Notas iniciais
Quando o espelho quebrou, eu chamei por você.

É madrugada, Olivia está em um dos corredores do mercado. Acordou com vontade de comer uvas, como não havia ninguém para pedir que fosse comprar, ela foi as compras.

Se Nick não fosse um miserável filho da puta com queda por garotinhas com metade da idade dele, talvez ainda estivéssemos juntos, e ele viria comprar essas porcarias de uvas. Pensa Olivia enquanto coloca três cachos de uvas na cesta. Mas então percebe o que acabara de pensar. Quem sou eu para dizer isso? Estou com uma mulher mais nova, bom, ela tem mais que a metade da minha idade. Mas que droga está acontecendo comigo? Isso é tudo culpa daquele filho da mãe.

Depois de colocar mais cinco cachos na cesta ela caminha até outro corredor, procura por algo que talvez deseje mais tarde. Ao ver um vidro de azeitonas o encara como se fosse a mais maravilhosa paisagem do mundo, coloca três vidros na cesta.

Ela passa minutos percorrendo os corredores à busca por algo mais, mas cansa e vai para o caixa.

—Boa noite. –diz a mulher no caixa.

—Boa noite. –Olivia sorri e larga as uvas e azeitonas sobre o caixa.

Ela deve estar me achando maluca. Pensa Olivia. Uvas e azeitonas? Maluca.

Olha, eu não estou louca, ou drogada, para comprar uvas e azeitonas, estou gravida. Gravida! Agora pare de me olhar desse jeito. É o que Olivia deseja gritar para a mulher à sua frente, mas apenas paga, pega suas sacolas e vai embora.

Adentra seu apartamento e como se sua vida dependesse disso, abre as sacolas e pega um dos cachos de uvas. Dá um sorriso para as paredes após engolir uma das uvas roxas.

Peça por peça ela tira a roupa até chegar no seu quarto. Caminha até o banheiro quando passa pelo espelho ao lado do armário e vislumbra alguns centímetros há mais na barriga.

—Meu bebê. –ela desliza uma das mãos na barriga, sorrindo entre cada uva depositada na boca.

Não pode evitar a emoção de estar gerando uma vida nova dentro de si. Poderia passar horas ali, admirando sua barriga, que antes lisa, agora tem uma elevação, centímetros a mais. Então cansa e resolve sentar ali mesmo. Come uva por uva, até que termina com o cacho, sem tirar os olhos do espelho, da barriga.

—Que nome devo dar ao meu bebê? –ela pergunta para si.

Não há resposta ainda. Sempre pensou que quando engravidasse iria ter ajuda de Nick para escolher coisas importantes como essa, mas não quer vê-lo nunca mais.

Sem sono e com fome, ela volta para a cozinha pega um dos vidros de azeitona e vai para a sala. Liga o som, coloca um pen drive que encontrara sobre a mesa. Volta para o quarto, para frente do espelho. Uma música começa a tocar, não muito alto, mas o bastante para ela ouvir de onde está.

Olivia abre o vidro após certo esforço e pega uma das azeitonas, leva a boca, e sorri, mastiga lentamente, saboreia o momento. Quando leva outra à boca a musica termina e outra começa a tocar. Não demora mais que segundos para ela perceber qual é. Take my breath away. Olha para o espelho, pensa em Nick e chora.

Não acredito nisso. Olivia percebe estar comendo azeitona, as favoritas de Nick. Droga! Por que você tem que ser tão idiota? Por que quebrou a porra do meu coração, seu filho da puta? Sem pensar direito, atira o vidro no espelho, deixando os dois em pedaços.

Nenhum caco atinge a morena, mas ela acaba chorando cada vez mais. Levanta e se joga na cama, chora até pegar no sono.

Antes de dormir ligou para Amanda, ela não atendeu, o que fez a morena se sentir sozinha e carente. Chorou mais um pouco.

No amanhecer do dia, Olivia acorda e levanta da cama. Ainda se acostumando com a luz da manhã não percebe os cacos de vidro no chão, ao caminhar em direção ao banheiro acaba pisando em um.

—Merda! –grita ela ao sentir o caco entrando em seu pé.

Ela senta na cama novamente e olha para o pé ferido. Remove com cuidado o vidro. O corte é fundo, mas não o suficiente para levar pontos. Ao atirar o vidro com sangue ao chão nota a musica à tocar. Sorri da idiotice que fez, pega o celular. Disca o número de Amanda.

—Olivia? –pergunta Amanda ao atender com voz de sono, estava dormindo.

—Preciso de ajuda. –Olivia diz e não sabe se ri ou chora.

Notas finais
Fiz esse capítulo há um tempo. Ele é curto, mas eu adoro ele, porque mostra a Liv com os "hormônios alterados" da gravidez. Espero que tenham gostado. Comentem!