Notas iniciais
Eu quero saber o que vocês estão achando do Tom até aqui

Era sempre a mesma coisa. Toda vez que eu estava entediado ou carente acabava cedendo aos meus impulsos e baixando os aplicativos novamente. Grindr, Tinder, Hornet. Não fazia diferença, todos eles tinham um único propósito: pegação. O "cardápio" é sempre muito variado, tem de tudo, homens malhados, negros, estrangeiros, gordos, peludos, casais, casados, enrustidos, e quando você percebe, perdeu toda a noite falando com estranhos que nem mesmo sabe o nome, sem chegar a lugar algum. Sem novas possibilidades. É um ciclo vicioso, procurando, conversando, julgando, olhando rostos e corpos, se decepcionando. São sempre as mesmas caras, as mesmas conversas, a mesma conclusão. Eu não sirvo pra isso! E acabo por deletar o aplicativo. Pela milésima vez. É um sentimento de vazio que não dá pra preencher com conversas tolas e fodas sem significado. Me sinto vencido. Abatido pelo cansaço da mesmice. Não sei se era eu ou o mundo, mas algo não se encaixava. Nada parecia certo e nenhuma companhia preenchia o vazio do meu peito. Fazia algum tempo que havia deixado de frequentar festas e boates porque já não me fazia bem, voltava pra casa me sentindo pior do que antes. Era tudo tão do mesmo que uma hora a gente abusa. E eu andava abusado de muita coisa. É que uma hora a gente cansa mesmo e quer virar a página, trocar o disco, viver emoções novas. Percebi que o problema era eu, tinha que ser. E cheguei a conclusão que tava precisando sair do Recife. Sair de casa, da cidade, do país. Passar uns dias fora, longe de tudo e de todos. Ter um tempo só meu. Um tempo a sós com meus pensamentos, pra colocar a casa em ordem. É complicado decidir viajar sozinho e ter a si mesmo como companhia. Por mais que tenha um bom livro ou fones de ouvido para passar o tempo, às vezes, a solidão é tão barulhenta que precisamos silenciar a mente. Todavia, de uma forma ou de outra, a mudança de ares fortalece o equilíbrio emocional. Deixo ir tudo que sufoca. Tiro o peso do mundo das minhas costas. Me renovo. É um novo eu, disposto a viver dias mais alegres e ocupar-se com o que me faz bem. É só então que percebo, preciso aprender a me sentir realizado com as pequenas coisas. E entender que cada coisa acontece no seu tempo. Dê um passo de cada vez, Tom!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.