Eu queria ser o senhor do tempo.

Todos os dias eu paro na frente do espelho e passo um minuto ou dois reparando nos traços de envelhecimento que sutilmente aparecem no meu rosto. Uma ruga aqui, uma pintinha nova ali, e as familiares bolhas escuras embaixo dos olhos, profundas e pesadas, indicando as preocupações constantes e as noites mal dormidas.

Hoje, eu percebi que além das minhas escuras olheiras e preocupações, meus olhos carregavam um outro sinal, pois apesar de tristemente apagados, delicadamente expulsavam pesadas lágrimas sobre o meu rosto e silenciosamente tentavam me dizer que nem tudo estava bem.

Eu queria ser o senhor do tempo. Porque nesses momentos eu poderia, após uma longa conversa de desabafos e frustrações comigo mesmo, voltar no tempo, para tentar consertar o que eu deixei fora do lugar devido os meus seguidos tropeços ao caminhar. Eu poderia não cometer os mesmos erros e assim romper com as rachaduras que eu sem querer acabo por provocar.

Eu queria ser o senhor do tempo porque assim, eu poderia eternizar os bons momentos e contemplar a infinitude através da nossa felicidade plena. E fazer com que aqueles momentos de ternura durassem uma vida inteira, pois, o afeto brando seria a nossa calmaria durante as noites de tempestade.

O tempo cura tudo. E, é o maior testemunha das grandes histórias, sejam elas de amor ou não. O tempo é sábio e voraz.

Hoje, eu adormeci e ingenuamente sonhei que estava em teus braços, era um momento lindo de tristeza e alegria, marcado pelo companheirismo. Acordei sorrindo, porque percebi que a grande verdade é que não importa ser o senhor do tempo. A verdade rasgada que se despiu para mim fez entender que apreço independe de tempo e que o nosso intento é compartilhar a leveza das nossas almas.