Notas iniciais
Bom gente, ta aqui mais uma e eu acho que essa é minha preferida :3 Espero que gostem e comentem, a mão de vocês não vai cair :) Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=urvlr0E9Xn0

Aquele era definitivamente o parque mais bonito da região, seus caminhos eram moldados com pequenas pedras claras, em seu gramado se perdiam os inúmeros tipos de flores rasteiras e árvores florais de várias cores, uma resedá aqui, um jacarandá mimoso ali, além das cerejeiras e das cassias imperiais. Esse meu interesse por plantas, especialmente as florais, não surgiu do nada.

Flashback

Tinha tirado férias na faculdade, estava super empolgada para escolher os novos arranjos do jardim de minha casa nova, mal podia esperar para chegar no maior viveiro da cidade. Apesar de eu não conhecer os tipos de flores mais bonitos ou seus nomes, esperava que saísse de lá com o que tinha imaginado em minha cabeça, que na minha visão, todo jardim tinha apenas pequenas flores coloridas, tons de alaranjado, rosa, branco ou amarelo, que eram os meus preferidos.

Finalmente cheguei no viveiro, ele era numa chácara, num bairro de classe média alta da cidade. Nunca tinha ido nele antes, mas ouvia muitos elogios sobre o local. Adentrei o grande portão de um estilo antigo e andei até a tenda principal, além do balcão da recepção tinham as fileiras de plantas, flores e árvores, cada uma em sua categoria.

Não havia ninguém na recepção, mas no meio de várias folhas e arbustos pude ver um homem de branco e fui até lá. Ele estava cuidando de uma mini árvore num vaso e parecia totalmente concentrado no que fazia.

– Com licença — Ele imediatamente voltou sua atenção para mim e pude perceber suas características, ele era bem bonito, era loiro, tinha o cabelo quase raspado, era um pouco mais alto que eu, tinha olhos claros e uma feição amigável — Desculpe interrompê-lo, mas poderia me dizer os tipos de flores mais bonitas para jardim? — Ele limpou as mãos num pano.

– Qual tipo de jardim é o seu?

– Tem grama e alguns vasos aqui e ali... — Falei me sentindo uma criança por não saber um termo mais técnico. Ele riu levemente.

– Qual é o seu nome?

– Anna.

– Prazer, sou Jeremy — Ele estendeu a mão e nos cumprimentamos — Bom, eu imagino que você queira flores coloridas que deem um ar natural à sua casa — Concordei com a cabeça -Tem algum modelo em mente? Uma onze horas, um amor perfeito? — Cocei minha cabeça tentando pensar se já tinha visto alguma daquelas flores antes.

– Me desculpe, mas...

– Não entende muito do assunto, não é? — Concordei envergonhada — Não se preocupe, tenho certeza que vai sair daqui com o que quer, vem comigo — Ele deu alguns passos até a mini árvore que cuidava anteriormente — Na minha opinião essa é a melhor planta de vaso, além de ser uma ótima terapia. Se chama bonsai, esse no caso é de pinheiro, uma espécie mais comum — Ele andou mais um pouco e entrou num corredor com vários tipos de flores — Essas são onze horas, amor perfeito, petúnia, orquídea, azaleia... — Ele ia apontando para cada tipo de flor por onde passávamos, cada uma mais linda que a outra.

Após passarmos por todos os corredores de flores, minha cabeça já tinha dado um nó com tantas flores que eu já tinha visto, por isso, precisava de mais um palpite.

– Jeremy.

– Sim?

– Depois de tantas variedades que me mostrou, não sei nem mais o que quero — Ele riu e me encarou por alguns segundos.

– Para tudo tem sua primeira vez... — Fiquei me perguntando o por quê dele ter me dito aquilo — Vou te mostrar um lugar onde nenhum cliente jamais foi.

Ele me levou até um canto da tenta e abriu um pequeno portão, a partir dele havia um corredor de flores rosas formando um túnel, e no final havia uma porta.

– Essas são primaveras e esse é o corredor para a minha casa — Ele fechou o portão atrás e nós e me perdi contemplando a beleza daquela flor — Se tiver espaço, eu indico essa flor, na minha casa eu só tenho dela.

– Isso é... — Eu olhava para cima vendo os raios do sol ultrapassarem os pequenos espaços entre as flores — Surreal... — Olhei para ele novamente e percebi que seus olhos brilharam com a minha reação — Por que nunca mostrou isso à nenhum cliente?

– Por que como elas são minhas flores preferidas, jurei que só ia vendê-las para alguém que merecesse.

– E por que eu mereço?


Fim do flashback


Aos poucos Jeremy foi se tornando uma pessoa muito especial, depois daquele dia, além de levar uma muda de primavera, retornei para aprender um pouco mais sobre flores, mas devo admitir que não voltei só por elas, o olhar de Jeremy no corredor florido estava em minha mente à todos os momentos.


Flashback


– O que vamos fazer hoje? — Era sábado, tinha chegado mais animada do que nunca para as minhas "aulas", tinha acordado com o pé direito e estava super empolgada para aprender sobre alguma variedade nova.

– O que acha de roseiras?

– São lindas!

– Sabe podá-las? — Fiz um sinal negativo e o segui até uma tenda especialmente separada para rosas. Ele me entregou uma espécie de alicate e me dizia exatamente onde tinha que cortar, afinal, um corte errado poderia acabar matando a planta. Após um certo tempo eu já tinha pegado o jeito da coisa e estava fazendo naturalmente, até que sou surpreendida — Seu namorado já te deu uma dessas? — Jeremy perguntou estendendo-me uma bela rosa vermelha.

– Eu não tenho namorado — Ri e peguei a rosa — Obrigada.

– Como não?

– Não sou interessante para ninguém, os caras da faculdade querem coisas totalmente diferentes das que eu quero.

– E o que eles querem?

– Apenas sexo, festas, nada de compromisso, e eu quero um relacionamento sério... — Ele me interrompeu.

– Um amor de verdade.

– Sim — Fiquei tentando descobrir o que ele escondia em seu olhar, até que senti uma picada em meu dedo, havia me furado com um dos espinhos da rosa — Ai — Resmunguei e vi a ponta do meu dedo indicador sangrar um pouco.

– Me dá aqui — Ele pegou a rosa e colocou em cima da bancada de madeira — É culpa minha, deveria ter tirado os espinhos.

– Não, nada disso, foi uma distração minha.

– De qualquer forma, vamos fazer um curativo.

Jeremy me pegou pela mão e me levou através do caminhos das primaveras até sua casa, eu nunca tinha ido lá, mas ela era bonita e aconchegante por dentro, tinha uma atmosfera rústica e de conforto.

– Sente aqui — Ele apontou para uma poltrona e logo voltou com uma caixinha de primeiros socorros.

– E você, Jeremy? — Perguntei depois de um longo tempo.

– Eu o que? — Ele tirou sua atenção do machucado.

– Já deu uma daquelas para sua namorada? — Ele riu e voltou sua atenção para meu dedo.

– Por que alguma garota se interessaria por um cara apaixonado por flores e que mora num viveiro?

– Por que não?


Fim do flashback


Aquelas férias deixaram minha vida totalmente de cabeça para baixo, esse ano faz seis anos desde quando nos conhecemos e quatro de quando a gente decidiu nos casar. Sim, as coisas tinham chegado à esse ponto. Tudo fluiu tão naturalmente para nós, foi como qualquer casal comum, nos conhecemos, criamos uma amizade, saíamos de vez em quando, até que finalmente, começamos a namorar.

Com ele tudo era tão bom, no começo eu pensava que a ideia de morar no viveiro era estranha, mas hoje eu não penso em sair de lá e o que eu pensava na época não era em como seria a casa em que moraríamos, eu só queria estar com ele, o resto eram detalhes insignificantes.


Flashback


Primeiro dia de casada, a aliança reluzia em minha mão esquerda. Pensar em estar com Jeremy para o resto da vida era algo que me deixava indescritívelmente feliz.

– Sinto cheiro de café da manhã — Jeremy me abraçou por trás enquanto eu terminava as panquecas — E acho que essa camisa fica muito bem em você — Rimos. Eu estava vestindo sua camisa.

– Eu sei — Apaguei o fogo e me encostei no balcão, virando de frente para ele e passando meus braços ao redor de seu pescoço — Já disse que eu amo seus olhos? Seu sorriso? Seu corpo? Seu jeito? Já disse que eu te amo? — Ao interválo de cada pergunta eu lhe dava um beijo e na última ele me sentou no balcão e segurou minhas pernas.

– Você me faz o homem mais feliz do mundo — Eu sentia o pequeno toque gelado de sua aliança em minha coxa, onde ele mantinha as duas mãos — O que você fez comigo?

– Fiz o que?

– Enfeitiçado, apaixonado, te querendo à todos os momentos desde à primeira vez que te vi — Dei-lhe um beijo.

– Acho que isso é recíproco — Nos beijamos mais uma vez e dessa vez não tínhamos a intenção de parar, o viveiro estava fechado, os telefones e celulares estavam desligados, não queríamos ser interrompidos, o dia era só nosso.


Fim do flashback


Você deve estar se perguntando o por quê de eu não ter falado que ele está aqui no parque comigo, que estamos de mãos dadas e vendo as flores, certo?

Jeremy se foi há três anos, ele tinha ido ao centro da cidade para uma entrega de flores para uma festa, quando ouve um tiroteio num assalto perto do evento e ele acabou sendo atingido por uma bala perdida. Quando fui ao IML pegar seus pertences, me entregaram um macaquinho de pelúcia que estava em suas coisas, aquele era o primeiro presente do filho que estávamos esperando e ele não pôde entregá-lo, não pôde se despedir de nós e nós não pudemos nos despedir dele, mas o que me deixou aliviada foi que não tínhamos brigado na época, estávamos felizes, sem arrependimentos, eu sabia que ele não estava magoado comigo e eu com ele, ele tinha ido em paz.

– Mamãe — Benjamin, nosso filho me chamou tirando-me de meus devaneios. Ele estava agaixado no meio da grama, pegando uma pequena flor alaranjada.

– O que foi, amor? — Ele ainda era tão pequeno, mas já dividia o mesmo gosto que eu e seu pai.

– Pra você — Ele me entregou a flor e vi Jeremy nos pequenos olhos azuis daquela criança.

– Por que quis me dar ela? — Sentei em meus joelhos para ficar da sua altura.

– Porque se o papai estivesse aqui ele te daria uma.

Notas finais
Não sei se vocês olham a letra das músicas, mas geralmente tem muito a ver com a fic :) O que acharam? Alguma crítica? Sugestão? Elogio? Não me deixem aqui sozinha!!! Beijos!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.