Notas iniciais
Secret love.

2010

O sol está quase saindo. Os primeiros raios estão brilhando no céu. É absurdo o quão os fios da loira ao lado de Olivia parecem com esses raios, porém dificilmente serão confundidos com os mesmos, afinal são macios e perfumados, um perfume tão doce quanto as flores violetas que a loira adora tanto e que mantém no vaso de vidro sobre a pequena escrivaninha em frente a cama.

A primeira manhã do ano. A morena não acredita no que acabara de acontecer. Bebeu um pouco mais do que devia e agora está na cama de Alexandra Cabot, promotora da SVU. Ela até já consegue ouvir o sermão de Melinda. Como explicar isso? Como esquecer isso? Apesar de só ver o lado errôneo da situação, não poderia dizer que fora um erro. Divertiu-se, mais do que esperava, mais do que na virada do ano passado.

—O que está pensando? –pergunta Alex com a voz ainda sonolenta.

Olivia olha para ela, com o cabelo mais bagunçado que ontem, com olheiras e mesmo assim linda, os olhos azuis, a pela tão branca.

—Nada. –responde por fim.

A loira a encara, pensativa, não contente com a resposta.

—Mentira. Deve estar pensando na merda que fez. –ri. –Estava pensando sobre isso, não é?

A detetive a encara por alguns segundos, sem certeza sobre o que dizer, desvia o olhar e busca por palavras sutis para confirmar as de Alex.

—Feliz ano novo. –diz com um sorriso.

—Nossa, Liv. –Alex vira-se na cama, está de costas para a morena.

Alexandra não está realmente brava com a morena. É charme. Como poderia ficar de mau humor após receber um sorriso branco daqueles, como poderia ficar de mau humor depois de ter passado a noite com a detetive mais sexy da SVU? A loira está apenas mantendo a pose. Afinal a pequena “paixonite” por Olivia agora está mais perigosa, agora que foram para a cama. Será possível estar mais apaixonada por alguém? Não há resposta para a pergunta. Alex está amando Olivia, mesmo sabendo que a morena apenas bebeu demais na noite anterior e somente por isso se deitou com ela. É constrangedor dizer, mas a loira não se importa. Fez sexo com a mulher que deseja há tempos e isso basta. Por enquanto. Não espera que algo comece, que Olivia se apaixone, não, nada disso. Não admite, mas por mais realismo que espera dessa pós-foda, também não se importaria se Olivia lhe agarra-se na frente de Elliot e gritasse que a ama.

—Alexandra. –Olivia sussurra. Aproxima-se da loira.

Olivia enrola o polegar nos fios amarelos da mulher.

—Não diga nada, por favor. –Alex vira-se novamente, observa à morena. –Só... Podemos esquecer essa noite. Tudo bem.

—Não quero isso, Alex. Só... Não posso te dar falsas esperanças. Não posso lhe oferecer um relacionamento sério... –os olhos de Alex sempre tão severos, estão calmos e mansos, transmitindo paz e carinho. Olivia não pode mudar aquele olhar, não pode o entristecer. –Agora.

—Eu sei, Liv. –a loira sorri.

Um beijo rápido é dado. Não seria o último.

2011

Uma briga não resolvida consegue estragar a noite, em que seria para comemorar mais um ano do capitão no comando, de toda a equipe. Olivia e Alex brigam, dessa vez em frente à toda unidade, inclusive Elliot.

—Vocês estão juntas? –pergunta ele após a saída da loira.

—Vá à merda, Elliot. –Olivia diz irritada enquanto pega seu casaco o mais rápido que pode para ir atrás de Alex.

Ao chegar em frente à unidade a morena vê Alex adentrando seu carro.

—Alexandra! –Olivia grita tentando faze-la parar.

A loira não se importa com o grito de Olivia e adentra o carro.

—Puta que pario, Alex! –grita Olivia correndo em direção ao carro. Ela para em frente ao carro impedindo a passagem do mesmo.

—Sai da frente ou eu atropelo você, vadia! –Alex grita exasperada com a atitude de Olivia.

—Por favor, Alex. Desliga o carro. Vamos conversar, por favor. –Oliva diz com as mãos no ar.

—Não... –Alex começa a chorar. Desliga o carro.

Olivia caminha devagar até o carro, não sabe exatamente o que dizer para a loira.

—O que diabos deu em você? –ela pergunta e logo se arrepende.

—Cansei disso. –responde a loira limpando as lágrimas, que deslizam por seu rosto pálido, com as costas da mão direita.

—O que quer dizer? –pergunta Olivia sem compreender.

Isso.—ela aponta para a unidade- Essa coisa que nós temos.

—Alex...

—Estou cansada de não poder tocar em você perto dos outros, não poder conversar algo nosso perto dos outros, não poder te beijar perto dos outros. Perto dele. Olivia, por quê? –a loira encara a morena, apesar de não ter derramado muitas lágrimas, seus olhos estão vermelhos. –Não responda. Eu sei o porquê.

As duas permanecem em silêncio.

—Diga alguma coisa! –Alex grita exasperada.

—Dizer o que? –pergunta Olivia, não quer, mas seus olhos estão úmidos. Ver Alex daquele jeito, ver o relacionamento delas indo para o fadado termino é angustiante, mesmo para ela.

—Droga, Olivia! Vai ficar ai e concordar com o que eu disse? É isso? Você se importa mais com ele do que comigo? Não precisa responder. –diz a loira abaixando a cabeça ciente da resposta.

Olivia permanece calada. Não há o que dizer, ela disse tudo, a morena não quer terminar com esse relacionamento, mas também não pode o levar a sério quando seu coração não pertence à Alex. Se a validade disso acabou, só resta aceitar que saboreá-lo agora é impossível.

—Você sabe que eu não posso... –ela começa a falar por fim, mas é interrompida.

—Ok, Olivia. Não comece com a tua fala ensaiada. Acabou. –a loira ergue o olhar para a morena e sorri. –Volte para o teu amado.

—Me desculpe, Alex. –Olivia abre a porta e sai do carro.

Alexandra acompanha com os olhos os passos de Olivia, cada um deles é como uma facada em seu peito, até a unidade, onde encontrará Elliot e permanecerá sua parceira, até o dia em que um deles não aguentará a tensão quase que incestuosa entre eles e partirá, se afastará. Ela aposta mentalmente que será Elliot o primeiro a saltar do barco e então, Olivia ficará aos pedaços. A loira fica ainda mais triste, pensar na dor de Olivia é ainda pior do que a dor que ela sente ao ter o próprio coração partido. Ver alguém que se ama partido é indescritível, a palavra insuportável não se aproxima do ardor causado, para quem ainda sente de verdade.

Notas finais
Olá leitoras lindas, então, eu e Panda ficamos mais de uma hr no celular escrevendo oralmente esse capítulo, pobre dona Joana(mãe da Panda) nesse fim de mês. rs. Esperamos que tenham gostado desse nostálgico capítulo, nós adoramos escreve-lo. Bjos de luz. PS: tentaremos postar um novo capítulo todo dia a partir de agora.