I'm waiting.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Kuroo e Tsukishima se davam muito bem, mesmo quando o loiro era provocado e sentia vontade de esganar o moreno. Tudo terminava em risos, risadas essas que ecoavam pelo apartamento que recentemente começaram a dividir. Tsukishima sendo inteligente conseguiu passar em uma conceituada universidade em Tóquio que seu senpai Kuroo já cursava. Parecia um sonho finalmente poderem se encontrar todos os dias, sem o empecilho da distância para separá-los.
Acordar com a pessoa mais preciosa do mundo ao seu lado, tomar café da manhã, almoçar e jantar juntos, dividir tarefas domésticas, rir um do outro vestindo avental, ir a um festival e assistir aos fogos de artifícios, todos esses pequenos eventos cotidianos que traziam uma imensa felicidade, aqueciam seus corações e não deixava dúvidas que um não poderia mais viver sem o outro. Tudo tinha mais vida se estivessem juntos, os momentos felizes eram multiplicados e os momentos difíceis, amenizados.
Mas quando se ama demais, tenta proteger o outro a todo custo. Tsukishima sabia o que era se importar com outras pessoas porque aprendeu com suas amizades no Karasuno mas amar alguém tão intensamente era novidade. E quanto mais amava, menos queria mostrar um lado obscuro que sabia que vinha crescendo. Um pouco de ciúmes era saudável e ele sabia disso, mas as coisas pareciam sair de controle quando se tratava de Kuroo Tetsurou. Kuroo era alegre, livre, sorridente e amigável e Tsuki sabia que ter outras amizades era saudável. Ele jamais gostaria de tirar isso de Kuroo, mas aquela angústia permanecia em seu interior. Aquele medo de perder essa pessoa que lhe fazia tão bem o corroia dia após dia. Por querer sentir cada vez mais o outro, Tsuki descobriu que gostava muito de abraçar Kuroo por trás, sentir seu perfume e sentir o peso daquele corpo em seus braços, aquela pessoa era preciosa demais, seu sorriso era o que o fazia se sentir vivo.
Mas o sentimento ruim permanecia. E conforme ele crescia, menos ainda Tsukishima queria deixar transparecer. Não gostava de se mostrar inseguro, não gostava de ser uma pessoa ciumenta. Pois sabia que ciúmes excessivo era doentio e ele não era assim. Não queria tirar a liberdade de Kuroo. E quanto mais suas inseguranças aumentavam, mais calado Tsukishima ficava. Mais ele tentava guardar dentro de si esses sentimentos. Mas não existe no mundo nada que possa guardar algo que faça tanta pressão. E como uma bomba relógio ele explodiu.
Foi uma noite em que caía uma chuva chata e persistente. Kuroo estava estressado por causa de colegas na faculdade que estavam usando-o para terminar seus trabalhos e Tsukishima estava com o sangue borbulhando pois viu as garotas mais bonitas e populares se atirando em cima do seu namorado algumas horas atrás. Discutiram, discutiram, discutiram. Magoaram um ao outro e Tsukishima não conseguiu mais controlar a enxurrada de sentimentos. Despejou todos eles em cima de Kuroo que o olhava espantado. Chorava de raiva e só queria saber de sair dali. Já havia se arrependido de dizer tudo o que dissera pois sabia que Kuroo não o trairia, sabia que para o moreno, ele era a pessoa mais preciosa do unvierso. Sabia disso. Mas o orgulho é uma desgraça. O loiro já se sentia arrependido mas precisava respirar ar puro antes de conseguir pedir desculpas. Então saiu correndo do apartamento, a chuva gélida atingindo seu corpo como se fossem agulhas e lembrando-lhe do calor dos braços de Kuroo, estar envolto nos braços do moreno era seu porto seguro. Algo que lhe dava paz e sossego. Mas ele havia deixado isso para trás naquele apartamento. Fechou os olhos e num instante pôde sentir esse calor novamente, como se Kuroo realmente estivesse ali, abraçando-o. Foi então que sentiu o impacto e desmaiou.
Tsukishima acordou e viu cortinas ao seu redor. Onde estava? O que havia acontecido? O médico e as enfermeiras vieram examiná-lo, disseram que ele havia tido ferimentos leves e podia ir para casa. Ferimentos? O que raios havia acontecido?
Akiteru estava ali, chorando aliviado por Tsuki estar bem, são e salvo. Seu irmão mais velho o abraçava fortemente e foi então que Tsukishima viu, na cama ao lado, sua pessoa mais preciosa coberta de ataduras, com soro na veia e o barulho da máquina medindo seus batimentos cardíacos.
Tsukishima não conseguia falar, sua voz não saia. Olhou desesperado para Akiteru, seus olhos dourados implorando por explicações. O mais velho suspirou, abaixou a cabeça e olhando para o lado revelou o que havia acontecido. Tsukishima e Kuroo haviam se envolvido em um acidente e estavam inconscientes há 3 dias. Kuroo teve os ferimentos mais graves e estava em coma desde então. Eles haviam sido atropelados. E o acidente ocorreu quando…
Tsukishima então lembrou-se do apartamento, da discussão boba que tiveram, de ter saído correndo na chuva. Aquele calor. Aquela sensação de um abraço envolvendo-o depois não fora imaginação. Era de fato Kuroo que estava protegendo-o. Lágrimas começaram a escorrer e sentia como se uma bola de golfe estivesse entalada em sua garganta. Chorava desesperadamente, soluçava, não conseguia respirar. Isso não podia estar acontecendo. Não era verdade. Não, ele não podia perder Kuroo desse jeito. E se ele nunca mais acordasse? E se ele não se lembrasse de mais nada? Não poderia mais ouvir música apoiado nas costas quentes de moreno? Não poderiam mais andar de mãos dadas? Não poderia mais cair no sono envolto naqueles braços morenos e superprotetores? Não poderia mais sentir o calor que aquele sorriso proporcionava? Não poderia mais ver a cara de satisfação quando o outro experimentava sua comida? Não poderia mais confortar aquele que sempre lhe trazia conforto? Não poderia mais sentir seu coração a ponto de explodir enquanto se enroscavam nos lençóis? Não, não poderia. Seu peito doía demais, sentia uma pontada torturante. não conseguia pensar em mais nada, estava afogando em tristeza e desespero.
Akiteru ficou desesperado e chamou rapidamente a enfermeira, Tsukishima não estava respirando. Se fosse para viver em um mundo em que Kuroo não existia ou não se lembrasse dele, então era melhor não existir mais. Sua visão ficou nebulosa e então o loiro apagou.
Quando acordou novamente viu que estava em outro quarto e o irmão, com os olhos inchados, o encarava seriamente. Por pouco ele não havia morrido. A sorte foi que a enfermeira havia chegado rapidamente e aplicara um calmante a tempo. “Sorte”. De repente Tsukishima sentiu uma dor na lateral de seu rosto que começava a esquentar. Akiteru havia lhe dado um tapa. Surpreso e bravo ia começar a discutir com o irmão mas este foi mais rápido, segurou-o pelo colarinho da roupa do hospital e gritou que Kuroo não estava morto e que era para ele parar de ser idiota. De nada adiantaria ele tentar tirar a própria vida. Akiteru implorava para que Tsuki não desistisse tão facilmente. Mas era difícil, Tsukishima se sentia mais inseguro do que nunca. Mais arrependido do que nunca. Mais desesperado do que nunca. Confortado pelo mais velho, voltou a chorar, como se as lágrimas pudessem limpar sua alma de todos os sentimentos ruins que o envolviam, mas não podiam. A única coisa que poderia consertar tudo era ter Kuroo novamente ao seu lado.
2 meses haviam se desde aquele incidente e Kuroo continuava em coma. Tsukishima visitava-o todos os dias e permanecia ao lado de seu leito o máximo de tempo que podia. No resto do tempo ele sentia que simplesmente existia. Fazia algumas tarefas porque simplesmente o mundo não parava de girar por sua causa. Mas o seu mundo, o seu universo, tudo o que lhe era precioso estava naquela cama de hospital. Tudo por culpa sua. Se ele não tivesse sido tão idiota, egoísta e orgulhoso, nada disso teria acontecido. Yamaguchi e resto do pessoal da Karasuno haviam visitado mas nem mesmo seu melhor amigo conseguiu fazê-lo sorrir novamente. Seu coração pesava uma tonelada. Respirar ainda era difícil. O que o consolava eram as palavras de seu irmão, Kuroo não estava morto. Havia esperança.
“Tsuki”. Tsukishima abriu os olhos, havia adormecido segurando a mão de Kuroo e percebeu que o moreno estava começando a reagir. Se mexia um pouco e balbuciava algumas coisas. “Descu-“ Tsukishima chamava pelo moreno “estou bem aqui Kuroo”, “por favor acorde”, “por favor volte pra mim” e mais lágrimas escorriam-lhe pela face. Ele lembrava. Ele estava vivo e pensando nele. Tsukishima sentiu novamente um calorzinho em seu peito e sorriu. Já podia sentir a brisa fresca que entrava pela janela e o aroma das flores que começavam a desabrochar naquela primavera.
Tudo ficaria bem.
Notas finais
O que acharam? Por favor, deixem nos comentários e obrigada por lerem ^^
Fale com o autor