Imaginary Love

5 Capítulo 04.


Notas iniciais
Uma pergunta: Vocês preferem capítulos curtos e postagens diárias ou capítulos longos e postagens quinzenais ou semanais? Respondam nos comentários! Enfim, o capítulo. Esse é mais pra mostrar como estão as coisas mesmo, ok? No próximo teremos mais Olicity. Enfim, espero que gostem! Eu amei os comentários de vocês, cada uma mais linda que a outra!

Felicity.

Oito anos depois.

– Tudo bem, Felicity. Está tudo bem. Tudo vai ficar bem. Respira, inspira. Respira, inspira. — Eu encarei a mim mesma através do espelho, checando meu visual pelo que talvez fosse a sétima ou oitava vez. — Vestido, ok, maquiagem ok, casaco ok, sapatos... — Eu encarei meus pés descalços, o desespero começando a me tomar por completo em questão de segundos. — Sapatos? Oh meu Deus, meus sapatos! Sara!

– Felicity?! — Sara colocou a cabeça para dentro do meu quarto, encarando-me assustada. — O que foi? Está passando mal? É o nervosismo?! Você caiu? Ai meu Deus, está menstruada? É isso? Ou não? Jesus, acha que está grávida?! – Sara continuou a falar descontroladamente e eu abanei as mãos, para que ela se calasse de uma vez. Deus, ela realmente passou muitos anos do meu lado.

Apontei para meus pés e Sara finalmente olhou para mim. — Sapatos... — Eu praticamente choraminguei.

Sara suspirou, então se abaixou recolhendo um par de saltos nude e colocando-os em minha frente.

– Não surta, ok? Vamos manter a calma. — Pediu e então colocou as mãos em meus ombros, fitando-me carinhosa. Mas, eu tinha quase certeza de que Sara estava pronta para me dar um tapa na cara. E talvez eu a desse outro de volta, até parecia que quem iria jantar seria ela. — Você vai jantar com seu namorado lindo, rico, bem sucedido e bom de cama.

– Fofo e gentil. — Completei, para deixá-la menos fútil.

Sara sorriu divertida, a expressão marota tomando conta do seu rosto. Não pude evitar sorrir também. — E sexy. E... Você vai se sair muito bem, vai fazer uma cara de surpresa quando ele colocar aquele anel gigantesco e caríssimo em seu dedo e vai dizer sim!

– Eu vou? — Arrisquei ainda meio confusa, franzi as sobrancelhas soando muito mais abobada do que realmente queria. Meu cérebro, possivelmente, funcionando em ponto morto.

– Claro que vai, Fel. Você ama esse homem! Meu Deus, esperou por isso por três anos, não é?!

Eu assenti lentamente. — Isso, claro. Eu vou. — Sorri confiante para Sara e ela me deu um beijinho na bochecha.

Tudo ficaria bem. Provavelmente.

Eu não tinha porque estar nervosa, claro. Eu amava Ray, ele era um cara incrível, trabalhávamos juntos na Palmer Technologies e estávamos namorando há quase três anos. Eu o conhecia com a palma de minha mão, por isso sabia que em um futuro próximo Ray me pediria em casamento, possivelmente hoje. Já que ontem eu encontrara o anel de noivado no bolso de seu sobretudo. Ray não era nenhum cara estranho, do tipo em que você fica cheia de dúvidas sobre aceitar passar a vida ao lado. Ele era bom e era motivador. E eu suspirei chateada. Porque estava tentando me convencer de que não estava com medo de me casar?

Eu estava absolutamente nervosa.

Eu me encarei a mim mesma durante mais alguns minutos. Sara tinha caprichado em minha produção, meus cabelos estavam lidos e pareciam ainda mais brilhantes devido a hidratação forçada que eu fizera pela manhã. Sara me fez passar o dia em um salão, agüentando uma dessas bichas super doidas e porpurinadas. Desde que eu os voltara à cor original, Sara me forçava a fazer diversas hidratações e coisas loucas. Eu não tinha quase nenhuma paciência para isso. Se dependesse somente de mim, meus cabelos pareciam palha.

Mas quem seria louco de discutir com Sara Lance?

Eu, na verdade, tinha muita pena dos pacientes de Sara, ela sem dúvida alguma era de se colocar medo. Não era à toa que era a cardiocirurgiã mais durona do hospital de Starling e ainda assim, ela era a pessoa mais doce que eu conhecia. Sempre gentil e amorosa — ao menos, comigo e Barry. Ah, e com Tommy!

Tommy era seu noivo, e eles eram uma graça juntos. Tommy era divertido e engraçado e levava a vida sem muitos estresses. Na maior parte do tempo, Barry, Sara e eu tentávamos ser como ele. Mas, quase nunca conseguíamos. Barry estava sempre ocupado com os diversos crimes no departamento, Sara com o hospital e eu bem, eu estava sempre sendo só eu. Tentando fazer mil coisas ao mesmo tempo e ainda cuidar dos meus amigos.

Eu suspirei ao ouvir a campainha tocar e então caminhei em direção sala, vi Sara parada conversando animadamente com Ray e por um momento, tudo que pude fazer foi admirá-lo. Ele estava lindo em um smoking de corte reto, provavelmente, muito, muito caro. Os cabelos estavam levemente despenteados, possivelmente por causa do vento do carro. Ray nunca fechava os vidros, sempre se esquecendo do cabelo bem penteado. Eu sorri, dando-me conta de que gostava do pequeno detalhe dos fios rebeldes.

Ele me olhou e então me lançou um de seus sorrisos brilhantes e o ar me faltou por alguns minutos. Ray era simplesmente... Incrível. Eu o amava, sem dúvidas.

– Você está linda! — Ele esticou a mão em minha direção e eu caminhei até ele.

– Eu sei... Quero dizer, eu também... Não... — Suspirei, calando-me e contando até três mentalmente. Maldita boca sem filtro. Maldito nervosismo. — Você também está, Ray.

Ray riu e senti minhas bochechas queimarem. Ele depositou um beijo suave em meus lábios e então, outro em minha bochecha.

– Adorável. — Sussurrou finalmente.

Balancei a cabeça, envergonhada. Não era bem adorável a palavra que eu usaria para descrever o quão bobamente eu agia em presença de homens bonitos. E quão era irritante isso ainda não ter melhorado após tantos anos.

O jantar fora incrível, e ainda que Ray e eu nos víssemos na empresa, havia sempre muita coisa para conversar. Ray me fazia sorrir com facilidade e fazia com que eu me divertisse. Ele quase me completava, tanto quanto... Bem, quanto Oliver.

Após a sua partida, eu me tornara uma pessoa diferente. Estava com o coração praticamente despedaçado pela dor de sua perda, fora uma escolha difícil mandá-lo embora e eu me arrependera inúmeras vezes dela. Mas no fundo, eu sabia que era a certa. Eu não poderia conviver com isso. Logo após aquela noite, eu retirei toda a tinta do meu cabelo, eu recoloquei meus óculos e voltei a ser eu mesma. Dei adeus ao Connor e a Los Angeles, então me mudei para o campus do MIT, me formei como a melhor da turma e então, vim para Starling. Foi quando eu conheci Ray.

Ele me iluminou. Eu sentia tanta falta de Oliver que a dor era quase física, mas com Ray. Bem, Ray preenchera o vazio que a falta de Oliver deixou em minha vida. E eu o amava por isso, mas não justamente por isso.

Ray era doce, gentil, era um cavalheiro e um companheiro incrível. E era um ótimo amante, claro. Minha primeira experiência não fora das melhores e ninguém entendera isso como Ray. Ele me fizera esquecer todos os outros, todos, exceto Oliver.

Um fantasma adolescente que ainda assombrava-me.

Quando a noite estava chegando ao fim, o telefone de Ray tocou e apreensivo, ele me pediu desculpas para atender a ligação, eu sorri reconfortando-o. Afinal, eu cuidava da Palmer tanto quanto ele.

Ao contrário do que eu esperava Ray não me pediu em casamento, não essa noite ao menos. Nosso jantar fora interrompido pela metade, já que surgira um problema urgente na Palmer.

– Você precisa que eu vá com você? — Perguntei a Ray mais uma vez. Ele insistiu que não precisava da minha ajuda, então me levou até em casa.

– Vá descansar, amor. — Ele sorriu, acariciando meu rosto com carinho.

Senti meu coração se aquecer e sorri de volta para ele. Toda a sua gentileza e todo seu amor.

– Certo. — Murmurei finalmente, depositando um beijo em seus lábios. — Qualquer coisa, me ligue ok? E por favor, Ray, não fique até tarde no escritório. — Eu pousei minha mão em seu braço e Ray a segurou, apertando-a entre seus dedos.

– Sim senhora. — Murmurou beijando-me mais uma vez.

Com um sorriso divertido, eu deixei o carro de Ray e subi os degraus da entrada de casa. Quando já estava com a porta fechada ouvi o som da partida. Caminhei pela sala escura, acendendo rapidamente todas as luzes e então vi em cima da mesa, o post-it cor de rosa.

Tive uma emergência no hospital, volto pela manhã!

Quero saber de tudo! Se prepare!

Com amor, S.

Eu sorri observando a letra garranchada de Sara. Ela provavelmente ficaria mais decepcionada que eu em saber que não houve pedido algum, mas eu de fato, não estava. Eu gostava das coisas assim e eu sabia que Ray não estava me enrolando ou aprontando qualquer coisa. Então, não havia motivo para pressa e parecia quase loucura o quão nervosa eu estava com isso.

Suspirei aliviada, jogando os sapatos de lado e caminhando até meu quarto e logo em seguida soltei outro suspiro chateado ao constatar que eu tirara todas as roupas do meu closet e que teria que colocá-las de volta lá. Obviamente.

Por fim, desisti da ideia da arrumação e rapidamente retirei meu vestido, lamentando ter escolhido uma lingerie tão bonita que não fora de fato usada. Talvez eu pudesse ligar para Ray e ele podia vir para cá depois do escritório...

– Você está loira! — Eu estaquei ao ouvir a voz masculina, meus olhos se arregalaram e antes que eu pudesse controlar, eu gritei.

Mais rápido do que eu sabia ser possível, eu peguei o abajur em cima do meu criado-mudo. Não era a melhor das armas, mas teria que servir. — E continua barulhenta, como sempre.

Eu me virei e o encontrei sorrindo divertido. Arfei, encarando surpresa a visão do homem em minha frente. Bonito como sempre, exatamente como eu me lembrava. E ainda mais sensual.

Oliver?!

Notas finais
E então, garotas? Qualquer erro me avisem! Beijos.