I'm not the only one
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Quando a conversa acabou e Nick finalmente desistiu de tentar ganhar o perdão de Olivia ela foi para o quarto. Logo irá amanhecer e, ao contrario do que pensara Olivia, os problemas dela ainda não haviam terminado. Nada como o destino para destruir nossas esperanças.
Sem conseguir dormir e com Nick socando a parede da sala Olivia arruma-se para ir até uma cafeteria próxima. Quando a morena sai do quarto, nota que o barulho dos punhos de Nick de encontro com a parede havia sessado. Ao adentrar a sala vê o marido sentado ao chão com as mãos cobertas de sangue. Ela pode simplesmente ignorar, ele a causou dor muito pior, mas seu lado altruísta não a deixa ignorar. Olivia caminha em direção de Nick.
–Você é louco? –pergunta pegando a mão direita dele para olhar a gravidade dos ferimentos.
–Me deixe sangrar. –ele puxa a mão com força, mas ela segura-a.
–Deixe-me fazer um curativo. –ela o levanta e os dois caminham até a cozinha.
Nick senta em uma cadeira enquanto Olivia busca pelo kit de primeiros socorros. Assim que acha ela volta para a cozinha.
–Vai arder. –avisa ela ao passar o algodão com um tipo de água oxigenada.
Nick solta alguns gemidos, mas logo se acostuma com o ardor e volta a calar-se.
–Por que fez isso? –pergunta Olivia. Após passar uma pomada ela coloca alguns esparadrapos nos machucados nas duas mãos de Nick.
–Não importa, Olivia. –responde Nick indiferente.
Ela pode ver a dor nos olhos de Nick, não apenas a física, e por um breve momento teve dó daquele ser humano que ela amou e ainda ama tanto. Ele a fez sofrer, mas isso não era motivo para fazê-lo sofrer também.
–Nick... –ela não sabia o que dizer.
–Tudo bem, Liv. –ele olha em seus olhos e puxa suas mãos para si.
Olivia beija a testa do marido e sai do cômodo em direção à porta de entrada do apartamento.
Ela adentra seu carro, em frente ao prédio, e dirige para a cafeteria. São seis e pouco da manhã, não há ninguém nas ruas além de mendigos e jovens bêbados.
Sem nenhum objetivo além de um café bem amargo ela estaciona em frente à cafeteria Jones.
Olivia sente seu celular vibrar no bolso do casaco, mas não se importa. Ignora e adentra a cafeteria.
Ao sentar em uma das mesas ela é surpreendida por uma desconhecida que senta ao seu lado.
–Oi. –diz a morena ao seu lado.
–Quem é você? –pergunta Olivia.
–Desculpe. Sou Lauren Parenti, gerente do local. –ela oferece a mão para Olivia, que a cumprimenta receosa.
–Você cumprimenta todas as clientes?
–Só as mais bonitas. –ela responde sorrindo.
Olivia permanece olhando para Lauren.
–Posso pedir? –pergunta Olivia sorrindo.
–Claro. –ela responde.
–Gostaria de um café preto. –diz Olivia.
–Ótimo. Amargo? Você tem cara de quem gosta de café amargo. –Lauren sorri. –Bom, esquece o que eu falei. Vou resumir: isso é para você. –entrega um pequeno papel dobrado para Olivia. Levanta e vai a busca do pedido dela.
Olivia acompanha Lauren com os olhos até ela desaparecer ao adentrar a cozinha.
Olivia, espero que esteja bem. Sinto muito se algo que disse lhe magoou. Por favor, não queria lhe entristecer. Estou em minha casa, será bem vinda caso apareça.
Beijos e abraços Amanda Rollins.
Quando Olivia termina de ler o bilhete da loira abre um sorriso.
Sente-se mal por ter deixado Nick, claro que se sente, mas ela também possui o direito de ser feliz, mesmo que seja com alguém inesperado, mesmo que seja com uma mulher. Amanda lhe atraia e lhe deixa feliz, apesar de se conhecerem a poucos dias, parem ser meses, anos, vidas. Talvez o final feliz que ela ainda aguarda esteja próximo.
Olivia sente o efeito de não ter dormido, cerra seus olhos e respira fundo. Quando os abre novamente Lauren a encara com uma xícara em mãos.
–Noite difícil? –pergunta alcançando para Olivia a xícara.
–Sim. –Olivia sorri e bebe um gole do café.
Lauren lhe olha com um sorriso nos lábios e se afasta sem dizer nada.
Depois de alguns goles Olivia retira o celular do bolso e liga para Amanda, mas a loira não atende Olivia. O que deixa-a preocupada. Por que Amanda não atenderá? A pergunta fica nos pensamentos de Olivia por um tempo, até que a morena deixa de pensar sobre isso e sim em o porquê de estar preocupada. Conheceu Amanda recentemente, sabe menos do que o aceitável para ser considerada amiga dela e mesmo assim está preocupada. A loira é uma desconhecida. Mas apesar disto Olivia deseja tê-la por perto e beija-la novamente seria mais que satisfatória. Por fim a morena percebe que talvez, apenas talvez, esteja se apaixonando por Amanda. É o que parece.
Droga.
Sequer acabou com seu casamento e já está sentimentalmente envolvida com outra pessoa. Olivia não é assim, nunca sentiu isso, o que deixa completamente confusa. Seu amor por Nick e agora essa paixão inesperada por uma loira, ex-prostituta, que é cúmplice de seu quase adultério.
Exata uma hora depois de adentrar a cafeteria ela vai embora, sem pagar, ganhara o café como cortesia da casa.
Dirige com presa e tenta não pensar em nada durante o trajeto, qualquer pensamento racional é evitado. Mesmo com suas dúvidas e decepções amorosas dos últimos dias e anos ela ignora tudo ao encorajar a si mesma à ir de encontro a Amanda.
Desce do carro o mais rápido que consegue e corre até a porta da loira, toca a campainha mais de três vezes, seguidamente. Amanda abre a porta irritada com o barulho, mas a raiva se esvai quando percebe ser Olivia.
–Olivia...
Antes que a loira terminasse de falar Olivia a agarra e a beija. Primeiro com força, fogo, paixão. Depois lentamente como em um filme de romance. Romance lésbico.
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