu ficara sabendo disso quando alguém do aeroporto entrara em contato porque mamãe não conseguia me ligar. O pobre rapaz estava quase desesperado.
Eu mandei uma mensagem, mas você não me respondeu! — Ela mostrou o telefone, colocando-o em frente ao meu rosto. Havia um sorriso gigantesco em seus lábios.
Suspirei. — Mãe. Você precisar apertar "enviar" para eu poder receber.
Oh! — Mamãe entreabriu os lábios, confusa e então meu celular vibrou em minhas mãos. — Deu certo! — Cantarolou e eu revirei meus olhos. — Oras, vamos, Felicity! Eu não sou tão inteligente quanto você. Mas, eu te amo. — Depositou um beijo em minha bochecha e eu ri.
Donna estreitou os olhos, me observando com atenção, eu me remexi inquieta e ela abriu um sorriso ainda maior. — Ai meu Deus! Você transou!
O que?! — Engasguei. — Não! Mãe! Meu Deus! Não!
Sua expressão se murchou. — Não?
Não, mamãe. — Balancei a cabeça. — Mas, eu estou com alguém.
Eu sabia! — Donna deu um gritinho e um soquinho no ar. — Então... Quem é ele? Como ele é? É bonito? Rico? É bem dotado? Porque precisa ser bem dotado, você sabe...
Eu ri e Donna se calou, me olhando com atenção. Nós começamos a caminhar em direção ao estacionamento do aeroporto e ela puxava a mala rosa-pink com mais força que o necessário.
Você está apaixonada! — Afirmou com um sorriso satisfeito. — E algo me diz que não é por Ray.
Dei de ombros, culpada por não ter ligado para mamãe e contado todas as novidades. Observando-a agora, com os olhos azuis me encarando sabichões e os cabelos loiros tão parecidos com os meus. Eu com certeza sentira muita falta de Donna.
Na verdade, não. — Eu destravei o carro e ajudei mamãe a guardar a mala. — Ray e eu terminamos tem quase dois meses.
Você jura?! Ela levou as mãos à cintura, parecendo bastante irritada. — Porque diabos eu não soube disso, Felicity Smoak?
Eu... Esqueci? — Murmurei envergonhada e Donna arqueou a sobrancelha, ainda me olhando acusadora. — Ok, mamãe. Desculpe. Mas é que bem, eu estou com outra pessoa... O Oliver, ele é incrível e faz com que eu me sinta nas nuvens e estou apaixonada por ele, entende? Quero dizer, eu nem mesmo sofri com a partida de Ray, porque obviamente minha atenção estava toda em Oliver e agora...
Espera! — Mamãe praticamente gritou. — Seu novo namorado se chama Oliver?
É... Sim.
Donna piscou, balançando a cabeça. — Que engraçado, querida. Quando pequena você tinha um amigo com o mesmo nome.
É mesmo? — Eu me fiz de desentendida. Como eu diria para minha mãe que meu melhor amigo imaginário era o cara por quem eu estava completamente louca? Sem dúvidas isso era impossível. Não tinha jeito.
Não é engraçado? — Repetiu com diversão e eu assenti, ainda me segurando para não deixar escapar nenhuma informação a mais.
Oliver e eu estávamos bem. E parecia completamente surreal. Quero dizer, já fazia um mês desde que ele me pedira em namoro e desde então, nossa relação vinha progredindo. Fomos ao cinema, ao restaurante, ao aquário e ainda existiam aquelas noites em que simplesmente ficávamos em casa e jantávamos juntos. O apartamento como sempre fora era só meu, já que Sara passava a maior parte do tempo no flet de Tommy ou no hospital. Sendo assim, era no mínimo, diferente. Estar com alguém tão perto e não me sentir desconfortável ou enjoada com isso. Eu sorri, ao me lembrar de Oliver na minha cozinha preparando espaguete.
Ele fazia os melhores jantares.
Ou até mesmo de ganhar um café da manhã na cama e ainda que Oliver e eu não tenhamos ultrapassado a fina barreira de intimidade, dormíamos juntos todas as noites. Bem, eu dormia. Considerando que ele não tinha essa capacidade.
Mas estar com Oliver era natural e era fácil. Eu poderia passar a vida ao seu lado, recebendo sorrisos e carinhos e certamente, eu estaria muito mais do que feliz.
Amorzinho? — Mamãe me chamou, tocando com suavidade minha mão. Eu sorri para ela, saindo dos meus pensamentos sonhadores.
Desculpe. — Murmurei, sentindo minhas bochechas corarem imediatamente. — O que acha de irmos almoçar juntas? Temos muitas coisas para por em dia ainda.
Eu adoraria! — Ela sorriu, animada e eu retribui seu sorriso.
Mamãe sempre foi um tipo de porto seguro para mim, nossa relação em minha adolescência não havia sido exatamente das melhores porque ainda que eu negasse eu nunca quis ser relacionada à mulher extravagante e louca. Mas, então, eu me dei conta do quanto Donna sacrificara por mim e do quão guerreira ela havia sido.
Minha doce mamãe louca.
Eu havia puxado mais dela do que a aparência e ficava feliz por isso. Ela jamais entendera minha mudança súbita na época da adolescência, estava ocupada demais tentando lidar com as contas e com o fato de ter de criar uma filha sozinha. Acho que mamãe também tem o que agradecer a Oliver, se não fosse por ele, provavelmente, eu teria sido muito pior naquela época. Estava desesperada por chamar sua atenção e fazê-lo ver que eu não era uma criança, que acabei por me esquecer do quão infantilmente estava agindo.
O clima em Starling já estava esfriando, estávamos no começo de novembro e esse seria o primeiro natal que passaríamos juntas em três anos. Eu estava radiante por ter perto de mim as duas pessoas que mais amava.
Como está... Qual o nome dele mesmo? — Perguntei de forma petulante à mamãe, enquanto comíamos nossa lasanha.
Era Matthew. — Ela disse com desgosto e então fez um gesto de descaso com as mãos. — Eu terminei com ele. — Contou finalmente. — O namoro era muito bom e ele era muito compreensivo, mas... Sinto sua falta, Lis. — Mamãe esticou a mão, entrelaçando os dedos aos meus. Mattew, era seu namorado de muito tempo, mas não concordávamos em maioria das coisas, o que nos levava a discussões épicas, então eu decidira parar de ir ver mamãe e infelizmente, ela também não viera mais a Starling. A distância nos machucava, mas eu entendia que era uma escolha difícil para ela.
Mãe. — Eu suspirei, pronunciando as palavras com gentileza. — Não quero que sacrifique sua felicidade por mim. Eu já sou adulta.
Ela sorriu. — Eu sei, amor. Mas... Se ele não gosta da minha filha, também não gosta de mim.
Eu inclinei a cabeça, completamente derretida e maravilhada por suas palavras. Logo nós engatamos em uma conversa, mamãe me atualizou sobre Los Angeles e eu contei a ela todas as novidades, sobre Ray, sobre Sara e Tommy, sobre Barry e seu amor por Caitlin mamãe tinha verdadeiro amor por Barry, quando éramos mais novos e vivíamos juntos para cima e para baixo, ela até mesmo chegara a torcer para que tivéssemos um relacionamento. Mas, namorar Barry era quase como namorar a mim mesma. Eu jamais conheceria alguém tão parecido comigo quanto ele.
Então, finalmente contei a ela sobre Oliver. Descrevi a mamãe todas as sensações extraordinários e impossíveis que Oliver me fazia sentir e ela sorria e delirava junto comigo em todas elas. Eu me sentia cada vez mais feliz por ser visível o quanto ela me apoiava.
Eu me sentia assim com seu pai. Donna sorriu nostálgica. — Cada dia era como um dia único, cada beijo como se fosse o primeiro. Então suspirou, voltando seus olhos para mim. Fico feliz que tenha encontrado um verdadeiro amor, querida.
Ele foi? — Perguntei encarando a toalha bem feita. — Seu verdadeiro amor? — Expliquei quando os olhos confusos de mamãe se focaram em mim.
Ah querida! Eu guardei mágoas de seu pai por muito tempo, mas eu o amei. — Murmurou. — O amei com todo meu coração e sei que ele me amou de volta, por um curto período de tempo. O segredo do amor verdadeiro, Felicity... É que ele não precisa durar muito para ser verdadeiro.
Mas... Não durou pouco demais?
Donna sorriu e eu observei as ruguinhas ao redor de seus olhos, de repente, ela não parecia tão área ou tão boba como sempre. Parecia muito experiente, inteligente e vivida. Parecia o que ela verdadeiramente era.
Tudo dura exatamente o quanto tem que durar, Fel. — Ela me deu um sorriso acolhedor. — E há muitos outros amores verdadeiros no mundo.
Eu assenti como se entendesse, mas na verdade não entendia. Eu não tinha passado por tantas coisas quanto mamãe, talvez um dia, eu soubesse sobre o que ela falava. Ela sorriu, como se soubesse exatamente o que eu pensava e eu sorri de volta, rendida.
Qual a próxima parada? — Perguntou, mudando de assunto e eu respirei aliviada, meus pensamentos começavam a me trair.
Vamos buscar Oliver. — Declarei receosa com esse encontro e mamãe sorriu maliciosa arqueando a sobrancelha em minha direção. — E eu não quero que você diga absolutamente nada.
Porque eu diria alguma coisa? — Perguntou inocentemente.
Mãe. — Inclinei a cabeça, repreendendo-a.
Donna fez um gesto de descaso com as mãos e riu. — Oh querida. Não vou envergonhá-la em frente ao seu namorado, não se preocupe. — Então ela deu uma piscadela em minha direção.
Balancei a cabeça, rendida.
A academia de Diggle ficava nos Glades um dos bairros perigosos e preocupantes de Starling City e ainda assim, um dos melhores para morar. As pessoas eram boas e gentis, eram educadas e jamais te olhariam como se perguntassem o quão gorda era sua conta bancária.
Eu sorri para Syn na recepção, ela era uma garota peculiar e parecia definitivamente assustadora, mas na verdade, era um doce. — Oi Felicity!
Oi Syn! Onde eles estão?
Lá atrás. — Ela indicou com a cabeça. — E fica calma, beleza?
Arregalei meus olhos chocada e grunhi. — Não me diga que...
Sim. — Ela deu de ombros, nem um pouco preocupada. — Mackenna está ai. E acredite, ela está adorando.
Revirei meus olhos e marchei para dentro da academia. Mackenna Hall era um ser repugnante que vinha me irritando consideravelmente. Ainda que eu soubesse que Oliver não tinha nenhum interesse por ela, eu não conseguia controlar. Afinal, Mackenna tinha interesse o suficiente pelos dois e talvez, pelo resto das mulheres do mundo.
Eu cruzei os braços, encarando o ringue com o meu pior olhar mortal que não era grande coisa, considerando que eu não era tão assustadora assim.
Quem é ela? — Mamãe perguntou, sussurrando em minha direção.
Estreitei meus olhos. — Uma das alunas de Oliver. — Murmurei raivosa.
Mamãe riu e eu a olhei chocada. — Querida, acredite, você é muito mais bonita. E bem, se por Oliver você quer dizer aquele gostoso ali, te encarando com o sorriso e o olhar mais lindo do mundo... — Ela deu de ombros. — Essa franga não tem nenhuma chance.
Eu sorri, voltando os olhos para meu anjo. Oliver exibia mesmo um sorriso lindo em minha direção, eu o observei dizer duas palavras educadas a Mackenna e então pular pelas barreiras de segurança do tatame e vir em minha direção.
Por um momento, eu perdi todo o meu fôlego. Oliver usava um calção e uma camisa regata branca que deixava os braços e suas tatuagens de fora. Ele parecia perigoso e sensual. Minha nossa. Que homem era esse? Constatei com pesar, que eu já estava subindo pelas paredes no quesito Oliver e em breve, muito provavelmente, eu abusaria de meu próprio namorado.
Felicity! — Ele se aproximou, rodeando minha cintura com os braços e puxando-me para si, eu ofeguei mais uma vez, sentindo os músculos abaixo das minhas mãos.
Oh meu Deus. Você é tão gostoso. — Murmurei e Oliver riu, eu corei vergonhosamente, sentindo até mesmo minhas orelhas esquentarem. — Não acredito que eu disse isso.
Bem, obrigada. — Comentou divertido, tomando meus lábios em um beijo carinhoso e apaixonado. Eu suspirei, derretendo-me em seus braços.
Ouvi o pigarro vindo de Donna e relutante, me separei de Oliver. Ele sorriu abertamente para mamãe. — Olá, Donna!
Falou de mim para ele?! — Mamãe deu um gritinho animado. — Então você é o famoso Oliver!
Mãe! — Eu corei ainda mais.
Ela ergueu as mãos em rendição. — Querida, não se preocupe. Eu entendo perfeitamente porque fica tão descontrolada perto dele. — Mamãe tocou os bíceps de Oliver com intimidade e eu revirei os olhos, chocada com sua ousadia.
Oliver riu, passando os braços ao redor de mim e eu fiquei bem satisfeita com o ato, sem me importar se ele estava suado — afinal, Mackenna ainda nos observava e era bom que ela soubesse que o anjo bonitão era meu. — É um prazer conhecê-la, sra. Smoak.
Oh querido. — Mamãe se aproximou ainda mais, olhando para Oliver com uma diversão maligna. — Me chame de Donna, afinal, seremos em breve da mesma família!
Balancei a cabeça completamente indignada; Mamãe ainda me mataria de vergonha.
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